Hiperplasia Cistica Endometrial

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Hiperplasia Cistica Endometrial em cadelas

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  • UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANAFACULDADE DE CII:NCIAS AGRARIASCURSO DE MEDICINA VETERINARIA

    HIPERPLASIA CiSTICA ENDOMETRIAL - PIOMETRA(CADELAS E GATAS)

    CURITIBA2002

  • LINDSAY GRIGOLETTI

    HIPERPLASIA CiSTICA ENDOMETRIAL - PIOMETRA(CADELAS E GATAS)

    Trabalho de Conclusao deCurso apresentado ao Cursode Medicina Veterinaria daUniversidade Tuiuti doParana, como requisito parcialpara a obten9Ao do titu.lo deMedico Veterinario.Orientadora: Prof. Andrea Barros

    CURITIBA2002

  • SUMARIO

    LlSTA DE ILUSTRAc;:OES 3

    RESUMO 4

    INTRODUc;:Ao........................................ 5

    4 DESCRIc;:Ao DOS CONCEITOS RELACIONADOS COM A HIPERPLASIA

    CiSTICA ENDOMETRIAL - PIOMETRA......... 6

    4.1 ETIOLOGIA ..

    4.2 SINAIS CLiNICOS ...

    4.3 DIAGNOSTlCO ...

    4.4 TRATAMENTO ..

    4.5 PROGNOSTICO ...

    6

    9

    13

    15

    23

    CONCLUsAo , 25

    REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS........................................................ 26

  • 1.LlSTA DE ILUSTRAC;:OES

    FIGURA 1 - Ovarios clsticos e utero com hiperplasia cistica endometrial de umaMastiff com 2 an os de idade, no cia durante 12 semanas.. 8

    FIGURA 2 - Utero friavel e aumentacfo de tamanho em um animal com piometra .. 8

    TABELA 1- Resumo da Classifica~o de Dow de Hiperplasia Cistica do Endometrio- Piometra. 13

  • 2.RESUMO

    Na pratica da dinica de pequenos anima is, os medicos veterinarios sao

    freqOentemente confrontados com 0 quadro de piometra em cadeJas. Em gatas

    raramente ocorra. Devern decidir rapidamente sobre a melhor forma de tratamento

    quando se trata uma situa~o de risco de vida da paciente. Esta revisao tern como

    objetivo a descric;ao dos conceitos dentro da hiperplasia cistica endometrial e

    consequentemente da piometra. Aborda-se tanto a etiologia como as sinais e

    achados clinicos. bern como aspectos do diagn6stico desta patotogia. Com relayao

    ao tratamento, sao considerados tanto a abordagem medicamentosa quanta a

    cirurgica e a importlmcia de cada urna delas.

    Unitermos: Cadelas, hiperpJasia cistica endometrial, piometra.

    Abstract:

    Small animal clinicians are frequently confronted by cases of pyometra in bitches.

    In cat the incident is rare. Having to decide quickly about the best treatment when it is

    a life-threatening situation. This review is aimed at describing the concepts in the

    cystic endometrial hyperplasia and consequently in the pyometra. The etiology,

    signals and clinical findings and aspects of the pathology diagnosis are reviewed.

    Regarding treatment, both medical and surgical approaches are into account and

    importance of each one.

    Key-words: Bitches, cystic endometrial hyperplasia, pyometra.

  • 3.INTRODUC;AO

    A vagina apresenta urna flora bacteriana normal residente. Durante 0 estra, a cervix

    relaxa e estas bacterias s~o capazes de entrar no utero. Geralmente 0 mecanisme

    de defesa do utero e capaz de eliminar estas bacterias, ou algum mecanismo na

    cervix (possivelmenle muco) pode prevenir a sua entrada. Em particular entretanto,

    as femeas com hiperplasia cistica endometrial. parecem incapazes de eliminar estas

    bacterias que pod em sobreviver no fluido cistico. 0 cresci menta de bacterias no

    utero eventualmente estimula 0 acumulo de exsudato inflamatorio. 0 organismo

    geralmente isolado destes casos e a E. coli. A administra

  • 4. DESCRICiiO DOS CONCEITOS RELACIONADOS COM A HIPERPLASIA

    CiSTICA ENDOMETRIAL - PIOMETRA

    4.1.Etiologia

    A hiperplasia clstica do endometria (HeEl induzida pel a progesterona e a

    primeira lesao no desenvolvimenlo da piomelra.(ETTINGER, 1992, p. 1878-1881). Eo

    um disturbio do utero potencialmente fatal.( NELSON e COUTO, 2001, p.681-B83).

    A res posta fisiol6gica normal do endometria a progesterona e exagerada. As

    glandulas endometria is tarnam-S8 cisticas e repletas de liquido, e 0 liquido S9

    acumula no lumem uterino.(ETTINGER, 1992, p. 1878-1881). A progesterona

    suprime 0 sistema imune local, eslimulando as glt:1ndu"lasendometriais a produzir

    secreyaes favoraveis ao crescirnento bacteriano. diminuindo a contratilidade do

    miometrio e fechando a cervix, prevenindo a drenagem do exsudato uteri no

    decorrente. A hiperplasia endometrial causada pel a progesterona ocorre com ou

    sem estrogeno. 0 estrogeno, param, aumenta profundamente a gravidade da

    enfermidade atraves do aumento do numero de receptores para progesterona no

    endometria. Esta piometra se desenvolve em 25% das cadelas que recebem

    estradiol como urn abortivo (no acasalamento indesejado) durante a

    diestro.(.OSTWALD et aI., 1998, p. 381-383).

    A Escherichia coli e a bacteria mais freqOentemente isolada de gatas e cadelas

    com piometra.(Richard W. Nelson). Ha uma boa evidencia de que capas de E coli

    tern uma afinidade para 0 epih~lio do trato urinario e musculo delgado, como tambem

    o endometrio e a miometrio na fase progesterona. Se as organismos de tratos

    urinarios estao envolvidos na patogenia ales devem ganhar entrada ao utero no

    estro, quando 0 canal cervical esta aberto. Normalmente pode-se dizer que a utero,

  • na fase estrogenica, e capaz de eliminar esta contaminayao bacteriol6gica, maspode ser significante que na cadela 0 inicio do estra esta associ ado com 0 aum.,ento

    da concentrayao plasmatica de progesterona, proveniente da luteinizayao dos

    foliculos de Graaf.( CHANDLER et aI., 1989, p. 506-509). Outras bacterias como

    Streptococcus, Staphilococcus, Pseudomonas, Proteus, Klebsiella, Salmonella, e

    infeces bacterianas mistas tambem ocorrem.(ETTINGER,1992, p. 1878-1881).

    Apesar da infecyao bacteriana nao iniciar a patogenia de HCE-Piometra, ela e aprincipal causa da morbidade e mortalidade associadas a piometra.( NELSON e

    COUTO, 2001, p. 681-683).

    Quando a progesterona e administrada em cadelas ooferectomizadas, as lesOes

    da HCE e todos os sintomas tipicos de piometra s~o produzidos. Nenhuma dessas

    les6es e produzida quando 0 estrogenio e administrado sozinho. A ocorrencia deHCE e piometra ap6s a administra~o ex6gena de progesterona e dose e dura~o-de pendente tanto na cadela como na gata. Uma patologia uterina semethante foi

    descrita apas a administrayao de compostos progestacionais como a progesterona,

    acetato de melengestrol, acetato de megestrol, acetato de medroxiprogesterona, 17-

    a-acetoxiprogesterona, e acetato de dormadinona em cadelas. A ocorrencia de HCE

    e piometra tern side descrita freqOentemente ap6s a administrayao de acetato de

    megestrol e medroxiprogesterona a gatas intactas e parcial mente histerectomizadas.

    Em adi~o Ii HCE, as progestinas ex6genas causam supressao do c6rtex adrenal

    em cadelas e gatas. Embora 0 estrogenio eXOgenosozinho nao provoque HCE ou

    piometra, ele potencia os efeitos da progesterona.(ETTINGER,1992, p. 1878-1881).

    A patogenese da piometra parece ser similar em gatas e cadelas. A molestia emenos prevalente em gatas, porque estes animais sao ovuladores induzidos, que

  • necessitam do coito antes que ocorra 0 desenllolvimento do tecido luteo, e que

    ocorra a subsequente secreyao de progesterona. A medicayao progestacional

    empregada no tratamento de algumas molestias cutaneas felinas pode ser

    respons8.11el par incidlmcia mais elevada de piometra em gatas nao-fecundadas.(

    BOJRAB, 1996, p. 666-669).

    FIGURA 1 - Oviirios cisticos e utero com hiperplasiaclstica endometrial de uma Mastiff com 2 anos de idade.no cio durante 12 seman as.

    II

    i "o\JItA,':;~'c~.. ": " "'-,'".,.,.. I"1.' '.' ~o",/ .!., _0"'0 , Ii ~__,.~_;:~'~'~~f'.'~~~-t I, .'-

    FIGURA 2 - Utero friiivel e aumentadode tarnanho em urn animal com piometra.

  • 4.2.Sinais Clinicos

    Segundo a pesquisa de Dow, citada por ETTINGER (1992, p. 1878-1881), quatro

    tipos cHnicos e histologicos de HCE-piometra na cadela e na gata foram descritos.

    Os animais com 0 tipo I de HCE nao apresentam sintomas de molestia exceto por

    um corrimento vaginal sanguinolento em algumas gatas, e urn corrirnento vaginal

    mucosa em algumas cadelas. Macrosc6pica e histologicamente, ocorria HCE sem

    inflama

  • 10

    nas cadelas como nas gatas. As celulas plasmaticas e Qutras celulas mononucleares

    foram as infiltrados celulares predominantemente encontrados no tipo III de HCE-

    piometra em gatas. A aparimcia histol6gica do tipo IV de HCE-piometra variou de

    acordo com a abertura da cervix nas cadelas e gatas. Quando a cervix estava

    "aberta", os cornos uterinos Ileralmente tinham menos do que 3 cm de di~metro.

    Havia HCE, fibrose, e hipertrofia do miometrio. Quando a cervix estava "fechada",

    havia extrema distensao uterina, uma parede uterina fina, e atrofia

    endometrial.(ETTINGER, 1992, p. 1878-1881).

    Embora as cadelas e gatas sob a inftu~ncia da progesterana end6gena (lase

    luteinica) ou ex6gena, e as cadelas em fase luteinica recebendo estr6genos

    exogenos, estejam evidentemente sob a maior risco de desenvolverem HCE, 0(5)

    motiva(s) porque somente algumas famaas sao afetadas e desconhecido. N~o

    existem diferenyas aparentes nas concentrar;:aes de progesterona ou estrogenos

    nae conjugados no sangue de cadelas com piometra, cadelas com falsa gestayao,

    ou cadelas norma is na fase luteinica do cido estral. Nao existe evidencia de que as

    irregularidades do estra, a lalsa gestayao, ou a lalta de gestayao anterior estejam de

    algum modo associadas com a ocorrencia de piometra na cadela. Em exame feito

    em 245 cadelas, um hist