Recursos Cinegéticos em Portugal: Oportunidades e ameaças ... · PDF fileRaposa...

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  • Recursos Cinegticos em Portugal: Oportunidades e ameaas. Caso de estudo do permetro florestal da Contenda1.

    Giselda Monteiro2 Bruno Pereira3; Carla Carrasco4; Joana Carreto5

    Rua da Liberdade, 18 A-das-Lebres 2660-181 Sto. Anto do Tojal/ LRS Palavras-chave: Recursos Cinegticos, sustentabilidade dos recursos autctones, Permetro Florestal da Contenda.

    Resumo

    A caa hoje em dia encarada como uma actividade promotora de

    desenvolvimento de determinadas reas onde o processo de despovoamento uma

    realidade. No entanto, se a caa no for praticada de uma forma equilibrada e que

    respeite as regras bsicas da conservao e preservao da natureza, pode pr em causa

    a sustentabilidade dos recursos autctones, e assim comprometer o potencial processo

    de desenvolvimento. A sobreexplorao dos recursos cinegticos constitui uma ameaa

    no negligenciada no quadro do ordenamento sustentvel.

    Numa sociedade onde cada vez mais se d importncia s questes ambientais e,

    essencialmente, ao turismo de natureza, as reas rurais podem aproveitar o potencial

    cinegtico que possuem, de forma a criarem uma maior oferta de actividades de lazer. O

    exemplo do Permetro Florestal da Contenda (Moura) ilustra as potencialidades e

    debilidades da explorao destes recursos.

    1 Este trabalho foi realizado no mbito da cadeira de Analise Biofsica do Territrio no ano lectivo de 2004-2005, orientado pela Prof. Ana Ramos Pereira 2 965 562 622 gmnmonteiro@iol.pt; 3 brunoacpereira@gmail.com 4 carla_carrasco@hotmail.com; 5 joanagrave@gmail.com

  • OBJECTIVOS E METODOLOGIA

    Pretendeu-se com a realizao deste trabalho conhecer a diversidade das espcies

    existentes, a sua distribuio no territrio, bem como o interesse cinegtico de cada uma

    delas, de forma a avaliar a importncia da caa como um recurso e evidenciar os riscos

    que a ela se podem associar.

    Foi tambm nosso objectivo saber qual a influncia da actividade cinegtica no

    ordenamento e gesto do territrio e simultaneamente as perspectivas futuras para esta

    actividade. Para melhor percebermos toda a dinmica deste tema, decidimos estudar o

    caso especfico do Permetro Florestal da Contenda, nomeadamente, as caractersticas

    do territrio, o tipo de gesto, a caa praticada e quais os impactes na regio envolvente.

    O estudo dividiu-se em quatro fases distintas.

    Numa primeira fase, de mbito mais descritivo, pretendeu-se analisar uma srie de

    conceitos relacionados com a caa, disponveis no D.L. 173/99 de 21-09-1999.

    Na segunda fase enunciamos as diversas espcies cinegticas e respectivo interesse ,

    recorrendo ao manual de exame para carta de caador, publicado pela DGRF e a

    publicaes da especialidade.

    A influncia da actividade cinegtica no ordenamento e gesto do territrio, a qual

    feita atravs de dois regimes distintos, constitui a terceira fase do trabalho. A partir do

    perfil geral do caador ainda feita uma abordagem sobre os impactes econmicos e

    ambientais das actividades associadas caa. Para tal, foram tidos em conta vrios

    estudos assim como dados estatsticos disponveis no INE.

    Na ltima fase do trabalho apresentado o caso de estudo, tendo-se efectuado uma

    caracterizao dos recursos existentes evidenciando as suas potencialidades e as

    debilidades. Para esta anlise, o trabalho de campo mostrou-se bastante importante, uma

    vez que nos permitiu um contacto directo com a realidade deste territrio. foram

    consultadas outras fontes, nomeadamente artigos disponibilizados pelos Servios

    Florestais de Beja.

    1. DISCUSSO DE CONCEITOS

    Tendo em conta o tema do trabalho, foi necessrio conhecer e precisar alguns

    conceitos relacionados com os recursos cinegticos. Para melhor compreenso do

  • mesmo, de seguida sero apresentadas algumas definies indispensveis ao

    desenvolvimento do trabalho:

    ACTO VENATRIO: todos os actos que visam capturar, vivo ou morto, qualquer exemplar

    de espcies cinegticas que se encontre em estado de liberdade natural,

    nomeadamente a procura, a espera e a perseguio. (Direco Geral de Recursos

    Florestais, 2003, Carta de caador, manual para exame; Lisboa)

    ORDENAMENTO CINEGTICO: conjunto de medidas e aces nos domnios da

    conservao, fomento e explorao racional dos recursos cinegticos, com vista a

    obter a produo ptima e sustentvel, compatvel com as potencialidades do meio,

    em harmonia com os limites impostos pelos condicionalismos ecolgicos,

    econmicos, sociais e culturais e no respeito pelas convenes internacionais e as

    directivas comunitrias transpostas para a legislao portuguesa. (Direco Geral de

    Recursos Florestais, 2003, Carta de caador, manual para exame; Lisboa)

    RECURSOS CINEGTICOS: aves e mamferos terrestres que se encontrem em estado de

    liberdade natural, quer os mesmos sejam sedentrios no territrio nacional quer

    migrem atravs deste, ainda que provenientes de processos de reproduo em meio

    artificial ou de cativeiro e que figurem na lista de espcies publicada com vista

    regulamentao do Decreto-lei. 173/99 de 21-09-1999, considerando o seu valor

    cinegtico, e em conformidade com as convenes internacionais e as directivas

    comunitrias transpostas para a legislao.(Direco Geral de Recursos Florestais,

    2003, Carta de caador, manual para exame; Lisboa)

    SUSTENTABILIDADE: Em sentido lato, pode ser entendida como o assegurar de bens e

    servios (recursos), fsicos e biofsicos necessrios ao desenvolvimento dos sistemas

    humanos que pode ser mantido perpetuamente sem que se experimente uma

    degradao irreversvel da integridade e da capacidade de resilincia dos sistemas

    biofsicos que os suportam. Aplicando-o ao caso concreto dos recursos cinegticos,

    a sustentabilidade implica uma utilizao racional dos recursos para que esta

    utilizao no ponha em causa o equilbrio biolgico das espcies em concreto nem

    a estabilidade dos ecossistemas ambientais na sua generalidade.

    2. DIVERSIDADE DOS RECURSOS CINEGTICOS EM PORTUGAL

    Em Portugal existe uma grande diversidade de recursos cinegticos, classificados

    em duas classes fundamentais: caa maior e caa menor.

  • A caa maior engloba mamferos, tais como o veado, gamo, javali e o muflo,

    enquanto a classe da caa menor constituda pelo conjunto de aves sedentrias e

    migradoras ou parcialmente migradoras, bem como mamferos de pequeno porte

    (coelho bravo, lebre, raposa, saca-rabos).

    No quadro seguinte apresentam-se, com maior pormenor, o estatuto de

    conservao e o respectivo interesse cinegtico de cada espcie existente no nosso

    territrio. Este mostra, de acordo com o boletim Informao Florestal, que as espcies

    com maior interesse cinegtico no so vulnerveis.

    Quadro 1-

    Classificao das espcies cinegticas, segundo o estatuto de conservao e interesse cinegtico.

    Estatuto de conservao Interesse cinegtico Espcie I.C 6 R 7 N.A 8 V 9 E 10 M 11 R 12

    Caa Maior Coro (Capreolus capreolus) Gamo (Cervus dama) Javali (Sus scrofa) Muflo (Ovis ammon) Veado ( Cervus elaphus)

    Caa Menor Mamferos

    Coelho ( Oryctolagus ciniculus) Lebre ( Lepus capensis) Raposa ( Vulpes vulpes) Saca- Rabos

    Aves Sedentrias Faiso comum Gaio ( Garrulus Glandarius) Gralha preta ( Corvus corone) Melro preto ( Turdus merula) Pega rabuda (Pica pica) Perdiz vermelha ( Alectoris rufa) Pombo da rocha ( Columba livia)

    Fonte: Informao Florestal, n 12

  • Quadro 1 (cont.)- Classificao das espcies cinegticas, segundo o estatuto de conservao e interesse cinegtico.

    Fonte: Informao Florestal, n 12 6 Insuficientemente conhecido 7 Raro 8 No Ameaado 9Vulnervel 10Elevado 11Mdio 12Reduzido

    Estatuto de conservao Interesse cinegtico Espcies I.C 6 R 7 N.A 8 V 9 E 10 M 11 R 12

    Migradoras ou parcialmente migradoras Arrabio ( Anas acuta) Codorniz ( Cotumix Cotumix) Estorninho malhado ( Sturnus vulgaris) Frisada ( Anas strepera) Galeiro ( Fulica atra) Galinha d'gua ( gallinula chloropus) Galinhola ( Scolopax rusticola) Marrequinha ( Anas crecca) Marreco ( Anas querquedula) Narceja comum ( Gallinago gallinago) Narceja galega ( Lymnocryptes minimus) Pato real ( Anas platyrhynchos) Pato trombeteiro (Anas clypeata) Piadeira ( Anas penelope) Pombo bravo ( Columba oenas) Pombo torcaz ( Columba palambus) Rola comum ( Streptopelia turtur) Rola turca ( Streptopelia decaocto) Tarambola dourada ( Pluvialis apricaria) Tordeia ( Turdus viscivorus) Tordo comum ( Turdus philomelos) Tordo ruivo ( Turdus iliacus) Tordo zornal ( Turdus pilaris) Zarro comum ( Aythya ferina) Zarro- negrinha ( Aythya fuligula)

  • 3. TIPOS DE GESTO

    O aproveitamento dos recursos cinegticos algo que est subjacente presena

    humana comeou a merecer uma preocupao crescente sobretudo a partir de 1986,

    quando se comeou a pensar que a caa devia ser gerida de modo integrado e eficaz.