ECOLOGIA ALIMENTAR DA RAPOSA [ Vulpes vulpes (Linnaeus

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  • JOS PAULO ESMERIZ PIRES

    ECOLOGIA ALIMENTAR DA RAPOSA

    [ Vulpes vulpes (Linnaeus 1758)] NO

    PARQUE NATURAL DA SERRA DA ESTRELA

    Dissertao de Mestrado em Ecologia Aplicada apresentada Faculdade de Cincias da Universidade do Porto

    PORTO, 2001

  • Aos meus pais.

  • AGRADECIMENTOS

    A execuo do presente trabalho no teria sido possvel sem o apoio de diversas

    pessoas. Agradecer-lhes, constitui um momento de grande satisfao pessoal, mas que

    no est isento de riscos. Por um lado, qualquer que seja o agradecimento, nunca deixar

    de ser subjectivo, j que cada um presta o auxlio que lhe possvel, de acordo com a

    solicitao do momento. Por outro lado, h sempre a possibilidade de esquecer algum e,

    essa possibilidade, assustadora. Espero, pois, que me perdoem todos os erros que

    possam estar implcitos no texto que se segue.

    Antes de mais, quero agradecer a Nuno Ferrand de Almeida a credibilidade e o

    tempo que me dispensou, no sentido de tornar este projecto possvel e vlido. As suas

    crticas e sugestes, constituram uma mais valia significativa na fase de concluso do

    trabalho. Nos intervalos, e no fim, do trabalho, houve uma velha amizade que se renovou.

    Agradeo a Francisco Palomares o apoio e sugestes que, durante a definio de critrios e metodologias, impulsionaram a execuo do estudo. O seu apoio no sentido de me permitir o acompanhamento dos trabalhos em curso na Estao Biolgica de Donana, bem como as crticas que efectuou durante a reviso do texto final, foram de extrema importncia na execuo deste estudo.

    Em todos os momentos, o apoio de duas outras pessoas foi absolutamente

    imprescindvel. As suas crticas e sugestes, a discusso contnua dos resultados, os seus

    conselhos, os conhecimentos pessoais que me transmitiram, a reviso do trabalho e,

  • acima de tudo, as provas de amizade com que me galardoaram em todas as ocasies, no

    encontram espao suficiente nestes agradecimentos. Por isso, aos meus colegas e amigos

    Paulo Clio Alves e Javier Calzada, no sei como agradecer neste momento. Na verdade,

    espero que se sintam recompensados com a minha amizade.

    A Fernando Matos, Director do Parque Natural da Serra da Estrela, agradeo no

    s todas as facilidades de servio concedidas, mas tambm a amizade e o reconhecimento

    da importncia da satisfao pessoal e da formao contnua dos seus colaboradores,

    sempre que se concilia com o interesse da conservao da natureza e da gesto do

    espao natural de que responsvel. Efectivamente, sem o seu apoio jamais este trabalho

    teria chegado ao fim.

    A Miguel Delibes, agradeo a permisso para utilizar as instalaes e os meios da

    Estao Biolgica de Dofiana, sempre que foi necessrio e sem qualquer restrio. Alm

    disso, as suas crticas e sugestes contriburam decisivamente para o contedo e forma

    final deste trabalho.

    As sugestes do Fernando Queirs, foram importantes durante a fase de seleco

    das reas de estudo, nomeadamente na aplicao da metodologia de monitorizao de

    coelho-bravo.

    No laboratrio, a Joana Castro exprimiu-se como uma excelente preparadora de

    plos e dentes para identificao lupa e microscpio. O seu apoio contribuiu,

    significativamente, para a rpida execuo desta fase do trabalho. Este mesmo perodo,

    foi assinalado pelo importante apoio prestado pelo Paulo Santos, ao facilitar-me o acesso

    ao material ptico necessrio. Por isso, e pelo constante incentivo execuo deste

    estudo, devo-lhe os meus agradecimentos.

    O Jos Manuel Grosso fez a reviso dos pormenores grficos e deu-me importantes

    informaes sobre a entomofauna da Serra da Estrela.

  • Este ltimo e a Joana Castro foram, ainda, dois elementos de apoio imprescindvel

    pela forma como colaboraram comigo a nvel profissional, no Parque Natural da Serra da

    Estrela. As tarefas que desempenharam, e a qualidade e responsabilidade com que o

    fizeram, permitiram-me gerir mais vontade o tempo de dedicao parte final deste

    estudo.

    O Antnio Mrias e o Alejandro Rodriguez ajudaram-me no tratamento estatstico

    dos dados. O primeiro ajudou-me, ainda, na reviso do texto, e as suas crticas ajudaram-

    me imenso na exposio das principais ideias.

    Ao meu velho amigo Jos Alberto Gonalves, agradeo o arranjo da cartografia de localizao das reas de estudo.

    Agradeo ao Serafim Correia, excelente tcnico e bom colega do Parque Natural da

    Serra da Estrela, o arranjo da fotografia da raposa que ilustra este trabalho, bem como a

    disponibilidade para ceder as suas prprias imagens.

    A Juan Carlos Blanco, agradeo pela disponibilidade e amizade que demonstrou na forma extraordinria como me facilitou o acesso sua tese de doutoramento e, j agora, pelo seu exemplo de trabalho.

    Agradeo D. Maria dos Prazeres o apoio que me disponibilizou ao longo de todo

    o perodo de preparao da dissertao e, sobretudo, o seu enorme incentivo realizao

    do trabalho na fase de maior contrariedade.

    Finalmente, agradeo a todos os amigos com quem convivi durante esta fase da vida, uma vez que, sem o seu apoio, tambm no teria sido possvel chegar at ao fim. Alguns talvez devessem ter aqui uma referncia explcita, contudo, no consigo, nem me parece justo, distinguir quais foram os mais importantes.

  • INDICE

    1. INTRODUO 1

    2. OBJECTIVOS 4

    3. REA DE ESTUDO 6

    Seleco de locais de amostragem 10

    Caractersticas dos locais de amostragem 12

    Cabea Alta 12

    Serra de Baixo 15

    4. METODOLOGIA 18

    Amostragem 18

    Armazenamento e anlise das amostras 19

    Abundncia de raposa 21

    Monitorizao da abundncia de coelho-bravo 22

    Ecologia alimentar de raposa 23 Dieta anual 24 Dieta sazonal 27

  • Relao entre a abundncia e o consumo de coelho-bravo pela raposa 27

    5. RESULTADOS E DISCUSSO 28

    Abundncia de raposa 28

    Abundncia de coelho-bravo 30

    Ecologia alimentar de raposa 33

    Dieta anual 33 Dieta sazonal 44

    Comparao espacio-temporal 44 Relao entre o consumo dos diferentes alimentos 57

    Relao entre a abundncia e o consumo de coelho-bravo pela raposa 61

    6. CONCLUSES 63

    7. RECOMENDAES 65

    8. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 68

    ANEXOS

    1. Valores do ndice de abundncia de raposa

    2. Valores do ndice de abundncia de coelho-bravo

    3. Valores de biomassa consumida das classes de alimento

    4. Frequncia de ocorrncia das classes de alimento

  • Introduo

    1. INTRODUO

    Numerosos investigadores tm contribudo para um nvel de conhecimentos

    aprecivel nas mais diversas componentes da biologia da raposa ( Vulpes vupe). Alguns

    exemplos relevantes deste facto so os trabalhos sobre diferentes aspectos da ecologia da

    espcie desenvolvidos por LNDSTRM (1982), BLANCO (1986, 1988), ARTOIS (1989),

    GIRAUDOUX (1991) e GORTZAR (1997), enquanto outros se dedicam mais ao fenmeno da

    predao (AMORES, 1975; RICHARDS, 1977; SCHANTZ, 1980, 1981, 1984; LNDSTRM, 1982,

    1983, 1988, 1989; DONCASTER et ai, 1990; GOSZCZYNSKI & WASILEWSKI, 1992; CALZADA,

    2000), ou so mesmo mais especficos, nomeadamente sobre a digestibilidade de

    diferentes tipos de presas (LOCKIE, 1959; GOSZCZYNSKI, 1974; YONEDA, 1982, ARTOIS, 1987;

    STAHL, 1990). Realce, ainda, para o interesse dos estudos efectuados sobre populaes de

    habitats suburbanos como, por exemplo, os realizados por HARRIS & RAYNER (1986) e KOLB

    (1986).

    Na Pennsula Ibrica, existem diversos trabalhos sobre a dieta desta espcie que

    so, no entanto, muito dispersos relativamente aos locais de estudo. Estes incluem a costa

    atlntica da Galiza (CALVINO et ai., 1984), as dunas oeste-atlnticas (FERREIRA et ai, 1991),

    o extremo nordeste de Portugal - Serra de Montesinho (MOREIRA et ai., 1989), o Sistema

    Central - Serra de Guadarrama (BLANCO, 1986, 1988), o vale mdio do rio Ebro

    (GORTZAR, 1997) e, com maior frequncia, os habitats mediterrnicos do sul da

    Pennsula, principalmente de Donana (RAU, 1987; CALZADA, 2000), mas tambm da serra

    Morena (AMORES, 1975). Assim, apesar da grande superfcie ocupada pelos ecossistemas

    1

  • Introduo

    mediterrnicos e pelas montanhas na Pennsula Ibrica, que conferem a esta regio uma grande importncia em termos de biodiversidade, nomeadamente no que se refere a potenciais presas de raposa, os trabalhos so relativamente pouco abundantes e, por isso, o nvel de conhecimentos obtidos ainda pode ser considerado relativamente baixo. Esta situao particularmente clara no caso de Portugal, onde os principais trabalhos foram realizados por MAGALHES (1974) na tapada de Mafra, por MOREIRA et ai. (1989) na Serra de Montesinho e por FERREIRA et ai. (1991) nas dunas de S. Jacinto, alm de outro presentemente em curso na serra do Gers (J. VINGADA, comunicao pessoal). Efectuando a anlise da existncia de dados em funo dos diferentes habitats ibricos, verifica-se que, em reas de caractersticas semelhantes s da Serra da Estrela, apenas podem ser assinalados os trabalhos de BLANCO (1986,1988) e, de certo modo, MOREIRA et ai. (1989).

    Assim, possvel afirmar que a dieta da raposa no est suficientemente estudada na Pennsula Ibrica e que, no que diz respeito Serra da Estrela, a obteno de conhecimentos constitui um interesse muito particular. Este interesse decorre no s da inexistncia de qualquer informao, mas tambm do facto de esta montanha ser aquela que apresenta maior influncia atlntica em todo o Sistema Central Ibrico, sendo constituda, por isso, por uma complexa variedade de bitopos.

    O coelho-bravo {Oryctolagus