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Nova Era Harley Xavier

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Nova Era

1 Parte - Repensando Valores Teoria e Prtica I Tanto se discute em tica como devemos fazer; se assim sim, se assim no. Livros e livros escreveu-se sobre ela. Mas o que falta!!! ? a ao. Teorias em livros, so aes que no nasceram, l grafadas esto mortas. Realmente o que importa faze-las viver... III Apologia sobre o amor so palavras quase mortas, de to fracas fenecem, sem vida, abortam. IV A teoria passa ser vida quando colocamos nos atos. A palavra convence, !!! mas o exemplo arrasta. Finalmente as frias to esperadas j se apresentam como reais. Svio no conseguia dominar

a ansiedade que aumentava a cada minuto que faltava para o fim do expediente. Henrique, o colega de seo, percebendo o nervosismo do companhei ro partiu para a

brincadeira comentando: - O relgio registra as 20:00 horas, mas no as 18:00. Os minutos no passam, parecem

demorar um sculo.

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Henrique esperou o comentrio de Svio que no se fez esperar: - companheiro! Com a labuta na seo de cadastro, faltando funcionrios, somos ambos

forados a nos desdobrar para dar conta do servio, me sinto bastante esgotado. Por isso estou to ansioso, para gozar as frias. No vejo a hora de estar na Bahia, curtindo uma praia e tomando gua de cco. Mas estes minutos esto parados. Acho que o relgio est com defeito!

Finalmente, o ponto eletrnico marcou as 18:00 horas, liberando assim, os funcionrios, aps os mesmos registrarem com seus crachs com bandas magnticas as suas sadas.

Svio despede-se de seus companheiros, liga o carro, ajeita o cinto de segurana. Observa o trnsito. E na primeira oportunidade entra com os demais motoristas na imensa fila indiana. Sinal vermelho, amarelo e verde vo se sucedendo a cada 300 metros tornando o trfego uma prova de pacincia.

- Graas a Deus, estou em casa! exclama Svio. Ele abre a porta e aps fech-la suspira com alvio; Estou de frias!! Trabalho s daqui a um ms! Bahia, aqui vou eu! .

Correndo para o quarto examina as malas em cima da cama, j prontas com muita antecedncia. Com um sorriso no canto dos lbios, examina o Volger , conferindo o dia de partida, a hora do embarque e o nmero do vo. A viagem estava para acontecer no dia seguinte. Svio toma um banho, engole qualquer coisa, e a seguir se senta em frente TV e assiste ao jornal de notcias de sua preferncia. Logo aps interessa-se por um filme e o assiste at o fim, indo em seguida para a cama. Tenta dormir, mas devido a ansiedade demora a concili ar o sono.

As 6:00 da manh acorda num repente despertado pelo rdio - relgio sintonizado em um programa musical sertanejo.

Desligando o alarme, ele confere mais uma vez as horas. Dispara em desabalada carreira para o banho. Com poucos minutos, j vestido toma ch com algumas torradas na cozinha. Apanha o celular e disca para um txi. Vinte minutos depois acomodado no banco traseiro do veculo de aluguel, Svio vai sonhando com as diverses que ir desfrutar. Chegando ao aeroporto localiza o guia da agncia de turismo que providencia o embarque de suas bagagens.

Sentado na sala de espera do aeroporto observa o vai e vem dos funcionrios das companhias areas abastecendo as gigantescas aeronaves de combustvel e colocando as bagagens no ventre das formosas aves de metal.

Aps quarenta minutos de espera ansiosa, ouve a voz profissional e competente anunciando aos passageiros o vo 8130, que era o de Svio, convidando-os a se dirigirem ao porto B2 para o embarque. Em poucos minutos Svio caminha emocionado em direo a aeronave, esperando majestosamente a acomodao dos passageiros, com as turbinas em funcionamento. Localizando sua poltrona senta-se e olha atravs da janela com lgrimas nos olhos, dirigindo sua ateno para o cu.

A emoo aumenta e no acredita que poder voar acima daquelas nuvens brancas. O jato, taxiando lentamente pela pista, toma a posio adequada. Svio percebe o esforo das

turbinas em acelerao mxima para arrancar a nave do solo. A ave gigante vai ganhando velocidade. Svio sente a fora da acelerao forando seu corpo contra a poltrona. Um forte baque, curioso olha a pista que se faz distante. Estou voando, estou voando fala em surdina consigo mesmo. Estou voando!

Breve est acima das nuvens. Recuperado da emoo da decolagem, pois a primeira vez que voa, observa os passageiros com mais ateno. Mas o que mais o admira so as nuvens brancas. Brancas como nunca havia visto igual. L embaixo as estradas e rios parecendo linhas de um carretel espalhadas caprichosamente pelo solo. Mais acima o espao, constitudo de um azul puro e profundo.

Comissrias de bordo solcitas oferecem refeies e bebidas alcolicas aos passageiros.

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Svio observa no corredor um senhor de caractersticas pouco comuns vindo em sua direo. Admirado, percebe que outros companheiros de viagem no registram a presena desta pessoa sui generis. Ele passa, sorri e se acomoda em uma poltrona l atrs no final do corredor.

- Cada doido com a sua mania comenta Svio consigo mesmo. A admirao foi devido aos trajes deste passageiro.

Ele estava vestido como grego, lembrando um filsofo da antiga Grcia. Olhando atravs da janela, Svio esqueceu-se aos poucos do personagem, distraindo-se com

as formas caprichosas das nuvens. Repentinamente, um dos motores do jato emitiu um rudo estranho. Svio assustado olhou

para a turbina e pode verificar que uma pequena chama azul comeava a avolumar-se. Sobressaltado, dirigiu a ateno para alguns passageiros e notou o olhar de pnico nos mesmos. Ningum emitiu um nico som ou fez qualquer movimento em seus assentos. Parecia que estavam colados nas poltronas. Na realidade, temiam confirmar com o outro o que estavam temendo: um acidente areo.

O avio comeou a jogar de um lado para o outro. Os passageiros gritam. A voz da comissria de bordo se fez clara, pedindo aos passageiros calma e que apertassem os cintos at acabar a turbulncia. O pedido foi acatado e uma aparente calma se fez a bordo. Instantes depois a aeronave inclinou-se para a esquerda, perdendo altitude. Os passageiros entraram em pnico. Uns rezavam em voz alta, pedindo proteo aos santos. Outros chorando histricos gritavam por socorro. Os que no estavam gritando permaneciam mudos, paralisados pelo medo, no conseguindo esboar qualquer reao.

Svio permaneceu calmo. Parecia que estava preparado para aquele momento crtico. Em meio a balbrdia olhou serenamente para a ltima fileira de poltronas e deparou com o

estranho personagem que parecia meditar de olhos cerrados. Neste momento o estranho abriu os olhos e dirigiu a ateno a Svio. Sorriu de uma forma paternal e novamente entrou em meditao.

A partir deste instante Svio no se lembrou de mais nada. Muita fumaa e pequenos fogos de incndios isolados ainda persistiam. A aeronave com o

logotipo da empresa area j no mais existia. Os destroos estavam espalhados por vrias centenas de metros, atestando a violncia do

impacto. O jato ao perder o controle, teve sua queda vertical de encontro ao solo interceptada pela percia do comandante do aparelho e seu co-piloto.

Depois de um esforo sobre-humano, conseguiram que o avio planasse algumas centenas de metros derrubando rvores at que perdeu a asa esquerda e a cauda.

Ficou parcialmente intacta a cabina de comando e um tero do ventre da aeronave. Com o combustvel espalhado a exploso no se fez esperar. O fogo consumiu o restante daquela ave to maltratada.

Svio, ao retomar a conscincia, constatou que ainda estava atado a poltrona pelo cinto de segurana. Aps se ver livre fez uma rpida avaliao da situao. Observou admirado de no ter nenhum arranho. Sentia-se muito bem. Seu corpo estava muito leve e envolvido por um grande bem-estar. Repentinamente surgiu do seu lado a estranha personagem vestida a moda grega antiga.

Svio no ficou assustado. Pelo contrrio, sentia um estado de paz e harmonia que no combinava com o ambiente trgico em sua volta.

O personagem aproximou-se, pegou-o pela destra e colocou-a em seu corao. Naquele instante passou a conhecer o estranho homem. No soube explicar o fenmeno. Por

uma linguagem muda ficou sabendo que aquela pessoa chamava-se Polus Trasmaco Predicus, antigo conhecido de Svio. Afirmava que em momento oportuno contaria sua histria. Aquele momento

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pedia que ambos procurassem ajudar aos companheiros acidentados. No dominando a grande curiosidade e surpresa que sentia perguntou a Polus:

- Como pode, sairmos sem um ferimento de um acidente to brutal como este? Predicus olhou para Svio com muita ternura e disse: - Meu amado amigo! Tenha calma por agora, domine a sua curiosidade, sua ansiedade, o

momento no comporta perguntas e respostas. Temos muito o que fazer. Polus afastou-se um pouco mais de Svio. Concentrou-se durante alguns minutos parecendo

estar orando em silncio. Pouco a pouco um pequeno ponto luminoso se fez visvel entre ele e Svio. A luminosidade,

pequena a princpio, se fez mais forte tornando um foco das dimenses de um ser humano. Espantado, Svio viu aquela luz se transformar em uma linda mulher. Era to bela, to meiga que por pouco no caiu de joelh