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MÁXIMO GHIRELLO ESPINHEIRA SANTA - PLANTA NATIVA A Eficácia da Espinheira Santa no Sistema Digestório ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA – EBRAMEC E CENTRO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DE FISIOTERAPIA, ACUPUNTURA E TERAPIAS ORIENTAIS – CIEFATO. SÃO PAULO 2009

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  • MXIMO GHIRELLO

    ESPINHEIRA SANTA - PLANTA NATIVA

    A Eficcia da Espinheira Santa no Sistema Digestrio

    ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA EBRAMEC E CENTRO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DE FISIOTERAPIA, ACUPUNTURA E TERAPIAS ORIENTAIS CIEFATO.

    SO PAULO

    2009

  • MXIMO GHIRELLO

    ESPINHEIRA SANTA - PLANTA NATIVA

    A Eficcia da Espinheira Santa no Sistema Digestrio

    SO PAULO 2009

    Monografia de Curso apresentado a EBRAMEC\CIEFATO, como requisito parcial para obteno do ttulo de Especialista em Fitoterapia, sob orientao da Professora Janete Santos Moreno Valerio Fernandes

  • ESCOLA BRASILEIRA DE MEDICINA CHINESA EBRAMEC E CENTRO INTERNACIONAL DE ESTUDOS DE FISIOTERAPIA, ACUPUNTURA E TERAPIAS ORIENTAIS CIEFATO.

    ESPINHEIRA SANTA - PLANTA NATIVA

    A Eficcia da Espinheira Santa no Sistema Digestrio

    Monografia apresentada pelo (a) aluno (a) MXIMO GHIRELLO ao curso de

    Especializao em Fitoterapia Chinesa em e recebendo

    a avaliao dos professores:

    _______________________________________________

    Professor Vicente Eduardo Jofre - Fitoterapeuta

    ________________________________________________

    Professora Janete Santos Moreno - Fitoterapeuta

  • .

    Dedico meu trabalho ao Professor e Mestre Walter Radams Accorsi que, entre outras coisas, me ensinou a ouvir e respeitar o ser humano, e a buscar e encontrar muitas solues na natureza.

  • AGRADECIMENTOS

    Sou grato aos meus pais Plnio e Carlina pela compreenso, pacincia e amor. Sou

    especialmente grato a Nivea, amiga querida, pela inspirao e apoio em toda minha

    trajetria de amizade, estudos e trabalho com a natureza e com o ser humano.

    Agradeo tambm a todas as pessoas, amigos, rgos e instituies que

    contriburam para a minha formao. E, sou ainda imensamente grato Espinheira

    Santa, presena certa em todos os jardins que planto pelo mundo.

  • Quando voc faz uma pergunta e confia, as portas vo

    se abrindo e as revelaes acontecendo.

  • RESUMO

    Este trabalho tem como objetivo verificar os efeitos do uso do ch infuso da Espinheira Santa (Maytenus ilicifolia) no Sistema Digestrio do ser humano. A INTRODUO aborda o tema, a justificativa e os objetivos. FUNDAMENTOS DA MEDICINA CHINESA descreve sobre o Taosmo, Yin Yang, Substncias: Energia, Sangue, Lquidos Orgnicos, Teoria dos Cinco Elementos, Zang Fu rgos e Vsceras, Padres de acordo com os Oito Princpios. O segundo captulo FGADO E SISTEMA DIGESTRIO descreve as funes e desequilbrios do fgado e a relao deste com os rins, bao\pncreas e estmago conforme a Medicina Chinesa. O terceiro captulo ESPINHEIRA SANTA, PLANTA NATIVA descreve sobre a planta. O quarto captulo ESPINHEIRA SANTA NOS MALES DA DIGESTO trata da metodologia aplicada. O resultado deste trabalho discorre sobre a percepo do que a metodologia aplicada promoveu um efeito desintoxicante no sistema digestrio nos trs casos onde se pode constatar que bastante reveladora a ao da espinheira santa no sistema linftico. Sugere que as toxinas mobilizadas pelo uso da planta tenham sensibilizado este sistema, sendo que este pode ser o principal veiculo para sua ao no organismo. Nas CONSIDERAES FINAIS, amplia-se um pouco a reflexo sobre os resultados percebidos com o uso da Espinheira Santa.

    Palavras-Chaves: 1. Fitoterapia Chinesa. 2. Espinheira Santa. 3. Gastrite.

  • ABSTRACT

    The purpose of this work is to demonstrate the effects on the human Digestive System resulting from the intake of infusions made with the plant Espinheira Santa (Maytenus ilicifolia). The INTRODUCTION part addresses the actual theme, justification and objectives thereof. FUNDAMENTALS OF CHINESE MEDICINE presents a description on Taoism, Yin-Yang principles; Substances such as Energy, Blood, Organic Fluids; Theory on the Five Elements; Zan Fu Internal Organs; and Standards according to the Eight Principles. Second chapter LIVER AND DIGESTIVE SYSTEM describes functions and imbalances of the liver and the respective relation with the kidneys, spleen/pancreas and stomach according to Chinese Medicine. The third chapter includes a description of the plant itself. Fourth chapter ESPINHEIRA SANTA FOR DIGESTIVE COMPLAINTS addresses the applied methodology whose results promoted a detoxifying effect in the three cases presented herein where it was possible to observe a considerable revealing action of the plant Espinheira Santa on the Lymphatic System, thus the resulting effects suggest that the toxins mobilized by the use of this plant have directly affected this vital internal system. In FINAL CONSIDERATIONS a broader perspective on the results obtained from the application of Espinheira Santa can be verified.

    Key words: 1. Chinese Phytotherapy. 2. Espinheira Santa. 3. Gastritis.

  • SUMRIO

    INTRODUO, 10

    1 FUNDAMENTOS TEORICOS DA MEDICINA CHINESA, 12

    1.1 Taosmo Princpio nico, 13

    1.2 Yin Yang, 14

    1.3 As Substncias: Qi, Sangue, Lquidos Orgnicos, 21

    1.4 A Teoria dos Cinco Elementos, 26

    1.5 Funo fisiolgica dos rgos e vsceras (Zang Fu), 29

    1.6 Identificao de Padres de acordo com os Oito Princpios, 32

    2 FGADO, 38

    2.1 As origens das desarmonias do Fgado conforme a

    Medicina Tradicional Chinesa MTC, 38

    2.2 Padres de desarmonia do Fgado na relao entre

    Fgado e Rins e Fgado e Sistema Digestrio, 40

    3 ESPINHEIRA SANTA PLANTA NATIVA, 45

    3.1 Aspectos Energticos da Espinheira Santa Baseado

    na Medicina Tradicional Chinesa, 45

    4 ESPINHEIRA SANTA NOS MALES DA DIGESTO, 50

    4.1 Metodologia, 50

    4.2 Estudos de caso, 52

    4.3 Resultados, 56

    CONSIDERAES FINAIS, 57

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS, 59

    APNDICES, 60

  • INTRODUO

    Consideramos importante o resgate do uso das plantas nativas na preveno,

    tratamento e equilbrio da sade. A planta nativa ecologicamente integrante da

    nossa realidade, est em equilbrio com nosso eco-sistema, e apresenta a

    possibilidade de ser plantada, colhida e usada de maneira simples, acessvel e

    eficaz.

    Citando ngela Lima sobre a Espinheira Santa:

    Tornou-se conhecida na Medicina Ocidental Brasileira a partir de 1922 quando um pesquisador da Faculdade de Medicina do Paran descreveu a importncia do seu uso no tratamento de lcera gstrica, sendo at hoje a sua principal indicao. planta reconhecida mundialmente desde o incio do sculo passado, usado pela populao indgena brasileira para o tratamento de tumores. (LIMA, 2008, p. 154).

    A Medicina Tradicional Chinesa, que possue fundamento taosta, considera o ser

    humano de uma maneira integrada, ento corpo fsico, mente e esprito so partes

    do todo, e, que o diagnstico e interveno devem igualmente considerar este todo.

    O desequilbrio em uma das partes reflete na harmonia no todo. O resgate, o retorno

    ao equilbrio deve tambm contemplar a viso do todo.

    Tao seguir o prprio caminho. estar de acordo com a natureza. A natureza

    energia, a energia vital. (CHANG, 2009, p.15).

    Segundo a Medicina Tradicional Chinesa o fgado exerce uma influncia

    fundamental na assimilao de nutrientes no processo de digesto. a ele atribudo

    funes energticas que o colocam no comando do equilbrio das emoes, da

    digesto e tambm do bom-humor. Em desequilbrio este rgo pode gerar uma

    srie de transtornos psquicos, emocionais e orgnicos.

    Este trabalho pretende investigar como o uso da Espinheira Santa pode ser eficaz

    no retorno ao equilbrio do funcionamento do fgado e do sistema digestrio.

  • Justificativa

    O uso da planta nativa integrado compreenso taosta do todo remete a uma

    possibilidade no apenas de resgate, preveno e manuteno da sade, mas

    tambm oferece uma viso de integrao ecolgica com o meio ambiente local,

    respeitando inclusive os usos e hbitos populares e tradicionais.

    Objetivo Geral

    Esta pesquisa tem como objetivo verificar se o uso da Espinheira Santa realmente

    eficaz no tratamento dos males do fgado e do sistema digestrio.

    Objetivo Especfico

    O objetivo mais especfico observar em quais casos ela apresenta eficcia e em

    quais casos ela no apresenta eficcia.

    Para tanto, foi ministrado e acompanhado o uso de ch, infuso, da erva em trs

    voluntrios que apresentam algum tipo de disfuno no fgado e\ou sistema

    digestrio.

  • FUNDAMENTOS TEORICOS DA MEDICINA CHINESA

    A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) no pode simplesmente ser considerada uma

    prtica mdica, ela mais que isso. Quando entramos em contato com a MTC ela se

    mostra como um caminho de tratamento, mas logo em seguida percebemos que a

    MTC um caminho de transformao e uma opo de vida.

    A MTC esta baseada em princpios filosficos, na observao dos fenmenos da

    natureza e sua influncia energtica no ser humano e em suas relaes internas e

    externas, na astrologia chinesa, na compreenso do princpio nico (Tao) e sua

    dualidade energtica (Yin e Yang).

    O objetivo das prticas teraputicas baseadas na MTC compreender os fatores

    que propiciaram ao indivduo o seu desequilbrio energtico e tentar estabelecer a

    fluidez energtica obtendo o equilbrio. Para tanto, o seu diagnstico (uma correta

    avaliao energtica) procura estabelecer relaes entre o comportamento e

    alimentao, odores, transpirao, pulso, lngua e condies da natureza que esteve

    exposto, entre outras coisas para determinar qual o princpio de tratamento a ser

    realizado.

    Este tratamento energtico pode ser obtido atravs de diversas prticas teraputicas

    orientais, como: acupuntura, moxabusto, ventosa, massagens, fitoterapia, dieta,

    tchi kun, I ching. Estas prticas so integrantes de uma cincia com conceitos

    prprios, diferentes e independentes dos conceitos da medicina ocidental.

    Os tratados mdicos mais conhecidos so: "Frmulas para o tratamento de

    cinqenta e duas doenas", Shang Han Lun (Tratado do Frio Nocivo), "Huang Di

    Nei Jing" - Tratado de Medicina Interna do Imperador Amarelo, o mais antigo livro

    de medicina que ainda hoje se mantm em uso, tendo sido encontrado um

    exemplar, em escavaes arqueolgicas, datado de cerca de 500 a.C. dividido em

    2 volumes: "Su Wen" e "Ling Shu". O 1. referido como sendo o Livro das

    Patologias e o 2. como o Livro da Acupuntura.

  • A MTC chegou ao ocidente atravs das viagens China por comerciantes e

    posteriormente pela imigrao Chinesa. Mas o grande crescimento da MTC no

    ocidente se deu com as imigraes orientais para o ocidente e atravs de um

    diplomata francs Soulie de Mornat, que se encantou com a prtica da acupuntura e

    tornou-se um estudioso sobre a prtica. Quando voltou a Frana, tornou-se um

    divulgador da acupuntura.

    No Brasil, a MTC foi trazida principalmente pela imigrao japonesa que introduziu

    aqui o Shiatsu e a Acupuntura, h 100 anos. A fitoterapia chinesa e o tchi kun foram

    introduzidos posteriormente pela imigrao chinesa. Mas estas tcnicas s

    comearam a serem amplamente divulgadas aps a criao do Instituto Brasileiro

    de Chi Kung.

    1.1 Taosmo Princpio nico

    Os fundamentos da medicina tradicional chinesa dependem da compreenso da

    filosofia taosta, do conceito de energia e do estudo das relaes entre o homem, o

    cu e a terra.

    Tao tudo o que existe e ao mesmo tempo nada. o princpio da unicidade. A

    palavra Tao poder ser traduzida de diversas formas. Literalmente, significa: falar,

    dizer ou conduzir. Segundo Lao-Ts: "O Tao que pode ser definido, no o Tao

    Eterno". Didaticamente Tao pode significar Caminho do Sbio.

    O Taosmo utiliza o conhecimento das diversas cincias para que o indivduo

    atravs do auto-conhecimento se torne um com o universo.

    Alguns dos filsofos que introduziram e divulgaram o taosmo foram: Lao-Ts:

    escreveu o grande livro que pode ser considerado como a Bblia taosta: Tao Te

    King - O livro do sentido da vida. Chuang-Ts: foi o discpulo mais prximo de Lao-

  • Ts, e tambm escrevia versos pitorescos. Chu-Shao-Hsien: Escreveu o Tao

    Tsang, grande cnone taosta que tinha nada menos que 5.485 volumes.

    Tao

    O Tao no pode ser definido, s podendo ser compreendido atravs de percepo

    direta, pois est alm do alcance do racional. algo que permeia tudo e todos.

    De Lao Tse, no livro Tao Te King, aprendemos que [...] o grande Tao onipresente

    (WILHEM, poema 34, p.70) e tambm que O Tao flui sem cessar, no entanto, na

    sua atuao, ele jamais transborda [...] (poema 4, p.40). E ainda, "A coisa mais

    macia na terra vence a mais dura. O que no existe penetra at mesmo no que no

    tem frestas. Nisso se reconhece o valor da no-ao. O ensino sem palavras, o valor

    da no-ao, so raros os que conseguem na Terra. (poema 43, p.8).

    Por ser "Todo em tudo", o Tao indivisvel e seu movimento que nos ilude de que

    existem objetos separados e distintos uns dos outros. Compreendendo o

    movimento do Tao, os sbios distinguiram duas categorias bsicas a que

    denominaram Yin e Yang, movimentos opostos, mas que no existem um sem o

    outro e mais ainda: um nasce do outro e o outro do um, em eterna mutao.

    1.2 Yin Yang

    O conceito de Yin Yang provavelmente o mais importante e distintivo da

    Medicina Tradicional Chinesa. A teoria Yin e Yang, juntamente com o Qi tm

    permeado a filosofia chinesa h sculos. Yin e Yang representam qualidades

    opostas, mas tambm complementares. Cada coisa ou fenmeno poderia existir por

    si mesma ou pelo seu oposto. Alm disso, Yin contm a semente de Yang e vice-

    versa.

    A teoria do Yin e Yang considera o mundo como um todo e que esse todo o

    resultado da unidade contraditria dos dois princpios, o Yin e o Yang.

  • Desta forma, todos os fenmenos do universo encerram os dois aspectos opostos

    do Yin e Yang, como o dia e a noite, a atividade e o repouso, etc. Percebemos que

    tudo constitudo pelo movimento e a transformao dos dois aspectos Yin e Yang.

    O caractere chins Yin, indica o lado com sombra de uma colina e o caractere

    chins Yang indica o lado ensolarado. Ento, podemos dizer que tambm indicam:

    escurido e luminosidade ou sombreado e brilhante.

    bem provvel que a mais antiga origem do fenmeno Yin e Yang tenha se

    originado da observao de camponeses sobre as alteraes cclicas entre o dia e a

    noite. Levando em considerao a natureza do conceito Yin e Yang, o dia

    corresponde ao Yang e a noite ao Yin, e, por conseguinte, a atividade refere-se ao

    Yang e o repouso ao Yin. Alternncia contnua de todo o fenmeno entre os dois

    plos cclicos: um corresponde luz, sol, luminosidade e atividade (Yang), e o outro,

    escurido, lua, sombra e repouso (Yin).

    Portanto, sob este ponto de vista, Yin e Yang uma expresso de dualidade no

    tempo, uma alternncia de dois estgios opostos no tempo. Cada fenmeno no

    universo se altera por meio de movimentos cclicos de altos e baixos, e a alternncia

    de Yin e Yang a fora motriz desta mudana e movimento. Assim temos o dia se

    transformando em noite, o vero em inverno, crescimento em deteriorao e vice-

    versa. Sendo assim, o desenvolvimento de todos os fenmenos do universo

    resultado de uma interao destes dois estgios, Yin e Yang. E cada fenmeno

    contm em si mesmo ambos os aspectos, porm em diferentes graus de

    manifestao. Por exemplo: O dia pertence ao Yang, mas aps alcanar o seu pico

    ao meio-dia, o Yin dentro dele, comea gradualmente a se desdobrar e a se

    manifestar.

    O mais importante para se compreender isto, que os dois estados opostos de

    condensao ou agregao das coisas no so independentes um do outro, mas

    modificam-se mutuamente. Yin e Yang simbolizam tambm, dois estados opostos de

    agregao das coisas.

    YIN YAN

  • Na sua forma mais pura e rarefeita, Yang e totalmente imaterial e corresponde

    energia pura e Yin no seu estado mais spero e denso totalmente material e

    corresponde substncia. A partir deste ponto de vista, energia e matria so dois

    estados de um contnuo, com um nmero de possibilidades infinitas de estados de

    agregao. Yin calmo, Yang ativo. Yang origina a vida. Yin promove o

    desenvolvimento. Yang transformado em Qi, Yin transformado em vida material.

    Como o Yang corresponde criao e atividade, naturalmente corresponde

    tambm expanso e, por conseguinte, ascende. Como o Yin corresponde

    condensao e materializao, naturalmente corresponde tambm contrao e,

    portanto, descende.

    Desta forma, podemos adotar uma lista de correspondncias do Yin e Yang:

    Yang Yin

    Imaterial Material

    Produz energia Produz forma

    Tempo Espao

    Energia Matria

    Ascendente Descendente

    Expanso Contrao

    Rpido Lento

    Vero Inverno

    Calor Frio

    Fogo gua

    Seco Molhado

    Cu Terra

    Luz Escurido

    Dia Noite

    Masculino Feminino

  • O Tai-Ji

    Os relacionamentos de interdependncias entre o Yin e Yang podem ser

    representados no famoso smbolo:

    Este smbolo chamado Tai-ji (Mximo Supremo) e representa bem a

    interdependncia do Yin e Yang.

    Os principais pontos desta interdependncia so: Embora sejam estgios opostos,

    so complementares e formam uma unidade; Yang contm a semente do Yin e vice-

    versa; Nada totalmente Yin ou totalmente Yang; Yang transforma-se em Yin e

    vice-versa.

    Aspectos do relacionamento - os aspectos principais do relacionamento Yin e Yang

    podem ser resumidos em quatro:

    Oposio do Yin e Yang

    Yin e Yang so tanto estgios opostos de um ciclo como estados de agregao.

    Nada no mundo natural escapa desta oposio. E esta contradio interna que

    constitui a fora motriz de toda modificao, desenvolvimento e deteriorao das

    coisas.

    Porm, a oposio relativa e no absoluta, assim como nada totalmente Yin ou

    totalmente Yang. Tudo contm a semente do seu oposto. Mesmo tudo contendo Yin

    e Yang, no haver nunca a estatstica proporcional de meio-a-meio (50% / 50%). O

    que existe um equilbrio dinmico e constantemente varivel.

  • Relao recproca do Yin e Yang

    Embora opostos, um no pode existir sem o outro. So interdependentes. Esta

    relao recproca que liga intimamente o Yin e o Yang faz com que no se possa

    separar um princpio do outro e que nenhum dos dois possa existir separadamente.

    O dia oposto noite, no pode haver atividade sem descanso, energia sem

    matria ou contrao sem expanso.

    O alto Yang, o baixo Yin, se no houver alto, no se pode falar em baixo, do

    mesmo modo que se no houver baixo, no se pode falar de alto. A esquerda

    Yang e a direita Yin, sem esquerda no se pode falar de direita e vice-versa, etc.

    Todos os aspectos do Yin e Yang so assim, o Yin existe pelo Yang, o Yang pelo

    Yin. Cada um tem o outro como condio de existncia.

    Consumo mtuo do Yin e Yang

    Yin e Yang esto num constante estado de equilbrio dinmico, que mantido por

    meio de ajustes contnuos dos nveis relativos do Yin e Yang. Isto quer dizer que os

    dois aspectos opostos e unidos do Yin e do Yang no esto em repouso, mas em

    movimento de crescimento e decrescimento mtuo.

    Quando Yang decresce, o Yin cresce, quando o Yin decresce, o Yang cresce.

    Quando eles esto em desequilbrio, afetam-se mutuamente e modificam sua

    proporo, alcanando um novo equilbrio.

    Alm do estado de equilbrio normal do Yin e Yang, existem outros quatro possveis

    estados de desequilbrio:

    Plenitude do Yin: Quando o Yin estiver em plenitude, provocar uma diminuio de

    Yang, isto , o excesso de Yin consome o Yang.

    Plenitude do Yang: Quando o Yang estiver em plenitude, provocar uma diminuio

    de Yin, ou seja, o excesso de Yang consome Yin.

  • Deficincia do Yin: Quando o Yin estiver deficiente, o Yang aparecer em excesso.

    Deficincia do Yang: Quando o Yang estiver deficiente, o Yin aparecer em excesso.

    Nos dois casos de deficincia, o excesso somente aparncia j que este excesso

    se d apenas em relao a uma qualidade deficiente, no em absoluto.

    Simplificando, o excesso causado pela deficincia do seu oposto.

    Inter-relacionamento do Yin e Yang

    A partir de certa quantidade de um elemento, e se as condies externas forem

    adequadas, pode ocorrer a mudana de um aspecto no aspecto oposto, ou seja,

    pode-se assistir a uma transformao do Yin e Yang e vice-versa. Depois de

    atingido certo limite, a mudana na direo oposta inevitvel. H uma frmula que

    deixa isso claro: Do frio extremo nasce o calor, do calor extremo nasce o frio.

    Percebe-se que a mudana quantitativa (a quantidade de um fator), leva a uma

    mudana qualitativa (de um oposto a outro). Na verdade, mais do que uma

    transformao ocorre uma transmutao. Usemos como exemplo a mudana das

    estaes: quando o calor do vero atinge o mximo, entra o frescor do outono, aps

    o perodo mais frio do inverno, entra a primavera com o reaquecimento da

    temperatura.

  • Aplicao da teoria Yin e Yang na Medicina Tradicional Chinesa

    A MTC como um todo, (fisiologia, patologia, diagnstico e tratamento) tem como

    teoria bsica e fundamental a relao Yin e Yang. Todo, sintoma, sinal ou processo

    fisiolgico pode ser analisado sob a tica da teoria do Yin e Yang. Portanto cada

    modalidade de tratamento embasada numa dessas quatro estratgias: Tonificar o

    Yang, Tonificar o Yin, Sedar o Yang, Sedar o Yin.

    No h Medicina Chinesa sem Yin e Yang. A compreenso da aplicao da teoria

    do Yin e Yang , portanto, de suprema importncia na Medicina Tradicional Chinesa.

    Yin e Yang e a estrutura do corpo

    Cada parte do corpo representa um carter com predominncia Yin ou Yang, e isto

    muito importante na prtica clnica. Observe-se que este carter somente relativo.

    Tomemos por exemplo: a rea torcica Yang em relao ao abdome porque se

    encontra mais acima, porm Yin em relao cabea.

    Yang Yin

    Funo Estrutura

    Costas Frente (Trax, abdome)

    Cabea Corpo

    Exterior (Pele e msculos) Interior (rgos)

    Acima da cintura Abaixo da cintura

    rgos Yang (ocos) rgos Yin (compactos)

    Funo dos rgos Estrutura dos rgos

    Qi energia Xue Sangue

    Movimento e ao Tranqilidade e repouso

    Simptico Parassimptico

    Ritmo respiratrio Ritmo cardaco

    Extrovertido Introvertido

    Prazer em experimentar Os ps na terra

    Progressista Conservador

    Excitvel, reativo Contemplativo

    Eufrico Depressivo

  • 1.3 As Substncias: Energia Qi, Sangue, Lquidos Orgnicos

    O Qi, o sangue e os lquidos orgnicos so os materiais bsicos do organismo. Sua origem, desenvolvimento, circulao e sua distribuio, s podem efetuar-se graas atividade funcional das vsceras. Mas, inversamente, a atividade funcional das vsceras no se pode manifestar sem que o Qi, o sangue e os lquidos orgnicos lhes sirvam de base material. (AUTEROCHE, 1992, p.33)

    A energia - QI

    A tradio oriental descreve o mundo em termos de energia. Todas as coisas so

    manifestaes da fora vital universal chamado de Qi e Chi na China e de Ki no

    Japo.

    Esta energia (Qi) a matria fundamental que constitui o universo, e tudo no mundo

    o resultado de seus movimentos e transformaes. O Qi invisvel, mas est

    presente. Sua parte material o sangue (Xue). O Qi transforma-se o tempo todo,

    portanto ele mutvel.

    O Qi esta em constante mutao da energia do cu (Yang) para energia da terra

    (Yin). So estas transformaes que fazem as estaes mudarem, o ser humano

    crescer e desenvolver, existirem o calor e o frio, o dia e a noite, o homem e a mulher,

    a ao e a no ao entre outras transformaes.

    O Qi tem uma funo extremamente importante para o corpo humano, e suas

    principais caractersticas funcionais so: a colocao em movimento (o impulso), a

    regulao da temperatura do corpo, a proteo, a atividade de controle, a atividade

    de transformao.

    O conceito de energia que circula no corpo est ligado a uma antiga forma de

    compreenso da vida baseada na comparao do ser humano com o meio ambiente

    em que ele habita.

  • Os povos orientais guiavam-se pela observao do universo, e introduziram a

    interpretao das reaes humanas em relao aos ciclos celestes e terrestres, que

    de alguma forma mantinham uma afinidade entre si.

    Se existe uma fora csmica capaz de produzir o movimento nos corpos celestes,

    todos eles se movem. Se existe uma fora terrestre capaz de fecundar o solo com

    uma semente, que germina, e brota, e cresce, e floresce e fecunda novamente o

    solo, e envelhece, e morre e se perpetua na planta seguinte - a filha.

    Se tambm eu nasci dos meus pais e fui criana, e me tomei um homem,

    envelhecerei e morrerei deixando nos filhos e no trabalho a semente que fecunda a

    terra e me perpetua.

    A energia corporal sendo uma extenso, uma continuao, uma representao, uma

    energia csmica, pode ser medida, interpretada, localizada, modificada e re-

    equilibrada pelo ser humano. Ela tem fontes onde podemos re-elaborar a energia

    que colocamos em contato com a nossa prpria energia e que transforma o

    momento, a ponto de produzir reaes que re-equilibrem o organismo.

    As fontes de energia so em nmero de cinco, divididas em: primordiais: Macro-

    csmica e Ancestral, presentes j nos primrdios da vida; e de manuteno:

    Respiratria, Alimentar, Interpessoal.

    Fonte macro-csmica - a primeira fonte, aquela que nos induz a tomar o prprio

    universo como causador e maior interlocutor de nossas vidas. Representa a fora

    universal que deu origem vida e que, no caso, permitiu toda a evoluo da espcie

    humana at aqui e permite prosseguir nas crianas de hoje, que sero os pais de

    amanh. esta a fonte que contm todas as demais, que rene toda a energia pura.

    Fonte ancestral - Esta a segunda fonte, e j se mostra mais individual, a

    representao da soma da energia contida pelo pai e pela me do indivduo, capaz

    de gerar um novo ser. No momento da concepo ocorre a libertao de uma

    centelha energtica, que produz o fenmeno da vida.

  • Fonte respiratria - Esta fonte de energia na realidade, a primeira utilizada, pois

    a primeira inspirao de ar que determina o nascimento de uma pessoa.

    Naturalmente, mantemos o fluxo respiratrio ativo durante toda a nossa existncia,

    esta funo, que na maior parte de nossa vida involuntria, mas pode tambm ser

    voluntria, ou bem cuidada, de tal forma que possamos contar esta fonte para

    estabelecer o equilbrio energtico do fluxo corporal.

    Alm dos problemas especficos que a m utilizao da respirao pode causar,

    destaca-se o fato de que o equilbrio geral depende da utilizao harmoniosa das

    trs fontes de manuteno (respiratria alimentar - interpessoal). Portanto uma

    utilizao precria desta fonte respiratria estar relacionada com o desequilbrio de

    toda energia.

    Fonte alimentar - A qualidade do alimento mais importante do que a quantidade, e

    o que h de mais notvel em uma alimentao saudvel a sua capacidade de nos

    deixar bem ativos e bem humorados. Bom senso na quantidade, qualidade,

    variedade, boa mastigao, respeito aos horrios biolgicos, podem fazer toda

    diferena na sade do organismo.

    Fonte interpessoal - Todas as trocas humanas envolvem a fonte interpessoal.

    Contatos diretos ou indiretos (pensamento, sentimento, atravs de objetos, etc.)

    podem ser positivos ou desarmoniza dores. Devemos, portanto, manter o nvel desta

    troca de energia interpessoal o mais alto possvel e purific-la sempre que possvel.

    O Sangue (Xue)

    Conforme AUTEROCHE (1992, p. 41), o sangue fruto da transformao da

    essncia dos alimentos pelo Bao e Estmago. O sangue governado pelo

    Corao, armazenado pelo Fgado, controlado pelo Bao, circula nos vasos que so

    uma de suas moradias.

    A formao do sangue realizada pela combinao de trs fatores: A essncia dos

    alimentos, Energia Yin (Yin Qi), essncia da medula (Jing Qi) Essa formao s se

  • pode efetuar graas atividade regular do Qi do Aquecedor Mdio e do Qi dos

    rgos Corao, Rim, Fgado.

    O sangue circula por todo o corpo; no interior, atinge todos os rgos e vsceras

    (Zang e Fu), no exterior atinge a pele, a carne, os tendes e os msculos. Sua

    atuao dupla, de um lado nutre e umedece os tecidos orgnicos do corpo inteiro,

    do outro lado serve como base material atividade mental.

    Se o sangue for insuficiente, no pode cumprir sua funo de nutrir e umedecer e

    podem ocorrer sintomas como diminuio da vista, olhos secos, articulaes rgidas,

    membros entorpecidos, pele seca.

    O sangue circula sem parar nos vasos para responder s necessidades de todos os

    rgos e tecidos. A circulao normal do sangue resulta da ao coordenada dos

    rgos: a energia do Corao a fora motora de base, a energia do Pulmo

    permite a difuso no corpo todo, a energia do Bao permite que o sangue seja

    contido nos vasos, a energia do Fgado permite ao Fgado estocar o sangue e o

    liberar em funo das necessidades.

    Se qualquer um dos rgos no cumpre corretamente sua funo, acarretar

    perturbao na circulao sangunea. Por exemplo, se o Bao estiver com baixa

    energia no poder conservar o sangue nos vasos, causando hematomas,

    hemorragias, perdas de sangue, etc. Se a energia do Corao estiver baixa a

    circulao do sangue estar debilitada.

    Os Lquidos Orgnicos (Jin Ye)

    Os lquidos orgnicos so produtos da essncia dos alimentos e englobam a

    totalidade dos lquidos normais do corpo, sangue, linfa, secrees, lquidos das

    articulaes, excrees.

    O metabolismo dos lquidos um processo complexo, que resulta da ao

    combinada de vrios rgos, em particular o Pulmo, o Bao, o Rim e o Triplo

    Aquecedor.

  • Se no metabolismo dos lquidos, qualquer um dos elos no for eficiente, haver

    aparecimento de doena, por exemplo, se ocorrer diminuio dos lquidos seja por

    produo insuficiente, seja por perda excessiva. Por outro lado, uma m distribuio

    acarretar em estagnao dos lquidos, que tero dificuldade em escoar

    normalmente e podero surgir edemas e outros acmulos nas diversas cavidades do

    corpo.

    Classificados em Jin e Ye que se distinguem pela natureza, funes e distribuies.

    Jin a parte mais leve, rara e sutil dos lquidos somticos, circula na superfcie do

    corpo, bastante fludo tem capacidade de movimentos. Penetra e alimenta a pele e

    as carnes. Ye mais pesado, viscoso e turvo, circula no interior do corpo, nos

    vasos, e tambm alimenta o crebro, a medula.

    A atuao dos Jin e Ye mltipla: lubrificar e alimentar os rgos, as carnes, os

    vasos, a pele e as articulaes. O que mais externo mais particularmente

    reservado ao dos Jin, o que mais interno ao dos Ye. Constituir o sangue e

    lhe fornecer a parte aquosa, a fim de que a circulao seja ininterrupta. Enriquecer a

    essncia, a medula, o crebro, sendo esta uma funo mais de Ye caso seja

    deficiente acarretar em estado de vazio da medula, crebro e medula dos ossos.

    Manter o equilbrio do Yin e Yang, manter a temperatura do corpo, e o bom

    andamento dos rgos.

    Relaes entre as substncias: Energia Qi, Sangue, Lquidos Orgnicos

    Para a prtica da MTC importante conhecer as relaes existentes entre as

    substncias citadas para compreender a fisiologia, a patologia, o diagnstico e a

    escolha do tratamento. Por exemplo, a energia d impulso ao sangue, e o sangue

    a me da energia. A formao, distribuio e expulso dos lquidos orgnicos

    dependem da atividade da energia. A estagnao de lquidos pelo corpo pode gerar

    edemas e bloquear a circulao da energia.

  • 1.4 A Teoria dos Cinco Elementos

    A teoria dos cinco elementos (ou dos cinco movimentos) considera que o universo

    formado pelo movimento e transformao dos cinco princpios representados por:

    Madeira, Fogo, Terra, Metal e gua.

    A MTC possui como base fundamental a percepo do carter relacional e sistmico

    entre o organismo, equilbrio, desarmonias, estados mentais, emocionais, incluindo

    sua relao com o meio em que vive, com os fatos da natureza, o tempo, entre

    outros. Tudo est interligado, tudo se relaciona com tudo. Esta compreenso

    sistmica dos eventos que compem a vida fundamental.

    Os cinco elementos so na realidade, os cinco elementos bsicos que constituem a

    natureza. Esta teoria classifica os fenmenos da natureza, as espcies vivas, a

    fisiologia, a patologia e a anatomia do ser humano. Atravs dela, pode-se

    compreender as influncias da fora da natureza na vida do homem, no meio

    ambiente e no relacionamento dele para com ele mesmo.

    Os cinco elementos so gua, Fogo, Madeira, Metal e Terra. A gua umedece em

    descendncia, o Fogo chameja em ascendncia, a Madeira pode ser dobrada e

    esticada, o Metal pode ser moldado e endurecido e a Terra permite a disseminao,

    o crescimento e a colheita. Aquilo que absorve e descende (gua) salgado, o que

    chameja em ascendncia (Fogo) amargo, o que pode ser dobrado e esticado

    (Madeira) azedo, que pode ser moldado e enrijecido (Metal) picante, e o que

    permite disseminar, crescer e colher (Terra) adocicado.

    Estas afirmaes mostram de forma clara, que os cinco elementos simbolizam cinco

    qualidades inerentes diversas e expressam o fenmeno natural. Ao relatar sobre o

    sabor dos cinco elementos, indica que estes sabores representam mais uma

    qualidade inerente de determinada coisa e no necessariamente o seu gosto de

    fato.

  • A direo dos Movimentos

    Os cinco elementos tambm simbolizam cinco direes diferentes de movimentos

    dos fenmenos naturais, ou seja: A Madeira representa o movimento expansivo e

    exterior em todas as direes; O Fogo representa o movimento ascendente; A Terra

    representa a neutralidade ou estabilidade; O Metal representa o movimento

    contrado e interior; A gua representa o movimento descendente.

    Os ciclos sazonais

    Cada um dos cinco elementos representa uma estao no ciclo anual. A Madeira

    corresponde primavera e est associada ao nascimento; o Fogo corresponde ao

    vero e est associado ao crescimento; a Terra corresponde estao anterior e

    est associada transformao; o Metal corresponde ao outono e est associado

    colheita, e a gua corresponde ao inverno e est associada ao armazenamento.

    Os inter-relacionamentos

    Os inter-relacionamentos so essenciais para o conceito dos cinco elementos.

    Dentro destes inter-relacionamentos destacam-se, entre outros, os ciclos biolgicos

    de Gerao e de Dominao.

    Ciclo de Gerao

    Neste ciclo cada elemento gera o outro, sendo ao

    mesmo tempo gerado. Assim, a Madeira gera o Fogo, o

    Fogo gera a Terra, a Terra gera o Metal, o Metal gera a

    gua e a gua gera a Madeira. H gerao sucessiva e

    num ciclo ininterrupto.

  • Com base nos conhecimentos gerais fcil entender que a Madeira, por sua

    combusto, capaz de gerar o fogo, assim como promover sua intensidade. Aps a

    combusto da Madeira, restam cinzas, que so incorporadas Terra. Ao longo dos

    anos, a Terra, sob o efeito de grandes presses, produz os Metais. E dos metais e

    rocha brotam as fontes de gua. Por outro lado, a gua d vida aos vegetais e,

    gerando a Madeira, fecha o ciclo da natureza.

    A esse tipo de relacionamento, onde cada elemento gerado d existncia a outro

    elemento, os antigos denominavam relao Me-Filho. Me o elemento que gera o

    elemento em questo, no caso o Filho. Desta forma, gua Me de Madeira, e esta

    Filha da gua.

    Para se equilibrar um possvel desequilbrio utilizando-se do Ciclo de Gerao:

    pode-se tonificar a Me se o meridiano apresentar falta de energia ou sedar o Filho

    se o meridiano apresentar excesso de energia. Ex.: Para tonificar Fogo, tonifica-se

    sua Me que Madeira.

    Ciclo da Dominao

    Neste ciclo, cada elemento domina o outro ao

    mesmo tempo em que dominado. Desta forma a

    Madeira domina a Terra, a Terra domina a gua, a

    gua domina o Fogo, o Fogo domina o Metal e o

    Metal domina a Madeira. Essa relao de domnio

    tambm se reproduz sem cessar.

    Por exemplo: A Madeira domina a Terra, mas dominado pelo Metal.

  • Na concepo oriental sobre natureza, o Metal tem a capacidade de cortar a

    Madeira, alm disso, as rochas e os metais podem impedir o crescimento da raiz das

    rvores (Madeira). A Madeira cresce absorvendo os nutrientes da Terra,

    empobrecendo-a, e as razes e rvores, quando muito longas, perfuram e racham a

    Terra. A Terra, por seu lado, impede que a gua se espalhe, absorvendo-a. Que a

    gua possa dominar o Fogo muito compreensvel. O Fogo domina o Metal, pois o

    Metal derretido pelo Fogo. O ciclo de dominao (controle) assegura que o

    equilbrio ser mantido entre os cinco elementos.

    Para se equilibrar um possvel desequilbrio utilizando-se do Ciclo de Dominao:

    pode-se sedar o Av se o meridiano apresentar falta de energia ou tonificar o Av se

    o meridiano apresentar excesso de energia. Ex.: Para tonificar Fogo, sedar seu Av

    que gua.

    Medicina Chinesa e os Cinco Elementos: A teoria chinesa dos cinco elementos e

    sua classificao submetida s leis da gerao, dominao, agresso e contra-

    dominao, explicam concretamente a fisiologia humana, os fenmenos patolgicos

    e constitui um guia para a elaborao do diagnstico e do tratamento.

    1.5 Funo Fisiolgica dos rgos e Vsceras (Zang Fu)

    Os conceitos de Zang (rgos) Fu (vsceras) so fundamentais na Medicina

    Tradicional Chinesa. As funes dos rgos e vsceras so a de receber o ar, os

    alimentos, os lquidos do ambiente externo e transform-los em substncias que

    circulam, nutrem, equilibram o organismo, e as no utilizadas sero excretadas.

    Todo o metabolismo orgnico realizado pelos rgos e vsceras, que se

    relacionam entre si, e so tambm responsveis por manter uma interao

    harmoniosa entre o corpo e o ambiente externo.

    Zang (rgos): Rins, Fgado, Corao, Bao\Pncreas, Pulmo, Pericrdio,

    apresentam caractersticas Yin, so mais slidos e internos, e os responsveis pela

  • formao, transformao, armazenamento, liberao e regulao das substncias

    puras (Qi-energia, Xue-sangue, Jing-essncia, Jin Ye-lquidos e Shen-esprito).

    Fu (vsceras): Bexiga, Vescula Biliar, Intestino Delgado, Estmago, Intestino

    Grosso, Triplo Aquecedor, apresentam caractersticas mais Yang, so mais ocos e

    externos, responsveis pela recepo e armazenamento de alimentos e bebidas

    pela passagem e absoro de seus produtos e transformao e pela excreo dos

    resduos.

    Cada rgo e vscera do corpo pertencem a um elemento, portanto temos: Corao,

    Intestino Delgado, Triplo Aquecedor e Circulao e Sexo pertencem ao elemento

    Fogo; Bao-Pncreas e Estomago pertencem ao elemento Terra; Pulmo e Intestino

    Grosso pertencem ao elemento Metal; Rins e Bexiga pertencem ao elemento gua e

    Fgado e Vescula Biliar pertencem ao elemento Madeira.

    Relao de sustento e de produo mtuos entre os rgos: A teoria dos cinco

    elementos explica a existncia da relao fisiolgica entre os rgos. Assim, o Jing

    (energia essencial) dos Rins (gua) vai alimentar o Fgado; o Fgado (Madeira)

    estoca o sangue que vai ajudar o Corao; o calor do Corao (Fogo) vai aquecer o

    Bao que transforma o Wei Qi (a essncia dos alimentos), que vai encher o Pulmo;

    o Pulmo (Metal) purifica e faz circular para baixo a fim de auxiliar a gua dos Rins.

    Dominao recproca da atividade dos rgos: O Qi do Pulmo (Metal) purifica e

    desce, pode deter a subida excessiva do Yang do Fgado; a ao reguladora do

    Fgado (Madeira) pode drenar a congesto do Bao (Terra); o movimento de

    transporte e transformao do Bao poder deter o transbordamento da gua dos

    Rins; a modificao dos Rins (gua) poder deter o excesso de calor do fogo do

    Corao; o calor Yang do Corao poder controlar o excesso de refrescamento do

    metal do Pulmo.

    Para a MTC alm das funes metablicas os Zang Fu tambm esto relacionados

    com rgos dos sentidos, estados mentais, emocionais, sentimentos, sabores,

    tecidos corporais, estaes do ano, tempo e aspectos da natureza entre outros

    fatores. (ver tabela).

  • A grande circulao de energia: A MTC considera que a energia flui pelo organismo

    de acordo com um relgio biolgico, a saber:

    P IG E BP C ID B R CS TA VB F03:00 05:00 07:00 09:00 11:00 13:00 15:00 17:00 19:00 21:00 23:00 01:0005:00 07:00 09:00 11:00 13:00 15:00 17:00 19:00 21:00 23:00 01:00 03:00

    GRANDE CIRCULAO DE ENERGIA

  • 1.6 Identificao de Padres de acordo com os Oito Princpios (Ba Gang)

    Conforme MACIOCIA (2005, p. 829) a identificao de padres de acordo com os

    Oito Princpios de Exterior e Interior, Plenitude e Vazio, Calor e Frios, Yin e Yang a

    base para todos os outros mtodos de formulao de padres, permitindo ao

    terapeuta identificar a localizao e a natureza de desarmonia, bem como

    estabelecer o princpio de tratamento.

    Denominam-se Exterior (Biao) Interior (Li) ou Superfcie Profundo, Plenitude

    (Shi) Vazio (Xu), Calor (Re) Frio (Han), Yin Yang.

    O mtodo de identificao de padres de acordo com os Oito Princpios a base

    terica para todos os outros mtodos e aplica-se para todos os casos. Nenhuma

    condio complexa demais para cair fora do mbito da identificao pelos Oito

    Princpios.

    importante destacar que a identificao de acordo com os Oito Princpios no

    significa classificar de modo rgido a desarmonia para encaixar as manifestaes

    clnicas em compartimentos estanques. Tambm no devem ser vistos como ou

    esse ou aquele, pois no incomum ver condies simultneas de Exterior e

    Interior ou por Calor e Frio ou Plenitude e Vazio ou Yin e Yang. E ainda uma

    transformando-se em outra.

    O propsito de aplicar os Oito Princpios no classificar, mas compreender sua

    gnese e sua natureza. S depois de compreender isso que poderemos decidir

    sobre o tratamento para uma desarmonia em particular.

    Exterior Interior ou Superfcie Profundo (Biao Li)

    A diferenciao entre Exterior ou Interior no feita com base naquilo que causou a

    desarmonia, mas sim a localizao da doena. O padro pode ter sido exterior

    (vento, frio, umidade, calor, secura), mas a desarmonia se instalou nos rgos

    internos.

  • Conforme AUTEROCHE (1992, p. 244) a classificao em Sintomas de Superfcie

    ou de Profundidade dos sinais colhidos permite determinar a localizao da doena

    e suas tendncia evolutiva.

    Quando a enfermidade esta localizada ao nvel da pele, da epiderme ou do derma,

    pertence ao Biao exterior, superfcie.

    Quando a enfermidade est localizada mais internamente, nas vsceras, rgos,

    vasos, ossos, medula, pertence ao Li interior, profundo.

    A doena pode evoluir de modos diferentes: Pode ter incio tanto na superfcie

    quanto na profundidade; a condio exterior pode tornar-se progressivamente

    interior; a condio interior pode aparecer antes da supresso completa da

    desarmonia exterior; se a raiz da desarmonia estiver no interior, pode estender-se

    progressivamente ao exterior.

    Condio do Exterior Interior (Biao Li)

    A condio exterior ocorre quando a enfermidade esta localizada na parte externa

    do corpo, e a causa geralmente um dos seis excessos de origem externa (vento,

    frio, calor, umidade, secura, calor de vero). Representa uma doena aguda

    caracterizada por uma incubao curta, uma ecloso brutal, uma evoluo rpida.

    Sintomas como febre, tremor, cefalias, cervicalgias, lassido, tosse.

    A condio interior ocorre quando a desarmonia esta localizada na parte interna do

    organismo (rgos, vsceras, vasos, ossos), e tambm percebido como relativo a

    condio exterior, pois qualquer sintoma que no seja exterior interior. As

    manifestaes e causas so diversas. Algumas causas possveis so, por exemplo:

    entrada de agente patognico externo para o interior do organismo; uma energia

    perversa externa, inclusive alimentar, pode atacar diretamente rgos e vsceras

    internos; doena relacionada a sentimentos recalcados, esgotamento por excessos

    sexuais, etc.

  • Deve-se compreender as diferenas e relaes entre ambas, e tambm a relao

    com os outros Princpios, mas existe uma orientao teraputica geral de

    Harmonizar o Interior para superar as desarmonias.

    Aspectos Exterior Interior

    Exterior

    Sintomas (alguns principais) Lngua Pulso

    Frio No melhora por calor, dor nos ossos e

    articulaes, febre, sem sede. Rev. fino e

    branco Superficial

    e tenso

    Calor Febre, tremor leve, sede, urina escura. Ver. fino e amarelo

    Superficial e rpido

    Vazio Febre, temor de vento, nariz

    congestionado, transpiraes. Plida Superficial

    e lento

    Plenitude Similar a sndrome de frio superficial,

    corpo e cabea doloridos. Rev. fino e

    branco Superficial

    e tenso

    Interior

    Frio

    Corpo e membros frios, palidez, sem gosto por bebidas quentes, mucos

    claros. Rev. branco escorregadio

    Profundo e retardado

    Calor Febre importante, rosto vermelho,

    ansiedade, desejo de bebidas frescas. Vermelha,

    rev. amarelo Rpido

    Vazio Respirao fraca, no deseja falar,

    anorexia, lasso, vertigens, palpitaes. Plida, rev.

    branco Fraco

    Plenitude Dores agravadas pela presso,

    obstipao, repleo torxico-abdominal. Rev.amarelo

    gorduroso Profundo e

    cheio

    Nota: tabela baseada em AUTEROCHE, 1992, p. 249

    Condio do Frio Calor (Han Re)

    Frio e Calor designam a natureza de um padro, a natureza de uma doena,

    normalmente so manifestaes de um excesso de Yin ou de Yang.

    Conforme AUTEROCHE, No vazio do Yang h um resfriamento externo, e no vazio

    do Yin aquecimento interno; na plenitude do Yang, h aquecimento externo, e na

    plenitude do Yin resfriamento interno. (1992, p. 250 APUD Su Wen cap. 62).

    A condio do Frio expressa uma diminuio da atividade funcional do organismo,

    quer porque o Yang est vazio e o Yin florescente, quer porque h ataque pelo Frio

  • perverso. Ocorre temor de frio aliviado pelo calor, boca plida, e mida, ausncia de

    sede, rosto de tom azulado, revestimento da lngua branco, brilhante, pulso

    retardado, tenso.

    A condio de calor expressa um aumento da atividade funcional do organismo, ou

    porque o Yang est florescendo, e o Yin vazio, ou porque h o ataque pelo calor

    perverso. Ocorre febre aliviada pela frescura, sede, desejo de bebidas frescas, rosto

    e olhos vermelhos, agitao, obstipao seca, lngua vermelha, revestimento

    amarelo, pulso rpido.

    Condio de Frio apresenta rosto descorado, temor de frio no melhorado pelo

    calor, sem sede ou desejo de beber pouca bebida quente, urinas abundantes e

    claras, fezes poucas e pastosas. Lngua plida, revestimento fino e branco. Pulso

    retardado e rpido.

    Condio de Calor apresenta rosto vermelho, febre, sede, gosta de bebidas frescas,

    fezes densas, secas. Lngua vermelha, revestimento amarelo, seco. Pulso rpido.

    Existem diferenas e relaes entre as duas formas e os outros Princpios, devendo-

    se ampliar essa compreenso, pois ambas podem estar emaranhadas, ocorre a

    passagem de um estado para o outro, e ainda ocorrem formas enganadoras de frio e

    calor nas manifestaes.

    Condio do Vazio Plenitude (Xu-Shi)

    Vazio e Plenitude so os princpios que permitem determinar o estado da Energia

    Correta do organismo e o da Energia Perversa. O Vazio se manifesta em seguida

    insuficincia da Energia Correta, e a Plenitude se manifesta em seguida ao Excesso

    de Energia Perversa.

    Conforme MACIOCIA (2005, p. 834) a diferenciao entre Plenitude (ou Excesso) e

    Vazio (ou Deficincia) uma diferenciao extremamente importante. A distino

    feita de acordo com a presena ou a ausncia de um fator patognico e com fora

    das energias do corpo.

  • Uma condio de Plenitude caracterizada pela presena de um fator patognico (

    interior ou exterior) de qualquer tipo e pelo fato de que a energia do corpo encontra-

    se relativamente intacta. A energia luta contra o fator patognico e isso resulta um

    aumento nocivo dos sintomas e sinais.

    Uma condio de Vazio caracterizada pela fraqueza de energia do corpo e pela

    ausncia de um fator patognico.

    Se a energia do corpo est fraca e um fator patognico fica no corpo por certo tempo

    a condio tem carter de Vazio complicado com Plenitude.

    A distino entre ambos se faz, mais que qualquer outra, pela observao.

    Condio de Plenitude apresenta voz forte e alta, dor cruciante, face muito

    vermelha, transpirao profusa, agitao, vontade de tirar as cobertas, acessos de

    mau-humor. Lngua com revestimento espesso e gorduroso. Pulso grande com

    fora.

    Condio de Vazio apresenta voz fraca, dor surda prolongada, face plida, pouca

    transpirao, apatia, vontade de ficar em posio encolhida na cama e disposio

    para ficar quieto. Lngua plida sem ou pouco revestimento. Pulso fino e fraco.

    Existem diferenas e relaes entre as duas formas e os outros Princpios, podendo

    ambas estar emaranhadas, ocorre evolues de um estado para o outro, e existem

    formas enganadoras.

    Condio de Yin Yang

    Conforme MACIOCIA (2005, p. 836) as categorias de Yin e Yang dentro dos Oito

    Princpios tm dois significados: em um sentido geral, elas so um resumo dos

    outros seis princpios, j que Interior, Vazio e Frio so de natureza Yin, e, Exterior,

    Plenitude e Calor so de natureza Yang. Alm disso, possuem tambm um sentido

    especfico, onde Yin e Yang definem dois tipos de Vazio e dois tipos de colapso:

  • Vazio de Yin e Vazio de Yang, e colapso de Yin e colapso de Yang que definem um

    estado extremamente grave de vazio.

    Conforme AUTEROCHE (1992, p. 269) a sndrome de Yin Vazio formada pela

    associao dos sintomas de insuficincia dos lquidos Yin (emagrecimento, boca e

    garganta secas, vertigens, insnia, oligria, obstipao, lngua sem revestimento,

    pulso fino) e de sinais de Yin no controlando o Yang (calor nas palmas das mos,

    na sola do p e na regio precordial, hipertemia, transpirao durante o sono, lngua

    vermelha, pulso rpido. Essa sndrome representa uma produo de Calor Interno

    Vazio.

    A sndrome do Yang Vazio formada pela associao dos sintomas de Energia

    Vazia (astenia psicossomtica, respirao superficial, dificuldade para falar, vontade

    de dormir, pulso tnue sem fora) e dos sinais de Yang no controlando Yin (temor

    de frio melhorado pelo calor, membros frios, boca plida, mida, sem sede, rosto

    plido, urinas claras, fezes pastosas). Essa sndrome representa uma abundncia

    Interna de Frio e de Umidade. (AUTEROCHE, 1992, p. 269).

    O Yin e o Yang se sustentam e esto unidos. Se o Yin se esgota o Yang Qi fica sem

    apoio e se dispersa. Se o Yang desaparece o Yin nada tem para se reproduzir e

    chega ao fim. Assim, no se pode por o desaparecimento do Yin e o

    desaparecimento do Yang e na sndrome do desaparecimento, h apenas uma

    diferena de prioridade de tempo entre o Yin e o Yang. (AUTEROCHE, 1992, p.

    269).

  • 2 FGADO

    2.1 As origens das desarmonias do Fgado conforme a Medicina Tradicional

    Chinesa

    Conforme ROSS, segundo a Medicina Tradicional Chinesa, o fgado tem como

    funo harmonizar o fluxo livre de Qi, armazenar o sangue, harmonizar os tendes,

    abrir-se nos olhos e manifestar-se nas unhas.

    Esta funo esta integrada com outras do Zang Fu, assim o Bao\Pncreas (Pi) regula a formao e a quantidade do Qi ps-natal, enquanto o Pulmo (Fei) e o Corao (Xin) governam a circulao do Qi pelo corpo, e o Fgado (Gan) regula uniformidade desta circulao. O Fgado (Gan) alm de harmonizar o fluxo livre de Qi, promove a circulao livre e fcil das matrias pelo corpo, por isso, participa da harmonia e regularidade das funes do corpo e da mente, havendo fases principais das funes de fluxo livre deste rgo, como: harmonia das emoes, harmonia da digesto, secreo de bile, harmonia da menstruao. (ROSS, 1984, p. 99)

    Ainda conforme ROSS, a presena de calor interno prolongado, a deficincia de Yin

    dos rins, perda de sangue ou deficincia de sangue, a depresso crnica do Qi do

    fgado, o desgaste, a raiva, a depresso, o lcool, o fumo e uma alimentao

    excessiva e gordurosa, todos esses fatores contribuem para uma desarmonia de

    fgado.

    Padres de desarmonia do fgado: depresso do Qi do fgado, sangue do fgado

    deficiente, fogo crescente no fgado, agitao de vento interno do fgado, umidade-

    calor no fgado e na vescula biliar, estagnao de frio no canal do fgado.

  • Nesta pesquisa estamos destacando, para efeito de estudo, os padres de

    desarmonia ligados Depresso de Qi do fgado, Yang do fgado hiperativo,

    Umidade e calor no fgado e vescula biliar.

    Segundo a MTC, emoes fortes como a raiva, tristeza, depresso e ansiedade

    provocam descargas de toxinas na corrente sangunea. Esta descarga de toxinas no

    sangue influenciar diretamente o fgado, pois uma de suas funes armazenar o

    sangue enquanto repousamos.

    Quando o sangue volta para o fgado com o organismo em repouso contribui para

    restaurar a energia da pessoa. (MACIOCCIA, 1989, p.102).

    A presso no trabalho, o cansao, e s vezes o sentimento de impotncia diante dos

    problemas podem deflagrar situaes de frustrao e de desgosto. Em situaes

    como estas o fgado se sente sobrecarregado. Sua energia torna-se bloqueada.

    Outra funo importante do fgado harmonizar o fluxo livre de Chi (Energia vital)

    dentro do organismo.

    Esta a funo mais importante do fgado e quando no consegue adequar esta

    funo torna-se a base da patologia do fgado que se manifesta com muitos

    sintomas caractersticos da desarmonia deste rgo. (ROSS, 1984, p.99).

    Com a energia bloqueada o fgado inicia um processo de construo de padres

    desarmnicos. Os primeiros sinais apontam para: dor de cabea, insnia,

    inquietao, sonhos pesados, calor acima do trax, enjo e irritao. medida que

    este quadro se agrava, com a energia constrita no fgado a desarmonia pode evoluir

    para sintomas mais intensos. Outros fatores podem se agregar a este quadro, como

    alimentao desregrada, sentimentos de raiva, no-aceitao e hesitao.

    Na concepo da Medicina Tradicional Chinesa MTC - a estagnao de Chi pode eventualmente, decorrido um tempo, transformar-se em calor e depois aumentar para o estado de fogo. Assim como o desgosto e a raiva intensos, o lcool e o fumo, alm de uma alimentao excessiva e gordurosa podem contribuir para a formao de Fogo do Fgado. (ROSS, 1984, p.111).

  • Com o calor em ascenso o indivduo pode ter reaes inapropriadas, tornar-se

    hiper-sensvel e at mesmo explosivo.

    Se formos rastrear as possveis origens deste padro desarmnico o

    encaminhamento possvel, seguindo os sinais, seria: trabalho excessivo, falta de

    descanso, alimentao inadequada e\ou insuficiente, preocupao, inquietao e

    ansiedade e este quadro pode gerar uma dificuldade em recuperar suas energias.

    2.2 Padres de desarmonia do Fgado na relao entre Fgado - Rins e Sistema

    Digestrio

    As funes dos rins, conforme a Medicina Tradicional Chinesa so: armazenar a

    essncia Qi, a energia ancestral (Jing), controlar o nascimento, crescimento,

    desenvolvimento e reproduo, controlar os ossos, base do Yin e do Yang, controlar

    a gua, controlar a recepo do Qi, abrir-se nas orelhas e manifestar-se nos

    cabelos.

    Em desarmonia, os rins apresentam os seguintes padres de desarmonia:

    deficincia de energia ancestral dos rins, deficincia do Yang dos rins, deficincia do

    Yin dos rins, os rins falham ao receber o Qi, transbordamento da gua.

    Nesta pesquisa estamos destacando o padro desarmnico de deficincia de Yin

    dos rins.

    Os rins segundo a MTC funcionam como um celeiro de vitalidade e nos quadros de

    desarmonia o indivduo estaria sendo desvitalizado.

    A deficincia de Yin (substrato) dos rins acarretaria em que a energia circulante no

    seria suficiente para nutrir o fgado, que por sua vez passaria a funcionar com

    deficincia de Yin do fgado.

  • A funo Yin no organismo : nutrir, umedecer, resfriar e trazer momentos de

    repouso. O Yin depende do descanso. Portanto dormir um bom sono e ter

    momentos de lazer relaxantes so fundamentais e eficazes na preservao da

    energia Yin do organismo.

    Com a deficincia de Yin, o Yang se sobressai. O Yang no organismo produz

    movimento, aquecimento e transformao. o Yang que faz a digesto. A falta de

    descanso, o excesso de trabalho e a preocupao excessiva deixaro o indivduo

    sem reservas de Yin para manter seu equilbrio. A deficincia e Yin e o excesso de

    Yang passa a fazer parte de sua rotina, gerando no organismo um excesso de calor

    nocivo.

    Do mesmo modo a deficincia de Yin do fgado, o Yang do fgado hiper-ativo, e o fogo crescente no fgado podem ser vistos como uma evoluo contnua que comea com o primeiro e que evolui para as formas de Yang hiper-ativo e depois para o fogo crescente do fgado acompanhados pelos sintomas correspondentes. (ROSS, 1984, p. 108).

    Caso o indivduo desenvolva um dos estgios mais avanados de desarmonia do

    fgado, o Fogo Crescente no Fgado, o corpo inteiro ficar quente e o rosto todo

    avermelhado, calor nas mos e nos ps, dor de cabea intensa, surdez repentina,

    olhos vermelhos, urina escura, insnia, sede, enjo e raiva violenta.

    Estes sintomas, alm de serem mais intensos podem ser repentinos, pois resultam

    da subida rpida de Yang Chi (calor) e de sangue para a cabea. Destacamos que o

    movimento da energia do fgado ascendente, vertical, e, portanto pode ocorrer um

    movimento descontrolado para a cabea. Isso pode inclusive dar cimbras ou

    reaes emocionais mais fortes e at violentas.

    O fgado, ento em extremo estado de desequilbrio pode agredir o bao-pncreas e

    o estmago, prejudicando-os em suas funes de transformao e transporte dos

    nutrientes.

    Conforme a Medicina Tradicional Chinesa as funes do bao\pncreas e estmago

    so: regular a transformao e o transporte, regular a parte carnosa dos msculos e

  • os membros, governar o sangue, manter os rgos fixos, abrir-se na boca e

    manifestar-se nos lbios.

    Padres de desarmonia do bao\pncreas: Qi do bao\pncreas (Pi) deficiente,

    Yang Qi do bao\pncreas deficiente, bao\pncreas no governam o sangue,

    desmoronamento de Qi do bao\pncreas, invaso do bao\pncreas pelo frio e

    umidade, acmulo de umidade-calor no bao\pncreas, mucosidade turva estorva a

    cabea.

    Os alimentos e as bebidas, sob influncia do Qi do bao\pncreas (Pi) so digeridos e separados em fraes puras e impuras. As fraes impuras passam do intestino delgado (Xiao Chang) para o intestino grosso (Da Chang) para a excreo. A frao pura enviada, custa do bao\pncreas (Pi) para o pulmo (Fei) onde transformada em energia (Qi), sangue (Xue), e lquido orgnico (Jin Ye). Se as funes de transformao e de transporte esto deficientes, isto , as funes do Qi do bao\pncreas (Pi) esto enfraquecidas, poder haver, ento, a deficincia de energia (Qi) e de sangue (Xue), e, possivelmente, a estagnao do lquido orgnico (Jing Ye) sob a forma de umidade e de mucosidade. (ROSS, 1984, p.80)

    As funes do estmago, conforme a Medicina Tradicional Chinesa so: receber e

    preparar o alimento e a bebida, a transformao dos alimentos inicia-se no

    estmago (Wei) em que a parte mais pura vai atravs da funo do bao\pncreas

    (Pi) para o pulmo (Fei), onde se torna energia (Qi), sangue (Xue) e lquido orgnico

    (Jin Ye). A parte mais densa, mais turva encaminhada para o intestino delgado

    (Xiao Chang) para se fazer a digesto e separar o puro do impuro dos alimentos

    contidos nesta vscera. As funes do bao\pncreas (Pi) e do estmago (Wei) so

    complementares, enquanto o primeiro governa o movimento de subida das fraes

    mais puras do alimento, o segundo promove a descida das fraes menos puras.

    Caso o estmago entre em desequilbrio apresentar estes padres de desarmonia:

    reteno de lquidos no estmago devido ao frio, reteno de alimento no estmago,

    deficincia de Yin no estmago, fogo no estmago.

  • Nesta pesquisa estamos destacando os padres desarmnicos: deficincia de Yin

    no estmago, fogo no estmago, Qi do bao\pncreas deficiente, acmulo de

    umidade-calor no bao\pncreas.

    O sangue, os lquidos orgnicos e a energia adquirida so construes dirias,

    sendo a matria prima para essas construes os alimentos slidos e lquidos, ou

    podemos dizer transformaes do elemento terra.

    Essa construo de essncias alimentares de responsabilidade do bao-pncreas

    e do estmago. Sendo o estmago a vscera central, o ponto de partida na

    construo de energias e nutrientes.

    O fgado o rgo que auxilia no mecanismo de assimilao de nutrientes para que

    se transforme no mar de energia e seja distribudo diariamente ao nosso organismo

    e ao nosso esprito.

    Se houver alguma irregularidade nas funes desempenhadas pelo fgado, pode

    haver uma descarga de toxinas indesejveis no estmago e no bao.

    Conforme a Teoria dos Cinco Elementos (um dos fundamentos da MTC) neste caso

    a madeira (fgado) estar sobrecarregando o bao-pncreas e o estmago, ambos

    ligados ao elemento terra em nosso organismo.

    O bao-pncreas e estmago atingidos pela sobrecarga, passam a gerar uma

    umidade em excesso que sem o auxlio da funo transformadora pode estagnar

    gerando um quadro de umidade-calor.

    A palavra umidade pode corresponder pasta alimentar, aos alimentos triturados,

    mastigados, que esto estagnados no aquecedor mdio, isto , dentro do estmago.

    A permanncia da umidade patognica no organismo pode se encaminhar para um

    quadro de estagnao de umidade-calor no estmago. Esta umidade patognica

    pode estar presente tambm nos intestinos provocando um quadro de gastrenterite

    aguda, uma intoxicao alimentar. Os sinais ou sintomas so: distenso abdominal,

  • nusea, vmito, regurgitao cida, ausncia de sede, falta de apetite, dor de

    cabea, febre e fraqueza.

    A presena da umidade no organismo refere-se acumulao de fludos reduzindo

    o metabolismo no que se refere transformao e transporte dos fludos orgnicos,

    tendo como conseqncia a obstruo dos canais. Essa umidade pode se acumular

    no organismo.

    No tratamento com fitoterapia temos que usar frmacos que ajam no bao,

    tonificando-o para que ele possa gerar menos umidade, e no rim para que a

    umidade seja eliminada pela urina. Tambm seria favorvel que esse fitoterpico, ou

    frmaco, melhorasse o funcionamento do intestino grosso para que a umidade fosse

    eliminada junto com as fezes.

    Porm os frmacos que tratam de umidade no o fazem somente no aparelho

    respiratrio, como de se pensar, mas tambm atuam nos sistemas digestrio, nos

    msculos, na pele e outros tecidos.

    A umidade depois de um tempo, pode se transformar em muco ou fleuma que tem

    significado amplo dentro da Medicina Chinesa. Pode ser representado pelo

    colesterol, triglicrides, cido rico, substncias indesejveis ou prejudiciais, todas

    chamadas genericamente de toxinas. A umidade, por sua vez, tem a caracterstica

    da gua, isto , desce, infiltra, pesa e incha.

    Usando um fitoterpico com essas propriedades (tonificar o bao, auxiliar na

    eliminao, drenar o excesso de umidade) estaremos ento drenando o excesso de

    umidade pelos rins e pelo bom funcionamento dos intestinos e o mais importante,

    tonificando e estimulando o funcionamento do bao-pncreas e do estmago. Com

    isso estaremos tambm melhorando a circulao geral de energia do corpo. J que

    o bao o responsvel pela absoro de energia dos alimentos.

    A umidade pode-se acumular nos meridianos e canais de energia provocando obstrues dolorosas. A umidade pode depois de um tempo sofrer acrscimo de calor, e teremos o quadro de

  • umidade-calor ou umidade-fogo, furnculos, abscessos e infeces. (WO, vdeo).

    3 ESPINHEIRA SANTA PLANTA NATIVA

    3.1 Aspectos Energticos da Espinheira Santa Baseado na MTC

    Figura: Planta fotografada por Ronaldo Rgis Christensen em 14/04/2010 no bairro Boa Vista

    Campinas/So Paulo - Brasil. A fotografia da espcie Maytenus aquifolium Mart.

    A planta escolhida para essa pesquisa foi a Espinheira Santa Maytenus ilicifolia

    por ser mais fcil de encontrar no comrcio. Seu habitat natural o Brasil,

    aparecendo espontaneamente desde Minas Gerias at o Rio Grande do Sul. muito

    comum ao longo do Rio Paran.

    Na escolha dos frmacos temos que ter em mente que para combater a umidade

    temos que expulsar as toxinas pela urina (diurtico) e pelo intestino grosso

  • (levemente laxativo). E simultaneamente tonificar o bao-pncreas e o estmago

    (tnico).

    Tambm estamos buscando nesse fitoterpico uma propriedade tranqilizante, j

    que o estresse se originou das descargas excessivas do Yang do fgado, irritao,

    insnia, falta de repouso e preocupao.

    Por ltimo seria eficaz que esse fitoterpico tivesse propriedades antiinflamatrias,

    pois um bao sob estresse gera inflamaes pelo organismo.

    O sabor adocicado nutre a energia e o sangue, regula a digesto e neutraliza as

    toxinas. Indica-se para doenas de Estmago e Bao\Pncreas. Evita o cansao,

    traz relaxamento muscular e geral. Tambm melhora o sabor dos demais

    componentes de uma frmula e neutraliza seus efeitos colaterais. O sabor

    adocicado provm dos aucares e amidos.

    O sabor amargo dispensa o calor, apaga o fogo, emtico (provoca vmitos),

    laxativo e diurtico, seca a umidade, endurece os tecidos. Indica-se para doenas do

    Corao e Intestino Delgado. O sabor amargo provm de alcalides, sesquiterpenos

    e alguns glicosdeos.

    Os frmacos que possuem o sabor neutro melhoram edemas e facilitam a diurese,

    combinam-se aos outros nas formulaes.

    A Espinheira Santa possue em sua natureza energtica sabor adocicado, amargo e

    temperatura neutra e pertence categoria das plantas que dispersam o vento e a

    umidade-calor internos, nos canais de energia e no estmago.

    A temperatura neutra neste contexto significa que os princpios ativos como

    alcalides, sesquiterpenos e glicosdeos (amargos) e os carboidratos, aucares e

    amidos (adocicados) esto em quantidades reduzidas tornando a planta com

    propriedades suaves. Do mesmo modo os carboidratos so metabolizados pela

    Terra Bao\Pncreas e Estmago, transformando em energia para o corpo tambm

    de forma suave e eficaz.

  • A temperatura neutra da Espinheira Santa evidencia que o sabor adocicado e

    amargo lhe traz uma suavidade na execuo de suas funes, diurtica, laxativa e

    tnica pela quantidade reduzida de seus princpios ativos.

    Sua funo, segundo os orientais, dissolver umidade-calor ou umidade-frio do organismo, harmonizar o Yin e o Yang do organismo e restabelecer o Jing (energia essencial do indivduo armazenada nos rins). indicado para casos de cncer de estmago e cicatrizante para doenas externas. (EBRAMEC, 2008, p. ).

    Possue indicaes em tratamentos de tumores especialmente no estmago. Tambm indicada como analgsica para dor de estmago e dor visceral. Muito utilizada para lcera, m digesto, azia e gastrite. tambm uma planta diurtica, eupptica (melhora a digesto, reduzindo os sintomas como peso) e laxativa. (BOTSARIS, 2006, p. 431).

    Segundo a herbalista e fitoterapeuta ngela Lima a Espinheira Santa tem utilizao

    no tratamento de patologias como lcera gstrica, antiinflamatria da mucosa, anti-

    sptica, cicatrizante, protetora da mucosa do trato digestivo, atua na m-digesto,

    azia, distenso abdominal e flatulncia.

    Segundo os chineses sua funo principal dissolver umidade-calor e umidade-frio.

    A Medicina Chinesa fundamenta-se no Yin e Yang e na Teoria dos 5 Elementos.

    Na Medicina Tradicional Chinesa, o macrocosmo, universo exterior, representado pela Teoria dos Cinco Elementos, onde cada elemento governa uma parte do corpo incluindo rgos, sistemas, tecidos e os aspectos mental e espiritual do indivduo, sendo o corpo humano uma representao do microcosmo, universo interior. Assim o elemento Madeira se relaciona com o Fgado e a Vescula Biliar, o elemento Fogo relaciona-se com o Corao e o Intestino Delgado, o elemento Terra com o Bao-Pncreas e Estmago, o elemento Metal com o Pulmo e Intestino Grosso e o elemento gua com os Rins e a Bexiga. A cada elemento tambm associado um sabor atribudo aos alimentos e s ervas, que difcil de ser descrito, uma vez que ele no se reporta ao paladar propriamente dito, mas, sua natureza energtica ou temperatura natural e seu efeito teraputico nos diversos locais de ao. (LEITE, 2005, p. 21).

  • Os fitoterpicos ou frmacos possuem uma natureza intrnseca, uma temperatura e

    um sabor determinados. A temperatura pode ser quente, morna, fresca, fria ou

    neutra. Isso no condiz com a temperatura do frmaco e sim, se refere s

    sensaes que esses produtos provocam dentro do corpo. Por exemplo, a cerveja

    gelada (Yin), mas dentro do organismo provoca calor.

    Visualizemos a seguinte situao:

    Quando o cliente estiver em um estgio Yang (quente) com sinais de presso alta,

    face vermelha, febre, dor de cabea e pulso cheio, temos que ministrar frmacos

    frescos ou frios. Porm, quando o cliente estiver em estado Yin (frio) com sinais de

    cansao, aptico, inchado nas pernas, lngua e rosto plidos, com cobertura da

    lngua branca, temos que ministrar fitoterpicos mornos e quentes. Buscaremos

    sempre o equilbrio.

    Os chineses compem frmulas compostas de vrios ingredientes quando o

    cliente estiver Yin (frio) os componentes mornos e quentes podem predominar, mas

    pode existir um ou outro componente fresco para dar certo equilbrio. Por outro lado,

    quando o cliente estiver Yang (quente) vamos utilizar componentes frescos e frios,

    mas pode ocorrer algum componente morno.

    Alm da temperatura, os frmacos possuem sabores que esto associados aos

    Cinco Elementos da natureza. Como j visto cada rgo e vscera acoplada

    pertencem a um dos Cinco Elementos e necessitam de um dos Cinco Sabores.

    Azedo para a Madeira, Amargo para o Fogo, Adocicado para a Terra, Picante para o

    Metal e Salgado para a gua.

    A falta ou excesso desses sabores pode ser prejudicial ao indivduo. O sabor nem

    sempre condiz com o paladar. Os chineses identificam o sabor do frmaco pela sua

    sensao ou efeito provocado dentro do organismo. So os sinais e sintomas que

    guiam o observador.

  • O sabor adocicado est associado ao elemento Terra, ao rgo Bao-Pncreas e a

    vscera Estmago. Segundo o conceito oriental o sabor adocicado ou doce, tem por

    funo tonificar, energizar, e harmonizar o indivduo. Todas as pessoas

    intuitivamente quando esto muito tensas buscam o doce. Ex: acar, amido, arroz,

    massas, batata, etc. So formas rpidas de compensao. Energizam rapidamente

    o sistema e proporcionam uma espcie de distenso, de relaxamento.

    4 ESPINHEIRA SANTA NOS MALES DA DIGESTO

    4.1 Metodologia

    O mtodo adotado foi o Mtodo Indicirio.

    Esse mtodo tem por fundamento rastrear pistas, sintomas, sinais, que por vezes

    passam despercebidos aos olhos de leigos em determinados assuntos. O olhar

    atento, daquele que se dispe a investigar, pesquisar, aprofundar uma situao

    qualquer ou uma patologia, pode levantar sinais ou sintomas que aos olhos de um

    leigo no despertam nenhum significado.

    Por milnios o caador aprendeu a farejar, registrar, interpretar e classificar pistas infinitesimais como fios de barba. Durante inmeras perseguies aprendeu a reconstruir as formas e movimentos das presas invisveis pelas pegadas na lama, ramos quebrados, bolotas de esterco, tufos de pelos, plumas emaranhadas, odores estagnados. Aprendeu a fazer operaes mentais complexas com rapidez fulminante, no interior de um denso bosque ou uma clareira cheia de ciladas. [...] Geraes e geraes de caadores enriqueceram e transmitiram esse patrimnio cognoscitivo. [...] num instante demonstram como, atravs de indcios mnimos, puderam reconstruir o aspecto de um animal que nunca viram. (Ginzburg, 1986, p. 151 ).

    O critrio que adotamos na escolha dos trs indivduos participantes para essa

    pesquisa foi que tivessem o seguinte perfil: sintomas de desajuste entre fgado e

    estmago, ou fgado e bao, sendo que pelo menos um deles fosse acentuado;

  • apresentao de algum ndice de insatisfao pessoal como raiva, frustrao,

    desgosto, tristeza; falta de autonomia em relao prpria vida; uma resoluo

    pessoal precria, falta de presena de esprito, no estar sentindo-se forte diante da

    prpria vida; reflexos abalados.

    Observou-se o sistema digestrio, dores, rubores, calor, inchaos, desconfortos,

    enjo, vertigem, empachamento, obstrues, priso de ventre, infeces e outras

    desarmonias pertinentes.

    Na viso ocorrncia de embaamento, movimento involuntrio, vermelhido.

    Alm destes, no aspecto fsico foram considerados o sono, horrios alimentares,

    nvel de sedentarismo, qualidade de vida do local onde moram.

    Procuraram-se inicialmente indivduos que estivessem no ambulatrio da escola

    EBRAMEC.

    Foi pedido que os trs participantes tomassem o ch das folhas da Espinheira Santa

    na forma de infuso.

    A preparao do ch: colocar gua para ferver, e no momento em que comear a

    ebulio, desligar. No deixar ferver. Colocar aproximadamente uma colher de sopa

    das folhas em uma xcara, despejar a gua sobre as folhas, abafar por quinze

    minutos. Coar e beber.

    Administrao orientada: tomar o infuso de espinheira santa durante dez dias, trs

    vezes ao dia. Interromper por cinco ou dez dias. Tomar novamente por mais dez

    dias, trs vezes ao dia. O perodo avaliado, portanto foi de vinte cinco ou trinta dias.

    Desta forma nos primeiros dez dias todos os sintomas de desarranjo do fgado

    podero vir tona, de forma suave, como por exemplo, dores pelo corpo, dores de

    cabea, vertigem, enjo, leve diarria.

    Os cinco (ou dez) dias de intervalo seriam para o indivduo avaliar e assimilar os

    efeitos do ch.

  • Nos dez dias seguintes espera-se um conforto maior, uma diminuio dos sintomas

    patolgicos iniciais e dos efeitos do prprio ch, tais como dores pelo corpo, dores

    de estmago, tontura, vertigem, e uma sensao de confiana e alvio. E na

    seqncia sustentao do bem estar.

    Apresentamos a seguir os estudos de casos.

    4.2 Estudos de caso

    Participante JA:

    No realizado na profisso. Sente raiva e frustrao por no ter autonomia financeira

    e emocional. No momento est namorando, porm vem de um divrcio realizado h

    seis anos, mas no devidamente superado. Tem um filho de onze anos, que mora

    com ele. Este vnculo de pai e filho foi construdo com dificuldades gerais, mas um

    vnculo de amor profundo e verdadeiro. cuidadoso com o filho e com os outros.

    sempre solidrio com todos, mas acaba esquecendo-se de si mesmo.

    O trabalho profissional tem sido exaustivo nesses ltimos trs anos, trabalha no

    setor de meio ambiente e reciclagens, percorrendo vrias cidades com um

    caminho. O trabalho requer um fsico forte e resistente.

    Dorme rpido, mas durante a noite fica inquieto e acorda muitas vezes, dormindo

    novamente. Tem sonhos confusos e que emendam. Sente muito sono de dia, ao

    meio dia e s seis da tarde (horrios do corao dos rins respectivamente).

    Mede 1,83m de altura, normalmente forte e vigoroso, atualmente tem sentido menos

    disposio. Prefere o inverno, sente-se timo. No vero sua disposio cai bastante

    e tem dor de cabea. A pele do rosto oleosa e com espinhas.

    No estmago, sua queixa principal, sente dores quando toma caf, come pizza,

    exagera nos doces. Tem que tomar remdio para o estmago para sentir-se melhor.

  • Tem compulso por doces gordurosos como chocolate, creme de amendoim,

    cremes, etc. Seu apetite bom, no geral come de tudo.

    Foi orientado para tomar o ch trs vezes ao dia durante dez dias, interromper dez

    dias, voltar a tomar por mais dez dias.

    Nos trs primeiros dias sentiu uma maior movimentao no intestino. Nos dias que

    se sucederam sentiu melhora na disposio fsica. Dormiu melhor e as dores de

    estmago cessaram aps o quinto dia. At o final do primeiro perodo de dez dias

    manteve o bem estar e a disposio para o trabalho.

    Interrompeu por dez dias. As dores e a indisposio voltaram.

    No segundo perodo as dores cessaram a partir do quarto dia. Porm ocorreu uma

    dor muscular muito forte, inicialmente no brao esquerdo, e logo aps no direito.

    Disse que no conseguia levantar um copo. A urina ficou um pouco presa. A

    hemorrida inflamou muito, e ficou absolutamente desconfortvel. Aumentou o

    funcionamento intestinal. Teve uma intensa dor de cabea.

    Aps o sexto dia do segundo perodo comeou a sentir-se novamente melhor.

    Diminuiu os doces e as gorduras, tinha prazer em beber o ch porque sentia a

    digesto melhor, achava gostoso de tomar. As dores musculares e os desconfortos

    cessaram.

    Percebeu neste ltimo perodo que todo o cansao do final de ano e do trabalho

    estavam acumulados no corpo. Observou tambm que no perodo da manh era

    ineficiente, tipo enrolado, atrasava-se. Ao perceber isso, passou a dar ateno ao

    seu desempenho e a se organizar melhor.

    Destaca-se que o fgado o rgo que rege o planejamento, a estratgia e a ao.

    Participante CE:

  • Enfermeira, 52 anos, casada, sem filhos. magra, saudvel, aspecto bonito,

    harmonioso. Pratica yoga. Tem um apetite saudvel, gosta de tudo.

    No trabalho coordena um centro de sade que demanda muita energia e disposio

    fsica e emocional. No casamento no sente a mesma autonomia. Gosta muito de

    viajar, viaja constantemente com o marido para diversas partes do mundo, mas onde

    mais gosta uma pousada beira mar, no to longe de sua residncia.

    A casa onde mora confortvel, arejada, possue um belo jardim com rvores.

    Sua queixa principal foi inchao nos ps, alm de dor de cabea constante,

    propenso priso de ventre, uma distenso muscular, cimbras.

    Foi orientada para tomar o ch trs vezes ao dia, durante dez dias. Interromper por

    cinco dias e prosseguir por mais dez dias.

    Nos primeiros dias no sentiu muita diferena, mas a seguir percebeu que os ps

    desincharam. A seguir sentiu uma melhora generalizada, sem se fixar num ou outro

    sintoma. Bem estar no geral.

    No segundo perodo de dez dias notou que estava sentindo-se mais leve, disposta e

    mais resistente no trabalho. As cibras cessaram, porm as dores de cabea

    permaneceram. Melhorou muito seu aspecto, com brilho nos olhos, olhar mais

    radiante, jovialidade no rosto. Parece que o organismo passou por uma

    desintoxicao eliminando o que estava estagnado.

    Participante NS:

    Mulher, 52 anos, solteira, independente, arquiteta. Pratica dana e caminhadas. Tipo

    fsico normal, mais para magra, tem boa disposio. Mora em So Paulo, em bairro

    completo e confortvel, mas muito poludo (ar e rudo) pelo intenso movimento de

    veculos. Tem bom apetite, mas no metaboliza bem gorduras, sendo que as evita.

  • Sua queixa emocional que se sente desajustada, no entende muito o sentido da

    vida, choca-se com a injustia e a avidez humana, na natureza encontra sua

    verdadeira fonte de inspirao e refazimento. Tem um histrico de decepes nos

    relacionamentos tanto familiares quanto afetivos. Tem autonomia profissional. Gosta

    de viajar e sentir-se livre de presses e opresses.

    Sua queixa fsica de ordem metablica. sensvel a alimentos pesados,

    gordurosos que lhe causam empachamento, dor de cabea, gosto estranho na boca,

    odores fortes pelo corpo, oleosidade na pele. Tem bom sono, bom funcionamento

    intestinal, boa disposio em geral.

    Costuma beber bastante gua, de dois a trs litros por dia, sente que proporciona

    bem estar e frescor. Consequentemente urina bastante, urina clara.

    Muito sensvel a rudos, barulhos, que a deixam profundamente irritada. Prefere o

    silncio. Sente embaamento e vermelhido na vista, e nos ltimos quatro meses

    sente movimentos involuntrios nas plpebras.

    Foi orientada para tomar o ch trs vezes ao dia, durante dez dias. Interromper por

    cinco dias e prosseguir por mais dez dias.

    Nos primeiros dez dias adorou. Sentiu leveza e bem estar, gosto muito neutro na

    boca, digesto leve e adequada. Perdeu umas gordurinhas localizadas, sentiu-se

    mais magra, mais esguia e leve.

    Desde o primeiro dia observou rajadas de dores pelo corpo. Aconteciam como raios,

    muito rpidos no rosto, pelo corpo, nos braos.

    No segundo perodo, entretanto, sentiu muitas dores nos seios e axilas. Dor

    bastante expressiva, sensao de inchao nos seios, dificuldade para acomodar o

    corpo para dormir etc. As dores cessaram apenas aps sessenta dias sem tomar o

    ch.

  • Quanto ao sistema digestivo, sentiu-se muito bem especialmente quanto

    neutralidade de gosto na boca e leveza geral no corpo. Observou tambm que seu

    rosto ficou mais bem definido, sentindo-se mais bonita.

    4.3 Resultados

    Pude observar um efeito desintoxicante e resoluto no sistema digestivo nos trs

    casos. O ch promoveu boa disposio e leveza fsica e emocional, jovialidade no

    aspecto, pele menos gordurosa, olhar mais brilhante, bem estar.

    Mas as dores nos participantes JA e NS me motivaram a tambm tomar o ch para

    avaliar seu efeito em meu corpo.

    No meu caso as dores concentraram-se na regio do pescoo. Foram muito

    intensas e expressivas.

    Analisando muito cuidadosamente as regies doloridas em todos os casos

    relacionei-as com o Sistema Linftico. Comparamos a regio da dor com o Atlas do

    Sistema Linftico, e realmente coincidiram.

    bastante interessante e revelador a ao da erva no Sistema Linftico. O resultado

    sugere diversas hipteses. Pode ser que as toxinas mobilizadas com o uso da erva

    tenham sobrecarregado o Sistema Linftico, ou ainda que a prpria erva o tenha

    sensibilizado e inflamado a ponto de provocar bastante dor.

    Interessante tambm que a dor concentrou-se em regies diferentes em cada

    participante. Em JA nos braos, em NS nos seios e axilas, e em mim no pescoo.

  • A Espinheira Santa revelou uma forte relao entre a fitoterapia e o Sistema

    Linftico, sendo que este pode ser o principal veculo para sua ao no organismo.

    Este assunto, pela sua importncia, merecer um estudo detalhado futuramente.

    CONSIDERAES FINAIS

    Alm dos estudos de casos desta monografia o que averigei nesses anos de

    pesquisas e experimentos que a Espinheira Santa realmente eficaz em drenar,

    expulsar rapidamente o calor-umidade do estmago quando as descargas de

    toxinas tm como origem o desequilbrio e a agresso do calor txico do fgado. Ou

    seja, com o acmulo de energia o fgado descarrega sua sobrecarga no estmago.

    A digesto e a assimilao so interrompidas e o indivduo sofre de enjo, dor de

    cabea, vmito, febre, fraqueza e dor de estmago. Nessa situao a Espinheira

    Santa age com eficcia aliviando os sintomas e reestruturando as energias do

    indivduo. Ela desintoxica, diurtica e levemente laxativa, drena a umidade-calor

    atravs dos rins e intestinos. tranqilizante, destenciona e harmoniza. Ao mesmo

    tempo diminui o Yang excessivo que vem do fgado (drena umidade-calor). E

    tambm tonifica o Bao-Pncreas, ajuda a fortalecer, a adquirir resistncia e protege

    de possveis infeces (sabor adocicado).

    O Bao gerador de umidade no organismo, responsvel pela digesto dos

    alimentos e transporte de seus nutrientes, chamados de essncias alimentares,

    vitaminas, protenas, carboidratos e lipdeos que so transportados. Essas energias

    so transportadas at o pulmo, onde ocorre uma mistura de energias.

    Caso esse mar de energia no consiga ser transportado para o corpo pode haver

    um acmulo de umidade. O contnuo processo de transformao de energias e seu

    encaminhamento para o corpo como energia correta ou nutritiva quem o faz o

  • Bao ligado ao Elemento Terra. Quando esse rgo se estressa ou agredido

    ocorre a estagnao dessas energias.

    Observo que a Espinheira Santa eficaz quando a desarmonia vem do desequilbrio

    Fgado -Estmago - Bao. Ou seja, uma estagnao que tambm se relaciona com

    a raiva, desgosto, impotncia do indivduo frente prpria vida.

    Porm se umidade-calor tiver como origem a deficincia de Yang do Rim e

    conseqentemente de Yang do Bao, gerando um quadro de lassitude, cansao,

    estagnao dos fludos corpreos, umidade e obesidade, a Espinheira Santa no

    tem a mesma eficcia. Neste caso ser necessrio um tratamento que recupere a

    essncia do Rim, eleve a energia Yang do organismo, para mobilizar e transformar

    as energias e com isso reverter a situao e o equilbrio se restabelecer.

    Este assunto ser objeto de outro estudo.

  • REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    AUTEROCHE, B.; NAVAILH, P. O Diagnstico na Medicina Chinesa. So Paulo: Organizao Andrei Editora Ltda., 1992. BARROS, FISCHER &ASSOCIADOS. Atlas do Corpo Humano. So Paulo: Barros, Fischer &Associados, 2005. BOTSARIS, Alex. Frmulas Mgicas. Rio de Janeiro: Nova Era, 2006, EBRAMEC, Apostila do curso de Ps Graduao em Fitoterapia Chinesa e Plantas Brasileiras, 2008. Ginzburg, Carlo. Mitos Emblemas Sinais - Morfologia e Histria. Cia das Letras, 1986. KUANG, Wu Tu. DVD, Vdeo Fitoterapia Chinesa. LEITE, Mary Lannes Salles.Manual de Fitoterapia Chinesa e Plantas Brasileiras. So Paulo: cone, 2005 LIMA, ngela. ndice Teraputica Fitoterpico Ervas Medicinais. Pe