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ALEXANDRE M A DINIZ

DIFERENAS SCIO-ESPACIAIS ENTRE HOMENS E MULHERES CHEFES DE DOMICLIO DE BELO HORIZONTE: UMA ANLISE

EXPLORATRIA COM A AJUDA DE TCNICAS DE GEOPROCESSAMENTO

Monografia apresentada ao Curso de Especializao em Geoprocessamento da Universidade Federal de Minas Gerais para a obteno do ttulo de Especialista em Geoprocessamento Orientador: Britaldo Soares Filho

2002

Diniz, Alexandre M A

Diferenas scio-espaciais entre homens e mulheres chefes de domiclio de Belo Horizonte: uma anlise exploratria com a ajuda de tcnicas de geoprocessamento. Belo Horizonte, 2002. n. p. 59 Monografia (Especializao) Universidade Federal de Minas Gerais. Departamento de Cartografia. 1. Gnero 2. Geoprocessamento 3. Domiclio Universidade Federal de Minas Gerais. Instituto de Geocincias. Departamento de Cartografia

Resumo

O presente trabalho investiga os diferenciais scio-espaciais entre os chefes de domiclio

homens e mulheres de Belo Horizonte atravs do uso de ferramentas estatsticas e de

geoprocessamento. Os resultados revelam que, de modo geral, as mulheres apresentam-se

em condio inferior aos homens nos quesitos educao e renda. Por outro lado, as

mulheres encontram-se inseridas em contextos espacias mais favorveis do que os homens,

gozando de melhor acesso infra-estrutura urbana.

Abstract

The present work investigates the social and spatial differentials between male and female

household heads in Belo Horizonte with the help of statistical and geoprocessing tools.

Results reveal that overall women display lower levels of education and income when

compared to men. On the other hand, women are inserted in more favorable spatial

contexts, enjoying better access to urban infra-structure.

1. Introduo

At recentemente as generalizaes sobre a condio humana, sobretudo os aspectos

sociais, eram construdas, em grande parte, a partir da experincia masculina. Neste sentido

figuram boa parte das descries e anlises sobre desenvolvimento econmico, expanso

territorial, assentamento urbano e rural, que assumem a perspectiva masculina como

representativa da condio humana.

No caso especfico da geografia, Hanson e Pratt (1988) demonstram que parte da

negligncia em relao s mulheres vem da noo equivocada de domiclio e trabalho

como esferas independentes. Esta diviso se d, em grande parte, devido especializao

das sub-disciplinas geogrficas que conferiu geografia econmica a responsabilidade pelo

estudo do trabalho, enquanto ficaria a cargo da geografia social os processos subjacentes

aos domiclios. Fato que historicamente a geografia econmica deu maior nfase ao

estudo das localizaes industrial, comercial e de servios, enfatizando-se assim a

dimenso trabalho. Por outro lado, a geografia social tem enfocado o ambiente

residencial, as habitaes e vizinhanas. As autoras argumentam que um outro fator

responsvel pela negligncia em relao condio feminina a maneira sexista em que o

trabalho encarado. Este tem sido considerado como locus eminentemente masculino,

enquanto no domiclio a mulher reina soberana.

Tal viso incapaz de dar conta da nova realidade, marcada por uma crescente participao

feminina no mercado de trabalho e por uma profunda reestruturao da famlia. Essa

tendncia se faz presente em diversos contextos, sobretudo no Brasil onde, por exemplo,

tem cado de forma expressiva o percentual de arranjos domsticos formados por casal e

filhos, enquanto a proporo de famlias monoparentais e de indivduos vivendo de maneira

independente cresce a cada dia. Concomitantemente, cresce o nmero de divrcios,

separaes e unies consensuais, o que refora e acerba as mudanas estruturais em curso

(CNPD, 1999).

Em resposta a essa desconsiderao histrica, uma geografia feminista emergiu em diversos

contextos nos ltimos anos, incluindo a Gr Bretanha, Holanda, Espanha, Frana, Austrlia

e ndia, entre outros. Esta produo literria aborda temas recorrentes e pode ser agrupada

em trs eixos temticos. Primeiramente, existe uma preocupao no sentido de expandir o

conhecimento sobre a condio feminina mundo afora. Aqui os esforos se concentram na

compreenso do papel social e disponibilidade de dados sobre as mulheres (Gober, 1994).

Um outra nfase tem sido o de integrar informaes acerca da condio feminina com a

teoria geogrfica, colocando as mulheres como agentes ativos na produo do espao

(Hanson, 1992; McDowell,1993a;1993b) . Por fim, existe um grupo de estudos dedicados a

representar as mulheres como um grupo em desvantagem, denunciando as diferenas

sociais em relao aos homens (Gruntfest, 1990).

O presente trabalho afiniza-se com a ltima escola, uma vez que tem por objetivo produzir

uma anlise comparativa entre a condio scio-espacial dos chefes de domiclio

masculinos e femininos de Belo Horizonte. nfase ser dada uma abordagem espacial,

com auxlio ferramentas de geoprocessamento, na qual um conjunto de variveis

contextuais ser evocada para melhor compreender a distribuio espacial e social de

homens e mulheres na capital mineira.

Tal empreitada se justifica na medida em que o presente estudo, alm de revelar diversos

aspectos obscurecidos pelo consistente descaso histrico em relao condio feminina

em nossa sociedade, proporcionar tambm subsdios construo de polticas pblicas

mitigadoras do abismo scio-espacial entre os dois grupos, revelando padres de

distribuio espacial especficos a partir do geoprocessamento .

2. Geografia e gnero

A produo literria sobre as diferenas sociais entre homens e mulheres tem crescido nos

ltimos anos. Dentro do universo de estudos dedicados denunciar o carter desfavorvel

no qual as mulheres se encontram figuram aqueles que enfatizam os diferenciais em relao

a mobilidade intra-urbana. Baseado na realidade de Tucson, Arizona Rosenbloom e Burns

(1989) revelaram que as mulheres so mais propensas a dirigir at o local de trabalho do

que os homens, apesar de na mdia morarem mais prximas aos locais de trabalho.

tambm curioso constatar que apesar de viverem mais prximas ao local de trabalho, o

tempo mdio de deslocamento entre residncia e trabalho superior ao dos homens. Tais

inconsistncias so explicadas pelo acmulo de funes sociais desempenhada pelas

mulheres, uma vez que alm do trabalho assalariado, as mulheres mantm a

responsabilidade pelo cuidado dos filhos e manuteno da casa. Portanto, ao longo dos

deslocamentos entre residncia e trabalho, uma mirade de tarefas realizada, tais como

visitas ao supermercado, mdico das crianas, reunies entre pais e professores, etc.

Do outro lado do oceano Atlntico, Pickup (1992) debrua-se sobre as diferenas em

relao a mobilidade intra-urbana na Gr Bretanha. A autora revela que enquanto 68% dos

homens detm carteiras de motorista, apenas 30% das mulheres gozam do mesmo status.

Isso faz com que as mulheres sejam mais dependentes dos sistemas pblicos de transporte,

o que naturalmente vem restringindo a mobilidade intra-urbana e consequentemente o

acesso ao mercado de trabalho.

Pickup (1992) argumenta que a baixa mobilidade feminina e as dificuldades de insero no

mercado de trabalho esto vinculadas ao papel social conferido s mulheres.

Primeiramente, detectou-se que na Gr Bretanha 85% do arranjos domsticos possuam

apenas um automvel e que este era, no mais das vezes, de uso prioritrio dos homens. As

responsabilidades sociais de atender s crianas e cuidar do lar tambm so lembradas pela

autora como fatores limitadores do acesso ao mercado de trabalho, sem contar os

constrangimentos e medo de serem sexualmente assaltadas e/ou assediadas em locais

pblicos, o que tambm restringe a mobilidade feminina.

Hanson and Johnston (1985) avanam a discusso sobre a mobilidade intra-urbana

argumentando que alm dos motivos mencionados por Pickup (1992), as mulheres tendem

a trabalhar mais prximas aos lares tambm em funo dos baixos salrios que recebem. De

modo geral, apesar das mulheres comporem aproximadamente a metade da fora de

trabalho americana, elas recebem em mdia US$0,61 para cada US$1,00 recebido pelos

homens. Logo, as mulheres trabalham prximas aos lares, tambm porque no dispem de

recursos para faz-lo em locais mais distantes da cidade.

England (1993) vai ainda mais longe. A partir da realidade da regio metropolitana de

Columbus, a autora faz uma importante revelao, atribuindo a reestruturao econmica

americana da poca, sobretudo a constante expanso e suburbanizao dos servios

administrativos e de telemarketing ao estoque de mulheres nas reas suburbanas, cujas

responsabilidades domsticas restringem a sua mobilidade e empregabilidade.

tambm digno de nota o esforo empreendido por algumas gegrafas no sentido de

compreender a geografia do medo. Aqui, explora-se a relao das mulheres com o desenho

dos espaos pblicos e como a constituio fsica de estacionamentos, becos e escolas, por

exemplo, influenciam a percepo do medo de serem vtimas de algum tipo de violncia e

consequentemente o seu uso do espao pblico (Valentine, 1990; Pain, 199