Apresentação Sobre Estudo de Caso

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Analina Edvaldo Laetitia Lina de Kassia Maria Jairan

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Metodologia do trabalho cientifico tipo de procedimento tecnico

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  • AnalinaEdvaldoLaetitia Lina de KassiaMaria Jairan

  • uma investigao que se assume como particularstica, isto , que se debrua deliberadamente sobre uma situao especfica que se supe ser nica ou especial, pelo menos em certos aspectos, procurando descobrir a que h nela de mais essencial e caracterstico e, desse modo, contribuir para a compreenso global de um certo fenmeno de interesse. (Ponte, 2006:2)

  • Estudo de caso: quando envolve o estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que permita o seu amplo e detalhado conhecimento (YIN, 2001). O estudo de caso possui uma metodologia de pesquisa classificada como Aplicada, na qual se busca a aplicao prtica de conhecimentos para a soluo de problemas sociaisSegundo Yin, De acordo com Yin (2001, p. 32), um estudo de caso uma investigao emprica que investiga um fenmeno contemporneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenmeno e contexto no esto claramente definidos.

  • Coutinho (2003), refere que quase tudo pode ser um caso: um indivduo, um personagem, um pequeno grupo, uma organizao, uma comunidade ou mesmo uma nao.

  • Yin (2001)

  • Conforme Yin (2001, p. 32-33), [...] enfrenta uma situao tecnicamente nica em que haver muito mais variveis de interesse do que pontos de dados, e, como resultado, [...] baseia-se em vrias fontes de evidncias, com os dados precisando convergir em um formato de tringulo, e, como outro resultado, [...] beneficia-se do desenvolvimento prvio de proposies tericas para conduzir a coleta e a anlise de dados.

  • Yin (2001)

  • Quando Quando que esta abordagem se adapta investigao em educao? o investigador confrontado com situaes complexas; o investigador procura respostas para o como? e o porqu?; o investigador procura encontrar interaces; o objectivo descrever ou analisar o fenmeno; o investigador pretende apreender a dinmica do fenmeno.

  • Como referem Coutinho & Chaves (2002) se verdade que na investigao educativa em geral abundam sobretudo os estudos de caso de natureza interpretativa/qualitativa, no menos verdade admitir que, existem estudos de caso em que se combinam com toda a legitimidade mtodos quantitativos e qualitativos.

  • Fenmeno observado no seu ambiente natural; Dados recolhidos utilizando diversos meios; Uma ou mais entidades so analisadas; um sistema limitado, e tem fronteiras em termos de tempo, eventos ou processos; Pesquisa envolvida com questes "como?" e "porqu?"

  • A complexidade da unidade estudada aprofundadamente; Poder de integrao do investigador; Podem ser feitas mudanas na seleco do caso ou dos mtodos; preciso preservar o carcter nico, especfico, diferente, complexo do caso

  • Segundo Guba & Lincoln (1994), o objectivo do Estudo de Caso relatar como sucederam os factos, descrever situaes ou factos, proporcionar conhecimento acerca do fenmeno estudado e comprovar ou contrastar efeitos e relaes presentes no caso.

    Gomez, Flores & Jimenez (1996:99), referem que o objectivo geral de um estudo de caso : explorar, descrever, explicar, avaliar e/ou transformar.

  • Yin (2002) aponta como argumentos mais comuns dos crticos do Estudo de Caso:Falta de rigor; Influncia do investigador falsas evidncias ou vises destorcidas;Fornece pouqussima base para generalizaes; So muito extensos e exigem muito tempo para serem concludos;

  • Respostas s crticas:

    H maneiras de evidenciar a validade e a confiabilidade do estudo;

    Pretende-se generalizar proposies tericas (modelos) e no proposies sobre populaes. Nesse sentido, os Estudos de Casos Mltiplos e/ou as replicaes de um Estudo de Caso com outras amostras podem indicar o grau de generalizao de proposies;

    Nem sempre necessrio recorrer a tcnicas de recolha de dados que exigem muito tempo. Alm disso, a apresentao do documento no precisa de ser uma narrativa detalhada.Argumentos mais comuns dos crticos do Estudo de Caso

  • Problemas de escrita:Ao usar materiais de diferentes origens e dada a anlise em profundidade que o processo implica, o estudo de caso apresenta claramente problemas na literatura e de uma forma mais geral na linguagem. Devido aos estudos darem uma descrio profunda, necessrio uma compreenso da forma como a linguagem dos materiais empricos transformada noutra linguagem. Ou seja, a construo terica dos materiais empricos, deve ser diretamente compreendida dentro de uma anlise. A escrita do estudo de caso deve assim compreender trs qualidades de rigor (Hamel et al., 1993): - a escrita deve ser livre de processos estilsticos;- deve incluir a demonstrao de conhecimentos (ex. frmulas ou equaes);- a linguagem deve ser irreduzvel, de forma a facilitar a sua compreenso.

  • Segundo Yin: definir o caso que est a estudar (2005, p.383), ou seja, o tpico ou unidade de anlise (no exemplo citado, o estudante com limitada proficincia em ingls) e o seu subtpico ou contexto social. Fazer essa definio ajuda enormemente a organizar o estudo de caso e essa escolha pode manter-se na medida em que se apoiou em perguntas de pesquisa e literatura adequada, mas, depois de coligir os primeiros dados, pode redefinir-se o caso, o que pode obrigar a rever as perguntas e a literatura de apoio.Primeiro passo

  • Segundo passoOptar por um estudo singular de caso(single study) ou por um estudo mltiplo de casos(multiple-case study). Mas tambm preciso decidir se o caso singular holstico ou tem incluidos (embedded) sub-casos dentro do caso holstico. Por exemplo, um caso holstico pode analisar porqu um determinado sistema escolar aplicou certas orientaes para promoo dos estudantes e, nesse estudo, vrias salas de aula desse sistema podem servir como subcasos includos. importante a deciso de usar estudo singular ou mltiplo, pois focar um caso singular obriga a devotar cuidadosa ateno a esse caso (p.384), e, quanto opo por casos mltiplos, Yin prope: Ter casos mltiplos pode ajudar a reforar os achados de todo o estudo porque os casos mltiplos podem ser escolhidos como replicaes de cada caso, como comparaes deliberadas e contrastantes, ou variaes com base em hipteses.

  • decidir usar ou no desenvolvimento terico (theor y development) para ajudar a seleccionar o caso, desenvolver o protocolo de recolha de dados e organizar as estratgias iniciais de anlise de dados. O autor exemplifica. Uma perspectiva terica inicial acerca de diretores de escola (principals) pode propor que os directores de sucesso so aqueles que agem como lderes pedaggicos (instructional leaders). Yin acrescenta que um estudo de caso pode tentar construir, alargar ou desafiar esta perspectiva.Terceiro passo

  • Existe uma grande diversidade de casos e de objetivos, por esse fato existe tambm uma grande variedade de tipos de estudo de caso.Lssard-Hbert et al (1994), Yin (2002), Bogdan & Bilken (1994), Punch (1998):Estudo de caso nicoEstudo de caso mltiploStake (2007):Estudo de caso intrnsecoEstudo de caso instrumental Estudo de caso colectivoYin (1994):Estudo de caso nico global Estudo de caso nico inclusivoEstudo de caso mltiplo globalEstudo de caso mltiplo inclusivo

  • Num estudo de caso a escolha da amostra adquire um sentido muito particular e sempre intencional, procurando variaes mximas em detrimento da uniformidade (Bravo, 1998). Apesar de seleco da amostra ser extremamente importante, a investigao, num estudo de caso, no baseada em amostragem (Stake, 2007). Ao escolher o caso o investigador estabelece um fio condutor lgico e racional que guiar todo o processo de recolha de dados (Creswell, 1994). No se estuda um caso para compreender outros casos, mas para compreender o caso.

  • Bravo (1998), identifica seis tipos de amostras (intencionais ou tericas) passveis de serem utilizadas num estudo de caso: 1- Amostras extremas (casos nicos); 2- Amostras de casos tpicos ou especiais; 3- Amostras de variao mxima, adaptadas a diferentes condies; 4- Amostras de casos crticos; 5- Amostras de casos sensveis ou politicamente importantes; 6- Amostras de convenincia. As amostras evidenciam caractersticas distintas das amostras probabilsticas presentes nas investigaes de carcter quantitativo.

  • (Guba & Lincoln, 1994; Yin, 2002; Bravo, 1998): - os processos de amostragem so dinmicos e sequenciais;

    - a amostra ajustada automaticamente sempre que surjam novas hipteses de trabalho;

    - o processo de amostragem s est concludo quando se esgota a informao a extrair atravs do confronto das vrias fontes de evidncia.

  • Ao utilizar diferentes instrumentos temos a possibilidade de cruzamento de informao (Brunheira, s/d.)Assim sendo, so utilizadas mltiplas fontes de evidncia ou dados por permitir por um lado, assegurar as diferentes perspectivas dos participantes no estudo e por outro, obter vrias medidas do mesmo fenmeno, criando condies para uma triangulao dos dados, durante a fase de anlise dos mesmos. No processo de recolha de dados, o estudo de caso recorre a vrias tcnicas prprias da investigao qualitativa, nomeadamente: dirio de bordo, o relatrio, a entrevista e a observao.

  • Algumas das variadas fontes de dados:

    O dirio de bordo constitui um dos principais instrumentos do estudo de caso e tem como objectivo ser um instrumento em que o investigador vai registando as notas retiradas das suas observaes no campo. Bogdan e Bilken (1994:150) referem que essas notas so o relato escrito daquilo que o investigador ouve, v, experincia e pensa no decurso da recolha e reflectindo sobre os dados de um estudo qualitativo.

    O dirio de bordo representa, no s, uma fonte importante de dados, mas tambm pode apoiar o investigador a acompanhar o desenvolvimento do estudo.

  • A entrevista adquire bastante importncia no estudo de caso, pois atravs dela o investigador percebe a forma como os sujeitos interpretam as suas vivncias j que ela utilizada para recolher dados descritivos na linguagem do prprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo (Bogdan e Biklen, 1994:134).

    Ao longo da investigao podem ser elaborados relatrios do tipo descritivo ou reflexivo, como ferramenta de recolha de dados. Os relatrios podem tambm surgir numa fase final, de forma a redigir concluses sobre os dados recolhidos.

  • A pesquisa documental deve constar do plano de recolha de dados: cartas memorandos, comunicados, agendas, planos, propostas, cronogramas, jornais internos etc. O material recolhido e analisado utilizado para validar evidncias de outras fontes e/ou acrescentar informaes. preciso ter em mente que nem sempre os documentos retratam a realidade. Por isso, importantssimo tentar extrair das situaes as razes pelas quais os documentos foram criados.

  • Yin (2002), enuncia trs princpios para a recolha de dados:

    1. Usar mltiplas fontes de evidncias

    Permite o desenvolvimento da investigao em vrias frentes investigar vrios aspectos em relao ao mesmo fenmeno. As concluses e descobertas so assim mais convincentes e apuradas j que advm de um conjunto de confirmaes. Alm disso os potenciais problemas de validade do estudo so atendidos, pois as concluses, nestas condies, so validadas atravs de vrias fontes de evidncia.

  • 2. Construir, ao longo do estudo, uma base de dados

    Embora no Estudo de Caso a separao entre a base de dados e o relato no sejam vulgarmente encontrada, sugere-se que essa separao acontea para garantir a legitimidade do estudo, uma vez que os dados encontrados ao longo do estudo so armazenados, possibilitando o acesso de outros investigadores. Os registos podem efectuar-se atravs de: notas, documentos e narrativas (interpretaes e descries dos eventos observados, registados...).

  • 3. Formar uma cadeia de evidncias

    Construir uma cadeia de evidncias consiste em configurar o estudo de caso, de tal modo que se consiga levar o leitor a perceber a apresentao das evidncias que legitimam o estudo, desde as questes de pesquisa at as concluses finais.

  • Numa investigao qualitativa o processo de recolha de dados extremamente demorado, pois o investigador depara-se com a necessidade de transcrever auscultaes realizadas aos participantes e registadas em vdeo, bem com transcrever integralmente as gravaes udio das entrevistas realizadas. Aps esta fase de tratamento dos dados e que consistiu basicamente as tarefas de: a) identificao, b) transcrio e c) organizao da base de dados, obtm-se uma base de dados a partir da qual so trabalhadas as fases seguintes de anlise dos dados (a codificao e a criao de categorias).

    O processo de identificao consiste no registo (identificao) feito durante ou imediatamente aps a recolha dos dados, da data, hora, local e sujeito (s) a que se reportavam os dados.

  • Na transcrio, inclui-se as tarefas de transcrio para o texto em formato electrnico das gravaes udio das entrevistas e das auscultaes registadas em vdeo. Esta fase preliminar complementada pela organizao dos dados recolhidos atravs das diferentes tcnicas/instrumentos e atravs da constituio de um banco de dados. .

    Aps esta fase preliminar de tratamento de dados seleccionamos como principal estratgia de anlise dos mesmos o mtodo comparativo constante, segundo Merriam (1998). Este mtodo permite construir categorias que funcionam como elemento conceitual bsico a partir do qual se procede interpretao dos dados.

  • Tendo em conta que um Estudo de Caso se baseia num caso especfico, circunscrito e limitado, poder ser generalizado? E que utilidade tm os resultados?

    Em determinados estudos de caso, a generalizao no faz qualquer tipo de sentido, devido especificidade do caso ou pelo carcter irrepetvel do mesmo (Coutinho & Chaves, 2002).

    Gomez, Flores & Jimenez (1996), consideram que num estudo de caso temos que ponderar o seu carcter crtico, pois permite confirmar, modificar, ou ampliar o conhecimento sobre o objecto que estuda.

    Existem estudos de caso em que os resultados podem, de alguma forma, ser generalizados, aplicando-se a outras situaes (Yin, 2002).

  • Punch (1998) considera duas formas de generalizar os resultados:Conceitualizar, significa, que na conduo do caso o investigador esteja mais preocupado em interpretar do que em descrever, ou seja, em chegar a novos conceitos que expliquem algum aspecto particular do caso que analisa.

    Desenvolver proposies ou hipteses, significa que o investigador, baseado no seu caso, consegue avanar uma ou mais proposies/hipteses novas que liguem/relacionem conceitos ou fatores dentro do caso.

    Estabelecer o domnio sobre o qual as descobertas podem ser generalizadas possvel testando a coerncia entre os resultados do estudo e os resultados de outras investigaes semelhantes.

  • Existir validade interna se as concluses apresentadas correspondem autenticamente a alguma realidade reconhecida pelos prprios participantes, no sendo unicamente uma construo da mais ou menos frtil imaginao do investigador.

    O estudo de caso tambm conhecido como uma estratgia de investigao de triangulao.

    A necessidade de triangulao surge da necessidade tica para confirmar a validade dos processos. Em estudos de caso, isto pode ser feito utilizando vrias fontes de dados (Yin, 2002.

  • Para aumentar a credibilidade das interpretaes realizadas pelo investigador, este dever recorrer a um ou a vrios protocolos de triangulao. Denzin (1984), identificou quatro tipos de triangulao:Triangulao das fontes de dados, em que se confrontam os dados provenientes de diferentes fontes;Triangulao do investigador, em que entrevistadores/ observadores diferentes procuram detectar desvios derivados da influncia do factor investigador;Triangulao da teoria, em que se abordam os dados partindo de perspectivas tericas e hipteses diferentes;Triangulao metodolgica, em que para aumentar a confiana nas suas interpretaes o investigador faz novas observaes directas com base em registos antigos, ou ainda procedendo a mltiplas combinaes inter-metodolgicas (aplicao de um questionrio e de uma entrevista semi estruturada, etc.).

  • O conceito fiabilidade relaciona-se com a possibilidade de reaplicar as concluses a que se chega (Vieira, 1999), ou seja, com a possibilidade de diversos investigadores, poderem chegar a resultados semelhantes sobre o mesmo fenmeno estudado utilizando, para isso, os mesmos instrumentos (Schofield, 1993; Yin, 2002; Mertens, 1998).

    Na realidade trata-se de aferir se os dados recolhidos na investigao so estveis no tempo e se tm consistncia interna, especialmente se provierem de diversas fontes (Stake, 2007; Punch, 1998).

  • Num estudo de cariz quantitativo o requisito da fiabilidade facilmente alcanvel, num estudo de caso, a garantia de fiabilidade torna-se mais difcil de alcanar, porque o investigador o principal, e muitas vezes nico instrumento do estudo (Vieira, 1999) e o caso em si no pode ser replicado ou reconstrudo (Yin, 1994).

    No entanto, a questo da fiabilidade no pode deixar de ser colocada se queremos que ao nosso estudo de caso seja reconhecida pertinncia e valor (Yin, 1994).

  • YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e mtodos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001

    __________. (2002). Estudo de caso. Planejamento e mtodos. Porto Alegre: Artmed, traduo do original de 1994, Case study research: design and method, Sage Publications.

    Stake, R.E. (2007). A arte de investigao com estudos de caso. Lisboa: Gulbenkian.