xique xique cidade destino

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trabalho de conclusao no curso de arquitetura. 2012.

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  • XIQUE XIQUE CIDADE DESTINO

  • TRABALHO DE CONCLUSO . ESCOLA DA CIDADE . SO PAULO 2012

    ORIENTADOR DO TRABALHO DE CONCLUSO: VINCIUS ANDRADE

    TUTOR DO ESTDIO VERTICAL: MARCOS ACAYABA

    CAROLINA JESSICA DOMSCHKE SACCONI

    XIQUE XIQUE CIDADE DESTINOUM PLANO URBANO PARA A CIDADE

  • UM RESUMO

    O trabalho se resume na questo da migrao nordestina em So Paulo e o retorno

    s cidades de origem. Como preparar essas cidades para que recebam esses

    deslocamentos da maneira efetiva, digna, com o intuito tambm de fazer com que o

    cidado crie vnculo com o local, possibilitando a escolha de qual cidade se quer morar,

    no por necessidade, mas por desejo.

    A primeira etapa foi desenvolvida junto disciplina Estdio Vertical (E.V.), durante um

    semestre, em que alunos de todos os anos compem equipes para desenvolver um

    projeto em uma rea. O local de estudo foi a favela de Tiquatira, na zona leste de So

    Paulo, prximo Itaquera.

    Atravs de entrevistas com moradores desta comunidade nas quais o tema abordado foi

    o de como se vive ali, de como se vivia antes, de onde veio, sua histria, etc, verificou-

    se que os que haviam migrado, geralmente vinham do Nordeste e muitos do serto do

    Nordeste.

    Falar sobre a cidade de origem foi um assunto muito forte nestas entrevistas, mas o mais

    impressionante foi descobrir que uma grande parte dos entrevistados tinha o desejo de

    voltar para sua cidade de origem, pois, na maioria dos casos, migraram por necessidade

    e nem sempre conseguiram resolver questes financeiras como o esperado.

    Muitas pessoas com planos de voltar pro Nordeste para tentar a vida novamente

    foram entrevistadas. Pessoas que estavam partindo dentro de alguns dias ou me-

    ses, j com data certa. Os destinos s vezes eram para as cidades de origem, mas

    na maioria das vezes eram para cidades mdias, que possuem mais infraestrutura

    e garantia de trabalho. Entrevistou-se gente que foi, no conseguiu um trabalho e

    voltou para So Paulo, ficando em uma condio de vai-e-vem eterno, sem conse-

    guir uma estabilidade, sem um lugar, sem as razes.

    A partir distas entrevistas feitas em grupo, passei a desenvolver dois trabalhos:

    o projeto Tiquatira, desenvolvido no Estdio Vertical, pensando-se em como essa

    cidade deveria ser para receber os que vieram e os que viro; e o projeto no serto

    da Bahia, o Trabalho de Concluso propriamente dito, desenvolvido individualmente

    ao longo do ano e principalmente no segundo semestre. Neste so escolhidas cinco

    cidades de origem dos entrevistados como estudo de caso para se pensar nas

    condies do serto e nas potencialidades econmicas da regio, que possibilitari-

    am uma rede entre elas. E desta forma, estruturar economicamente essas cidades

    para que tenham condies de receber essa migrao de retorno e possibilitar que

    o indivduo possa escolher onde quer viver.

  • A HISTRIA DAS CONDIES DE

    VIDA SERTANEJA E AS MIGRAES

    A vida sertaneja caracterizada na literatura e na histria do Brasil.

    Atravs de entrevistas em Tiquatira identificou-se que as pessoas esto voltando ou gostariam de voltar para sua cidade de origem.

    O xodo rural e o inchao urbano na grande metrpole. O crescimento desenfreado e desordenado.

    O estudo de caso do Estdio Vertical contextualizado na questo da imigrao.

    A primeira etapa do trabalho: projeto em grupo desenvolvido no Estdio Vertical.

    A CIDADE DE SO PAULO E ABSORO

    DO MIGRANTE

    TIQUATIRA O DESEJO DA VOLTA

  • O conceito: pesquisas feitas pela NEPO e IBGE a respeito dos fluxos de retorno ao Nordeste.

    Alguns exemplos de polticas feitas na Histria e atualmente com a inteno de estimular a permanncia da populao em suas cidades de origem.

    Viagem realizada ao semi-rido baiano visitando as cidades de origem dos entrevistados e alguns pontos regionais importantes.

    A proposta desenvolvida para Xique Xique (Bahia) como um estudo de caso de como a migrao de retorno poderia se estruturar atravs de um projeto de arquitetura e urbanismo.

    MIGRAO DE RETORNO

    AS POLTICAS DE FIXAO

    A VIAGEM O PROJETO

  • FOTO ADRIANA ALBUQUERQUE

  • A HISTRIA DAS CONDIES DE VIDA SERTANEJA E AS MIGRAES

  • A urbanizao o deslocamento da populao da rea rural para a urbana,

    uma tendncia progressiva da sociedade e um fenmeno inevitvel e regular que

    acompanha o crescimento econmico. Como um fenmeno histrico, a cidade o

    resultado da civilizao e progresso do ser humano ao longo da histria. 1

    comum que se estude o fenmeno da migrao rural-urbano pela tica das

    transformaes das cidades-destino - dos motivos pelos quais as pessoas se

    deslocaram para as cidades que hoje so grandes centros urbanos, como So Paulo. E a

    partir da premissa do fator de atrao, entende-se como as cidades se desenvolveram,

    a lgica de crescimento e as consequncias. Entretanto, neste trabalho buscou-se

    entender o fenmeno pelas questes que ocasionaram a partida das cidades de

    origem. E o local-origem elegido para este estudo foi o semi-rido baiano, um recorte

    do serto brasileiro, uma regio poltica e historicamente desprezada.

    O desenvolvimento econmico e urbano do pas se deu - desde a ocupao portuguesa

    - de forma muito concentrada ao longo da costa e at o fim do sculo XX no foi muito

    diferente. O interior do territrio foi geralmente ocupado por latifndios, submetendo e

    dominando a maior parte da populao.

    Os sertanejos localizados no interior e geograficamente longnquos da costa, foram

    isolados de todas as transformaes urbanas e econmicas do pas. Esta condio

    geogrfica, o clima do semi-rido e a falta dgua tambm proporcionaram que este

    seja um povo nmade, peregrino, que na seca muitas vezes perdem tudo para o

    sustento da famlia e, ento, obrigados a migrar - inclusive no serto baiano neste

    ano de 2012 houve a maior seca dos ltimos 3 anos, no houve chuva por dois anos.

    Na poca da minerao em Minas Gerais, eram os sertanejos que levavam o gado

    da costa para essas cidades que pontualmente cresceram no interior brasileiro e que

    precisavam de alimentos, infraestrutura e que naquele momento prosperaram muito

    com esta economia do ouro (sculo XVII, XVIII). H muitos sertanejos que at hoje

    vivem em peregrinao, criando cabras e bodes, sobrevivendo disso e da troca dos

    animais por outros produtos.

    Trata-se tambm de uma terra esquecida politicamente, pois, por muitos anos, no

    houve muitos projetos de grande porte para o desenvolvimento regional ou construo

    de infraestruturas urbanas e econmicas. Esse panorama se estendeu at muito

    recentemente, quando a partir do meio do sculo XX e principalmente no incio do XXI

    quando no governo Lula direcionou alguns investimentos quela regio. Antes disso,

    pode-se lembrar apenas de intervenes de massacre ou de dominao do territrio

    em momentos que aparentemente se construa algo que representava uma ameaa

    ao ordem viagente. A Guerra de Canudos um exemplo, em que a cidade construda

    e liderada pelo messinico Antnio Conselheiro era vista como um movimento anti-

    repblica que tinha recentemente sido proclamada; ou posteriormente a nova Canudos,

    que foi construda em cima dos destroos da primeira cidade, que tambm foi destruda

    com a inundao na construo do Aude de Cocorob, sem aviso prvio populao;

    ou mesmo na ditadura da dcada de 1964, em que militares foram espalhados por

    vrias pequenas cidades para estabelecer ordem em todo o territrio brasileiro.

    Foi na dcada de 30, com a industrializao ocorrendo na costa Sudeste do pas, que

    comearam os fluxos migratrios campo-cidade, em especial os sados do Nordeste

    rumo So Paulo e Rio de Janeiro. A posse do presidente Getlio Vargas tambm

    contribuiu muito nesses deslocamentos, pois ele criou as Leis Trabalhistas para os

    operrios das indstrias que no foram adotadas para os empregados de fazendeiros,

    fazendo que os nordestinos abandonassem seus trabalhos e suas terras - no mais

    suas, rumo uma tentativa de melhora de vida nas indstrias.

    1. SU DAN em Frum de Debates, 5a Bienal Internacional de Arquitetura e Design de So Paulo metrpole, 2003. Pgina 22.

  • ltimo Pau de Arara _ Venncio, Corumb, J. GuimaresA vida aqui s ruimQuando no chove no cho Mas se chover d de tudoFartura tem de montoTomara que chova logoTomara meu Deus tomaraS deixo o meu caririNo ltimo pau-de-araraEnquanto a minha vaquinhaTiver o couro e o ossoE puder com o chocalhoPendurado no pescooEu vou ficando por aquiQue deus do cu me ajudeQuem sai da terra natalEm outros cantos no paraS deixo o meu caririNo ltimo pau-de-arara

  • xique xique

    HIDROGRAFIA BRASILEIRA E O LIMITE DO SEMI - RIDO

    fonte das cartas: EMBRAPA.

  • fonte da carta: IBGE

    MAPA DE DISTRIBUIO ESPACIAL DA INDSTRIA 2002 - IBGEEMPRESAS INDUSTRIAIS

    A associaao da condio geogrfica e da forma

    de ocupao costeira do territrio determinaram o

    fenomeno da migrao.

  • FOTO LAURA BORELLI

  • A CIDADE DE SO PAULO E ABSORO DO MIGRANTE

  • Lamento Sertanejo - Luiz Gonzaga

    Por ser de lDo serto, l do cerradoL do interior do matoDa caatinga do roado.Eu quase no saioEu quase no tenho amigosEu quase que no consigoFicar na cidade sem viver contrariado.Por ser de lNa certa por isso mesmoNo gosto de cama moleNo sei comer sem torresmo.Eu quase no faloEu quase no sei de nadaSou como rs desgarradaNessa multido boiada caminhando a esmo.

    O movimento rural-urba