Verdadeira Espiritualidade - Francis Schaeffer

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Verdadeira Espiritualidade - Francis Schaeffer

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  • .-

    FIEL

    Francis A. Schaeffer

    VERDADEIRAEspiritualidade

    Editora Fiel daMisso Evanglica LiterriaCaixa Postal 30.42101051 So Paulo, SP

  • VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE

    Traduzido do original em ingls:TRUE SPIRITUALITY

    Copyright Tyndale House Publishers

    Quarta edio em portugus - 1993

    Todos os direitos reservados. proibidaa reproduo deste livro, no todo ou emparte, sem permisso escrita dos Editores.

    Editora Fiel daMisso Evanglica LiterriaCaixa Postal 81So Jos dos Campos, SP12201-970

  • INDICES

    Parte I - Liberdade Presente dos Laos do PecadoConsideraes Sobre a Verdadeira Espiritualidade1. A Lei e a Lei do Amor ................................... 92. A Centralidade da Morte ................................... 263. Atravs da Morte, Rumo Ressurreio ........ 414. No Poder do Espirito ........................................ 58Unidade Bblica e a Verdadeira Espiritualidade5. 0 Universo Sobrenatural ................................... 746. Salvao: Passado - Futuro - Presente ............. 86A Pratica, Momento Apos Momento, da VerdadeiraEspiritualidade7. A Esposa Prolfera. ............................................. 97

    Parte II - Liberdade P resente dos Resultados dos Laosdo Pecado

    A Separao do Homen de Se Mesmo8. Liberdade das Amarras da Conscincia . . 1089. Liberdade na Vida do Pensamento ...... 124

    10. Cura Substancial dos Problemas Psicolgicos . 14411. Cura Substancial da Personalidade Total ..... 157A Separao do Homen do Seu Semelante

    12. Cura Substancial nas Relaes Pessoais . 17313. Cura Substancial na Igreja ................................ 192

  • Prefcio

    Este livro est sendo publicado depois de um bom n-mero de outros, mas em certo sentido ele devia ter sido omeu primeiro livro. Sem o material de que consta estaobra no existiria "L'Abri". Em 1951 e 1952 enfrenteiuma crise espiritual em minha vida. Muitos anos antes, eume convertera do agnosticismo tornando-me cristo. Se rvicomo pastor durante dez anos nos Estados Unidos. Depois,minha esposa Edith e eu trabalhamos vrios anos na Euro-pa. Durante esse tempo todo eu sentia avolumar-se pesadacarga pela posio crist histrica e pela pureza da igrejavisvel. Contudo, gradualmente fui-me d ando conta de umproblema o problema da realidade. Esta se compunhade duas partes: Primeira parecia-me que entre muitosdaqueles que sustentavam a posio ortodoxa via-se poucaprtica real das coisas que a Bblia claramente diz que de-viam resultar do cristianismo. Segunda - aos poucos fuitomando conscincia de que em mim mesmo a realidadeera menor do que havia sido nos p rimeiros dias depois dehaver-me tornado cristo. Percebi que, a bem da honesti-dade, eu tinha de retornar e repensar toda a minha posi-o.

    Nesse tempo vivamos em Champry. Eu disse Edithque, para ser honesto, eu tinha de percorrer todo o cami-nho de volta a meu agnosticismo e considerar a matriatoda, de comeo a fim. Tenho certeza que foi uma pocadura para ela, e que ela orou muito por mim naquelesdias. Eu vagava pelas montanhas quando o tempo o per-mitia, e quando fazia tempo chuvoso eu andava para l epara c no celeiro do velho chal em que morvamos.Andava, orava e repassava o pensamento pelos ensinos da

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  • Escritura, fazendo tambm reviso de minhas prprias ra-zes para ser cristo.

    Ao repensar minhas razes por que ser cristo, vi de no-vo que havia razes totalmente suficientes para saber queo Deus pessoal e infinito existe e que o cristianismo ver-dadeiro. Prosseguindo, vi algo mais, que fez profunda di-ferena em minha vida. Pesquisei para discernir o que diza Bblia a respeito da realidade, do ponto de vista do cris-to. Paulatinamente entendi que o problema estava nisto:com todo o ensino que eu tinha recebido depois de fazer-me cristo, eu ouvira pouco do que a Bblia diz acerca dosignificado da obra consumada por C risto para nossa vidapresente. Gradativamente o sol raiou e com ele a cano.Notavelmente, embora de h muito eu no escrevesse ne-nhuma poesia, nesse tempo de alegria e c anto, senti que apoesia comeava a fluir de novo poemas acerca da certe-za, da afirmao da vida, da gratido e do louvor. Era semdvida poesia muito inferior, mas expressava a cano deminha alma, cano maravilhosa para mim.

    Esta foi e a verdadeira base de "L'Abri". Ensinar asrespostas crists histricas e dar respostas honestas a per-guntas honestas so cruciais, mas foi dessas lutas que bro-tou a realidade. Sem isso, uma obra incisiva como"L'Abri" jamais teria sido possvel. Ns s podemosestar agradecidos por isto.

    Os princpios que elaborei em Champry foram primei-ramente apresentados em forma de palestras num acam-pamento bblico que funcionou num velho celeiro de Da-kota, USA. Isto foi em julho de 1953. Foram anotadosem tiras de papel no poro da casa do pastor. Dessas men-sagens o Senhor deu algo muito especial, e at hoje renoaqueles que, quando jovens, tiveram seu pensamento esua vida transformadas ali. Depois do incio de "L'Abri"em 1955, preguei aquelas mesmas mensagens em Humoz.Mais tarde elas foram esc ritas de modo mais desenvolvidoe completo na Pennsylvania, em outubro e novembro de1963, Apresentei-as outra vez em Humoz no fim doinverno e comeo da p rimavera de 1964. Essa foi sua for-ma final e a forma em que esto registradas nas fitas degravao de "L'Abri". O Senhor tem usado as gravaes

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  • de um modo que nos tem comovido profundamente, nosomente com relao aos que tinham problemas especifi-camente espirituais mas tambm aos que tinham necessi-dades psicolgicas. Oramos rogando que a presente formaescrita desses estudos seja to til como o tm sido as gra-vaes em muitas partes do mundo.

    Humoz, SuaMaio de 1971.

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  • 1A Lei e a Lei do Amor

    A questo que temos diante de ns em que consistede fato a vida crist verdadeira, a genuna espiritualidade,a vida espiritual autntica, e como pode ser vivida numcenrio do sculo vinte.

    O primeiro ponto a estabelecer que impossvelsequer comear a viver a vida crist, ou mesmo saber algoda vida espiritual autntica, antes de que a pessoa se tornecrist. E o nico meio de tornar-se cristo no tentarviver alguma espcie de vida c rist, nem esperar por algu-ma espcie de experincia religiosa, mas, sim, aceitar aCristo como o Salvador. No importa quo complicados,instrudos ou sofisticados ns sejamos, ou quo simplesns sejamos, todos temos que percorrer o mesmo caminho,no que diz respeito a tornarmo-nos cristos. Assim comoos reis e os poderosos da terra nascem fisicamente, exata-mente do mesmo modo como os mais simples seres hu-manos, tambm a pessoa do mais elevado gabarito intelec-tual tem de tornar-se crist exatamente da mesma maneiraque a pessoa mais simples. Esta verdade vale para todos osseres humanos, em toda parte, atravs de todo o espao ede todos os tempos. No h excees. Jesus disse uma pa-lavra totalmente exclusiva:

    "Ningum vem ao Pai seno por mim".A razo disto que todos os homens esto separados

    de Deus por causa de sua real culpa moral. Deus existe,Deus tem carter, Deus santo, e quando os homens pe-cam (e todos ns temos que reconhecer que cometemospecado no s por engano ou erro mas tambm por inten-o), tm real culpa moral diante do Deus que existe. Esta

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  • culpa no corresponde ao conceito moderno de sentimen-tos de culpa ao sentimento culposo de natureza psico-lgica no ser humano. verdadeira culpa moral diante doDeus pessoal, infinito e santo. Somente a completa e vi-cria obra de Cristo na cruz, como o Cordeiro de Deus na histria, no tempo e no espao que suficiente pa-ra remov-la. Nossa verdadeira culpa, esse cu de bronzeque se estende entre ns e Deus, s pode ser removidacom fundamento na obra acabada de Cristo, e mais nadade nossa parte. Toda a nfase da Bblia que nenhumanota humanstica deve ser acrescentada em ponto algum,na aceitao do Evangelho. O valor infinito da obra com-pleta de Cristo, a segunda pessoa da Trindade, na cruz mais nada que a nica base da remoo de nossaculpa. Quando chegamos assim, crendo em Deus, a Bbliaafirma que somos declarados justificados por Deus; a cul-pa retirada, e somos reconduzidos comunho comDeus o que constitui a primordial e precisa realidadepara a qual fomos criados.

    Exatamente como a nica base para a remoo de nos-sa culpa a completa obra de Cristo na cruz, que uni fa-to histrico, nada mais sendo requerido para isso, assim onico instrumento para a aceitao da obra completa deCristo na cruz a f. No se trata da f no conceito dopresente sculo ou no conceito kirkegaardiano de f co-mo um salto no escuro; no uma soluo base de f naf. crer nas promessas especficas de Deus: no maisvoltar-lhes as costas, no mais chamar Deus de mentiroso,mas, sim, levantar as mos vazias num movimento de f eaceitar a obra completa de Cristo da maneira como foirealizada historicamente na cruz. Diz a Bblia que, nomomento em que tomamos essa atitude, passamos damorte para a vida, do reino das trevas para o reino dobem-amado Filho de Deus. Tornamo-nos, individualmentefilhos de Deus. Dessa hora em diante somos filhos de Deus.Repito: no h nenhum meio de comear a vida cristexceto atravs da porta do nascimento espiritual, do mes-mo modo como no h meio algum de comear a vida f-sica exceto atravs da porta do nascimento fsico.

    Contudo, havendo dito isso sobre o comeo da vida

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  • crist, precisamos compreender que, embora o novo nas-cimento seja necessrio como incio, apenas o incio.Temos que evitar o pensamento de que, porque aceitamosa Cristo como Salvador e,portanto,somos cristos, isso tudo o que h na vida crist. Num sentido, o nascimentofsico a parte mais importante de nossa vida fsica, por-que enquanto no nascemos no vivemos no mundo exter-no. Todavia, em outro sentido, o aspecto menos impor-tante de nossa vida, porque s o comeo, ficando logono passado. Depois do nascimento, o importante quenossa vida se desenvolv