Vencer ou vencer raul drewnick

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  • Vencer ou vencer

    Raul Drewnick

    1995

    Todos os direitos reservados

    Editora tica S

    Rua Baro de Iguape, 110 CEP 01507-900

    Buscando a vitria

    Lucinha vai do interior para a capital, com o desejo de ser uma grande jogadora de vlei.

    Mas o caminho no fcil. Ser que ela conseguir realizar seu sonho?

    Dedicao, trabalho... de repente, amor! Fbio aparece como um prmio para a garota,

    porm ele guarda alguns segredos. Qual seria o motivo de sua mudana de

    comportamento?

    Por que no revelava a razo de suas preocupaes para a namorada?

    Lucinha e Fbio vivem momentos importantes em suas vidas, e voc pode acompanh-los

    de perto. Siga essa aventura e tente desvendar o mistrio que envolve Fbio.

    s virar a pgina e entrar nessa histria empolgante, onde o amor e a garra mostram que

    sempre temos dois caminhos a seguir: vencer ou vencer.

    Raul cronista de jornais e revistas, e desde sua infncia queria escrever como Monteiro

    Lobato, a quem sempre admirou.

  • Conseguiu aliar sua paixo pelo vlei e pelo basquete e sua vontade de contar histrias

    neste livro. Vencer ou vencer rene esporte, romance, sonho e garra. O resultado

    uma histria emocionante como um jogo decisivo e voc, com certeza, vibrar com cada

    ponto conquistado.

    SUMARIO

    1 Hei de brilhar tanto quanto voc 7

    2 Por bem ou por mal, eu vou 11

    3 Al, So Paulo, a vou eu 14

    4 Assim eu no vou chegar nunca 19

    5 Moa, o teste j acabou 24

    6 Voc sabe quem foi o Ded? 28

    7 Na paralela e na diagonal 33

    8 Um gato e uma boneca 38

    9 A Ana Lgia e o Fbio so demais 45

    10 O que aconteceu com o Fbio? 50

    11 Voc quer casar comigo? 55

    12 Um f com nome de me 61

  • 13 Me, sua filha um sucesso 65

    14 O melhor campeonato de basquete 70

    15 Um mau ator, uma pssima atriz 75

    16 Outra cena desastrada 77

    17 Dona Jacira abre o jogo 79

    18 Cestas, emoo, socos e pontaps 86

    19 Todos para a churrascaria 90

    20 A guerra das estrelas na TV 94

    21 A deciso hoje 97

    1 Hei de brilhar tanto quanto voc

    Parece impossvel o narrador conseguir gritar mais alto:

    - Ateno! Pode ser agora! Vai sacar Marcelo Negro. O Brasil pode ser...

    Mas ele consegue:

    - ... campeo olmpico! O Brasil campeo olmpico de voleibol! Pela primeira vez na

    histria, o Brasil ganha o ouro olmpico no vlei!

  • O teipe j passou mais de cem vezes na sede do CAVB - Clube das Amigas do Vlei

    Brasileiro. Mas, como sempre, as scias aplaudem muito. E recomeam a antiga discusso.

    - Quem foi o melhor jogador do Brasil na Olimpada de Barcelona?

    - Foi o Tande, claro! - vota uma.

    - Foi o Maurcio, lgico! - exclama outra.

    - Foi o Marcelo, sem dvida! - berra uma terceira.

    - Foi o Giovane - protesta a maioria, batendo os ps e ameaando armar um tumulto.

    - Meninas, ns no estamos aqui para julgar beleza - avisa Patrcia, presidenta do clube,

    como faz sempre que a situao chega a esse ponto. - Nosso negcio, vocs

    todas sabem, voleibol. Vo-lei-bol. O que ns precisamos analisar se o jogador sacou

    melhor do que os outros, se ele defendeu melhor, se ele passou melhor, se

    ele bloqueou melhor. Eu fiz essa anlise, com muito critrio, e foi s depois que eu escolhi

    o Giovane. No foi pelos lindos olhos dele, nem pelas pernas.

    - Ah, no foi, no... - dizem ironicamente as partidrias de outros jogadores.

    - No foi mesmo! - concordam as simpatizantes de Giovane, voltando a bater os ps e

    iniciando um coro:

    - Ei, ei, ei, o Giovane o nosso rei!

    Lucinha sorri. Ela a nica que, nessas ocasies, nunca se manifesta por nenhum jogador

    em especial. Limita-se a acompanhar a disputa entre as outras garotas, enlouquecidas

    de paixo pelos seus dolos. Algumas vezes esse amor se traduz em empurres,

    xingamentos e at em puxes de cabelo. Quando a situao se torna explosiva, Patrcia

    costuma lembrar-se dos seus deveres de presidenta do clube e procura acalmar as

    briguentas. Nem sempre consegue, porque sua preferncia por Giovane to escancarada

  • que as fs dos outros jogadores se rebelam quando ela invoca sua autoridade e pede

    silncio, como agora:

    - Silncio, meninas! Silncio, por favor! Vamos pr um pouco de ordem nesta baguna,

    vamos?

    - Olha s quem est pedindo ordem - contesta uma sardentinha eltrica apaixonada por

    Marcelo Negro. - Foi a sua turminha mesmo que comeou a encrenca, com aquela

    histria de dizer

    - que o Giovane d de dez a zero no Marcelo.

    - E no d? - pergunta Patrcia, esquecendo-se novamente da imparcialidade exigida pelo

    seu cargo.

    - D coisa nenhuma - reage a sardenta. - Ele leva. E no de dez, no. de vinte, de cem,

    de mil, do Marcelo.

    - Olha quem est pedindo ordem!

    A a confuso, que Patrcia tinha querido evitar, explode com fora total. De

    um lado, o f-clube de Giovane. Do outro, as fanticas torcedoras dos outros craques,

    que resolvem se unir para enfrentar a maioria. S Lucinha se mantm fora do bate-boca.

    Ela joga vlei e, talvez por isso, entende melhor do que as outras que um

    time campeo se faz com seis grandes atletas e um banco de reservas pronto para entrar

    em qualquer situao e conservar o ritmo dos titulares.

    Mais algumas scias do CAVB jogam vlei, no colgio de Laranjeira, cidadezinha de vinte

    mil habitantes no interior de So Paulo, mas nenhuma encara o esporte com

    tanta seriedade. Nos

    treinos e nos jogos contra times de municpios vizinhos, Lucinha sempre a que mais se

    empenha. Para ela, no h bolas perdidas. Vai busc-las onde estiverem: no

    meio, no canto, no fundo da quadra. Esparrama-se toda, rala os joelhos, machuca o

    ombro, raspa os cotovelos, mas continua saltando, defendendo, cortando com a mesma

  • disposio at o fim das partidas. Perder no com ela. Quando derrotada, chora. E fica

    furiosa quando as companheiras de time, para consol-la, dizem que vlei

    assim mesmo: s vezes se ganha, s vezes se perde. Seu sonho um dia jogar num time

    invencvel, formado por garotas decididas como ela, e chegar seleo brasileira.

    Lucinha gosta do CAVB, mas acha que poderia ser um clubinho muito melhor. Por isso,

    vive fazendo reclamaes e dando sugestes a Patrcia. J se cansou de pedir

    presidenta que passe jogos de vlei feminino. Mas Patrcia s promete, promete, e nada

    de cumprir a promessa. Os jogos programados so sempre os da seleo masculina

    na Olimpada de Barcelona. Isso desanima Lucinha. Est mais do que claro que as garotas

    se renem no para aprender como se saca, como se passa, como se bloqueia,

    mas para discutir se os olhos mais belos so os de Carlo ou os de Maurcio, se as pernas

    mais atraentes so as de Paulo ou as de Tande, se o rosto mais msculo

    o de Giovane ou o de Marcelo Negro.

    Nesta noite, as divergncias parecem insuperveis.

    -O Giovane perfeito em tudo. Nem o Tom Cruise ganha dele.

    - S porque voc quer.

    - Eu s? Eu e o mundo!

    - Bom, tem gosto pra tudo, no ?

    - . E tem gente que no entende nada de homem.

    - Voc uma. Basta ver o seu namorado...

    Enquanto as associadas do CAVB ameaam resolver suas diferenas na base do tapa, do

    belisco e do puxo de cabelo, pondo em risco a sede do clube, que funciona na

    casa de Patrcia,

  • Lucinha toma uma deciso: custe o que custar, vai convencer o pai a deix-la ir a So

    Paulo para fazer um teste no Unidos, clube que ela ama com paixo. Pressente

    que toda sua vida depender disso. Consultado tarde, o pai disse que no, de jeito

    nenhum, e ordenou a ela que no insistisse. A resposta era definitiva.

    Na rua, ainda ouvindo a algazarra das meninas engalfinhadas em defesa dos seus dolos,

    Lucinha diz a si mesma que a nica coisa importante a sua vontade de se

    tornar uma grande jogadora. J perto de sua casa, ela olha para cima. O cu est um pouco

    embaado, mas mesmo assim Lucinha consegue ver uma estrela, uma s, brilhando.

    Sorrindo, ela murmura:

    - Um dia eu chegarei to alto e brilharei tanto quanto voc.

    2 Por bem ou por mal, eu vou

    No adianta, Clementina. Eu j tomei a minha deciso sobre esse assunto. J disse mil

    vezes: a resposta no.

    - Mas como voc intransigente, Otaclio. Pelo amor de Deus! A gente no pode ser assim.

    Voc sabe que eu tambm tenho medo dessa histria de a Lucinha ir para

    So Paulo. Mas, se isso que ela quer fazer na vida, eu acho que a gente, se no puder dar

    uma fora, tambm no deve atrapalhar.

    O pai de Lucinha no pra de andar de um lado para o outro, pela sala. Um cigarro aceso

    na mo e outro fumegando no cinzeiro indicam que ele, normalmente um homem

    bastante nervoso, hoje est muito mais. Ele olha espantado para a mulher. Parece no

    acreditar que aquela seja a sua Clementina. Em vinte anos de casamento, no

    se lembra de nenhuma rebeldia como esta.

    - Mas voc no v que isto uma loucura? - ele pergunta, soltando fumaa pelas narinas e

    pela boca, o que lhe d um ar ainda mais furioso.-A Lucinha precisa pensar

    em estudar. Esse negcio de voleibol no para quem quer, no. Voc j imaginou quantas

    meninas em todo o Brasil tm essa iluso? Ela acha que s ir chegando a So Paulo e

    pronto?

  • - No, Otaclio. A que est. Ela sabe que no fcil. Por isso que ela quer ir fazer o

    teste l em So Paulo. Para saber se ela tem futuro nisso. Aqui, as

    pessoas dizem que ela joga demais, que ela devia ir para a capital.

    - Quem que diz isso? Quem so essas pessoas?

    - To