Trovadorismo Professora: Suzete Beppu

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Trovadorismo Professora: Suzete Beppu. Trovadorismo- Século XII ao XV. Fragmento de cantiga do rei D. Dinis (século XIII), descoberto por Harvey L. Sharrer, na Torre do Tombo, Lisboa, Portugal. Contexto histórico-cultural. Feudalismo- Idade Média - PowerPoint PPT Presentation

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  • Trovadorismo

    Professora: Suzete Beppu

  • Trovadorismo- Sculo XII ao XVFragmento de cantiga do rei D. Dinis (sculo XIII), descoberto por Harvey L. Sharrer, na Torre do Tombo, Lisboa, Portugal

  • Contexto histrico-cultural Feudalismo- Idade Mdia

    A Idade Mdia o perodo que vai de 476 (fim do Imprio Romano do Ocidente, governado por Honrio) at 1453 (tomada de Constantinopla, cidade de Constantino, pelos turcos). O seu incio marcado pela violncia das invases brbaras e, na sua continuidade, pelo retrocesso intelectual proporcionado pelo modo de vida da poca.

  • Trabalhos agrcolas ao longo dos meses do ano

  • De onde se origina o nome da escola literria?Pintura em afresco, sculo XIIIA palavra Trovadorismo se origina de troubadour, aquele que compunha a trova e que, em razo disso, procurava achar ( encontrar) uma rima para suas canes. Em outras palavras, o poeta que compe e canta a cantiga.

    As primeiras manifestaes do Trovadorismo deram-se em Provena, regio ao sul da Frana, aproximadamente no sculo VIII.

    A escola chegou a Portugal no final do sculo XII (as datas provveis so 1189 ou 1198), e seu primeiro registro escrito a "Cantiga da Guarvaia", de Paio Soares de Taveirs.

    Essa cantiga tambm conhecida como "A Ribeirinha", pois o nome da mulher para a qual Taveirs a comps era Maria Pais Ribeiro.

  • A cantiga da GuarvaiaNo mundo non me sei parelha, mentre me for como me vai, cai j moiro por vs e ai! mia senhor branca e vermelha, queredes que vos retraia quando eu vos vi em saia! Mau dia me levantei Que vos enton non vi fea! E, mia senhor ds aquel di, ai! me foi a mi mui mal, e vs, filha de don Paai Moniz, e bem vos semelha Dhaver eu por vs guarvaia, Pois eu, mia senhor, dalfaia Nunca de vs houve nen hei Valia dua correa".

    (Primeira cantiga portuguesa, PaioSoares de Taveirs, 1189 (1198).

  • E o que eram as cantigas?As cantigas eram poemas feitos para serem cantados, acompanhados por instrumentos musicais: o alade,a flauta doce, o saltrio, o pandeiro, os tambores, as violas de arco , os tringulos , uma espcie de harpa, e a viola de roda, que voc pode ver ao lado. Outros instrumentos existiam.

    Os trovadores tocavam o alade, a que se dava o nomede tanger (tocar levemente as cordas, com os dedosou com um pequeno arco).

    Iam de um feudo para o outro e anotavam suas compo-sies em caderninhos, cujas pginas eram de pele decarneiro curtidas e afinadas com pedra. Esses cadernosreuniam toda a obra de cada autor e mais a de outrosque faziam sucesso. Dava-se o nome de cdices a eles.

    Bem mais tarde, os cdices deram origem a trs Cancio-neiros (coletneas de cantigas): Cancioneiro da Ajuda,Cancioneiro da Vaticana, Cancioneiro da Biblioteca Na-cional. Pauta rstica, original do Sc. XIII.

  • Quem eram os trovadores?Eram, certamente, de origem nobre porque sabiam ler e escrever, alm de tocar instrumentos musicais, sobretudo o alade. Tinham, portanto, educao que somente a nobreza poderia possuir.

    Por usarem um salvo-conduto , podiam transitar de um feudo para outro e levar com eles homens e mulheres que passavam a fazer parte da troupe.

    Esse grupo era composto por msicos, engolidores de fogo e espada, equilibristas e malabaristas, atores, indivduos que faziam parte do coro.

    Eram , geralmente, chamados de saltimbancos. Mais tarde, este nome passou a designar ladres que andavam em bandos pelas estradas.O Castelo de Liechtenstein situa-se na ustria, ao sul de Viena e foi construdo no sc. XII.

  • Que lngua se falava naquela poca?Voc est ouvindo uma cano de Martim Codax, do sculo XIII. Ele foi o nico trovador a deixar letra e msica de suas composies.

    Naquela poca, Espanha e Portugal formavam uma unidade lingustica e falavam o galego portugus ou galaico portugus.

    A msica que voc ouve possui a seguinte letra:

  • Quantas sabedes amar o amigoQuantas sabedes amar amigo,treides comig' a-lo mar de Vigo, e banhar-nos-emos nas ondas. Quantas sabedes amar amado,treides comig' a-lo mar levado,e banhar-nos-emos nas ondas. Treides comig' a-lo mar de Vigo, e veeremo-lo meu amigo,e banhar-nos-emos nas ondas.

    Treides comig' a-lo mar levado, e veeremo-lo meu amado,e banhar-nos-emos nas ondas.

    Original de Martim Codax,Cancioneiro da Vaticana, sculo XIII., folha 140.

  • Todas vs, que sabeis amar o namoradoTodas vs que sabeis amar o amado,Vinde comigo ao mar de Vigo,E banhar-nos-emos nas ondas.

    Todas vs que sabeis amar o amigo,Vinde comigo ao mar encapelado,E banhar-nos-emos nas ondas.

    Vinde comigo ao mar de Vigo,E veremos o meu amigoE banhar-nos-emos nas ondas.

    Vinde comigo ao mar encapelado,E veremos o meu amado,E banhar-nos-emos nas ondas!

    (* encapelado = com altas ondas)

    Instrumento origi-nal da Idade Mdia,a flauta doce.

  • Um rei trovadorD. DinisEste castelo fica em Guimares,Portugal, e foi construdo por D. Dinis em 1303.D. Dinis reinou entre o fim do sculo XIII e o inciodo XIV, em Portugal.Era homem culto e comps cerca de 150 cantigas;por isso, foi chamado de o rei trovador.Veja um exemplo do que ele comps:

    Quero eu, maneira provenalFazer agora um cantar de amor,E quererei muito louvar minha senhorA quem no faltam honra e formosuraNem bondade; e mais vos direi sobre ela:Deus a fez to plena de bensQue a todas as mulheres do mundo.

    Obs: a expresso maneira provenal quer dizer maneira da Provena, mais sofisticada porque se trata de uma cantiga de amor.

  • Tipologia das cantigasI.Cantigas lricasII.Cantigas satricas amor amigoescrnio

    maldizerInstrumento original da Idade Mdia: o alade.

  • Cantigas lricasAs cantigas lricas so aquelas que dizem sobre sentimentos e emoes humanos. Dividem-se em dois tipos:

    AmorAmigo

  • Cantigas de amor*Sua origem a Provena, na Frana.

    * sofisticada e evita as repeties, os refres.

    *Possui eu lrico masculino (eu lrico a voz que fala no poema).

    *O tratamento que o trovador d mulher amada mia dona, fermosa dona, mia senhor.

    *O amor sempre corts.

    *O trovador faz a coita amorosa, se queixa mulher amada da falta de cuidados dela (casada) para com ele.

    *Ambos pertencem mesma classe social.

    *Mas, por ser um nobre decado, o trovador presta vassalagem amorosa dama.

  • Exemplo de cantiga de amorA mulher que eu amo e tenho por senhoraMostrai-a a mim, Deus, se for Vosso prazer,Se no, da-me a morte.

    A que eu tenho por luz desses olhos meusE por quem choram sempre, mostrai-a a mim, Deus,Se no, da-me a morte.

    Essa que Vs fizestes a mais belaDe quantas eu conheo, ai Deus, fazei-me v-la,Se no, da-me a morte.

    Ai , Deus, que me fizestes mais e mais am-la,Mostrai-me onde posso com ela falar,Se no, da-me a morte.(Bernardo Bonaval)

  • Cantigas de amigoSua origem a Pennsula Ibrica.Usa freqentemente o refro (repetio de um verso inteiro ao final de cada estrofe), repeties de palavras.Possui eu-lrico feminino ( apesar de o trovador compor a cantiga).O tratamento dado ao namorado meu amigo, meu amado.H nela submisso amorosa ( o amado sempre de classe superior).A moa se queixa da ausncia dele e o faz natureza, s amigas ou me.H cantigas que podem ser classificadas como de tear(ou de fiar), barcarolas, albas ou alvoradas, pastorelas.H o uso dos paralelismos como forma de repetio.

  • Exemplo de cantiga de amigoOndas do mar de Vigose vistes meu amigo ?E ay Deus, se verr cedo !Ondas do mar levado,se vistes meu amado ? E ay Deus, se verr cedo !Se vistes meu amigo,o por que eu sospiro? E ay Deus, se verr cedo !Se vistes meu amado,o por que ey gran coydado?E ay Deus, se verr cedo !

    O texto ao lado de Martim CodaxVerr= virMar levado= encapelado, revoltoSospiro= suspiroCoydado= cuidado, carinho.Ey= tenho

  • E o que paralelismo?

    Ai flores, ai flores do verde pinho se sabedes novas do meu amigo, ai deus, e u ? Srie I Ai flores, ai flores do verde ramo, se sabedes novas do meu amado, ai deus, e u ?

    Se sabedes novas do meu amigo, aquele que mentiu do que ps comigo, ai deus, e u ? SrieII Se sabedes novas do meu amado, aquele que mentiu do que me h jurado ai deus, e u ?

    O paralelismo uma forma de repetio e consiste em, a cada srie composta por duas estrofes, mudar apenas uma ou mais palavras no final de cada verso,torn-los paralelos, correspondentes.

    O poema ao lado de D. Dinis, o rei trovador

  • Cantigas satricas So cantigas de cunho popular, em tom brincalho e,muitas vezes, cruel; reveladoras do panorama social da poca, no poupam sequer os nobres e o clero. H mexericos, termos obscenos e a linguagem nelas usada debochada e cheia de trocadilhos.

    Dividem-se em dois tipos: 1. Escrnio 2. Maldizer Mandorina

  • Cantigas de escrnio

    As cantigas de escrnio fazem stira indireta.

    A linguagem nelas usada coloquial, com muitas repeties e lugares-comuns, alm de termos chulos.

    A pessoa satirizada no nomeada.

    Na ilustrao ao lado, voc pode ver uma viola de arco e um pandeiro.

  • Exemplo de cantiga de escrnio Dona feiaJoo Garcia de Guilhade Ai, dona feia, foste-vos queixar que nunca vos louvei em meu trovar; mas agora quero fazer um cantar em que vos louvarei de qualquer modo; e vede como vos quero louvar : (Refro)dona feia, velha e louca!

    Dona feia, que Deus me perdoe, pois tendes to grande desejo de que eu vos louve, por este motivo quero vos louvar j de qualquer modo; e ved