SOBRE€A€AVALIA‡ƒO€DO€CONHECIMENTO€GRAMATICAL€...

Click here to load reader

download SOBRE€A€AVALIA‡ƒO€DO€CONHECIMENTO€GRAMATICAL€ .avalia§£o externa, identifi cando

of 14

  • date post

    21-Jan-2019
  • Category

    Documents

  • view

    215
  • download

    0

Embed Size (px)

Transcript of SOBRE€A€AVALIA‡ƒO€DO€CONHECIMENTO€GRAMATICAL€...

Actas do X Congresso Internacional Galego-Portugus de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009 ISBN- 978-972-8746-71-1

3986

SOBRE A AVALIAO DO CONHECIMENTO GRAMATICAL ESCOLAR: UM ESTUDO DOS EXAMES NACIONAIS DE PORTUGUS DE 2009

Antnio Carvalho da Silva / Jos Eduardo Ferreira Alves de Sousa

Universidade do Minho / Escola EB 2,3 D. Pedro IV acsilva@iep.uminho.pt / sousa.eduardo@portugalmail.com

Resumo Se aceitamos que a avaliao sinnimo de sucesso (Pacheco & Zabalza, 1995: 7), ao estudar a

problemtica da avaliao e entendendo a avaliao oficial como um factor constitutivo da disciplina de Portugus, discutiremos como so representados e avaliados os conhecimentos explcitos sobre a lngua materna.

Assim, na sequncia de um outro trabalho sobre a avaliao gramatical (Silva, no prelo), pretendemos, com o presente artigo, continuar o estudo do domnio da gramtica em provas de avaliao externa, identificando o conhecimento gramatical oficialmente avaliado.

Neste sentido, o objectivo principal deste texto o de caracterizar a configurao do conhecimento gramatical nos exames nacionais de Portugus realizados em 2009.

Para debater tais questes, este trabalho desenvolve-se em duas partes: a) apresentao das dimenses do estudo das provas de avaliao externa de Portugus; b) discusso e anlise dos dados, com a apresentao dos primeiros resultados do estudo das provas de avaliao de Portugus realizadas em 2009.

As concluses de um trabalho desta natureza devero apontar no sentido de uma melhor compreenso do papel da regulao externa dos saberes relativos ao conhecimento explcito da lngua, ao mesmo tempo que nos permitiro determinar as novas formas de configurao da gramtica escolar portuguesa.

1. Introduo e objectivos: a avaliao externa

O presente texto, surgindo na continuao de uma investigao longitudinal sobre as Provas de

Aferio (PA) e os Exames Nacionais (EN) do 9. Ano de Portugus, realizados de 2002 at

2008 (Silva, no prelo), tem como objectivo fundamental analisar comparativamente, ao nvel do

domnio gramatical, as trs provas escritas de Portugus realizadas em 2009: a Prova de

Aferio do 2. Ciclo, o Exame Nacional do 3. Ciclo e o Exame Nacional do 12. Ano.

Os objectivos especficos que pretendemos atingir com este estudo particular relacionam-se no

s com o facto de, assim, estudarmos o modo de avaliao de um nico domnio do ensino do

Portugus (a gramtica ou o conhecimento explcito da lngua, como agora vem sendo

designado), mas tambm com o critrio de seleco do corpus: escolher e confrontar trs

exames finais da mesma disciplina (Lngua Portuguesa ou Portugus), realizados no fim do

mesmo ano lectivo (2008/2009) e no momento em que se prepara a introduo de novos textos

programticos e de uma terminologia lingustica revista. Nesse sentido, os objectivos

especficos deste trabalho sero os seguintes: definir a estrutura das trs provas de avaliao

mailto:acsilva@iep.uminho.ptmailto:sousa.eduardo@portugalmail.com

Actas do X Congresso Internacional Galego-Portugus de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009 ISBN- 978-972-8746-71-1

3987

externa da disciplina de Portugus; caracterizar os contedos avaliados no domnio do

conhecimento gramatical escolar; comparar o tipo e a natureza das perguntas das trs provas;

discutir os fins desta modalidade de avaliao externa na rea do Portugus.

Depois desta fixao dos fins da investigao, inicia-se, no ponto seguinte (2.), uma sumria

discusso em torno da questo da avaliao escolar na rea do Portugus, referindo-se, em

particular, a avaliao sumativa externa e enumerando as suas funes principais.

Na apresentao deste estudo das provas de avaliao final na disciplina de Portugus (3.),

justificamos a organizao do corpus e fazemos a explicitao das suas dimenses de anlise: a

concepo e a estrutura das provas; o contexto das questes de avaliao dos conhecimentos

gramaticais; as categorias de resposta no domnio da gramtica; os contedos gramaticais

avaliados e as reas da descrio em que se integram.

Por fim, antecedendo as concluses (5.), descrevem-se e interpretam-se os resultados obtidos

em cada uma dessas dimenses analticas, procurando deduzir algo sobre as representaes

oficiais acerca do estatuto e das funes do conhecimento gramatical escolar (4.). Para eventuais

estudos futuros, h que ter em considerao as ilaes daqui retiradas, uma vez que os prximos

tempos sero de mudanas significativas na rea do Portugus: introduo de novos programas,

de uma terminologia revista e da avaliao de manuais escolares.

2. Conceito(s) e modalidades de avaliao escolar

Estudar a problemtica da avaliao externa na rea do Portugus significar contribuir para

uma melhor compreenso das condies em que se planifica, ensina, aprende e avalia no

contexto do sistema de ensino portugus actual, confirmando se as mudanas polticas nos

sistemas de ensino continuam a estar associadas a alteraes em termos da avaliao escolar,

nas suas intenes ou nas suas prticas.

Antes de mais, convm, porm, discutir os conceitos que giram em torno da avaliao e da

avaliao das aprendizagens1. Ribeiro (1990) distingue a classificao (que selectiva) da

avaliao (que se pretende descritiva e (in)formativa) e diferencia os trs tipos fundamentais de

avaliao: diagnstica, formativa, sumativa2. Pese embora o facto de se poder situar

temporalmente estas trs modalidades de avaliao ao longo do processo didctico (antes,

durante, no fim do mesmo), a verdade que so as suas funes que as distinguem. Assim, no

caso da primeira, A funo essencial verificar se o aluno est de posse de certas

aprendizagens anteriores que servem de base unidade que se vai iniciar. (Idem: 79) Por seu

lado, A avaliao formativa pretende determinar a posio do aluno ao longo de uma unidade

de ensino, no sentido de identificar dificuldades e de lhes dar soluo. (Idem: 84) Finalmente,

A avaliao somativa corresponde, pois, a um balano final, a uma viso de conjunto

Actas do X Congresso Internacional Galego-Portugus de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009 ISBN- 978-972-8746-71-1

3988

relativamente a um todo sobre que, at a, s haviam sido feitos juzos parcelares. (Idem: 89)

Este ltimo tipo de avaliao permite no s a aferio de resultados, mas tambm a

classificao dos alunos, estando a ela associadas, por isso, as provas de exame.

Confrontando a avaliao sumativa com a formativa e a avaliao quantitativa com a

qualitativa, os tericos atribuem um significado especial ao papel fundamental da avaliao no

processo formal de ensino-aprendizagem, questionando a avaliao externa, como a que

realizada nas Provas de Aferio ou nos Exames Finais. Esteban (2003: 26) defende que a

avaliao qualitativa configura-se como um modelo de transio por ter como centralidade a

compreenso dos processos, dos sujeitos e da aprendizagem, o que produz uma ruptura com a

primazia do resultado caracterstico do processo quantitativo.

evidente que, por norma, nos sistemas de ensino, deveria privilegiar-se a avaliao qualitativa,

formativa e contnua dos processos de aprendizagem, at porque esta ltima corresponde a uma

avaliao formativa permanente (Ribeiro, 1990: 84). Carrasco (1989: 10) tambm afirma que

A avaliao educativa deve ser sistemtica, contnua e integral, querendo com tal significar

que ela ter de ser integrada no processo e avaliar todos os seus elementos.

questo de uma possvel influncia da avaliao externa nas prticas de ensino e de avaliao

escolares, implicitamente subjacente a estudos de provas de avaliao final ou centralizada,

responderam afirmativamente, por exemplo, os estudos de Rosrio (2007) e de Alves (2007), o

qual concluiu (p. 126) que, no mbito do Portugus, os exames nacionais exercem um efeito

retroactivo sobre o currculo e, [], acabam por serem eles a definir o currculo de facto,

servindo de referncias s prticas pedaggicas.

Cardoso (1995) considerara, entretanto, que uma das manifestaes de crise do sistema de

ensino se relaciona com o fracasso dos exames de carcter nacional (prova geral de acesso,

provas de aferio ou especficas). Afirmava at que a avaliao aferida tem como inteno

principal (no assumida) a avaliao dos alunos. Por conseguinte, as reticncias sobre a

avaliao aferida e as dvidas em relao s mais recentes avaliaes por exame, sugerem que a

realizao de exames uma prtica que contribuir para a regulao dos saberes escolarmente

vlidos e, mesmo que de modo implcito, para a demonstrao de certas relaes de poder.

Sendo, por conseguinte, recorrentes as dvidas em relao aos efeitos no processo de ensino-

aprendizagem da avaliao sumativa externa (que at por isso deve ser estudada nas suas

consequncias), tambm em termos da avaliao formativa se desenvolvem tentativas para a sua

reconceptualizao, como a que apresentou Fernandes (2006), com uma avaliao formativa

alternativa (p. 22). Com o intuito de clarificar o prprio conceito de avaliao formativa, o

autor (Idem: 22-23) distingue o entendimento clssico do termo (viso mais restritiva) da

concepo actual: Trata-se de uma avaliao interactiva, centrada nos processos cognitivos dos

Actas do X Congresso Internacional Galego-Portugus de Psicopedagogia. Braga: Universidade do Minho, 2009 ISBN- 978-972-8746-71-1