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Visão de Futuro do Corpo de Fuzileiros Navais

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ANO XXIX EDIO EXTRA 2 0 1 0

SumrioEditorial - Nossa Capa ..................................................................................................................................................................02 Carta do Comandante Geral do Corpo de Fuzileiros Navais .......................................................................................................04

A Prxima SingraduraIntroduo.....................................................................................................................................................................................09 O Que Somos e Nossos Valores Essenciais ...............................................................................................................................10 A Estratgia Nacional de Defesa e o Corpo de Fuzileiros Navais ...............................................................................................18 Viso de Futuro ............................................................................................................................................................................30 Doutrina ........................................................................................................................................................................................36 Material .........................................................................................................................................................................................44 Recursos Humanos ......................................................................................................................................................................60

O Combatente Anfbio - Anlise do Caso BrasileiroApresentao ...............................................................................................................................................................................68 Introduo.....................................................................................................................................................................................70 Fundamentos Histricos ...............................................................................................................................................................72 Influncias Doutrinrias ................................................................................................................................................................78 Vocaes Consolidadas ...............................................................................................................................................................88 Cenrios Previsveis .....................................................................................................................................................................98 Os Novos Tempos Geram Novas Realidades Que Afetam Nosso Futuro .................................................................................102

omo rgo de divulgao do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), a primeira revista foi editada em setembro de 1939 com o nome O Naval, circulando at 1943. Em maro de 1954, surgia o primeiro jornal dos Fuzileiros O Anfbio, publicado at 1977. Aproveitando esta ltima denominao, a partir de 1961, iniciou-se a edio da Revista dos Fuzileiros Navais, O Anfbio, em circulao at hoje. Destina-se a divulgar a doutrina anfbia e o moderno emprego de Foras de Fuzileiros Navais, difundir a histria e tradies do CFN e constituir-se em foro para debate de idias que estimulem o aperfeioamento tcnico-profissional.

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O ANFBIO no 28 Ano XXIX 2010 EDIO EXTRA Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais Almirante-de-Esquadra (FN) Alvaro Augusto Dias Monteiro Editor Responsvel Capito-de-Mar-e-Guerra (FN) Renato Rangel Ferreira Projeto Grfico e Editorao Capito-Tenente (T) Ericson Castro de Santana Capa Capito-Tenente (T) Tonery W. Pernambucano JniorAssessoria de Comunicao Social do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais. Fortaleza de So Jos, s/n - Ilha das Cobras Centro Rio de Janeiro RJ CEP: 20091-000 - Tel.: (21) 2126-5029

As opinies emitidas nos artigos deste peridico so de inteira responsabilidade de seus autores, no refletindo, necessariamente, o pensamento ou atitude do Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, a no ser que assim esteja expressamente declarado.Todos os trabalhos aqui publicados so de carter gratuito. permitida a reproduo total ou parcial das matrias. Solicita-se a citao da fonte e a remessa de um exemplar da publicao.

Editorial

Nossa CapaNossa capa retrata a cena que representa a essncia estratgica dos Fuzileiros Navais na arte da guerra, o Desembarque Anfbio. A imagem original ganha efeito de pintura, em aluso paixo dos combatentes anfbios por seu ofcio. Para esses valentes guerreiros sua misso, alm de um sacerdcio, tambm uma arte.

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sta edio extraordinria do O Anfbio, de cunho doutrinrio, editada em 2010, ocorre por uma demanda do Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, quem sentiu necessidade de traar um direcionamento geral para o futuro desenvolvimento do CFN. Esta necessidade decorreu de uma srie de novos fatos e conjunes com que o CFN vem se deparando, dentre os quais se destacam: a promulgao da Estratgia Nacional de Defesa e o impacto que a participao na Misso das Naes Unidas para a Estabilizao do Haiti (MINUSTAH) vem exercendo sobre o perfil operacional do Corpo de Fuzileiros Navais. Para poder definir com mais segurana o rumo a navegar, precisou-se voltar ao passado para, ao compreender as razes daqueles que nos antecederam, identificar as vocaes e o ethos operacional consolidados ao longo de nossa histria. Com este propsito, revisitou-se o extraordinrio trabalho, denominado O Combatente Anfbio, elaborado por outro Comandante-Geral, o Almirante de Esquadra (FN) Luiz Carlos da Silva Cantdio. Este estudo realou, ainda mais, o valor desta obra, que se mostra, em muitos aspectos, plenamente atual, e, portanto, de valor histrico excepcional. Assim, o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais decidiu publicar ambos os trabalhos em uma mesma edio. Na primeira parte deste O Anfbio, encontra-se A Prxima Singradura. Neste artigo, a partir de breve anlise de nossa histria e das vocaes e valores dos Fuzileiros Navais, realizou-se um estudo estratgico do emprego das foras anfbias, para, ento, estabelecer-se a Viso de Futuro do CFN, com seus consequentes impactos sobre a doutrina, o material e os recursos humanos. Na segunda parte, faz-se o resgaste histrico de O Combatente Anfbio, em uma verso ilustrada que, perenizada, alm de conferir-lhe o devido valor, facilitar sua consulta e estudo. Cabe destacar que O Combatente Anfbio j consta do Programa de Leitura Profissional do CFN.

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O ANFBIO 2009

Carta do ComGer

O Corpo de Fuzileiros Navais destinase, prioritariamente, a projetar poder por meio de operaes anfbias e a defender navios, instalaes navais e porturias, arquiplagos e ilhas ocenicas.

O ANFBIO 2009

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CARTA DO ComGerCFN Ensinam os velhos marinheiros que s pode haver ventos feio, quando se sabe o rumo a aproar. Essa lio marinheira, que mencionei em minha Ordem do Dia n 01/2010, alusiva ao 202 aniversrio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), traduz com muita propriedade a percepo que tenho, aps quase quatro anos como Comandante-Geral, da necessidade de redefinir o rumo do CFN nesta prxima singradura que principiamos a navegar. Necessidade que decorre de uma srie de novos fatos e conjunes com que o CFN vem se deparando. Entre tantos, destaco o ambiente gerado pela promulgao, em dezembro de 2008, da Estratgia Nacional de Defesa (END), fomentando o debate, no apenas no meio militar mas envolvendo, de forma indita, seno a sociedade como um todo, parcela significante e influente de sua liderana civil. Nunca ser demais ressaltar que o papel o qual a END impe ao CFN, de importncia mpar, culminando aspirao de todos os Fuzileiros Navais de hoje e de sempre, requerer de todos ns, para seu adequado desempenho, extraordinria dedicao. Outro ponto a destacar deriva do impacto que os seis anos consecutivos e ininterruptos da exitosa participao na Misso das Naes Unidas para a Estabilizao do Haiti (MINUTAH) trazem sobre o perfil operacional do Fuzileiro Naval. Diversos indcios do conta que nossos oficiais e praas, nossa doutrina e material esto sendo atrados por essa cativante operao de paz. A possibilidade de participar de uma operao real, a realizao profissional decorrente dessa participao, a gratificante sensao de se estar ajudando um povo amigo, as benesses remuneratrias, enfim, tudo conduz para um envolvimento cada vez mais forte com essas operaes militares, ditas de no guerra. No se pode esquecer, contudo, que as operaes de paz, como as do Haiti e de Angola, possuem carter estritamente terrestre. Portanto, embora nossa participao nelas traga enormes benefcios, no representam nosso emprego prioritrio. No devem, por conseguinte, condicionar, absolutamente, nosso preparo, pois se assim o fizermos estaremos nos especializando em algo no exclusivo e essencial do Poder Naval, qual sejam as operaes anfbias; estas, sim, nossa razo de existir. A percepo de uma possvel postura dissocivel ou, ao menos, no inteiramente alinhada ao Poder Naval fez-me recordar do extraordinrio trabalho realizado pelo Almirante de Esquadra (FN) Luiz Carlos da Silva Cantdio, denominado O Combatente Anfbio, trabalho que compe a segunda parte desta edio de O Anfbio. O Almirante Cantdio foi o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais de 1990 a 1994, perodo no qual se fez necessrio, tambm, definir o rumo que o CFN deveria seguir. Foi essa necessidade que o fez debruar-se sobre nossa histria, a fim de, a partir de nossas origens e principais influncias recebidas, identificar as vocaes mais firmemente consolidadas do CFN. Com esse prumo,