Plantas macr³fitas

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    Science

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  1. 1. MONITORAMENTO E MANEJO DE MACRFITAS AQUTICAS EM RESERVATRIOS TROPICAIS BRASILEIROS Marcelo Pompo Instituto de Biocincias IB/USP Universidade de So Paulo Primeira edio 10.11606/9788585658670 DOI 10.11606/9788585658670
  2. 2. ii MONITORAMENTO E MANEJO DE MACRFITAS AQUTICAS EM RESERVATRIOS TROPICAIS BRASILEIROS
  3. 3. iii Pompo, Marcelo. Monitoramento e manejo de macrfitas aquticas em reservatrios tropicais brasileiros / Marcelo Pompo. -- So Paulo ; Instituto de Bio- cincias da USP, 2017. 138 p. : il. ISBN 978-85-85658-67-0 DOI 10.11606/9788585658670 1. Macrfita.+2.+Reservatrio.+3.+Manejo.+4.+Monitoramento.++ 5. Qualidade da gua. I. Monitoramento e manejo de macrfitas aquticas em reservatrios tropicais brasileiros. LC QH 96.A5 As fotos das macrfitas aquticas das aberturas dos captulos so provenientes do reservatrio Guarapiranga. Fotos de Rafael Hirata. Reviso de Tatiane Ivo. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e autoria. Proibindo qualquer uso para fins comerciais.
  4. 4. iv MONITORAMENTO E MANEJO DE MACRFITAS AQUTICAS EM RESERVATRIOS TROPICAIS BRASILEIROS Marcelo Pompo Instituto de Biocincias IB/USP Universidade de So Paulo So Paulo - 2017 DOI 10.11606/9788585658670
  5. 5. v Prefcio As macrfitas aquticas so organismos que esto presentes em todos os tipos de massas de gua, mesmo em baixa riqueza ou biomassa. E l devem permanecer, pois so fundamentais, para o metabolismo dos ecossistemas, para a ciclagem de nutrientes e fluxo de energia, por exemplo. Desta forma, no devem ser exterminadas como pragas com o simples propsito de a massa de gua parecer mais limpa e livre de problemas potenciais, como o grande crescimento das macrfitas aquticas e as consequncias decorrentes deste crescimento. Os problemas decorrentes da simples presena das macrfitas aquticas muitas vezes esto nos olhos de quem as v e no necessariamente existem de fato ou, pelo menos, no so to graves como fazem parecer alguns. Bancos de macrfitas aquticas crescendo sobre as margens ou imediatamente sobre ou sob os primeiros metros da massa de gua so, para muitos, um grande transtorno, pois interferem na vida do homem, dificultando, por exemplo, o acesso ao corpo de gua. No entanto, do ponto de vista ambiental, sua presena nas margens no causa e nem revela distrbio algum, pelo contrrio, revela um ambiente saudvel. Nesse caso em particular, basta reservar uma rea livre de plantas para acesso ao corpo de gua para que imediatamente as demais macrfitas aquticas deixem de ser percebidas e consideradas um problema. O problema existe apenas quando h sobressaltos no crescimento de sua biomassa ou rea de colonizao em reservatrios altamente manejados pelo homem, com grande descontrole no aporte de nutrientes, principalmente decorrente do lanamento in natura dos esgotos domsticos e industriais. Neste caso as macrfitas aquticas rapidamente podem colonizar extensas reas e de fato trazerem prejuzos aos mltiplos usos dos reservatrios. Mas isso contornvel. Com adequado programa de gesto possvel monitorar, antecipando-se aos problemas, e manejar as plantas aquticas, se necessrio, minimizando as consequncias do grande crescimento potencial. Os problemas que hoje vivenciamos com as macrfitas aquticas so gerados principalmente pelas prprias atividades humanas. Assim, cabe ao homem equacion-los com o mnimo transtorno aos mltiplos usos do sistema, qualidade da gua e biota, cada vez mais com vistas sustentabilidade em longo prazo. A Limnologia, cincia que estuda as guas interiores, diretamente envolvida com a utilizao racional e com a conservao e recuperao dos recursos hdricos, em particular dos reservatrios, no recente e muito menos incipiente no Brasil. H inmeros centros de pesquisas distribudos pelo territrio nacional com mltiplas competncias para estudar a estrutura, funo e dinmica dos reservatrios, inclusive com nfase nas macrfitas aquticas. Portanto, h no Brasil condies objetivas, isto , laboratrios, tcnicos especializados, domnio de mtodos de campo e anlises de dados, que permitiro estudar o reservatrio e sua biota, em especial as macrfitas aquticas. Com base em mltiplos estudos ser possvel, para cada reservatrio, definir programas de monitoramento e manejo para cada componente da biota, como o fitoplncton, em particular as cianobactrias, e mesmo para as macrfitas aquticas, nosso objeto de apreciao deste manuscrito. Mas no podemos deixar de compreender o que se passa no entorno imediato do reservatrio e nem na totalidade de sua bacia hidrogrfica, compreendendo as respectivas alteraes nos usos e ocupaes que ocorrem ao longo do tempo e no espao, pois para melhor compreender o que se observa na massa de gua ou no sedimento, por exemplo, muitas vezes a explicao e a soluo esto fora do corpo de gua.
  6. 6. vi Este livro visa discutir aspectos relacionados ao monitoramento e manejo de macrfitas aquticas em reservatrios. Surgiu das conversas com os alunos, mas principalmente com os tcnicos da Companhia de Saneamento Bsico do Estado de So Paulo (SABESP), dilogos decorrentes da parceria no projeto Programa de monitoramento e manejo de macrfitas aquticas nos reservatrios do Estado de So Paulo: subsdio a polticas pblicas (FAPESP. Proc. 2006/51705-0) e do Desenvolvimento de programa de monitoramento e controle do crescimento de macrfitas aquticas na represa Paiva Castro - Sistema Cantareira (So Paulo) (CNPq, Proc. 470443/2008-1). Portanto, segue como fruto tardio desses financiamentos, mas em tempo. Marcelo Pompo So Paulo, 14 de maro de 2017.
  7. 7. vii Agradecimentos Sou muito grato aos rgos de fomento (Fapesp - processos: 2002/13376-4, 2006/51705-0, 2009/16652-1, 2012/11890-4 e 2014/22581-8; CNPq - processos: 471184/2006-3, 552540/2006-4 e 470443/2008-1) que direta ou indiretamente permitiram os inmeros estudos nos reservatrios do Estado de So Paulo, em particular os que abastecem a Regio Metropolitana de So Paulo. Sem esses financiamentos toda estrutura laboratorial e de equipamentos para os trabalhos no seriam possveis e ainda menos possveis os inmeros estudos levados a cabo pelo grupo de pesquisa que coordeno e as respectivas produes tcnicas ou de divulgao geradas desses estudos. Agradeo tambm a todos os alunos e profissionais que at a presente data passaram pelo laboratrio, da iniciao cientfica ao ps-doutoramento. Foram muitas as nossas conversas, as quais sempre me motivaram a seguir meu caminho, culminando com este livro e outras produes. Os alunos tm a certeza de que so eles que aprendem comigo, mas o que eles trazem para mim tambm muito precioso. Esse corpo de colaboradores tambm foi meu principal interlocutor, contribuindo sobremaneira na leitura crtica de todos os captulos que compem esta obra. Em espacial agradeo Dra. Sheila Cardoso da Silva pela leitura crtica de todo manuscrito. Aos colegas de Departamento, em especial s Profas. Ana Lucia Brandimarte e Marisa Dantas Bitencourt e ao Prof. Sergio Tadeu Meirelles, com os quais tive e tenho conversas sempre muito proveitosas e motivadoras. Prof. Marico Meguro (in memoriam), excepcional naturalista e ecloga, grande incentivadora dos estudos com as macrfitas aquticas. Tambm agradeo Companhia de Saneamento Bsico do Estado de So Paulo (SABESP), em especial aos Srs. Alberto Ferro, Osmar Rivelino e Josileu Fontes da Silva (in memoriam), pelas facilidades oferecidas nos diversos trabalhos executados e pelas inmeras conversas com esses profissionais altamente conhecedores dos reservatrios sob suas responsabilidades. Esses dilogos permitiram compreender o histrico de alteraes nos reservatrios e sua dinmica, bem como quais seriam algumas das demandas da SABESP, em particular aquelas relativas s macrfitas aquticas. Ao SOS Guarapiranga, que propiciou recursos financeiros, mas principalmente bolsas a entusiasmados alunos, que fizeram um trabalho exemplar com as macrfitas aquticas nesse reservatrio. A todo corpo de funcionrios do Departamento de Ecologia, do Instituto de Biocincias da Universidade de So Paulo (USP), aos atuais e aos que j se desligaram, em especial equipe de apoio aos trabalhos de campo e laboratrio. Tambm s secretrias do Departamento e da Ps- Graduao em Ecologia por toda colaborao no desenvolvimento dos inmeros trabalhos executados ou em execuo. Agradeo Sra. Adriana Hyplito Nogueira, bibliotecria-chefa da Biblioteca do Instituto de Biocincias da USP, por todo apoio na finalizao desta obra. A biloga Maria Estefnia Fernandes Rodrigues, pelo auxlio na complementao do Captulo 8 e pela cesso das fotografias apresentadas. A Viviane e ao Lucas, sempre luzes a iluminar meu caminho. Nada do que fao faria sentido sem as suas presenas. A todos que direta ou indiretamente sempre me motivaram com crticas construtivas e sugestes, permitindo corrigir rumos e melhor direcionar as minhas aes. A Claude Monet, com as suas esplendorosas macrfitas aquticas, que a todos maravilham.
  8. 8. viii Apresentao Um dos impactos mais srios em reservatrios o crescimento excessivo de macrfitas aquticas. A proliferao exagerada dessas plantas acarreta efeitos deletrios, de ordem econmica, esttica e ecolgica na dependncia dos usos desses ambientes lacustres artificiais, quais sejam para gerao de energia eltrica, abastecimento pblico, recreao e lazer, controle de cheias e cultivo de organismos. A grande questo decifrar as causas do desenvolvimento destes produtores nas diferentes represas. Poder-se-ia cogitar em processos internos aos reservatrios como gatilho para o crescimento macio das plantas aquticas superiores, mas certamente fatores externos tm um papel preponderante como causadores desses efeitos. Conhecidos os agentes determinantes da proliferao das macrfitas aquticas, medidas de controle e manejo podem ser propostas. A finalidade deste livro discutir toda a temtica envolvendo o crescimento das macrfitas em represas e as suas consequncias. Baseado na sua grande experincia, alicerada em investigaes envolvendo a comu