Paul Tournier - Mitos e Neuroses

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  • 1. Paul Tournier Mitos e NeurosesDesarmonia da vida moderna ABU E D I T O R A Editora Ultimato Digitalizado por id www.semeadoresdapalavra.netNossos e-books so disponibilizados gratuitamente, com a nica finalidade de oferecer leitura edificante a todos aqueles que no tem condies econmicas para comprar. Se voc financeiramente privilegiado, ento utilize nosso acervo apenas para avaliao, e, se gostar, abenoe autores, editoras e livrarias,adquirindo os livros. SEMEADORES DA PALAVRA e-books evanglicos

2. Copyright 1947, Delachaux et Niestl, S.A., Neuchatel, Sua TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.Publicado originalmente sob o ttulo Dsharmonie de La Vie Moderne. Traduzido do espanhol com permisso e com todos os direitos reservados a ABU Editora e Editora Ultimato. PRIMEIRA EDIO:Julho 2002TRADUO: Yara Tenrio da MottaREVISO:Milton Azevedo Andrade Dlnia M. C. BastosCAPA:Snia Couto(Sobre foto de Klos M. Lenz Csar Jr.) Catalogao na Fonte do Departamento Nacional do LivroTournier, Paul. 1898-1986T725m 2002 Miros e neuroses; desarmonia da vida moderna / Paul Tournier: traduo de Yara Tenrio da Motta. So Paulo: ABU Editora ;Viosa : Ultimato, 2002. 160p. Traduo de: Mitos y neurosis.ISBN 85-86539-52-X ISBN 85-7055-039-1 1. Psicologia social. 2. Neurose. 3. Mitos. 1. Morra, Yara Tenrio da. II. Tiulo.CDD: 157.7ABU EditoraCaixa Postal 2216 - 01060-970 So Paulo, SP Telefone: (11) 5031-6278- www.abub.otg.br/editora Editora UltimatoCaixa Postal 43 - 36570-000 Viosa. MG Telefone: (31)3891-3149-Fax: (31)3891-1557 www.ultimato.com.br 3. *** Para nossos dois filhos, Jean-Louis e Gabriel, e para essa gerao jovem, qual a nossa gerao deve pedir perdo, por lhe haver legado um mundo to enfermo. SumrioApresentao.........................................................................................................................4O Conflito Interior do Homem Moderno.................................................................................5A Hierarquia na Pessoa.......................................................................................................21A Separao entre o Espiritual e o Temporal......................................................................35O Mito do Progresso............................................................................................................48O Mito do Poder...................................................................................................................60A Cura..................................................................................................................................69Obras Citadas......................................................................................................................79Apresentao 4. Uma foto de Tournier mostra um senhor meio calvo, de fisionomia bondosa, sentado ao lado dalareira de sua casa, batizada de "Le grain de bl" (O gro de trigo), na cidadezinha de Troinex,subrbio de Genebra, o mesmo local em que nasceu e terminou seus dias, aos 87 anos, em 8 deoutubro de 1986. Pois bem, sempre que leio (ou releio) algum de seus livros, tenho a sensao deestar naquela sala, conversando com um velho amigo. Seus textos so todos assim escritos comum tom de intimidade que torna a leitura agradvel e fluente.Mas no nos enganemos. Esse estilo coloquial, essa humildade intelectual convivem com grandesabedoria e cultura privilegiada; de forma que, se voc se der ao cuidado de reler algumas de suaspaginas, vai encontrar certamente idias que passaram despercebidas em leituras anteriores.Assim o livro que o prezado leitor tem em mos. sem dvida obra profunda, embora no difcil.Nele, Tournier chama a ateno para um tema de transcendental importncia: o "esprito destapoca" est doente. Isso quer dizer que os problemas emocionais do homem e da mulher modernosno so gerados, na maioria das vezes, apenas por suas experincias e traumas infantis, nem porqualquer outro fator individual. No. toda uma cultura que padece de uma enfermidade cujaorigem est na represso do espiritual, no abandono de suas fontes crists (sem, com isso, ter-seesquecido dos valores cristos). Assim, as pessoas esto divididas: guardam no mais profundo doseu ser um anseio por uma vida mais elevada, ao mesmo tempo que se deixam arrastar pela onda deegosmo cnico que caracteriza nossa poca e que as leva a reivindicar uma liberdade quaseirrestrita, mas desvinculada da correspondente responsabilidade. E eis um ponto a realar: emboraescrito antes da metade do sculo passado (1947), o livro mais pertinente hoje do que quando foipublicado pela primeira vez, j que os problemas que Tournier aborda no fizeram mais do que seagravar.E a cura? E esse o grande desafio atual da Igreja, no apenas como instituio, mas tambm comocomunidade daqueles que foram tocados por Jesus. "Vivemos diz Tournier a hora da Igreja".E como a enfermidade do mundo afeta cada um de ns, "a cura do mundo depende da nossa curapessoal". Este livro se prope a auxiliar nessa cura.Quero terminar esta breve apresentao, relatando um fato interessante, que mostra como osescritos de Tournier, embora aparentem dirigir-se mais ao intelecto, produzem efeitos profundos nocorao. O caso narrado pelo psiclogo cristo Gary Collins em seu livro The ChristianPsychology of Paul Tournier (A Psicologia Crist de Paul Tournier). Ao terminar seu primeirolivro, havendo-o submetido crtica de amigos cristos, viu-se frente a opinies to contraditrias,que resolveu procurar um antigo professor e amigo, homem descrente mas de profundo bom senso,em quem nosso jovem autor depositava grande confiana. "Leia o livro para mim", pediu oprofessor. Depois de vrias horas de leitura, o homem interrompeu-o com um pedido: "Est bem.Agora vamos orar." Espantado, perguntou Tournier: "Mas, como? O senhor agora um cristo?Quando se converteu?" "Agora", respondeu o professor. Que nosso Pai de toda a bondade abenoesua leitura para que ela o ajude a crescer mais e mais na maravilhosa graa do Senhor Jesus.So Paulo, junho de 2002Zenon Lotufo Jr.Pastor e psicoterapeuta, coordenador do Curso deEspecializao em Aconselhamento Pastoral do CPPC(Corpo de Psiclogos e Psiquiatras Cristos)CAPTULO 1O Conflito Interior do Homem Moderno 5. No preciso ser muito perspicaz para perceber que o mundo moderno no goza de boa sade. Seusmales so inumerveis; ele est tendo convulses. E evidente que precisa restabelecer-se.O que o aflige?Este o problema que se apresenta todos os dias para um mdico diante de seu paciente. Enumeraros sintomas, discernir os mecanismos que desencadeiam tais sintomas e examinar de perto as lesesdos rgos mais afetados no significa, entretanto, fazer um diagnstico.Muitos homens lcidos procuram hoje em dia formular um diagnostico desse modo, e a maioria ofaz com prudncia, sem dissimular a dificuldade de que esses exames se revestem. Alm disso, taisdiagnsticos muitas vezes so contraditrios, o que faz aumentar a nossa perplexidade. Os esforosdespendidos, no entanto, no so em vo: eles procuram, e nada encontra quem no procura. nestesentido que me uno a eles, no como algum que creia j ter obtido o diagnstico correto. Comoeles, eu tambm quero obt-lo.Quando nos deparamos com um "caso difcil", constitumos uma junta mdica. Em conjuntoexaminamos o paciente para fazer um diagnstico preciso. Cada um dos mdicos formula a suahiptese particular. Depois voltamos a examinar o paciente e verificamos se a hiptese correspondeaos sintomas observados. com este esprito que escrevo este livro; vou submeter ao julgamento do leitor as hipteses queme ocorrerem quando estiver procurando compreender a doena do mundo moderno.Atualmente cada uma de nossas disciplinas passa por uma crise: a cincia, a medicina, o direito. Htambm a crise poltica e econmica, a crise filosfica e a religiosa. Os especialistas poderiammanifestar-se e descrever, muito melhor do que eu, cada uma dessas crises, e muitas outras mais.No sou historiador, nem telogo, nem socilogo. Inclusive em minha prpria rea, sou o menosespecializado dos mdicos. No sou mais do que um observador dos seres humanos, dos homensque so infinitamente diferentes e ao mesmo tempo infinitamente iguais entre si, que dia aps diaabrem o seu corao para mim. Para eles escrevo, porque por trs de todas essas crises particularesest a crise do homem moderno. Temos que especific-la, e isso ser uma tarefa difcil de se fazer.Procurei encontrar o incio do fio da meada, e creio t-lo encontrado em Pascal, quando escreve: "Asucesso de todos os homens, ao longo dos sculos, deve ser encarada como se fosse um nicohomem, que sempre subsiste e que aprende continuamente." Consideraremos assim a histria dahumanidade como sendo a histria da vida de um homem.Quando um paciente nos procura, a primeira coisa que fazemos interrog-lo sobre a sua infncia eadolescncia. Procuramos compreender como ele se desenvolveu.A infncia da humanidade a Antigidade. O nosso paciente foi uma criana-prodgio. AAntigidade tem todas as caractersticas de uma criana-prodgio, que parece descobrir,espontaneamente e sem qualquer esforo, os tesouros mais puros, mais verdadeiros e maiores. Istoocorre especialmente no campo da arte, da poesia, dos sonhos, como se todas as obras-primastenham brotado da sua cndida alma.Entre os doentes de quem tratei nos ltimos anos, conheci muitos que haviam sido crianas-prodgios mas que, quando adultos, pareciam estar passando por uma crise bem profunda, namedida que suas dificuldades atuais divergiam dos xitos da infncia. Lembro-me de um deles, emparticular, que na sua juventude havia tido muitas vitrias que foram fceis, em comparao com amediocridade de tudo o que conseguia empreender ento em sua vida adulta. Tal era o seudesespero que se refugiava na mais completa inao, e tinha uma obsesso pela idia de suicdio.A infncia, a Antigidade, a idade da poesia.Depois a humanidade passou pela Idade Mdia, que podemos comparar com a idade escolar. Acriana de 8 a 15 anos aprende criteriosamente - tudo o que lhe ensinam. Acredita em tudo o que lh