Pais completos

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Matéria publicada no dia dos pais. Veiculada no Jornal Vale do Aço no dia 08 de agosto de 2010.

Transcript of Pais completos

  • Vincius Ferreira

    Estagirio

    NNeessttee sseegguunnddoo ddoommiinnggoo ddeeaaggoossttoo,, oo BBrraassiill ccoommeemmoorraa,,ttrraaddiicciioonnaallmmeennttee,, oo ddiiaa ddoossppaaiiss.. FFiillhhooss pprreessttaamm ssuuaass hhoommee-nnaaggeennss ddaass ffoorrmmaass mmaaiiss vvaarriiaa-ddaass,, rreenneemm aass ffaammlliiaass,, ddoopprreesseenntteess ppaarraa ooss ppaattrriiaarrccaass eeeexxaallttaamm aass qquuaalliiddaaddeess ee oo aammoorrqquuee oo ppaaii tteemm ddeesseemmppeennhhaaddoodduurraannttee ttooddooss eesstteess aannooss.. OOjjoorrnnaall VVAALLEE DDOO AAOO ttaammbbmmpprreessttaa aass ssuuaass hhoommeennaaggeennssppaarraa ttooddooss ooss ppaaiiss ddaa rreeggiioo,,ccoonnttaannddoo aa hhiissttrriiaa ddee ddooiisshhoommeennss qquuee ttiivveerraamm qquuee ttoommaarrttooddaa aa rreessppoonnssaabbiilliiddaaddee ppeellaaccrriiaaoo ddooss ffiillhhooss..

    Hilton Lopes Faria tem53 anos, reside no bair-ro Bela Vista, em Ipa-tinga, e hoje vive uma vida tran-qila. Aposentado, mora sozi-nho na casa que j ficou por umbom tempo cheia de crianas,em uma rua onde consideravater "amigos", e no somentevizinhos. At o comeo do anode 1993, a vida de Hilton seguiacomo a de muitas outras pes-soas. Casado com Marilene Fer-reira de Souza Lopes, tinhamquatro filhos, Raquel com 9anos, Ricardo ia completar 13,Renata tinha 12 e o mais velho,Rogrio, 14. No comeo de1993 a histria desta famlia, eo papel deste pai no lar, foi tra-gicamente alterado. Em um aci-dente automobilstico, no dia 2de janeiro, Marilene faleceu.Passado o luto de sua esposa,Hilton se viu responsvel pelacriao de quatro adolescentes.Ele trabalhava na Usiminas, eralder de grupo do setor de Lami-nao de Tiras Quente, traba-lhava sempre das 23h s 6h damanh, e no sabia nada sobreo funcionamento do lar. Ento,contando com a ajuda de Deuse dos amigos, como ele relata,decidiu aprender o que era neces-srio para educar seus filhos e

    continuar o trabalho que a espo-sa havia comeado.

    Segundo Hilton, o perodoaps a tragdia foi o mais difcil."Eu no tenho nada, nunca tivemuito dinheiro, nem muito conhe-cimento, mas eu perderia tudo eiria morar debaixo da ponte seisto a trouxesse de volta. Mesmocom a dor, tinha que continuar,tinha que cuidar dos meus quatrofilhos. O comeo foi muito dif-cil, mas com a ajuda dos vizi-nhos, dos amigos, fomos cami-nhando. A minha grande preo-cupao era como eu iria criarestes meninos neste mundo, cheiode drogas, de maus caminhos.

    Pedi foras a Deus e fui em fren-te. Dei muita sorte, eles foramtimos filhos", diz Hilton.

    COMO CUIDAR DA CASA?Uma das coisas que mais deu

    trabalho foi aprender as respon-sabilidades do lar. "Eu no sabiafazer nada na cozinha, nada decasa. No sabia como limpar,como fazer almoo, ento fuiaprender. Hoje eu sei tudo, masna poca, at aprender foi com-plicado. A TV me ajudou bas-tante. Fiquei muito tempo vendoestes programas de receitas pelamanh e tentava colocar em pr-tica. No meu caso deu certo",

    contou. A rotina de Hilton, porter que cuidar dos filhos e traba-lhar noite era bem complica-da, mas a compreenso dos che-fes e o auxlio dos amigos ajuda-ram bastante. "Todo dia eu tinhaque sair s 22h para trabalhar.No podia deixar os meninossozinhos em casa a noite inteira.Eles eram adolescentes, estavamcrescendo j, mas mesmo assimficava preocupado. Ento, euconversei com o meu superior econsegui um carto que autori-zava a minha sada da Usinadurante a madrugada, para virem casa e ver como as coisasestavam. Fazia isto em trs hor-rios, todos os dias. Subia as 00hpara ver se eles j estavam dor-mindo, depois voltava as 03hpara ver se tudo continuava emordem, e vinha novamente as05h para deixar o caf da manhpronto para eles. Eles s tinhamque levantar, tomar o caf e irpara aula", relembrou.

    COMO EDUCAR OS FILHOS?A situao em que Hilton se

    encontrava era complicada,teve uma educao do modoantigo, e no sabia como era ojeito certo de educar seus filhos.Procurou fazer da forma queele achava melhor, usando afora do dilogo. "Repito istomuitas vezes, mas a verda-de. Deus me ajudou demais alidar com tudo o que aconte-

    ceu. No sabia qual era a formacerta ou a errada de cuidar deum filho. At hoje no sei comcerteza, mas procurei fazer dojeito que eu achava melhor.Conversei demais com eles. Odilogo me ajudou a entend-los. At mesmo com as meni-nas, que tinham assuntos dife-rentes que na poca eu aindano tinha coragem de conver-sar, eu tive amigas que con-versaram com elas e me ajuda-ram a educ-las. Se eu pudessedar um conselho para os paishoje este: converse com seufilho. Mesmo antes desta leido Lula, sobre as palmadas,eu entendi isto. Se palmadaresolve-se eu seria uma jia dotanto que eu apanhei quandocriana", brincou Hilton.

    Uma das prioridades foi queos filhos estudassem o mximoque conseguissem. Dos seusesforos resultam as duas facul-dades que as filhas j comple-taram. Os dois filhos tambmingressaram no ensino supe-rior, o mais velho somentecomeou, mas no quis termi-nar, enquanto o outro est aum ano de conseguir o diplo-ma. "Deixei de fazer muitacoisa para que todos eles estu-dassem, e isto uma das coisasque me orgulho. Fiz o possvelpara pagar escola para eles".

    Hilton gosta de lembrar queo sucesso na criao se deve aDeus, e tambm aos seus filhos."Eu tentei ser um bom pai,mesmo sem saber como deve-ria ser feito. Mas os meus filhosforam muito bons tambm, nome deram trabalho nenhum.Hoje moro sozinho aqui nestacasa, mas sempre que eles podemeles vem me visitar, e eu vou casa deles. Trs esto casados,moram em outras cidades, aoutra mais nova mora na Capi-tal, mas todos so homens emulheres de carter, que sabemtrabalhar, se esforar, que apren-deram a viver. Agora estou nomomento de cuidar dos meusnetinhos", lembra Hilton, quetem uma foto da neta mais nova,Thais, na rea de trabalho deseu computador.

    A casa que antes era cheiade gente hoje silenciosa, rece-bendo a visita de amigos, dosfilhos, e dos dois netos, Ant-nio Junior e Tas Lopes Fran-co. Alis, no nascimento daneta, Hilton foi o primeiro apeg-la no colo. "Foi um fatoengraado, fui cuidar da minha

    filha at a Tas nascer. Os meusfilhos eu vi pelo vidro do ber-rio, peguei eles um tempodepois. Desta vez foi diferente,a mdica veio e entregou a Tasno meu colo, quase tive umtreco. Fui o primeiro a peg-lanos braos, minha netinha. Alieu vi que fiz um bom trabalhocomo pai, mesmo com todasas dificuldades, com todos osproblemas. Minha netinha lindaestava nos meus braos", relem-brou emocionado.

    UM PAI APRENDENDO A histria de Wallace Godi

    um pouco diferente da de Hil-ton. Wallace msico, tem 26anos, solteiro e mora no distritode Melo Viana, em CoronelFabriciano. Ele no sofreu nenhu-ma tragdia, nem a me de suafilha. Wallace conhecido porseus amigos como Gugu, e temuma filha de 5 anos, chamadaDvila Mariana. Em 2009, emvirtude do trabalho da me dagarota, que mora em Conta-gem, regio Metropolitana deBelo Horizonte, ele se viu emuma nova situao: cuidar dafilha em tempo integral. Isto iriamudar a sua rotina, a sua formade viver e sua responsabilidade.Ele aceitou o desafio.

    Wallace sempre teve contatocom a filha, mas cuidar dela emtempo integral era uma situaoindita: s ele e ela. Mas, naspalavras dele, foram anos dosquais ele no se arrependerjamais. "Este ano em que vivicom a minha filha aqui, cuidan-do dela em tempo integral, foimuito bom. A presena delaaqui, as mudanas que eu tiveque fazer na minha rotina paraficar com ela, repetiria tudo.Alis, espero que a partir doprximo ano ela j passe a morardefinitivamente aqui comigo, o que eu mais quero", diz Wal-lace, que se prepara para tentara guarda de Dvila.

    A pequena mocinha estavaum pouco tmida durante aentrevista, mas mesmo assimmostrava um lindo sorriso quan-do estava junto de seu pai. Emmeio aos gracejos e algumasoutras brincadeirinhas de pai efilha, disse que gosta de ficarjunto de Gugu. Wallace contaque o relacionamento deles muito bom. "At na questo damsica a gente est se enten-dendo muito bem. Pego o vio-lo e fico cantando para ela.Tanto MPB quanto msicasque ela me ajuda a inventar nahora", conta o pai, orgulhoso.

    READEQUAR O TEMPOO msico afirma que uma das

    maiores dificuldades que teveestava relacionada ao tempo queele tinha disponvel e aos cuida-dos que uma criana necessita."Eu j moro sozinho h um bomtempo, e no tinha muitos pro-blemas. Cuidar de mim mesmo simples, fcil. Mas com a Dvilaaqui a situao muda, ela umacriana, dependente de mim,foi isto que eu tive que aprender,a ser o pai que ela precisa, cen-trar bastante nas necessidadesdela, dos cuidados que a presen-a dela aqui demanda. Adminis-trar o tempo, levar para a escola,dar comida, todas estas coisasque fazem parte da rotina de umacasa. Tinha tambm um outroproblema, relacionado ao meutrabalho. Como msico, me apre-sento na noite, e era necessrioencontrar algum para ficar comela, mas hoje tudo j est organi-zado. Com ela aqui novamente,focarei mais nas aulas durante odia, para poder cuidar mais aindada minha filha", deseja Gugu.

    Segundo ele, no to com-plicado cuidar de uma criana.Exige uma disciplina nova, umarotina diferente, mas possvelsim, e muito prazeroso. "Tenhocerteza de que, em um lar comme e pai, bem mais fcil cui-dar de uma criana. Os dois jun-tos podem ser um suporte maiorpara ela, e como casal, podemajudar ainda mais um ao outro.Mas acho que a dificuldade,tanto para o homem criar umfilho sozinho quanto para amulher a mesma. E cada umsozinho tambm consegue daruma boa educao ao filho. Omais importante de tudo o cari-nho", finalizou o msico.

    VITR INEC U L T U R A & V A R I E D A D E S 1-A

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