ORIXÁS CABOCLOS E ENCANTADOS

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Livreto de histórias resultado do projeto "Laroyê!: a magia dos orixás dos terreiros às escolas" realizado por Lorena Anastácio e Vinícius D Moreira em Santarém, amazonia brasileira no segundo semestre de 2014 com patrocínio da Fundação Palmares/Ministério da Cultura e apoio do Núcleo de Pesquisa e Documentação das Expressões Afro-religiosas no Oeste do Pará e Caribe (NPDAFRO) da UFOPA; da comunidade Afro religiosa de Santarém; da Coordenação de educação etnicorracial da SEMED; da FOQS Federação das Organizações Quilombolas de Santarém e

Transcript of ORIXÁS CABOCLOS E ENCANTADOS

  • ORIXS

    CABOCLOS

    E

    ENCANTADOS

    Livreto de HistriasProjeto Laroy!A magia dos Orixsdos terreiros s escolas

  • O R I X S

    C A B O C L O S

    E

    E N C A N T A D O S

    LivretodeHistrias

    ProjetoLaroy!

    AmagiadosOrixa

    dosterreirossescolas

  • COORDENAO DE EDUCAO ETNICORRACIAL

    COORDENAO DE ESCOLAS QUILOMBOLAS

    SEMED/SANTARM/PAR

    AFRORELIGIOSOS

    SANTARM/PAR

  • C O O R D E N A O D E E D U C A O E T N I C O R R A C I A L

    C O O R D E N A O D E E S C O L A S Q U I L O M B O L A S

    S E M E D / S A N T A R M / P A R

    AFRORELIGIOSOS

    S A N T A R M / P A R

  • ORIXS

    CABOCLOS

    E

    ENCANTADOS

    OrganizadoresVanessa Lorena AnastcioVincius Andr Diniz Moreira

  • CONTATOS

    Vanessa Lorena Anastcio

    (93) 91 350455

    (31 ) 9999-9667

    vlanastacio@gmail .com

    www.trupemalalo.blogspot.com.br

    www.trupemalalo.com

    Vinicius D. Moreira

    (31 ) 9821 -1 61 7

    vinimo@gmail .com

    ORGANIZAO:

    Vanessa Lorena Anastcio

    PRODUO:

    Vincius Andr D. Moreira

    ASSISTENTE DE PRODUO:

    Telma Bemerguy

    EDUCADORES:

    Vanessa Lorena Anastcio

    Vincius Andr D. Moreira

    CAPTURA DE UDIO:

    Israel Palestina

    FOTOGRAFIA:

    Israel Palestina

    Vincius D. Moreira

    Lorena Anstcio

    Telma Bemerguy

    DESENHOS:

    Escola N. S. do Livramento

    Escola So Sebastio

    TRANSCRIO:

    Lorena Anastcio

    Telma Bemerguy

    REVISO DE TEXTO:

    Cristina Borges

    Lorena Anastcio

    DESIGN GRFICO:

    Vincius D. Moreira

    TRANSPORTE:

    Terrestre: UFOPA/Marcelo Santos

    Flvial: Barco Universo

    Urbano: Telma, Lorena Vincius

    COZINHEIRAS:

    Murumurutuba: Rosielce Fernandes,

    Fabola Reis e Rosiane Santos

    Saracura: Escola N. S. do Livramento

    WWW . L A RO Y E . A R T . B R

    ASSOCIAO CECLIA FLIX DOS SANTOS

  • OUTRA HISTRIA DE SAPA...........................54

    CAPTULO 02 : ORIXS

    O PODER DE XANG........................................................34O REI QUE PROIBIU O SACRIFCO HUMANO.....................32

    OXUM EXIGE O PROMETIDO...............................................38

    COMO A SENHORA DAS CABEAS ENLOUQUECEU O MARIDO..........35

    LINGUA DE EX.....................................................26

    O CURADOR Z PINTO............................46

    A SAPONA ....................................... 43

    O INCIO DO UNIVERSO.....................29

    CALA MOLHADA...............................................44

    HISTRIA DA SAPA.................................................53

    O SERINGUEIRO.........................42

    CAPTULO 03: ENCANTADOS

    QUILOMBOS DO BAIXO AMAZONAS..............................58

    NDICELAROY, EXU...................................05

    MINHAS CABOCLAS MARIANA E ERONDINA........................13

    CA P TU LO 0 1 : O DONO DA M INHA CABEA :H I S TR I A S D E V I DA E CABOC LOS

    MINHA CABOCLA MARIANA..........................................15

    MEU CABOCLO Z MINEIRO ................................................23

    MEU CABOCLO TUPINAMB..........................................17

    PREFCIO.....................................................................08

    O HOMEM DA CASTANHEIRA QUEIMADA...............49

    IEMANJ SE TORNA RAINHA DO MAR............................36

    MENINO DE BREU.................................................52

    O CAADOR NO RESPEITA O TABU.........................................39

    A TERCEIRA MULHER DE XANG..................30

    O ER..............................................................20HISTRIA DO CABLOCO TUPINAMB.....................19

    O PODER DA CABOCLA MARIANA E DE OMUL..................12

    FOGO.......................................................50

    AGRADECIMENTOS..........................................................59

    AS OFERENDAS...............................................................25

  • Referncias bibl iogrficas Projeto Laroy! A magia dos Orixs dos Terreiros s Escolas:

    ANASTCIO, Vanessa Lorena; MOREIRA, Vincius Andr Diniz. A palavra do contador de

    histrias na contemporaneidade: oral idades em performance.

    BEATA DE YEMONJ, Me. Caroo de Dend: a sabedoria dos terreiros: como ialorixs

    e babalorixs passam conhecimentos a seus fi lhos. 2 ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2008.

    CARAM, Cecl ia, Andrs; MATOS, Gislayne Avelar. O conto na escola: consideraes

    sobre a arte de contar.

    MARTINS, Adilson. Lendas de Exu. Rio de Janeiro: Pallas, 2008. p. 1 1 a 1 6.

    MATOS, Gislayne Avelar. A palavra do contador de histrias. SP: Martins Fontes, 2005.

    MATOS, Gislayne Avelar. A preparao do conto e do contador.

    MATOS, Gislayne Avelar. Manfei Obin. Trad. Gislayne Avelar Matos. Atel ier Aprendendo

    a Contar Contos. Belo Horizonte: Projeto Convivendo com Arte, 1 996. p. 1 0-1 5.

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    histrias da mitologia afro-brasileira. So Paulo: CosacNaify, 2001 .

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    PRANDI, R. Os prncipes do destino: histrias da mitologia afro-brasileira. SP:

    CosacNaify, 2001 .

    PRANDI, Reginaldo. Oxumar, o Arco ris: mais histrias dos deuses africanos que

    vieram para o Brasil com os escravos. So Paulo: Companhia das Letrinhas, 2004.

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    POINT, Anna Soler-Pont. O prncipe medroso e outros contos africanos. Trad. Luiz Reyes

    Gil . So Paulo: Companhia das Letras, 2009.

    VERGER, Pierre Fatumbi. Lendas africanas dos orixs. Trad. Maria Aparecida da

    Nbrega. 4 ed. Salvador: Editora Corrupio, 1 997.

    VERGER, Pierre Fatumbi. Orixs: deuses Iorubs na frica e no Novo Mundo. Trad.

    Maria Aparecida da Nbrega. Editora Corrupio/Crculo do Livro: So Paulo, 1 981 .

    VERGER, Pierre Fatumbi. Notas sobre o culto aos orixs e voduns: na Bahia de todos os

    santos, no Brasil e na antiga costa dos escravos, na frica. Trad. Carlos Eugnio

    Marcondes de Moura. So Paulo: Editora Corrupio/Crculo do Livro, 1 981 .

  • Olha quem vem l no porto,

    de Capa e Cartola e p no cho.

    Ser seu Capa Preta, ser, ser,

    Ser seu Marab, ser, ser,

    Ser Exu do Lodo, ser, ser

    Antes de tudo peo licena aos meus mais velhos para colocar a minha voz

    nessa roda de contao de histrias. A oralidade o grande princpio

    mantenedor das religies e fi losofias de matriz Africana e Afro-brasileira. Mas o

    que contam e recontam essas vozes? Quais so as suas tramas, as suas

    texturas, o seu ritmo, os seus segredos?

    As famosas histrias e lendas envolvendo os Exus, os Caboclos,

    Encantados e os Orixs esto repletas de ensinamentos sobre como podemos

    enfrentar os infortnios e as adversidades da vida. Elas tambm nos mostram a

    beleza de viver plenamente as nossas paixes mais arrebatadoras e os nossos

    amores mais serenos. Se eu pudesse resumir diria que so histrias que nos

    ensinam a ser altivos e fortes tanto nos tempos de paz como nos tempos de

    guerra.

    Mas, quem canta e conta essas histrias? Para essa tarefa l itrgica h um

    grupo de sacerdotes e iniciados que chamamos afetuosamente de os nossos

    mais velhos. Falamos dessa maneira quando nos referimos quelas pessoas

    cuja funo nos ensinar os melhores caminhos para colocarmos os nossos

    ps na longa estrada da vida. Nas religies afro-brasileiras os mais velhos, ou

    seja, aqueles que atingiram um certo nvel de conhecimentos cerimoniais e

    rituais so profundamente respeitados por toda a comunidade. Sendo assim,

    em que ocasio especial podemos aprender com os nossos mais velhos? A

    resposta vem sem rodeios: a cada instante em que nos colocamos em contato

    com eles. Por exemplo, quando estamos num espao sagrado de uma Casa ou

    de um Terreiro tudo o que se v, o que se ouve, o que se toca, o que se sente

    no corpo aprendizado. E essa uma relao to profunda que chegamos

    mesmo a aprender quando os nossos ps descalos tocam o cho, porque

    dessa forma estamos entrando em contato direto com os nossos antepassados,

    com a nossa histria, com a nossa memria coletiva que tem nome, chama-se

    frica.

    As Divindades e Entidades tambm nos contam e cantam? Sim, eles nos

    falam em diferentes momentos e a partir de diversos lugares. Eu gosto de

    pensar na rica experincia de participar das festas em homenagem aos

    Caboclos ou aos Orixs. Essas celebraes costumam ser abertas ao pblico e

    LAROY, EXU.

    5

  • fazem parte do calendrio rel igioso de todas as Casas e Terreiros de Santarm.

    Nessas ocasies podemos sentir como se o espao e o tempo se dilussem at

    desaparecerem por completo como num sonho. Esse efeito mgico produzido

    dentro da gente naquele exato momento em que a Cabocla Mariana gira a sua

    saia rodada e exala o seu perfume pelo Barraco. Da mesma maneira, esse

    encantamento pode nos atingir quando os nossos ouvidos percebem a fora

    meldica do Adarr