O Trovadorismo

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TROVADORISMO

C.E. PROF MARIA LUIZAAnexo povoado CassimiroProf. Jos Arnaldo da SilvaTelefones: (98)3664-2231 ou (98) 99157-2274e-mails: jarnaldosilva@professor.ma.gov.brjarnaldosilva@yahoo.com.brO Trovadorismo

Dom Afonso Sanches

Dizia la fremosinha: "ai, Deus, val! Com'estou d'amor ferida! ai, Deus, val!"

Dizia la bem talhada "ai, Deus, val! Com'estou d'amor coitada! ai, Deus, val!

Com'estou d'amor ferida! ai, Deus, val! Nom vem o que bem queria! ai, Deus, val!

Com'estou d'amor coitada! ai, Deus, val! Nom vem o que muit'amava! ai, Deus, val!

MOMENTO HISTRICO DO TROVADORISMOO Trovadorismo foi a primeira escola literria da lngua portuguesa, sendo a principal forma de expresso da poesia medieval do sculo XI at o sculo XIV. Porm, tambm se manifestou na msica. Essa escola surgiu no sul da Frana, na regio da Provena. Desta forma, muitos tambm a chamam de poesia provenal. Neste perodo, a Europa passava por vrias invases dos povos germnicos, o que estava gerando muitas guerras. Assim, surgiu o sistema econmico que foi chamado de feudalismo. No feudalismo apenas o senhor feudal era quem governava, pois possua poderes totais sobre seus servos e vassalos. O senhor cedia terras a um vassalo que era quem cultivaria a terra e depois repassaria parte da produo ao senhor feudal. Os vassalos concordavam com isso, pois precisavam de proteo caso fossem atacados ou invadidos.

Alm disso, nesta poca a sociedade era dividida em trs estamentos: a nobreza, o clero e a plebe, e, segundo a Igreja, cada um deles deveria cumprir um papel ordenado por Deus.Os nobres (bellatores) deveriam lutar, o clero (oratores) deveria orar e a plebe (laboratores) deveria trabalhar. A figura de Deus domina toda a cultura da poca - Teocentrismo: Deus como o centro do universo e a justificativa de tudo, portanto a religiosidade foi um aspecto marcante da cultura medieval. A vida do povo estava voltada para os valores espirituais e a salvao da alma. Neste perodo eram frequentes as procisses e as Cruzadas, que eram expedies realizadas para libertar os lugares santos na Palestina. Perodo do Trovadorismo: sculo XII a XIV, que teve incio com a Cantiga da Ribeirinha, que tambm pode ser chamada de Cantiga da Garvaia, escrita por Paio Soares de Taveirs em 1189 (ou 1198?). Trmino: 1385 com a nomeao de Ferno Lopes como guarda-mor da Torre do Tombo.

Ribeirinha

No mundo non me sei pareiha,Mentre me for como me vai,Ca j moiro por vs e ai!Mia senhor branca e vermelha,Queredes que vos retraiaQuando vos eu vi em saia!Mau dia me levantei,Que vos enton non vi fea!E, mia senhor, ds aquel di, ai!Me foi a mim mui mal,E vs, filha de don PaaiMoniz, e bem vos semelhaDhaver eu por vs guarvaia,Pois, eu, mia senhor, dalfaiaNunca de vs houve nen heiValia dua Correa.

Paio Soares de TaveirsRibeirinha

No mundo no conheo quem se compareA mim enquanto eu viver como vivo,Pois eu moro por vs ai!Plida senhora de face rosada,Quereis que eu vos retrateQuando eu vos vi sem manto!Infeliz o dia em que acordei,Que ento eu vos vi linda!E, minha senhora, desde aquele dia, ai!As coisas ficaram mal para mim,E vs, filha de Dom PaioMoniz, tendes a impresso deQue eu possuo roupa luxuosa para vs,Pois, eu, minha senhora, de presenteNunca tive de vs nem tereiO mimo de uma correia.

Primeira fase da histria de portugal Sculo XII a XIV1095 O rei Afonso VI, de Leo e Castela, concede o condado Portucalense a seu genro Henrique de Borgonha.

1139 Declarao de independncia do Condado Portucalense por Afonso Henriques.

1143 Reconhecimento da independncia do reino de Portugal.

1189 (ou 1198) "Cantiga da Ribeirinha", de Paio Soares de Taveirs.

1261 Nascimento de D. Dinis, o mais fecundo trovador portugus.

1290 Determinao real do uso do portugus em documentos oficiais

1308 Instalao da Universidade em Coimbra (antes sediada em Lisboa).

1325 Morte de D. Dinis.

1383 Morte do ltimo rei da dinastia de Borgonha, D. Fernando, cuja filha nica era casada com o rei de Castela. Ascenso de D. Joo I, o Mestre de Avis, ao trono portugus.

1415 Tomada de Ceuta, na frica.

1418 Nomeao de Ferno Lopes como guarda-mor da Torre do Tombo.

A poesia no perodo trovadorescoA o ler um texto potico desse perodo, no se deve ter em mente a tradio moderna e o que hoje entendendo por poesia. A poesia no era escrita para ser lida por um leitor solitrio. Era poesia cantada (por isso o nome de cantiga), geralmente acompanhada por um coro e por instrumentos musicais. Seu pblico no era, portanto, constitudo de leitores, mas de ouvintes.Assim, deve-se sempre considerar as cantigas do perodo trovadoresco como poesia intimamente ligada msica, prpria para apresentaes coletivas.

Os autoresOs autores das cantigas so chamados de trovadores. Eram pessoas cultas, quase sempre nobres, contando-se entre eles alguns reis como D. Sancho I, D. Afonso X, de Castela, e D. Dinis. Nos cancioneiros conhecidos esto reunidas aproximadamente 1680 cantigas de 153 trovadores.Os interpretesAs cantigas compostas pelos trovadores eram musicadas e interpretadas pelos jograis, pelos segris e pelo menestris, artistas agregados s cortes ou que perambulavam pelas cidades e feiras. Muitas vezes o jogral tambm compunha cantigas.

Os cancioneiros

S muito tempo depois (a partir do final do sculo XIII) que as cantigas foram copiadas e colecionadas em manuscritos chamados cancioneiros. A maioria delas se encontra em trs coletneas:

Cancioneiro da Ajuda: assim chamado por ter sido encontrado na Biblioteca do Palcio da Ajuda, em Lisboa. o mais antigo dos cancioneiros conhecidos, sendo contemporneo dos trovadores. Contm 310 cantigas de amor.

Cancioneiro da Vaticana: seu nome deve-se ao fato de ter sido encontrado na Biblioteca do Vaticano. cpia de um manuscrito anterior e contm 1205 cantigas.

Cancioneiro da Biblioteca Nacional: atualmente se encontra na Biblioteca Nacional de Lisboa. uma cpia italiana de manuscritos anteriores e pertenceu a um humanista italiano, ngelo Colocci, integrando mais tarde a biblioteca do conde Brancuti por isso foi por muito tempo conhecido como Cancioneiro de Colocci Brancuti. Contm 1567 cantigas.

Os gneros ou classificao das cantigasSNTESE DAS CARACTERSTICAS DAS CANTIGAS

Lngua galego-portugus Tradio oral e coletiva Poesia cantada e acompanhada por instrumentos musicais colecionada em cancioneiros Autores: trovadores Intrpretes: jograis, segris e menestris.

Gnero Lrico:

Cantiga de amigoCantiga de amorGnero satrico:

Cantiga de escrnioCantiga de Maldizer

Cantiga de amigo e suas caractersticasOndas do mar de Vigo, se vistes meu amigo? E ai Deus, se verra cedo!

Ondas do mar levado, se vistes meu amado? E ai Deus, se verra cedo!Se vistes meu amigo, o por que eu sospiro? E ai Deus, se verra cedo!Se vistes meu amado, por que ei gran coitado? E ai Deus, se verra cedo!

Martim CodaxAs Cantigas de Amigo tm suas origens na prpria Pennsula Ibrica, surgindo do sentimento popular. Cronologicamente, so as mais antigas.

Autoria masculina;

Sentimento feminino (voz lrica);

Origem: galego-portugus;

Ambiente rural (popular);

A mulher sofre pelo amigo (namorado, amante) ausente;

A mulher um ser mais real e concreto;

Paralelismo repetio do ultimo verso da estrofe anterior.

Cantiga de amor e suas caractersticasQuer'eu em maneira de proenalfazer agora un cantar d'amor,e querrei muit'i loar mia senhora que prez nen fremusura non fal,nen bondade; e mais vos direi en:tanto a fez Deus comprida de benque mais que todas las do mundo val.Ca mia senhor quiso Deus fazer tal,quando a faz, que a fez sabedorde todo ben e de mui gran valor,e con todo est' mui comunalali u deve; er deu-lhi bon sen,e des i non lhi fez pouco de ben,quando non quis que lh'outra foss'igual.Ca en mia senhor nunca Deus ps mal,mais ps i prez e beldad'e loore falar mui ben, e riir melhorque outra molher; des i lealmuit', e por esto non sei oj'eu quenpossa compridamente no seu benfalar, ca non , tra-lo seu ben, al. Dom DinisAs Cantigas de Amor tm origem provenal - regio do sul da Frana, no perodo entre os sculos XI e XIII, quando desenvolve-se a arte dos trovadores e o "amor corts", que tanto influenciou as cantigas de amor em Portugal.

Autoria masculina;

Sentimento masculino (voz lrica);

Origem: provenal;

Ambiente palaciano (aristocrtico);

O homem presta vassalagem amorosa (a coita);

A mulher um ser idealizado, superior.

Cantiga de escrnio e suas caractersticasAi, dona fea! Foste-vos queixarque vos nunca louv'en meu trobar;mas ora quero fazer um cantaren que vos loarei toda via;e vedes como vos quero loar:dona fea, velha e sandia!

Ai, dona fea! Se Deus me pardon!pois avedes [a] tan gran coraonque vos eu loe, en esta razonvos quero j loar toda via;e vedes qual ser a loaon:dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loeien meu trobar, pero muito trobei;mais ora j un bon cantar farei,en que vos loarei toda via;e direi-vos como vos loarei:dona fea, velha e sandia!

Joo Garcia de GuilhadeOs trovadores no s expressam seu lirismo amoroso como tambm se preocupam em ridicularizar os costumes da poca, outros trovadores e at as mulheres.

Stiras indiretas;

Crticas de forma indireta e velada, atravs de trocadilhos, da ambiguidade;

Expresses irnicas (sem revelar o nome da pessoa satirizada).

CANTIGA DE MALDIZER E SUAS CARACTERSTICASMaria Prez se maenfestounoutro dia, ca por [mui] pecadorse sentiu, e log'a Nostro Senhorpormeteu, polo mal em que andou,que tevess'um clrig'a seu poder,polos pecados que lhi faz fazero