Norbert Elias - Teoria Simbólica

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  • 7/27/2019 Norbert Elias - Teoria Simblica

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    Este ltim o livro de Norbert E lias exprime, de forma exemplar,as virtualidades da sntese de conhecimentos com origemnas cincias naturais e sociais, por um lado, e nas diferen tescincias sociais, por outro.Em a T e o r i a Simbl ica s o tratados trs problemas fundamentais.Em primeiro lugar, o conceito de smbolo equacionadona s suas relaes com a linguagem, o conhecimento e

    o pensamento, articulando, nomeadamente, perspectivas da " sociologia, da semiologia e d a antropologia cultural. Emsegund o lugar, e tendo por base uma incorporao decontributos da biologia na teoria social, traada a linha de.continuidade entre a evoluo biolgica, conducente constituio do aparelho vocal human o, e o desenvolvimentohistrico dos smbolos en quanto padres tangveisda comunicao human a. Finalmente, o estatuto ontolgicodo conhecimento reexaminado por forma a permitira superao de dualismos filo*sficos tradicionais, como os que: .opem sujeito'e objecto ou idealismo e materialismo.

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    Norbert Elias

    T E O R I A S I M B L I C ANorbert Elias (1897-1990) uma das principais f igurasda sociologia e das cincias sociais em geral. A sua obra'. 'combina, de forma admirvel, o tratamento de dadosempricos sobre os pormenores da vida social, a sntesehistrica de longa durao e a discusso terica geral,Uravessando as fronteiras disciplinares clssicas. Entre os seuslivros mais importantes destacam-se O Processo Civi l izacional Introduo Sociologia.

    s;tu ..; r( 0 1 9 ) 2 3 * 2 0 0 0EncomemUt . EntreviCELTA EDITORA

    OEIRAS / 1994

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    V D E - IFCH

    H X ,TTULO ORIGINALTHE SYMBOLTHEORY

    O 1989,N O K U i m T l i L I A S 1991, NORBERT ELIAS STICHTING...JDAIN1|RODUO DO ORGANIZADOR, 1991, RICHARD KILMINSTERN O R B E R T E L I A STEORIA DO SMBOLO

    PRIMEIRA EDIO PORTUGUESA1994

    TRADUO DO INGLS PORPAULO VALVERDEISBN972-8027-18-4

    ISBN DA EDIO ORIGINAL0-8039-8417-7 SAGE PUBLICATION LTD, LONDRESDEPSrrO LE G A L65908/94

    COMPOSIOCELTA EDITORACAPAC E L T A EDITORA

    FOTOLITOS, IMP R E SS O E A C A B A ME NTOST I PO G R A FI A LOUSANENSELOUSA

    RESERVADOS TODOS OS DIREITOS PARA PORTUGAL,DE ACORDO COM A LEGISLAO EMVIGOR, PORCELTA EDITORA LDAAPARTADO 151,2780 OEIRAS

    Na composio deste livro foram utilizados um micro computador SCHNEIDER e umaimpressora NEC, distribudos em Portugal por IFS.

    NDICE

    I N T R O D U O D O O R G A N I Z A D O R [ R IC H A R D K IL M I N S T ER ] v iiI N T R O D U O 3S E C O I 1 9S E C O I I 3 7S E C O I I I 5 1S E C O IV 57S E C O V 6 7S E C O VI 85S E C O VII 111S E C O VIII . 1 2 5S E C O I X .< 1 3 1N O T A 149

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    INTRODUO DO ORGANIZADOR1RICHARD KTLMINSTER

    U n pro t t m con ven ab l em en t pose est b ien prs d'tre rso lu .(Andr Marie Ampere, citado in Bravo 1979:204)

    A T e o r i a Simbl i ca foi o ltimo trabalho extenso preparado para publicao,em vida, por Norbert Elias, falecido em l de Agosto de 1990, emAmster-do, com 93 anos de idade. Este livro reproduz num texto nico, embora se malteraes, o seu estudo desenvolvido, "The Symbol Theory: An Introduction",publicado, originalmente em trs partes, em nmeros sucessivos de Theory ,Cu l t u r e an d Society no ano de 1989. quadro de Paul Klee, que figura na capa,2foi escolhido por Elias, pouco antes da sua morte, para a nov a verso em livro.Infelizmente, nosdias queprecederam a sua morte, eleestava ainda a elaborarum a nova Introduo. D e acordo com os editores e a N orbert Elias Foundation,foi decidido qu e este documento pungente fosse publicado na sua formainacabada. No incio do texto, foi, assim, includo este documento qu e deveriaconstituir a introduo da verso final. A certa altura, h uma quebra e Eliasassume o seu estilo peculiarmente expansivo, comeando a discutir um dosseus temas favoritos: a necessidade d e estudar as sociedades hum anas numaescala tempo ral mu ito longa. difcil adivinhar o caminho qu e poderia te r sidoseguido pelo resto do argumento.O texto principal passou por vrias fases antes de chegar forma actual. T alcomo todos os outros textos de Elias, nos ltimos anos da sua vida, tambmeste foiditado a um colaborador. Foi finalizado, segundo este processo, numaverso preliminar, no Vero de 1988. O manus crito extenso, m uito repetitivo, eainda no dividido em seces, era uma corrente contnua de temas interrela-cionados. Elaborei um texto mais estruturado e, por isso, mais acessvel co mvista sua publicao na revista, inserindo pargrafos, eliminando repetiesdesnecessrias e ordenando a sequncia das seces nu meradas que ele come-ou mas no concluiu.1 Agradeo a Stephen Barr, Rudolf K n i j f f , Terry Wassall e Cs Wouten pelo seu auxlio napreparao desta Introduo.2 N. do T.: O autor refere-se edio original inglesa que apresenta o quadro de Paul Klee, Buch-stabenbild 1924 .

    vu

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    viu T E ORI A S I M B L I C AAo organizar a edio original, segui de perto um a sequncia de temas e deargumentao que j estava presente no material. Apesar da repetio, omanuscri to parecia integrar-se, de forma natural , nu m padro, que, felizmente,vim a poder discutir co m Elias. Uma vez que ele no podia reler as pginas medida que as ia compondo e revendo, devido aos seus problemas de viso,

    Elias foi obrigado a desenvolver todo o trabalho na sua prpria mente. Foi,portanto, notvel descobrir o carcter sistemtico e estrutu rado de um m anus-crito que parecia, na aparncia, se r imperfeito. Todos os meus rearranjos eexcluses foram feitos com o seu consentimento, tendo ele reescrito algumasseces mais curtas. Por sua insistncia, no entanto, foram mantidas algumaspassagens repetitivas que os leitores podem considerar entediantes no texton o remodelado. M as, como sublinho adiante, h uma linha de fronteira muitofluida entre estas passagens e o que podemos designar como as repetiesbenignas de Elias,que so uma caracterstica geral do seu estilo que lhe permiteregressar.diversas vezes s mesm as questes, retrabalhando-as em cada ocasiosegundo perspectivas diferentes.A Teoria Simbl i ca um exemplo clssico da aeuvre3 final de Elias, mas osleitores pouco familiarizados com o seu trabalho e que o lem pela primeiravez, podem considerar estran has a sua forma de apresentao e a sua termino-logia em comparao com os produtos acadmicos profissionais mais habi-tuais. Por isso, podero ser, em geral, teis algumas linhas de orientao paraa leitura destes escritos altamente originais.Dura nte a m aior parte da sua carreira, por razes que m uitas vezes escapa-vam ao seu controlo, Elias situou-se na perife ria das instituies d a sociologiae, deste modo, num a posio de distanciamento. Por isso, foi objecto de poucaspresses do mund o institucionalizado das cincias sociais acadmicas.4 Assim,o que o leitor no e ncontrar em qualquer dos livros ou dos artigos de Elias e, a este respeito, a Teoria Simbl i ca um exemplo tpico o comeo conven-

    cional com uma discusso da literatura ou dos debates contemporneos acercado problema ou do tpico abordados, neste caso os smbolos. Elias no traba-lhava segundo este modelo. Ele preferia enfrentar, de imediato, o problema ouo objecto da sua investigao (por exemplo, as instituies cientficas, Mozart ,o tempo, a violncia, Freud, o envelhecimento e a morte, o trabalho, a psicos-somtica, para citar apenas alguns do s outros temas que ele investigou em anosrecentes) que iria explorar sua maneira . Os esforos dos outros que trabalha-3 N. do T.: Em francs no original. Para evitar a repetio de notas deste tipo, o leitor devesubentender que todas as palavras ou expresses de lnguas estrangeiras, presentes nestatraduo, reproduzem o texto original.4 Para relatos da vida de Elias, a histria da publicao de T h e Civ i l i z ing Process , o reconhecimentotardio do seu trabalho nos pases europeus durante os anos 70 e 80 e a extensa investigao narea da sociologia conf iguracional na Holanda, ver Goudsblom 1977; Lepenies 1978; Korte 1988;Mennell 1989: cap. 1; e Kranendonk 1990.

    INTRODUO DO ORGANIZADOR IXva m estes temas segundo orientaes diferentes e no interior de tradiessociolgicas difere ntes tinham, pa ra ele, um interesse secundrio. E le reservavaao leitor a tarefa de verificar a compatibil idade com o seu prprio paradigmade conceitos e de concluses desenvolvidos em outros locais.Assim, um artigo longo e divagante de Elias contm, tipicamente, rarasreferncias a outros autores; de facto, com frequncia, haver apenas uma,talvez mesm o de um livro obscuro publicado h muitos anos. A Teoria Simbl i cano excepo, contendo s uma referncia a um livro de Julian Huxley de 1941sobre a quest o da singularidade evolutiva do homem. Se lamentvamos a Eliaso facto de ele no ter abordado a literatura contempornea, ou se sugeramosqu e estava antiquado, el e respondia qu e t nhamos um fetiche pelo novo: qu eum livro, embora antigo, pode constituir ainda a melhor abordagem de umproblema. E, de forma recproca, os livros novo s n o representam, necessaria-mente, um avano s pelo facto de serem novos. Era o valor intrnseco de umlivro que era importante, no a circunstncia de estar, no momento, I a m o d e . sEle era insensvel s modas intelectuais, trabalhando numa escala temporalcientfica, com uma am plitude de viso e com um nvel de distanciamen to ques podem ser descritos como olmpicos.Elias tinha uma curiosidade insacivel e rejubilante sobre o mund o. Descre-via, muitas vezes, a vocao do socilogo como uma "viagem de descoberta"ao reino quase desconhecido da sociedade. Elemesmo navegava sempre como auxlio das suas prprias teorias e com a sua linguagem da sociologiaconfiguracional ou sociologia "processual", uma designao que ele comeou autilizar no fim da sua vida. Para Elias, o seu paradigma er