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Simone Ribeiro Sarges

Melhoria da qualidade produtiva naIntroduo de Novos Produtos Industriais

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Julho de 2013UMin

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Universidade do MinhoEscola de Engenharia

Julho de 2013

Tese de MestradoEngenharia Industrial

Trabalho efetuado sob a orientao doProfessor Doutor Srgio Dinis Sousa

Simone Ribeiro Sarges

Melhoria da qualidade produtiva naIntroduo de Novos Produtos Industriais

Universidade do MinhoEscola de Engenharia

iii

Ou voc tem uma estratgia prpria,

ou parte da estratgia de algum

Alvin Toffler

iv

Agradecimentos Deus por permitir a concluso deste mestrado.

A Lucilene Sarges, minha me e meu tudo.

Ao meu pai Domingos Sarges que, se estivesse aqui connosco, estaria sorrindo, com brilho nos olhos.

Ao Renato Ipiranga e Maria Lusa Sarges Ipiranga, por serem minha vida.

Ao Professor Dr. Srgio Dinis Teixeira de Sousa por tudo: incio, meio e continuidade desta vitria.

Ao senhor Jos Francisco Rodrigues de Albuquerque Costa Jnior por permitir a realizao do trabalho em sua empresa InoxManaus - Industria de Artefatos de Ao Ltda.

Aos amigos: Accio Costa, Aridina Martins Torres, Gelson Monteiro, Raimundo Srgio Marinho Monteiro, William Souza.

Aos familiares e amigos, de uma forma geral, que direta ou indiretamente contriburam para que eu atingisse mais esta fase dos meus estudos.

A todos, meus sinceros agradecimentos.

v

Resumo

A busca pela melhoria contnua uma caracterstica latente nas empresas. Atravs desta busca,

espera-se o desenvolvimento positivo da empresa em vrios aspetos, como por exemplo a reduo dos

custos atravs de programas de melhoria da qualidade, a melhoria da imagem da empresa face aos seus

clientes e fornecedores, e a melhoria da credibilidade da marca, entre outros.

As tcnicas de implementao do processo de melhoria contnua variam de empresa para

empresa sendo que cada uma estabelece na sua estrutura as metodologias e linhas de ao a seguir. A

melhoria contnua pode, tambm, abranger o processo de introduo de novos produtos. Neste trabalho

o processo de introduo de novos produtos inclui as atividades de planeamento da produo e da

qualidade, posteriores ao desenvolvimento do produto. Associado a este processo, estudada a

capacidade dos processos da empresa e as ferramentas da qualidade que podem tornar a introduo de

novos produtos mais eficaz e eficiente. So analisados tambm os indicadores de desempenho deste

processo numa empresa.

proposto um mtodo para aumentar a eficcia e eficincia do processo de introduo de novos

produtos. O mtodo centrado nas pessoas e equipas para que, da interatividade entre elas, dos seus

conhecimentos, habilidades e atitudes, resulte um processo com melhor qualidade, e para que os

colaboradores envolvidos tenham um nvel de satisfao elevado.

O mtodo foi implementado e testado numa empresa industrial. Constatou-se que os resultados

obtidos dependem da participao e dedicao de todos os envolvidos direta ou indiretamente no

processo de introduo de novos produtos. Mostrar que todos so responsveis pelo processo de

melhoria na empresa permitiu tambm implementar aes de melhoria no processo de produo j em

fase estabilizada de produo dos produtos.

A aplicao de ferramentas e tcnicas da qualidade, a delegao de responsabilidades, a nfase

na necessidade de mudana do processo produtivo e principalmente a oportunidade dos operadores de

produo serem ouvidos nesta fase crucial gerou nos participantes interesse em fazer parte da mudana.

O resultado final do trabalho evidenciou uma reduo de falhas associadas ao processo de introduo de

novos produtos.

PALAVRAS-CHAVE: Melhoria contnua, Processos produtivos, Ferramentas da qualidade, Trabalhos em

equipas, Novos produtos.

vi

Abstract

The search for continuous improvement is a latent characteristic in companies. Through this

search, a positive development of the company is expected in various aspects, such as the reduction of

costs through quality improvement programs, the improvement the company image in relation to

customers and suppliers, and the improvement of brand reputation for its focus on continuous

improvement, among others.

The technical implementations of the continuous improvement process vary from company to

company each of which establishes in its structure methodologies and lines of action to follow. Continuous

improvement can also affect the process of introducing new products. In this work the process of "new

product introduction" includes the activities of production planning and quality planning, subsequent to

product development. Associated with this process, business processes capacity and quality tools that can

make the introduction of new products more effective and efficient are studied. The performance

indicators of this process are also addressed in this study.

A method to increase the effectiveness and efficiency of the process of introducing new products

is proposed. The method is centered on people and teams so that, their interaction, their knowledge, skills

and attitudes result originate a process with better quality, and that the company participants in this

process have a high level of satisfaction.

The proposed method has been implemented and tested in an industrial company. The results

depend on the participation and dedication of all involved directly or indirectly in the process of new

products introduction. By showing that all employees are responsible for the improvement in the company

allowed improvement actions in the process of production of the products already in normal production.

The application of quality tools and techniques, the delegation of responsibilities, the emphasis

on the need to change the production process and, mainly, the opportunity of production operators to be

heard about this crucial process of the company, generated in participants interest in being part of the

change. The end results of the work showed a reduction of faults in the process of introducing new

products.

KEYWORDS: Continuous improvement, production processes, quality tools, teamwork, New Products.

vii

ndice

Agradecimentos ......................................................................................................................................................... iv

Resumo ......................................................................................................................................................................... v

Abstract ....................................................................................................................................................................... vi

ndice .......................................................................................................................................................................... vii

ndice de figuras ........................................................................................................................................................ ix

ndice de tabelas ......................................................................................................................................................... x

Lista de siglas e smbolos ........................................................................................................................................ xi

1. INTRODUO ......................................................................................................................................................... 1

1.1 Objetivo ............................................................................................................................................................ 2

1.2 A empresa ....................................................................................................................................................... 3

1.3 Metodologia de pesquisa abordada ............................................................................................................. 5

1.4 Estrutura da dissertao ................................................................................................................................ 5

2. Reviso Bibliogrfica ............................................................................................................................................. 7

2.1 Contextualizao ............................................................................................................................................. 7

2.1.1 Custos da qualidade ........................................................................................................................... 8

2.1.2 Custos da qualidade e melhoria de processos ............................................................................ 11

2.1.3 Eficincia e gesto de processos na introduo de novos produtos ......................................... 11

2.2 Contextualizao do processo produtivo ................................................................................................... 12

2.2.1 Processos Produtivos ....................................................................................................................... 13

2.2.2 Identificao de potenciais deficincias do processo produtivo ................................................ 14

2.2.3 Capacidade de processo ................................................................................................................. 15

2.2.4 Indicadores de desempenho do processo produtivo ................................................................... 15

2.3 Os requisitos (tcnicos) do produto/ componentes ................................................................................ 16

2.4 As tcnicas que iro assegurar o cumprimento dos requisitos do processo....................................... 20

2.4.1 Ferramentas da qualidade .............................................................................................................. 20

2.4.2 Matriz GxUxT ..................................................................................................................................... 24

2.4.3 Metodologia de Anlise do Modo e Efeito da Falha ..................................................................... 25

2.4.4 Desdobramento da Funo Qualidade .......................................................................................... 26

2.4.5 Gesto de competncias tcnicas .................................................................................................. 28

2.5 Controlo dos processos ............................................................................................................................... 30

2.5.1 - Controlo e monitorizao da qualidade .......................................................................................... 30

2.5.2 Limites de restrio de produo ................................................................................................... 31

2.5.3 Medio e anlise de processos produtivos ................................................................................. 32

3. Metodologia de ao no processo de produo na introduo de novos produtos ................................... 34

viii

3.1 Identificao de variveis crticas da qualidade e respetivos processos .............................................. 34

3.2 Identificao de aes de melhoria no processo produtivo de novos produtos .................................. 36

3.3 Ferramentas da qualidade no processo de introduo de novos produtos ......................................... 37

4. Implementao da metodologia pesquisa-ao .............................................................................................. 40

4.1 Descrio da Empresa ................................................................................................................................. 40

4.2 Aplicao da metodologia proposta ........................................................................................................... 45

4.2.1 Caracterizao do processo produtivo .......................................................................................... 45

4.2.2 Identificao das causas de variao no desempenho dos processos .................................... 48

4.2.3 Avaliao do impacto das falhas na introduo de novos produtos ......................................... 52

4.2.4 Levantamento de informaes do processo produtivo ............................................................... 54

4.2.5 Estudo das aes no processo de introduo de novos produtos ............................................ 60

4.2.6 Identificao e implementao de aes de melhoria dos processos produtivos .................. 61

4.3 Anlise do resultado da implementao ................................................................................................... 62

5 Concluses ............................................................................................................................................................ 69

5.1 Resultados positivos na implementao de melhoria no processo de introduo de novos produtos ............................................................................................................................................................................... 70

5.2 Dificuldades encontradas na implementao de melhoria no processo de introduo de novos produtos ................................................................................................................................................................ 70

5.3 Oportunidade de melhoria para trabalhos futuros no processo de introduo de novos produtos . 71

Referncias bibliogrficas ........................................................................................................................................ 73

ix

ndice de figuras

FIGURA 1: MATERIAL EM AO PARA CONFECO DE COIFAS ....................................................................................... 4 FIGURA 2: MODELO DE CUSTOS DA QUALIDADE ....................................................................................................... 9 FIGURA 3: AUMENTO DAS ATIVIDADES DE CONSCIENCIALIZAO E MELHORAMENTO DA QUALIDADE ................................ 10 FIGURA 4: ESQUEMA BSICO DO PROCESSO PRODUTIVO ......................................................................................... 13 FIGURA 5: NECESSIDADES QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS DO PRODUTO ................................................................... 17 FIGURA 6: GRFICO DE CONTROLO ..................................................................................................................... 21 FIGURA 7: MODELO SIMPLES DE FLUXOGRAMA ..................................................................................................... 22 FIGURA 8: PLANO DE AO 5W1H..................................................................................................................... 23 FIGURA 9: CICLO PDCA ................................................................................................................................... 24 FIGURA 10: MATRIZ GXUXT ............................................................................................................................. 25 FIGURA 11: FLUXOGRAMA DE FMEA .................................................................................................................. 26 FIGURA 12: MODELO BSICO DO QFD ................................................................................................................ 28 FIGURA 13: MODELO DE MATRIZ DE RESPONSABILIDADE ........................................................................................ 29 FIGURA 14: EXEMPLO DE MONITORAMENTO E INSPEO DE PEAS ........................................................................... 31 FIGURA 15: PRINCIPAIS RESTRIES ENCONTRADAS PELA EMPRESA ........................................................................... 32 FIGURA 16: COIFA, BANCADA, GAVETES E MESAS EM AO INOX .............................................................................. 40 FIGURA 17: ORGANOGRAMA DA EMPRESA INOXMANAUS ....................................................................................... 42 FIGURA 18: FLUXOGRAMA DO PROCESSO PRODUTIVO ............................................................................................ 43 FIGURA 19: AMBIENTE INSALUBRE PARA ATIVIDADES PRODUTIVAS ............................................................................ 46 FIGURA 20: ESPAO FSICO LIMITADO.................................................................................................................. 47 FIGURA 21: LIMITAO DE INSTRUMENTOS DE TRABALHOS ...................................................................................... 47 FIGURA 22: MATRIZ DE RESPONSABILIDADE POR DEPARTAMENTO ............................................................................. 50 FIGURA 23: LEVANTAMENTO DE ATIVIDADES ........................................................................................................ 51 FIGURA 24: GRFICO DE FALHAS - PRODUO TRIMESTRAL ..................................................................................... 56 FIGURA 25: FMEA DA PRIMEIRA FASE DO PROCESSO PRODUTIVO ............................................................................. 57 FIGURA 26: FMEA DA SEGUNDA FASE DO PROCESSO PRODUTIVO ............................................................................. 58 FIGURA 27: MATRIZ GXUXT DA PRIMEIRA FASE DO PROCESSO PRODUTIVO ................................................................. 59 FIGURA 28: MATRIZ GXUXT DA SEGUNDA FASE DO PROCESSO PRODUTIVO ................................................................ 59 FIGURA 29: INDICADORES DE AO DA EMPRESA INOXMANAUS ............................................................................... 62 FIGURA 30: MODELO P-A-F UTILIZADO NO PROCESSO PRODUTIVO ........................................................................... 63 FIGURA 31: GRFICO DE FALHAS APS AES DE MELHORIAS - PRODUO TRIMESTRAL ................................................ 64 FIGURA 32: FORMULRIO DO PLANO DE AO DO PROCESSO DE MONTAGEM ........................................................... 65 FIGURA 33: INSTRUO DE PREENCHIMENTO DO PAPM ........................................................................................ 66 FIGURA 34: FORMULRIO FOMAP .................................................................................................................... 67 FIGURA 35: PLANILHA DOS 7 FATORES ................................................................................................................ 68

x

ndice de tabelas

TABELA 1: MODELO P-A-F DE CUSTOS DA QUALIDADE ............................................................................................. 9 TABELA 2: FERRAMENTAS DA QUALIDADE ............................................................................................................. 38 TABELA 3: TIPOS DE FALHAS NO PROCESSO PRODUTIVO........................................................................................... 49 TABELA 4: PLANEAMENTO DE AO 5W1H ......................................................................................................... 51

xi

Lista de siglas e smbolos

5W1H Who, What, Where, When, Why + How

CHA Conhecimento Habilidade Atitude

CEQ Controlo Estatstico da Qualidade

ENG - Engenharia

FMEA - Failure Mode and Effect Analysis

FOMAP - Formulrio Oportunidade de Melhoria ou Ao Preventiva

GxUxT - Gravidade x Urgncia x Tendncia

ISO - International Organization for Standardization

I.T. - Instruo de Trabalho

NDP - New Product Development

NP Norma Portuguesa

NPI - New Product Introduction

NPP - New Product Process

NR17 Norma Regulamentadora 17

P-A-F - Preveno, Avaliao e Falhas

PAPM - Plano de Ao do Processo de Montagem

PDCA - Plan /Do /Check /Act

PDP - Product Delivery Process

PDP - Product Development Process

PIM - Plo Industrial de Manaus

QD - Quality Deployment

QFD - Quality Function Deployment

RH - Recursos Humanos

RANCOM - Reunio de Aes de No Conformidades e Oportunidades de Melhorias

SESMT - Servio Especializado em Engenharia de Segurana e em Medicina do Trabalho

1

1. INTRODUO

O processo de introduo de novos produtos em indstrias, tratado nesta dissertao, consiste

num conjunto de atividades das atividades de gesto ligadas ao planeamento da produo de um novo

produto, utilizando processos e recursos existentes na empresa. Neste processo, a gerao de

procedimentos que possibilitem a implementao do novo produto, permite empresa antecipar

problemas futuros de produo. Est fora do mbito deste trabalho analisar o processo de

desenvolvimento de novos produtos.

O conceito de novo produto recebe diferentes classificaes por parte de diferentes autores,

ligando-o sempre ao conceito de inovar. Assim, para efeito desta dissertao, define-se que produto ou

servio novo o resultado de uma alterao que tenha sido introduzida em relao ao existente ou

praticado at aquele momento e que era desconhecido pelo potencial cliente (Hegedus, 2006).

A Introduo de Novos Produtos (New Product Introduction NPI) pode ser caracterizada como

o processo de trazer um novo produto para o mercado. Do ponto de vista do responsvel da produo,

um novo produto um conjunto de especificaes. No entanto, diferentes abordagens, bem como muitos

termos que foram utilizados para descrever e definir o processo de desenvolvimento de produto, podem

ser encontradas na literatura, entre eles, PDP ("Product Delivery Process"), NPP ("New Product

Process"), PDP ("Product Development Process"), NDP (New Product Development), "Stage-gate

Systems", "Product Launch System" (Esteves, 1997).

No processo de introduo de novos produtos existe um dispndio de tempo com a estrutura da

linha de produo e seu balanceamento, focando a diviso das atividades de forma que as mesmas

estejam subdivididas a fim de no gerar futuros gargalos e perdas de produo. No entanto, a definio

de atividades de registo e controlo da qualidade, entre outros, , em muitos casos, considerada como

outra fase parte do processo produtivo, de responsabilidade da rea de gesto da qualidade, no

estando inserida concomitantemente no processo de introduo de novos produtos.

O sistema de gesto da qualidade um dos sistemas que uma empresa possui e refere-se a

tudo o que a empresa faz para gerir os seus processos ou atividades, permitindo a organizao e a

coeso dos diferentes procedimentos da empresa. Estes sistemas de gesto podem ser complexos sendo

necessrio criar uma organizao e desenvolver um know how adequado para o desenvolver e manter.

2

Em algumas organizaes pode no existir um sistema formal mas, apenas uma forma de fazer as coisas

e, essa forma s vezes encontra-se somente na cabea do proprietrio ou gerente (Mello et al.,2009).

no processo de introduo de novos produtos que pode ser feito o levantamento de controlos e

ferramentas de qualidade para auxiliar na identificao e acompanhamento da produo do produto, de

forma a criar um histrico que servir de referncia durante o ciclo de vida do produto. Assim, as

atividades de inspeo, preveno e melhoria da qualidade, que originam custos da qualidade poderiam

ser definidos em simultneo com o planeamento da produo, utilizando a filosofia LEAN

simultaneamente com as ferramentas e tcnicas de qualidade de forma a facilitar a melhoria no processo

de introduo de um novo produto.

A filosofia Lean um conjunto de tcnicas que, quando combinados e bem desenvolvidas com

maturidade por uma equipa, permite reduzir e eliminar desperdcios. Este sistema no s permite tornar

a empresa mais enxuta, mas posteriormente mais flexvel e mais gil, reduzindo o desperdcio. As

ferramentas de qualidade por sua vez so tcnicas operacionais aplicveis na resoluo de problemas de

processos e produtos, que podem contribuir para a reduo dos custos de qualidade (Wilson, 2010).

Os custos da qualidade tm sido tradicionalmente definidos como todas as despesas associadas

com a garantia de que os produtos/servios esto em conformidade com as especificaes. Os custos da

qualidade surgem a partir de uma gama de atividades e envolvem uma srie de servios, os quais

incidem sobre a qualidade do produto/servio. Os custos da qualidade so os custos associados com a

preveno, deteo e correo do trabalho defeituoso (Jaju et al,2009).

Uma definio mais abrangente de custos da qualidade considera que estes resultam da

diferena entre o que pode ser esperado de uma excelente performance e os custos correntes existentes

(Chase e Aquilano, 1995). E, uma das formas de reduo de custos da qualidade pode passar pela

implementao de melhorias no processo de introduo de novos produtos, de maneira a antecipar os

mesmos aps a definitiva introduo do produto nas linhas de produo.

A pergunta principal de investigao ser: como as ferramentas e tcnicas da qualidade e os

princpios da produo Lean podero ser selecionados e aplicados de forma a reduzir os custos da

qualidade atuando na fase de introduo de novos produtos?

1.1 OBJETIVO

3

Este projeto tem como objetivo principal reduzir os custos da qualidade no decorrer da

Introduo de Novos Produtos a partir da utilizao ferramentas da qualidade e tcnicas de melhoria

contnua dos processos produtivos tendo como referncia histricos de problemas em produtos similares.

Os objetivos especficos so:

a. Avaliar os desperdcios associados situao existente, identificar indicadores de eficincia e

classificar os custos da ao de preveno e da correo das falhas na Introduo de Novos

Produtos.

b. Criar uma estrutura que integre as atividades associadas ao planeamento da Introduo de

Novos Produtos em paralelo com o planeamento da melhoria da qualidade na Introduo de

Novos Produtos.

c. Selecionar e implementar ferramentas e tcnicas da qualidade na fase de Introduo de

Novos Produtos.

1.2 A EMPRESA

Este projeto foi desenvolvido numa empresa produtora de artefactos de ao inoxidvel que

apresentava problemas com custos de produo excessivos e perdas de materiais.

A Inox Manaus uma empresa atuante desde 1990, classificada como uma pequena empresa

inscrita pelo nome J F R DE A COSTA JUNIOR ME. Localiza-se na cidade de Manaus, na regio norte do

Brasil e tem a necessidade em ser certificada pela norma ISO 9001:2008 com o objetivo de se tornar

mais competitiva dentro de seu segmento. A empresa est orientada para um nicho de mercado, da rea

de comrcio destes produtos nesta cidade e municpios prximos.

A empresa em questo uma empresa composta por uma equipa de 35 funcionrios sendo que

destes 18 so do processo de produo e os demais funcionrios citados acima esto subdivididos nas

reas administrativas da empresa. Alm destes possui mais 6 funcionrios indiretos que atuam dando o

suporte na parte de entrega e montagem.

A referida empresa fabrica produtos a partir de ligas metlicas de ao e alumnio, que resultam

em artefactos para lanchonetes e redes de abastecimentos (lojas, supermercados, restauraes dentre

outros segmentos) sendo os seus produtos: coifas, escadas, estantes de ao, balces, armrios, dentre

4

outros produtos de menor porte. E, no processo de produo da empresa consistem perdas de materiais

e re-works em peas aps a fase de implementao de novos produtos, que geram custos da qualidade.

O material utilizado para todo o processo de produo o ao Ferrtico por ser este material

resistente ao processo de corroso e por ser seu valor mais barato por no conter nquel. Com este tipo

de ao, podem-se produzir artefactos para lanchonetes, frigorficos, padarias, supermercados, alm de

talheres, placas, etc. Este material adquirido em rolos de bobinas e chapas de ao, conforme

apresentado na Figura1:

Figura 1: Material em ao para confeco de coifas

A partir desta necessidade em ser certificada pela norma ISO9000:2008, procurou modernizar-

se no processo de produo de seu segmento, buscando a reduo de falhas nas suas fases de

produo. Procura desenvolver continuamente dentro de sua capacidade, formas de reduzir os

desperdcios em seus processos produtivos. No entanto, existem fatores internos que dificultam a

realizao das atividades do processo de produo, podendo ser citada a estrutura atual na qual se

encontra a organizao dos processos produtivos, dificultando aos operadores a execuo de suas

atividades de processo.

Isto leva a um desperdcio de tempo e consequentemente de produo, dentre outros, afetando

a qualidade dos produtos em sua fase inicial. Isto origina perda da capacidade de produo da empresa e

baixa produtividade fabril.

No processo de melhoria e reduo de custos desta empresa na fase de introduo de novos

produtos ser focado a forma de produo de coifas. O presente trabalho analisa a interao das

atividades de Melhoria da Qualidade na fase da Introduo de Novos Produtos planeando solues para

que as mesmas possibilitem a reduo dos custos aps esta fase inicial. O ponto de partida da anlise

Fonte: Documentao interna

5

comea com a utilizao de um modelo de custos da qualidade para analisar a situao da empresa na

introduo de novos produtos (Stringer, 2007).

1.3 METODOLOGIA DE PESQUISA

O mtodo de investigao utilizado foi o de pesquisa-ao, o que implica um papel ativo na

anlise do problema e desenvolvimento de solues. Para o desenvolvimento de sua aplicabilidade, da

integrao do processo de introduo de novos produtos e respetiva gesto da qualidade, esta linha de

pesquisa deu-se numa empresa do Plo Industrial de Manaus (PIM) no estado do Amazonas, no ramo de

metalurgia durante o perodo de trs meses, podendo, no entanto, estender a sua aplicao noutros

processos industriais,. Assim, sero identificados os custos da qualidade da referida empresa e sero

analisados os seus processos de produo de introduo de novos produtos.

A identificao dos custos da qualidade refere-se necessidade de se desenvolver mtodos de

trabalho aplicveis aos processos produtivos na fase de introduo de novos produtos. Posteriormente

ser efetuada uma observao e investigao das melhorias que podem ser realizadas na referida

empresa e, a partir deste levantamento sero selecionadas e aplicadas tcnicas plausveis para melhorar

o processo de introduo de novos produtos, e reduzir os custos de qualidade da empresa.

A deciso da conceo do produto parte da pesquisa realizada com vista a conhecer a

necessidade de mercado e, um fator chave de sucesso para a aceitao pelo mercado de um novo

produto que este corresponda o mais possvel s necessidades do cliente. Esta identificao de

necessidades deve ser efetuada antes do desenvolvimento do novo produto (Roldo e Ribeiro, 2007).

Para o processo de introduo de novos produtos, a primeira deciso a tomar selecionar o

novo produto a ser produzido. A segunda definir o processo tecnolgico e a organizao de apoio

atravs da qual a produo ser realizada e, a terceira desenvolver uma filosofia da qualidade e sua

integrao nas operaes da empresa (Chase e Aquilano, 1995).

1.4 ESTRUTURA DA DISSERTAO

A presente dissertao foi estruturada de acordo com o desenvolvimento da pesquisa-ao e,

desta forma, buscou-se dentro do trabalho realizado uma sequncia lgica que envolveu o levantamento

de dados e informaes, anlise minuciosa do material disponibilizado pela empresa, a avaliao de cada

6

posto de trabalho, a avaliao do nvel de conhecimento de cada operador no seu ambiente de trabalho,

reunies com os operadores de produo e demais departamentos da empresa para a definio do

cenrio a ser trabalhado em busca da implementao do processo de melhoria na introduo de novos

produtos.

A metodologia pesquisa-ao pressupe uma participao planeada do pesquisador na situao

problemtica a ser investigada. Recorre a uma metodologia sistemtica no sentido de transformar a

realidade observada, a partir de sua compreenso, conhecimento e compromisso para a ao dos

elementos envolvidos na pesquisa. um tipo de investigao com base emprica que concebida e

realizada em estreita relao com uma ao ou resoluo de um problema, no qual o pesquisador e os

representantes participativos da situao ou do problema esto envolvidos de modo cooperativo ou

participativo (Fonseca, 2002).

A dissertao apresenta uma reviso bibliogrfica sobre o tema abordado no Captulo 2 e prope

um mtodo para tornar o processo de introduo de novos produtos mais eficaz e eficiente (Captulo 3).

Baseada na metodologia pesquisa-ao, definiram-se as seguintes atividades descritas no Captulo 4:

Planeamento da pesquisa-ao;

Recolha de indicadores, registos, relatrios;

Anlise de dados / planeamento das atividades de ao;

Implementao das atividades definidas em reunies com as equipas;

Avaliao de resultados / acompanhamento dos processos produtivos;

Reunio de resultados com as equipas participantes na implementao da melhoria do

processo de introduo de novos produtos.

No Captulo 5 apresentam-se as concluses deste trabalho evidenciando as respetivos

oportunidades e melhorias e as dificuldades detetadas no processo de introduo de novos produtos.

Apresenta-se tambm neste captulo sugestes para trabalhos futuros.

7

2. Reviso Bibliogrfica

Este captulo aborda os aspetos relevantes na literatura referente ao processo de melhoria da qualidade

na fase de introduo de novos produtos evidenciando os aspetos e fatores que influenciam esta fase.

2.1 CONTEXTUALIZAO

cada vez mais importante e decisivo entender como as atividades de planeamento e

desenvolvimento do processo produtivo afetam a competitividade das empresas. Quando uma nova

gerao de produtos lanada no mercado, o nmero de problemas motivados pelo processo produtivo

pode ser muito elevado. Assim, a antecipao dos eventuais problemas do processo produtivo, esto

associados a um bom mecanismo de planeamento e controlo da qualidade (Pires, 1999).

Durante o processo produtivo podem no ser cumpridas todas as especificaes tcnicas do

produto, levando produo de unidades no conformes. Caso estas no sejam identificadas dentro da

organizao podem provocar insatisfao no cliente e provocar consequncias negativas empresa

(Campanella, 1999).

As empresas aperfeioam os processos produtivos atravs da aplicao de conceitos tericos e

prticos na introduo de novos de produtos (Teboult, 1991) e, referenciando os requisitos das normas

para atingir os parmetros de especificaes tcnicas garantem a qualidade do produto. No processo de

introduo de novos produtos, as questes pertinentes melhoria da qualidade so implementadas de

forma a identificar as necessidades de adequao dos respetivos processos produtivos.

Muitas empresas utilizam a norma ISO 9001:2008 para desenvolver os seus produtos e

estruturar os seus processos de forma a inserir o conceito de qualidade em cada fase do processo

produtivo e, no que tange ao processo de introduo de novos produtos a norma ISO 9001:2008 refere

que a organizao necessita implementar um cronograma que descreva os estgios do projeto e

desenvolvimento, incluindo anlise crtica, verificao e validao, e que contenha ainda as

responsabilidades e autoridades para esses estgios, alm de prazos necessrios para sua concluso

(Mello et al, 2009).

As definies de qualidade na perspetiva de gesto consideram a qualidade como uma entidade

objetiva, que pode ser medida e controlada com a ajuda de alguns instrumentos e como resultado deste

8

controlo, espera-se uma reduo dos custos de qualidade (Antnio e Teixeira, 2007), sendo que cada

empresa dever analisar quais ferramentas podero ser utilizadas de acordo com os seus respetivos

processos de produo.

2.1.1 Custos da qualidade

A melhoria da qualidade visa, principalmente, a reduo de custos a partir de menos

retrabalhos, erros, atrasos e obstculos bem como a melhor utilizao do tempo e materiais. Custos mais

baixos, por sua vez, levam a vantagem competitiva e com melhor qualidade e preos mais baixos, a

empresa pode alcanar uma maior quota de mercado e permanecer no segmento de seu ramo de

negcio (Jaju et al, 2009).

Considerando de forma integrada as aes de implementao de novos produtos com a reduo

de desperdcios de fabricao, estruturao planeada de processos e utilizao adequada de pessoas

dentro das atividades a serem desenvolvidas, pode-se ento ter uma reduo dos custos envolvidos nos

processos de implementao da qualidade. Estes custos da qualidade so obtidos a partir de um

conjunto de atividades que envolvem vrios departamentos e processos relacionados com a qualidade do

produto (Jaju et al, 2009).

Os custos podem ser classificados atravs de um modelo de custos da qualidade (Figura 2). As

empresas podem implementar programas de reduo destes custos, cujos resultados podem ser

positivos, quando as ferramentas ou filosofias so implementadas de forma eficaz e eficiente, ou

negativos, quando a implementao das respetivas ferramentas e filosofias so implementadas de forma

inadequada (no avaliao do processo, falta de habilidade da equipa em processos de introduo de

novos, dentre outros fatores).

9

Figura 2: Modelo de custos da qualidade

Os custos da qualidade no so diferentes de quaisquer outros custos. As atividades de

produo incorrero em custos que podem ser classificados em custos de Preveno, custos de

Avaliao e custos de Falhas (P-A-F), sendo que os custos de falhas podem ser desdobrados em custos

de falhas internas e externas. A anlise desses custos importante pois consiste num meio para avaliar a

eficcia da administrao da qualidade e identificar as reas com problemas, oportunidades, economias

e prioridade de aes (Oakland, 1994).

Ainda, o modelo P-A-F compreende os seguintes elementos em cada categoria de custos,

conforme Tabela 1 (Oakland, 1994):

Tabela 1: Modelo P-A-F de custos da qualidade

Fonte: Oakland, 1994

Fonte: http://www.envisolutions.eu

http://www.envisolutions.eu/

10

A percentagem de cada categoria de custos face aos custos totais varia com a

consciencializao e melhoria da qualidade na organizao, o que mostrado na Figura 3. As primeiras

apresentaes do modelo P-A-F sugeriam que pode haver um nvel timo de operao no qual os custos

combinados possam ser mnimos.

Figura 3: Aumento das atividades de consciencializao e melhoramento da qualidade

Entende-se por falhas internas todo e qualquer custo decorrente de produzir fora das

especificaes originando refugo, retrabalhos, aquisio de material de reposio daquele que foi

utilizado para corrigir e reparar o produto defeituoso, alm do custo envolvido em todo o trmite que

envolve as reas de compras, expedio, dentre outros (Feigenbaum, 1994).

Outra forma de custos so os originados por falhas externas. Estas falhas consistem em defeitos

que passam atravs do sistema, originando custos (substituies cobertas pela garantia, perdas de

clientes ou da credibilidade que o mesmo tem em relao empresa, tratamento de reclamaes alm

do custo envolvido na reparao do produto) para a empresa (Chase e Aquilano, 1995).

No que tange introduo de novos produtos, existem processos de produo j estruturados

que apesar de serem considerados como novos produtos, ou seja, alguns produtos que sero

introduzidos j so produzidos pela empresa, sendo suas alteraes somente em novas funes de

utilizao, no tendo impacto significativo na sua estrutura fsica.

Fonte: Oakland, 1994

11

2.1.2 Custos da qualidade e melhoria de processos

Quanto mais rpido for realizado o acompanhamento das falhas na introduo de um novo

produto, menor poder ser o custo da qualidade e as perdas tendero a ser menos significativas ao longo

do perodo do fabrico do produto, realizando-se a implementao da reduo de falhas na introduo de

novos produtos a partir do histrico das falhas dos produtos. Um projeto inicial correto tambm evita a

necessidade de serem feitas modificaes dispendiosas e causadoras de perdas, depois de a fbrica

estar adequada ao novo produto ou o produto j estiver em fase de produo (Oakland, 1995).

A reduo de custos partindo da ideia de melhorias de processos produtivos, traduz-se no

aumento da eficincia dos processos de produo na Introduo de Novos Produtos, a partir de tcnicas

que visam a reduo dos defeitos apresentados nas indstrias, com destaque utilizao de algumas das

ferramentas bsicas da Qualidade e da filosofia Lean Manufacturing.

A reduo de custos engloba diversos fatores que devem ser observados na fase de introduo

do novo produto podendo ser estendido ainda sua fase de produo, sendo vivel haver mudanas que

possibilitem a reduo de custos do produto quando for aplicvel e sendo este processo contnuo.

Um dos principais obstculos reduo de custos est relacionado com a utilizao

insatisfatria dos recursos de produo. De forma geral, entende-se por reduo de custos a eliminao

de atividades, materiais ou processos produtivos que no agregam valor ao produto, implicando em

reduo de custos a partir de anlises dos processos produtivos, referindo-se neste caso introduo de

novos produtos (Feigenbaum, 1994).

Os custos de investimentos em controlo podem diminuir as perdas de processos produtivos pois

as falhas passam a ser detetadas internamente e no no cliente. Investir na adequao do processo

ainda em sua fase de implementao traz empresa redues de falhas de fabrico e tambm a reduo

de desperdcio da matria-prima pois o estudo adequado do processo de implementao com vista

melhoria permitir futuramente um maior controlo (Duret e Pillet 2008).

2.1.3 Eficincia e gesto de processos na introduo de novos produtos

A melhoria da eficincia do processo de produo de introduo de novos produtos pode

basear-se na anlise de histricos de produtos que possuam caractersticas e projetos similares ao novo

produto, ou seja, para que se tenha um estudo e implementao adequado de um novo processo vivel

12

utilizar como referncia levantamentos e apontamentos resultantes dos problemas detetados em

produtos similares.

Neste contexto, o objetivo da gesto de processos melhorar os processos, porm antes de um

processo ser melhorado, as suas caractersticas devem ser mensuradas de tal maneira que permita

organizao conhecer o ponto de partida ou a situao atual do seu processo atravs de dados referentes

s entradas, sadas e modificaes ocorridas durante o processo.

Antes de modificar, eliminar ou criar novos procedimentos numa organizao no decorrer da

introduo de um novo produto importante compreender os processos e atividades existentes a fim de

identificar seus pontos fortes, pontos fracos, entradas e sada (Esteves, 1997). Medidas equivalentes a

estas permitem monitorizar a evoluo dos processos produtivos a partir da comparao dos resultados e

parmetros de referncia em geral do produto a ser produzido.

Com aes de monitorizao do processo de introduo de novos produtos, a empresa entrar

no mbito da reduo dos custos de seus processos pois atividades dispendiosas e continuamente

requerentes de investimentos tero os seus custos reduzidos a partir da melhoria de processos nesta fase

de produo.

Aps o entendimento da necessidade da reduo de custos a partir do monitoramento do

processo produtivo a empresa para atingir este objetivo, necessita avaliar a capacidade de seu processo

produtivo, o que ser descrito este assunto na seo seguinte.

2.2 CONTEXTUALIZAO DO PROCESSO PRODUTIVO

A implementao de melhorias e a utilizao de novas tecnologias nos processos produtivos

encontra-se numa fase constante de desenvolvimento e, talvez por isso empresas tenham grandes

dificuldades dentro de seu controlo para o processo de reduo de custos, visto que novas tecnologias

requerem um maior investimento em todos os aspetos que norteiam uma reestruturao dos processos

produtivos. De um modo geral, qualquer que seja a inovao no processo de produo numa empresa,

ela deve ser acompanhada pelas reas de engenharia de produo e qualidade em toda a sua fase

referente introduo de novos produtos (Marques, 1992).

Numa empresa possvel a ocorrncia de problemas com qualidade dos projetos, produo ou

servios que se no forem acompanhados eficiente e eficazmente pelas equipas de qualidade colocam

em risco a qualidade do produto perante o mercado. Empresas que possuem um sistema de controlo da

13

qualidade devem possuir os mecanismos para a soluo de tais problemas de forma sistemtica,

conveniente e definitiva em seus processos produtivos (Feigenbaum, 1994).

2.2.1 Processos Produtivos

Para que uma organizao funcione de forma eficaz, tem que determinar e gerir numerosas

atividades interligadas. Uma atividade ou um conjunto de atividades utilizando recursos e gerida de forma

a permitir a transformao de entradas em sadas, pode ser considerada como um processo.

Frequentemente a sada de um processo constitui diretamente a entrada do processo seguinte (NP, EN

ISO9001-2008).

Processos produtivos (Figura 4) so aqueles que desenvolvem sequncias de atividades

interligadas com uma entrada e sada claramente definidas e com resultados quantificveis (quantidade,

prazos, tempo de execuo, etc.).

Figura 4: Esquema bsico do processo produtivo

De forma mais completa, pode ser visto como um conjunto de atividades realizadas por

uma ou diversas reas funcionais de uma empresa ou organizao (Pires, 2007). So

subdivididos em (Chase e Aquilano, 1995):

Fonte: http://www.biinternational.com.br

http://www.biinternational.com.br/

14

Processos produtivos contnuos: estes processos produtivos funcionam 24 horas por dia

devido ao tipo de produto produzido (indstrias do ao, plsticos, qumicas, produo

de cerveja e petrleo).

Processos repetitivos: so processos que produzem produtos em grandes lotes de

acordo com a mesma srie de operaes que os artigos precedentes, como por

exemplo empresas de produo em massa (automveis aparelhos eletroeletrnicos,

vesturio, brinquedos).

Processos intermitentes: so aqueles em que o seu volume de produo produzido

em pequenos lotes muitas vezes de acordo com as especificaes dos clientes

(produo por encomenda).

Uma orientao importante no processo de produo est em envolver as equipas de produo,

planeamento e todos que fazem parte do grupo de apoio da engenharia desde o incio e continuamente

ao longo do processo de introduo de novos produtos para assegurar que os produtos so efetivamente

geridos atravs dos seus ciclos de vida (Chase e Aquilano, 1995).

2.2.2 Identificao de potenciais deficincias do processo produtivo

Para que sejam identificadas com antecipao as potenciais deficincias do processo produtivo,

necessrio fazer o levantamento do histrico de produtos com caractersticas semelhantes aos que

sero implementados no novo processo de produo, quando aplicvel, a anlise dos relatrios e todos

os seus controlos pertinentes ao referido processo produtivo em questo.

O estudo de problemas anteriores com base na similaridade de produtos pode reduzir ou at

mesmo evitar que os novos produtos tenham problemas de qualidade ou tambm de produo j

vivenciados noutras produes. Este processo de acompanhamento e estudo de falhas e no

conformidades pode ocorrer a partir de controlo de grficos, listas de verificaes, fluxograma, matrizes

ou arquivos eletrnicos ou quaisquer meios utilizados pela empresa. Dentro desta perspetiva, torna-se

relevante a identificao das deficincias existentes no processo produtivo quando da introduo de novos

produtos.

A partir do controlo de qualidade fica definido em quatro as atividades que necessitam ser

desenvolvidas para que a empresa consiga atingir um nvel de qualidade ainda na fase de introduo de

novos produtos: controlo de novos projetos, controlo de matrias recebidos, controlo do produto e a

15

ltima fase ser o estudo de processos especiais (Feigenbaum, 1994). Nesta viso, indubitvel que a

equipa de qualidade seja parte integrante em todas as fases.

A seleo e caracterizao do tipo de controlo a aplicar em diferentes processos do sistema

produtivo pode ser baseada nos defeitos de produtos similares anteriormente produzidos, nos custos

relacionados com custos de avaliao, de preveno, de falhas internas e falhas externas.

2.2.3 Capacidade de processo

Antes de iniciar a produo de um novo produto deve ser analisada a capacidade dos processos

em cumprir as especificaes do produto. Como resultado sero propostas anlises de melhorias para os

processos que no possuem capacidade em suas atividades de inspeo ou no controlo de processos

com pouca capacidade de produo.

Esta anlise inclui medir e avaliar pr-sries para identificar deficincias e determinar se os

requisitos do produto esto sendo atendidos. Exemplos de custos de inspeo incluem revises de

projeto, verificao de materiais, avaliaes de clculo de desenho, e anlises comparativas (Farr, 2011).

O desenvolvimento de preveno no processo de introduo de novos produtos evitar ou reduzir a

ocorrncia de outros custos da qualidade do produto como as falhas internas e as falhas externas.

2.2.4 Indicadores de desempenho do processo produtivo

Indicadores de desempenho so dados quantificados que medem a eficcia de todo ou uma

parte de um sistema relativamente a uma norma, um plano ou um objetivo que dever ser determinado e

aceite no quadro de uma estratgia. expresso em quantidade e serve para gerir todo ou parte de um

processo ou sistema de produo, medindo a eficcia de uma norma, plano ou objetivo fixado pela

empresa (Courtois et al, 1997).

A qualidade do processo geralmente medida atravs da taxa de defeitos dos produtos

fabricados. Os defeitos incluem aqueles produtos identificados como no conformes tanto internamente

(antes da entrega para o cliente) quanto externamente (produtos cujos defeitos foram percebidos pelo

cliente) (Daves et al, 1999).

16

A avaliao do desempenho do processo produtivo realizado concomitantemente com a entrada

de um novo produto possibilita a reduo dos custos a partir de melhorias dos processos criando um

mtodo para a avaliao da entrada de um novo produto.

O desempenho do processo produtivo poder ser medido a partir de indicadores de

desempenho. Estes devem ser comparados com o desempenho passado de produtos similares para que

se possa medir a eficcia e eficincia das implementaes de melhorias implementadas no processo de

introduo de novos produtos.

Entretanto, com o nmero crescente de indicadores de desempenho disponveis, a empresa

deve ser seletiva na escolha daqueles que so relevantes. E, dependendo do setor de atuao da

empresa, alguns indicadores de desempenho so mais importantes para a gesto do que outros. Por

exemplo, num restaurante tipo fast food, um indicador de desempenho crucial a velocidade com que os

pedidos so entregues ao cliente. No entanto em um restaurante convencional o indicador de

desempenho em priori pode ser a variedade de itens oferecidos no cardpio, dentre outros indicadores.

(Daves et al, 1999).

A empresa deve dotar-se de indicadores de resultados e de processos (Courtois, et al, 1997)

visto que os dois sero fundamentais para a obteno de melhorias em seus processos mesmo ainda na

fase da introduo de novos produtos. O primeiro indica o resultado que podemos alcanar. J os

indicadores de processo permitem exprimir a forma de obter-se o resultado.

A construo de um sistema de indicadores de desempenho necessita da existncia de uma

coerncia horizontal e uma coerncia vertical. A primeira correspondente com a necessidade de

garantir que no existe contradio em indicadores de um mesmo nvel hierrquico. A coerncia vertical

significa que os indicadores de um determinado nvel hierrquico devem ser o reflexo dos indicadores de

nvel hierrquico inferior (Courtois, et al, 1997).

2.3 OS REQUISITOS (TCNICOS) DO PRODUTO/ COMPONENTES

A empresa deve identificar de forma clara quaisquer situaes de possvel insatisfao do

cliente. Em alguns casos os clientes no esto habilitados a identificar estas caractersticas tcnicas dos

requisitos do produto pela prpria falta de conhecimento que lhe permitam definir totalmente as

condies de utilizao (especialmente as condies anormais pertinentes produo do produto no

processo) no tendo noes claras das consequncias das falhas (Pires, 2007).

17

No decorrer do desenvolvimento do projeto de um produto fundamental que, em determinado

momento as informaes que caracterizaro o produto estejam de acordo com a linguagem tcnica da

engenharia. Torna-se necessrio que o produto a ser desenvolvido seja descrito por meio de

caractersticas tcnicas e um conjunto de informaes e variveis possveis de serem mensuradas a partir

da definio de parmetros associados descrio de desempenho esperado que so chamados de

requisitos do produto ou requisitos de engenharia (Uliana, 2010).

No incio do desenvolvimento do produto, as necessidades dos clientes so bvias em termos

qualitativo e as caractersticas quantitativas do produto tornam-se a base para a fixao de metas

quantitativas para o produto. Estas metas passam a ser alvos para as engenharias de processo e

projetistas, conforme tabela do exemplo da Figura 5 (Juran, 1992). Ento, as definies dos requisitos

tcnicos do produto devem ser estruturadas de forma a atender s necessidades quantitativas e

qualitativas do produto determinadas a partir do projeto do produto.

Figura 5: Necessidades quantitativas e qualitativas do produto

A evoluo do nvel de qualidade de uma empresa refere-se s atividades desenvolvidas dentro

dos parmetros e especificaes tcnicas do produto desde a sua concepo em projeto. nesse

instante que se define a qualidade planeada que pode ou no ser alcanada, dependendo da capacidade

do processo. A manuteno do nvel de qualidade refere-se s atividades que visam manter a qualidade

do produto e do processo impedindo que haja uma queda nos nveis de qualidade ao longo do tempo

(Filho e Drumond, 1994).

J o desenvolvimento do produto envolve o planeamento de vrios parmetros: custos,

programao, qualidade e assim por diante. A qualidade requer a satisfao da necessidade do cliente

atravs da escolha e definies das caractersticas tcnicas do produto, inclusive a definio de suas

metas. E, essas atividades so melhor executadas atravs do uso de metodologias e ferramentas

Fonte: Juran, 1992

18

orientadas para a qualidade que, em conjunto, servem de base para o moderno planeamento da

qualidade (Juran, 1992).

O controlo de qualidade visa o acompanhamento tcnico da qualidade do produto e representa

um meio pelo qual a gerncia delega autoridade e responsabilidade pela qualidade no produto

(Feigenbaum, 1994).

Ainda, a norma NP ISO9001:2008 determina que uma empresa com o sistema de gesto da

qualidade certificado deve planear e implementar os processos de monitorizao, medio, anlise, e

melhoria necessrios de forma a demonstrar a conformidade com os requisitos do produto (). Isto deve

incluir a determinao de mtodos aplicveis, incluindo tcnicas de estatsticas e a extenso da sua

utilizao (NP ISO9001:2008).

O processo de monitorizao da qualidade numa empresa, na fase de introduo de novos

produtos assim como em produtos j em processo de fabricao, deve ser de tal forma fcil na sua

implementao, acompanhamento e atualizaes, bem como a forma de leitura e interpretao por parte

de todos aqueles que compem a empresa. Isto permitir avaliar se as aes definidas para alcanar

melhorias da qualidade nestes processos de monitorizao devero ser alteradas, no sendo os

resultados obtidos satisfatrios.

O controlo da qualidade no processo produtivo, de forma genrica, refere-se s atividades dirias

para controlar as condies do processo observando-se tanto as caractersticas da qualidade de produto

como tambm aos parmetros do processo. Os mtodos aplicados em tais atividades so extenses das

metodologias da engenharia, denominadas de controlo com retroalimentao, controlo preditivo e

calibrao (Taguchi et al, 1990). Isto permitir que a empresa paralelamente possa identificar

oportunidades de melhorias em seus processos j existente face ao processo que ser adequado ao novo

produto.

O controlo da qualidade nos processos produtivos pode ser estabelecido a partir do sistema da

qualidade planeado e gerido, sendo estruturado conforme segue (Feigenbaum, 1994):

Programas e objetivos definidos e especficos.

Orientao ao consumidor.

Integrao das atividades de processo produtivo.

Atribuies claras ao pessoal tendo como foco a obteno da qualidade.

Atividades especficas de controlo da qualidade.

Fluxo de informao, processamento e controlo definidos e efetivos para a qualidade.

19

Custo da qualidade e outras medidas e padres do desempenho da qualidade.

Eficcia real das aes corretivas.

Controlo contnuo do sistema, incluindo predio e realimentao de informao, anlise

dos resultados e comparao com padres atuais.

Auditoria peridica das atividades do sistema.

Identificao total do equipamento da qualidade.

Quando as organizaes no tm os recursos para melhorar todos os processos ao mesmo

tempo apenas alguns processos sero selecionados para melhoria em um determinado perodo. Os

processos restantes devem ter medidas de desempenho em que o objetivo principal detetar eventuais

problemas ou reconhecer que o desempenho esperado est sendo realizado (Sousa, 2008).

So objetivos dos planos de controlo do processo informar antecipadamente se os produtos que

esto a ser produzidos atendem as especificaes tcnicas do projeto alm de detetarem alteraes no

processo que assinalam que produtos futuros possam vir a no estar de acordo com as especificaes

(Chase e Aquilano, 1995).

No processo de fabricao de produtos existem inmeros fatores que influenciam e afetam as

caractersticas de qualidade do produto. Considerando o processo de fabricao sob o ponto de vista da

variao de qualidade, podemos entender o processo como um agregado das causas de variao o que

explicam mudanas nas caractersticas da qualidade do produto, culminando em produtos conformes ou

no conformes. No entanto, existem parmetros dessas variaes que podero ser consideradas

aceitveis ou no em relao qualidade do produto (Kume, 1993).

A preciso significante da qualidade aumentada no processo de produo acompanhada pela

necessidade de mtodos aperfeioados para medio, especificao, controlo e registo. O ponto de vista

que enfatiza o estudo da variao exerceu efeito significativo sobre certas atividades do controlo da

qualidade nas quais os recursos estatsticos no so empregados, sendo que o estudo recomendado da

variao passou a ser til em outras reas como o estudo do tempo, segurana, engenharia, dentre

outros (Feigenbaum, 1994).

H duas grandes razes para se usar mtodos de controlo estatstico da qualidade que so:

testar e ou inspecionar uma amostra de produo em vez de todo o volume produzido e ser mais rpido

e econmico, por requerer menos atividades por parte da equipa.

Os mtodos estatsticos para a qualidade podem ser divididos em duas categorias: a aceitao

por amostragem e o controlo estatstico do processo. Pode ser subdivido ainda em duas categorias

20

adicionais: a primeira abordagem utiliza dados do tipo atributos (os dados so contados em quantidade -

nmeros de defeitos, nmero de clientes insatisfeitos, etc.) e a segunda abordagem utiliza dados do tipo

variveis (os dados so medidos - comprimento, peso, etc.). Cada abordagem poder ser utilizada tanto

na aceitao por amostragem como no controlo estatstico do processo (Daves et al, 1999).

2.4 METODOLOGIAS E FERRAMENTAS QUE IRO ASSEGURAR O CUMPRIMENTO DOS

REQUISITOS DO PROCESSO

O cumprimento dos requisitos tcnicos no processo de introduo de novos produtos dar-se-

com a utilizao de metodologias de controlo de qualidade. Estas metodologias esto associadas s

ferramentas implementadas para a obteno dos resultados a partir das pesquisas e levantamentos de

necessidades de melhorias detetados no processo produtivo.

Desta forma, para o cumprimento destes requisitos, pode-se utilizar as tcnicas descritas a

seguir.

2.4.1 Ferramentas da qualidade

As ferramentas da qualidade so utilizadas dentro dos processos de produo de uma forma

geral, com o objetivo de mostrar de forma clara, direta e concisa o comportamento do processo

produtivo. No entanto para seu uso efetivo e eficaz, preciso saber a aplicabilidade de cada ferramenta e

em que situao no processo produtivo a respectiva ferramenta pode ser utilizada.

Como objeto de estudo e implementao no desenvolvimento da pesquisa-ao, foram utilizadas

as seguintes ferramentas da qualidade:

Brainstorming: tcnica utilizada para obter uma lista abrangente de opinies que podem

ser utilizadas posteriormente no processo de anlise de um problema (Daychouw,

2007).

Diagrama de Pareto: uma eficiente ferramenta da qualidade para encontrar

problemas. O diagrama de Pareto descreve as causas que ocorrem na natureza e

comportamento humano, podendo assim ser uma ferramenta para focalizar os esforos

pessoais em problemas e, esta ferramenta tem o maior potencial possvel de retorno

quando da sua aplicao em processos produtivos (Veras, 2009).

21

Diagrama de Ishikawa: uma ferramenta grfica utilizada para o gerenciamento e

controlo da qualidade em diversos processos, permitindo a perceo das relaes entre

causa e efeito que intervm em qualquer processo produtivo sendo que todos os tipos

de problemas podem ser classificados em 6 categorias: mquina, mtodo, mo-de-

obra, meio ambiente, material e medies (Daychouw, 2007).

Grficos de controlo: os grficos de controlo, independente do tipo, baseiam-se nos

mesmos princpios fundamentais de construo e operao. So grficos temporais,

com pontos amostrais provenientes de medies de uma determinada caracterstica de

qualidade, que so plotados no eixo vertical e, no eixo horizontal apresentada a

evoluo temporal. Especificam limites superiores e inferiores dentro dos quais devem

se encontrar as medidas estatsticas dos itens de controlo. A linha central o valor

mdio das amostras. Podem apontar pontos discrepantes ou tendncias, conforme

Figura 6 (Neves, 2007).

Figura 6: Grfico de controlo

Listas de Verificao: so formulrios planeados nos quais os dados coletados so

preenchidos de forma fcil e concisa. Registram os dados dos itens a serem verificados,

permitindo uma rpida perceo da realidade e uma imediata interpretao da

situao, ajudando a diminuir erros e confuses. As folhas de verificao podem

apresentar-se como por exemplo, para distribuio do processo de produo,

verificao de itens defeituosos, verificao para localizao de defeito e verificao de

causas de defeitos.

Fonte: Neves, 2007

22

Fluxograma: uma ferramenta que mostra de forma grfica as etapas de um processo,

desde seu incio at a sua finalizao, fazendo parte da documentao do mesmo.

Permite compreender de forma rpida e clara, o funcionamento do processo sendo

utilizado para o estudo do processo atual ou para processos de novos projetos (Lucinda,

2010). basicamente formado por trs mdulos (Veras, 2009):

1 - Incio (entrada) - assunto a ser considerada no planeamento.

2 - Processo - consiste na determinao e interligao dos mdulos que englobam o assunto.

3 - Fim (sada) - fim do processo, onde no existe mais ao a ser considerada.

Abaixo, apresenta-se um exemplo simples de um modelo de construo de fluxograma (Figura

7):

Figura 7: Modelo simples de Fluxograma

5W1H: o plano de ao 5W1H permite considerar todas as tarefas a serem executadas

ou selecionadas de forma cuidadosa e objetiva, assegurando sua implementao de

forma organizada. E, aps serem definidas todas as etapas, deve ficar em local visvel a

toda a equipa para que as aes passem a ser executadas (Reyes e Vicino, 2013).

Cada ao deve ser especificada levando-se em considerao os seguintes itens (Figura

8):

Fonte:www.max.uma.pt

23

Figura 8: Plano de ao 5W1H

A utilizao do plano de ao e a sua aplicao em simultneo com as ferramentas da qualidade

citadas permite a avaliao de problemas no processo de introduo de novos produtos bem como nos

demais processos produtivos, alm da possibilidade de melhor visualizao do problema a ser resolvido

observando-se tambm a necessidade da resoluo das falhas serem de fcil acompanhamento pela

equipa de operadores.

PDCA (Plan/Do/ Check/ Act): uma metodologia subdivida em quatro fases, a saber

(Samohyl, 2009):

1. Plan: significa a identificao de pontos crticos na linha de produo em termos de

custos e tempo gasto e a escolha da ferramenta mais relevante e adequada para a

aplicao no ponto crtico;

2. Do: fazer a aplicao da ferramenta na linha de produo;

3. Check: analisar os dados;

4. Act: agir, a reao do gerente para melhorar o processo.

Esta metodologia tem como principal caracterstica a sua continuidade mesmo aps os

resultados serem alcanados. Isto deve-se em funo de sua utilizao ser contnua no processo de

melhoria nas reas onde a busca por redues de custos da qualidade ser um processo contnuo. E, a

cada ciclo, tm-se mais informaes sobre as caractersticas do processo e, consequentemente ter-se-

mais melhorias como resultado (Xavier, 2011). A Figura 9 representa a estrutura do mtodo PDCA e as

suas respetivas aes explanadas para um melhor entendimento da ferramenta.

Fonte: http://www.citisystems.com.br

24

Figura 9: Ciclo PDCA

importante enfatizar que a busca pela qualidade no finita e as quatro fases nunca acabam,

por ser um ciclo contnuo e permanente.

2.4.2 Matriz GxUxT

Alm das ferramentas da qualidade utilizadas e do plano de ao, existem demais tcnicas que

facilitam a resoluo de problemas de processos produtivos como a Matriz de Gravidade, Urgncia e

Tendncia - GxUxT (Daychouw, 2007).

Esta ferramenta possibilita priorizar as aes para a resoluo de problemas de acordo com o

grau de prioridade requerida dos problemas detetados, permitindo classificar por ordem decrescente os

problemas a serem tratados na melhoria dos processos produtivos. E, medida que os problemas so

resolvidos, estes so retirados da tabela, sendo que as aes realizadas para a resoluo do problema

serviro de referncia para a resoluo de problemas similares.

A seguir apresenta-se o exemplo da Matriz GxUxT (Daychouw, 2007) na Figura 10:

Fonte: www.bulkinsert.com.br

25

Figura 10: Matriz GxUxT

2.4.3 Metodologia de Anlise do Modo e Efeito da Falha - FMEA (Failure Mode and Effect

Analysis):

O FMEA de um processo uma tcnica analtica que serve para identificar e documentar de

forma sistemtica as falhas potenciais de maneira a eliminar ou reduzir a sua ocorrncia por meio de um

processo estruturado de aplicao. Pode-se observar com a sua utilizao se est diminuindo as

possibilidades do produto ou processo falhar (Ferreira et al., 2011). Existem trs tipos de FMEA sendo de

Sistemas, Projeto/Produto e Processo:

FMEA de Sistemas: usado para analisar sistemas e subsistemas na fase de conceo do

desenvolvimento de novos produtos (Ferreira et al., 2011).

FMEA de Projeto: usado na anlise de produtos antes de sua manufatura. Focaliza os modos de

falhas causados por deficincias no projeto (Fogliatto, 2013).

FMEA de Processo: usado na anlise de processos de manufatura e montagem. Focaliza os

modos de falhas causados por deficincias na manufatura ou montagem (Fogliatto, 2013).

Fonte: Daychouw, 2007

26

A utilizao do FMEA possibilita acompanhar a evoluo de problemas similares do processo

produtivo e permite avaliar se as aes de correo e preveno dos problemas so eficazes, atravs dos

passos que so realizados no FMEA, conforme Figura 11:

Figura 11: Fluxograma de FMEA

2.4.4 Desdobramento da Funo Qualidade QFD (Quality Function Deployment)

O Desdobramento da Funo Qualidade (QFD) uma metodologia para projetar um produto ou

servio, baseado nas exigncias do cliente, com a participao de membros de todas as funes da

organizao. Converte as necessidades do cliente em requisitos tcnicos adequados para cada estgio.

As atividades includas so (Oakland, 1994):

Pesquisa de mercado;

Pesquisa bsica;

Inveno;

Conceo;

Teste de prottipo;

Teste do produto final ou de servio;

Servio ps-venda e resoluo de problemas.

27

A utilizao do Desdobramento da Funo Qualidade (Quality Function Deployment QFD)

fornece mtodos especficos para garantir a qualidade ao longo de cada etapa do processo de

desenvolvimento de produtos, comeando com o design. um mtodo para desenvolver a qualidade

visando a satisfao do consumidor que traduz as suas expectativas em metas de projeto e qualidade do

processo produtivo (Akao,1990).

Com a utilizao das ferramentas e tcnicas descritas, o QFD possibilita a resoluo dos

problemas detetados na fase de introduo de novos produtos, e possui as seguintes caractersticas

(Peixoto e Carpinetti, 1998):

Foco no consumidor;

Considera a concorrncia;

Registo das informaes;

Interpretaes convergentes das especificaes;

Reduo do tempo de lanamento e reparos aps o lanamento;

Seu formato visual ajuda a dar foco para a discusso da equipa do projeto,

organizando a discusso;

Aumenta o comprometimento dos membros da equipa com as decises tomadas;

Os membros da equipa desenvolvem uma compreenso comum sobre as decises, as

suas razes e implicaes.

Como foi visto, o QFD um mtodo que pode ser empregado durante todo o processo de

desenvolvimento e produo (Sistema, Projeto e Processo) e tem como objetivo auxiliar as respetivas

equipas a incorporar no projeto as reais necessidades dos clientes. Por meio de um conjunto de matrizes,

parte-se dos requisitos expostos pelos clientes e realiza-se um desdobramento, transformando esses

requisitos em especificaes tcnicas do produto.

O QFD deve ser aplicado por um grupo multidisciplinar formado por pessoas chave dos

processos produtivos que sero envolvidos na introduo de novos produtos e os membros da equipa

devem entrar em comum acordo sobre todas as decises tomadas (Estorilio, 2007).

Para definir o QFD em um sentido mais restrito, utiliza-se a seguinte definio: "QFD o

desdobramento sistemtico de meios empregados e funes que formam a qualidade". O QFD dividido

em QD (desdobramento da qualidade, relativo garantia da qualidade atravs do projeto) e QFD

(desdobramento da funo qualidade, relativo garantia da qualidade em todo o sistema e conjunto de

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processos, desde o projeto at a entrega do produto e ps-venda) (Estorilio, 2007). A seguir, apresenta-se

um modelo bsico do QFD (Figura 12):

Figura 12: Modelo bsico do QFD

A fora do QFD est em tornar explcitas as relaes entre necessidades dos clientes,

caractersticas do produto e parmetros do processo produtivo, permitindo a harmonizao e priorizao

das vrias decises tomadas durante o processo de desenvolvimento do produto, bem como em

potencializar o trabalho de equipa. Outro aspeto importante a considerar que, por ser uma metodologia

que se baseia no trabalho coletivo, os membros da equipa desenvolvem uma compreenso comum sobre

as decises, as suas razes e as suas implicaes, e se tornam comprometidos com iniciativas de

implementar as decises que so tomadas coletivamente (Peixoto e Carpinetti, 1998).

2.4.5 Gesto de competncias tcnicas

Dentro das ferramentas, tcnicas e metodologias, deve-se considerar o grau de conhecimento da

equipa para o desenvolvimento das atividades pertinentes no processo de introduo de novos produtos.

Fonte: www.scielo.br

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Desta forma, a aptido da equipa acontece gradualmente medida que esta vai desenvolvendo suas

atividades, constituindo-se em vantagens competitivas difceis de serem imitadas (Goulart, 2006).

As dimenses das aptides so representadas pelas qualificaes pessoais e profissionais

adquiridas ao longo da participao das equipas em atividades geradoras de conhecimento, adicionando

valores e permitindo a busca de solues criativas por parte dos funcionrios (Goulart, 2006).

As ferramentas, tcnicas e metodologias da qualidade devero ter a sua usabilidade explanada

de acordo com o nvel de capacidade tcnica da equipa. sabido que implementaes de melhoria ou

mesmo de programas de qualidade falham pela inaptido das equipas quando da implementao,

avaliao e manuteno da utilizao das ferramentas. Muitas empresas, na nsia de obteno de

resultados, acabam no realizando todos os passos necessrios para alcanar os resultados (Vergueiro,

2002).

A Matriz de Responsabilidade vem servir de referncia para a delegao das responsabilidades

(Figura 13) levando em considerao as habilidades, conhecimentos e atitudes de cada integrante da

equipa. O trabalho de cada pessoa, a atividade e as responsabilidades e autoridades devem ser aspetos

definidos claramente por escrito. As empresas utilizam geralmente o organograma (ou matriz) de

responsabilidades, a descrio do cargo, ou o manual de organizao para atender ao princpio da

definio funcional (Marques, 2011).

Figura 13: Modelo de Matriz de responsabilidade

Fonte: www.arquivos.unama.br

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2.5 CONTROLO DOS PROCESSOS

Aes de inspeo, monitorizao, verificao de limites de capacidade produtiva e dos registos

do processo produtivo permitem que a empresa consiga visualizar e acompanhar o desenvolvimento das

atividades realizadas nos processos de produo de uma forma geral. As ocorrncias das atividades de

produo, como por exemplo, o trmino de uma pr-produo, a introduo de mquinas novas ou aes

corretivas para o desenvolvimento de atividades, devem ser reportadas no momento em que ocorrem. E,

os departamentos de apoio envolvidos de acordo com o tipo de ocorrncia devem ser imediatamente

notificados (Lustosa et al, 2011).

Estas aes so necessrias para que se gere o controlo das ocorrncias durante o processo de

produo da empresa, para que esta possa realizar a avaliao das falhas ou dificuldades detetadas no

processo produtivo. E, estas aes tambm devem ser realizadas no processo de introduo de novos

produtos. Assim, o processo de produo de uma forma geral pode ser constitudo por:

Controlo e monitorizao da qualidade

Limites de capacidade produtiva

Medio e anlises de processos produtivos

Estas aes so apresentadas nas subseces seguintes.

2.5.1 - Controlo e monitorizao da qualidade

Para controlar e monitorar os processos produtivos da empresa, algumas empresas utilizam

ferramentas de Controlo Estatstico da Qualidade CEQ, a partir da retirada de pequenas amostras

sempre muito menores que os lotes para caracterizar aspetos importantes do processo e melhorar a

qualidade. Esta ao permite que cada nova causa no aleatria de variao seja identificada e

documentada para anlise e, realizando-se a ao corretiva na mesma, o processo de produo seja

estabilizado - com menos variabilidade (Samohyl, 2009). A seguir, apresentado um exemplo de

monitoramento e inspeo de peas (Figura 14):

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Figura 14: Exemplo de monitoramento e inspeo de peas

2.5.2 Restrio de produo

A deciso baseada na capacidade de produo de uma empresa influencia o controlo e

monitoramento desenvolvido pela mesma em seus processos produtivos. A restrio refere-se a qualquer

fator que limite ou contenha o desempenho do processo de produo da empresa. E, estas restries

ocorrem em virtude de algo que a empresa no possui o suficiente. A Figura 15 apresenta um quadro

das restries que limitam o desempenho do processo de produo da empresa (Corbari e Macedo,

2012).

Fonte: Samohyl, 2009

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Figura 15: Principais restries encontradas pela empresa

As restries produtivas limitam a ao de melhorias nos processos produtivos, incluindo nestas

limitaes um controlo efetivo dos problemas de introduo de novos produtos.

Em alguns casos, dependendo do retorno financeiro, a empresa eventualmente desenvolve o

processo de introduo de novos produtos com limitaes de recursos, baseando-se as avaliaes desta

fase no mtodo da tentativa (acertar e errar) em relao s falhas. Esta ao mais caracterstica em

empresas onde o controlo de qualidade no visto como uma atividade que resulta na diminuio dos

custos para a empresa. Dessa forma, acaba-se caindo num crculo vicioso onde os recursos so dirigidos

para atenuar as falhas e cobrir gastos com aes corretivas e no preventivas, como controlos, medies

e anlises, o que acaba redundando no aumento das falhas de qualidade no processo produtivo (Fusco et

al, 2003).

2.5.3 Medio e anlise de processos produtivos

Medies e anlises so importantes para tomar decises com base em dados e factos. A

empresa deve avaliar a necessidade do emprego de tcnicas de controlo adequadas produo e que

proporcionem um meio eficaz e eficiente para o controlo da qualidade no processo de introduo de

novos produtos a fim de reduzir a variabilidade. Uma boa orientao para isso a utilizao de relatrios

Fonte: Corbari e Macedo, 2012

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tcnicos com diretrizes teis e apropriadas para a empresa na implementao, manuteno e

aperfeioamento do seu controlo de processo (Mello et al, 2009).

So citados alguns controlos que podem acompanhar a introduo de novos produtos:

Controlo de Documentao;

Registos de falhas;

Controlos de monitoramento e medio;

Controlo de itens inspeionados;

Controlo do ciclo operacional;

Avaliar a reduo e a alocao de recursos.

De uma forma geral, a empresa deve avaliar os tipos de controlos que so aplicveis ao seu

processo produtivo e tambm no processo de introduo de novos produtos. A metodologia de

implementao de aes de melhoria contnua no processo de introduo de novos produtos deve

considerar os fatores de aes aplicveis de maneira generalista.

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3. Metodologia de ao na introduo de novos produtos

Este captulo aborda os fatores que influenciam o processo de introduo de novos produtos e as

metodologias da qualidade aplicveis ao referido processo. Estas metodologias e ferramentas da

qualidade sero utilizadas para tornar o processo de introduo de novos produtos eficaz e eficiente.

3.1 IDENTIFICAO DE VARIVEIS CRTICAS DA QUALIDADE E RESPETIVOS PROCESSOS

Este trabalho presume que associado ao novo produto existe o desenvolvimento e planeamento

de produo j estruturados (Jaju et al, 2009). No planeamento da produo distribudo pelos processos

na empresa podem existir requisitos do novo produto que sejam mais difceis de alcanar de forma

repetida (Juran, 1992). A estes requisitos iremos chamar variveis crticas da qualidade. Estas podem ser

identificadas e analisadas fazendo-se o uso de histrico de evidncias de processos produtivos similares

(grficos de controlo, FMEA (Failure modes and effects analysis), indicadores de desempenho, etc.). A

identificao destas variveis a base para a definio de atividades de inspeo e controlo da qualidade

(Feigenbaum, 1994) e consiste no planeamento da qualidade industrial do novo produto.

Assim, a identificao das variveis no processo de introduo de novos produtos ser

estruturado nas seguintes etapas (Peixoto e Carpinetti, 1998):

1. Caracterizao do processo produtivo.

O processo de implementao de novos produtos desenvolvido concomitante ao processo de

produo dirio. Assim, para a introduo de novos produtos, ser gerado o fluxograma do processo de

produo que permite melhor visualizao das suas respetivas fases do processo, de forma a:

Preparar o processo de produo para a introduo de novos produtos;

Identificar as atividades crticas no processo de introduo de novos produtos;

Conhecer a sequncia das atividades a serem desenvolvidas dando uma viso do fluxo do

processo;

Gerar a documentao do processo para anlises futuras, adequar as normas e

certificaes e esclarecer sobre o funcionamento para pessoas recm-admitidas na

organizao;

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Fortalecer o trabalho em equipa sendo o desenvolvimento dos fluxogramas feito com a

participao de todos os envolvidos.

2. Identificao das causas de variao no desempenho dos processos.

Qualquer processo produtivo est sujeito a variao (Uliana, 2010), causada por mquinas,

pessoas, materiais, meio ambiente, mtodos e medidas. Esta classificao baseada na ferramenta

Diagrama de Ishikawa (Daychouw, 2007), com o seguinte desdobro:

Mquinas: avaliao dos instrumentos e mquinas utilizados realizao das atividades

de tal forma que as mesmas estejam adequadas e adaptadas atividade a qual se

destinam.

Mo-de-obra: avaliar o nvel de conhecimento e habilidades para o desenvolvimento da

equipa de qualidade e suas atividades, bem como capacitar os operadores para que

possam desenvolver as operaes do processo produtivo.

Materiais: realizao de controlo da qualidade dos materiais que so utilizados no

processo produtivo de forma a evitar que estes gerem transtornos, como por exemplo

produto defeituoso ou m qualidade do produto em funo de material no conforme.

Meio ambiente: avaliar juntamente com o responsvel de segurana do trabalho as

condies ambientais (iluminao, nvel de rudo, calor, etc.) que possam influenciar no

desenvolvimento da atividade por parte dos operadores resultando em desgaste e

comprometendo assim o desempenho dos mesmos para a realizao das atividades.

Mtodos: avaliar os mtodos de execuo das atividades, rever e criar instrues de

trabalho e procedimentos, quando necessrio, padronizando-os.

Medidas: implementar sistemas de inspeo de controlo de qualidade (Taguchi et al,

1990) ao longo do processo produtivo e na fase de produto acabado, criando padres

de inspees de produtos como referncia para a avaliao de qualidade.

Estas causas quando variam podem influenciar o resultado (Courtois, et al, 1997) de forma

positiva a atingir as metas e reduo dos ndices de falhas ou de forma negativa com o alto ndice de

defeitos, retrabalhos, absentesmo, processo produtivo improvisado. Para identificar estas causas, ser

necessrio ter o apoio-chave do proprietrio da empresa, do gerente da rea de produo, dos lderes de

produo e da equipa que busca na implementao de melhorias, uma motivao a mais para

desenvolver a sua atividade.

3. Avaliao do histrico de processos de produo semelhantes.

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A avaliao do histrico das variveis de processo permite a anlise sucinta dos fatores que

geram a no qualidade durante a execuo da produo. As informaes contidas nesses dados servem

de referncia para que o processo produtivo possa ser implementado visando melhorias aplicveis nas

atividades ou fases do processo onde ser implementado o novo produto.

A avaliao da qualidade no processo de introduo de novos produtos pode tomar como base o

histrico de produtos com caractersticas produtivas similares, utilizando o estudo feito a partir de dados

de controlos de processo, bem como demais controlos realizados ao longo da vida produtiva desses

produtos. Podem ser citados como material de referncia as cartas de controlo, os relatrios de anlises

de defeitos, FMEAs, Diagrama de Pareto, entre outros.

3.2 IDENTIFICAO DE AES DE MELHORIA NO PROCESSO PRODUTIVO DE NOVOS PRODUTOS

A melhoria de processos (Oakland, 1995) industriais requer a avaliao contnua dos processos

produtivos. Esta avaliao realizada a partir de evidncias acumuladas em seus processos de produo

no que tange ao controlo e melhoria de processos produtivos e gera parmetros avaliativos destes

processos, como segue:

1. Levantamento de informaes de processo produtivo: so colhidas pela equipa da qualidade

com os prprios operadores de produo que, considerando a vivncia dos mesmos

efetivamente na execuo de suas respetivas atividades de produo, possuem detalhes de

aspetos produtivos.

O conhecimento dos operadores de produo necessita ser considerado pelas equipas de

implementao do processo de introduo de novos produtos, resultando numa avaliao detalhada do

respetivo processo e na im