Livro Do Aluno Neonatologia e Risco

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São Paulo 2011 Programa de Formação de Profissionais de Nível Técnico para a Área da Saúde no Estado de São Paulo CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO EM ENFERMAGEM LIVRO DO ALUNO NEONATOLOGIA DE RISCO

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Programa de Formao de Profissionais de Nvel Tcnico para a rea da Sade no Estado de So Paulo

CURSO DE ESPECIALIZAO PROFISSIONAL DE NVEL TCNICO EM ENFERMAGEM

LIVRO DO ALUNO NEONATOLOGIA DE RISCO

So Paulo 20111

Governador do Estado Geraldo AlckminSecretrio da Sade Giovanni Guido Cerri Secretrio Adjunto da Sade Jos Manoel de Camargo Teixeira Chefe de Gabinete da Sade Reynaldo Mapelli Jnior Coordenador da Coordenadoria de Recursos Humanos da Sade Haino Burmester Secretria da Gesto Pblica Cibele Franzese Secretrio de Desenvolvimento Econmico, Cincia e Tecnologia Paulo Alexandre Barbosa Secretrio da Educao Herman Jacobus Comelis Voorwald Diretora Superintendente do Centro Paula Souza Laura Lagan

Diretor Executivo Geraldo Biasoto Junior Diretor Tcnico de Polticas Sociais Aurlio Srgio Costa Caiado Assessora da Diretoria Tcnica Teresa Mazza Analista administrativa Angelina Alves de Oliveira Coordenao Tcnico-Pedaggica Emlia Emi Kawamoto, Jlia Ikeda Fortes, Solange de Carvalho Oliveira, Solange Cezrio Gomes Ribeiro Cruz, Tomoko Matsui Coordenao de Execuo e Monitoramento Angela Maria Seibel Mohr, Carlos Alberto Bricoli, Gabriela Ferreira Granja, Glauciane de Oliveira, Luciana da Cunha Figueiredo Pires, Maria Ceclia Ribeiro, Priscila Pereira Monteiro, Teresa Christine Pereira Morais Coordenao de Planejamento e Informao Paula Regina Di Francesco Picciafuoco, Rafael Barros Soares, Vnia de Carvalho Ferreira Coordenao de Contratos, Contas e Pagamentos Andra Costa, Bruno Marcel Alcntara, Carlos Augusto Bim, Lindomar Jos Figueiredo, Srgio Flix, Waldir Salvadore Coordenao de Comunicao Nino Dastre, Patrcia Bacchin Zappa Assessoria de Sistemas de Informao Alessandra Sayuri Fugimoto, Denise Dolcemasculo, Gabriel Monteiro Rodrigues Gulias

Programa de Formao de Profissionais de Nvel Tcnico para a rea da Sade no Estado de So Paulo

CURSO DE ESPECIALIZAO PROFISSIONAL DE NVEL TCNICO EM ENFERMAGEM

LIVRO DO ALUNO NEONATOLOGIA DE RISCO

So Paulo 2011

permitida a reproduo total ou parcial desta obra, desde que citada a fonte e que no seja para venda ou para qualquer fim comercial. Primeira edio - Ano 2011

Normalizao bibliogrfica: Ana Cristina de Souza Leo, Norma Batista Norcia e Ruth Aparecida de Oliveira. Catalogao na fonte: Elena Yukie Harada. Reviso: Vera Carvalho Zangari Tavares. Ilustraes: Juhmco Hanada. Foto da capa: Fernando Fortes. Projeto grfico: Nino Dastre.

Fundao do Desenvolvimento Administrativo Rua Cristiano Viana 428 - 05411-902 - So Paulo SP - Tel. (11) 3066 5500

ColaboradoresADRIANA MORAES LEITE Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de So Paulo (USP). EDVALDO LEAL DE MORAES Enfermeiro. Mestre em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de So Paulo (USP). Vice-coordenador da Organizao de Procura de rgos do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da USP. ELIANDRA VASCONCELOS DA CRuZ MATIELO Enfermeira. Especialista em UTI Peditrica. Atuou como enfermeira na uTI Peditrica e Neonatal do Hospital Infantil Cndido Fontoura (HICF). ELISABETE KuDZIELICZ Enfermeira. Especialista em Sade Pblica pela Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) e Educao Ambiental pela Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo (USP). Administradora de Empresa. Consultora do Observatrio de Sade da Regio Metropolitana de So Paulo. PATRCIA DE ALMEIDA FuLIOTTI Enfermeira. Especialista em UTI Peditrica. Atuou como enfermeira na UTI Peditrica e Neonatal do Hospital Infantil Cndido Fontoura (HICF). Diretora Tcnica de Servio de Enfermagem do HICF. PEDRO DIMITROV Mdico. Doutor em Sade Pblica pela Faculdade de Sade Pblica da Universidade de So Paulo (USP). Secretrio Executivo do Observatrio de Sade da Regio Metropolitana de So Paulo. SANDRA ALVES NEVES ARAJO Enfermeira. Especialista em UTI Adulto e Peditrica. Atuou como enfermeira na UTI Peditrica e Neonatal do Hospital Infantil Cndido Fontoura (HICF). Diretora Tcnica de Diviso de Enfermagem do HICF. Docente da Universidade Nove de Julho (Uninove). VALESKA DE ANDRADE STEMPLIuK Enfermeira. Doutora em Cincias pela Universidade de So Paulo (USP). Consultora da Organizao Pan-Americana da Sade em Infeco Hospitalar HQ/WDC.

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AgradecimentosJOSEFA GARDEAS BORRELL Enfermeira. Mestre em Enfermagem Obsttrica e Neonatal pela Escola de Enfermagem da Universidade de So Paulo (1999); Doutora em Cincias da Sade pelo Departamento de Gastroenterologia da Faculdade de Medicina da universidade de So Paulo (2004); Pedagoga e Professora da Disciplina de Enfermagem da Criana e do Adolescente pela Universidade Nove de Julho (Uninove) e pela Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

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ApresentaoA formao de trabalhadores para a rea de sade representa um desafio permanente para a melhoria da qualidade do cuidado, no mbito do Sistema nico de Sade (SUS). Os cursos de especializao visam a suprir a necessidade de recursos humanos com uma qualificao que atenda a reas especficas do setor da sade, promovendo, assim, a melhoria da qualidade da ateno, sobretudo em reas mais complexas como a de unidade de terapia intensiva neonatal. Esse curso destinado aos tcnicos de enfermagem que pretendem ampliar a sua formao profissional de forma a aprimorar seu desempenho profissional com a aquisio de competncias que lhe deem condies de prestar assistncia em neonatologia de risco. Vale ressaltar que o setor de sade vem aperfeioando-se constantemente para enfrentar os avanos tecnolgicos no mundo contemporneo e as demandas da ateno sade da populao. O investimento no setor requer o contnuo aperfeioamento dos servios, de modo a lidar com frequentes transformaes nos processos de trabalho, exigindo novos perfis de competncias e habilidades profissionais. Essas mudanas apontam a necessidade de trabalhadores dotados de maior nvel educacional e formao tcnica, capazes de se ajustarem rapidamente s variaes de funes e aplicarem com eficincia os conhecimentos advindos dos avanos tecnolgicos. Para possibilitar a atuao em um contexto marcado pela complexidade, o Programa TecSade pretende formar especialistas de nvel tcnico com qualidade, assegurando a oferta de cursos de especializao com foco no desenvolvimento de competncias para o cuidar em sade. Como parte da poltica de formao do TecSade para o curso de especializao profissional de nvel tcnico em enfermagem, ser disponibilizado material didtico para os alunos, especialmente elaborado para atender ao aluno trabalhador do setor sade, constituindo-se em precioso recurso de apoio ao seu processo formativo. O conjunto didtico do aluno, composto de Livro do Aluno e Material Audiovisual, tem o propsito de contribuir para a formao e o aprimoramento do tcnico de enfermagem, com uma proposta pedaggica que privilegia a construo coletiva do conhecimento, articulando saberes, prticas e atitudes a partir da experincia do aluno e do contexto em que trabalha e vive. A nossa expectativa que o Livro do Aluno e o Material Audiovisual contribuam efetivamente para o desenvolvimento das competncias em sua formao profissional, com repercusso significativa no seu processo de trabalho, promovendo melhoria na qualidade da assistncia de sade prestada populao.

Geraldo Biasoto Jr

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SumrioColaboradores ..................................................................................................................... 5 Agradecimentos .................................................................................................................. 7 Apresentao ...................................................................................................................... 9 Caro aluno .......................................................................................................................... 13 rea I Atuando em Neonatologia no Contexto do SUS .................................................................... 15 Conhecendo o Sistema de Ateno Sade Neonatal do SUS ........................................... 18 1. Sade no Brasil: marcos histricos e o SUS ................................................................... 18 2. Poltica de Ateno Sade Neonatal............................................................................ 25 Promovendo a sade e prevenindo agravos em neonatologia .......................................... 34 3. Aleitamento materno: promoo, apoio e proteo ..................................................... 34 4. Imunizao no recm-nascido hospitalizado ................................................................. 46 5. Educao em sade: aspectos de hospitalizao do recm-nascido ............................. 50 Bibliografia ......................................................................................................................... 52 rea II Prestando Assistncia de Enfermagem ao Recm-Nascido Normal e de Risco ....................... 59 Fundamentando os cuidados de enfermagem ao recm-nascido ...................................... 63 6. Caracterizao e classificao do recm-nascido (RN) ................................................... 63 7. Cuidando do recm-nascido (RN) ao nascimento ......................................................... 73 8. Teoria das necessidades humanas bsicas na assistncia de enfermagem ................... 79 9. Cuidado desenvolvimental e humanizado ao recm-nascido ........................................ 83 Cuidando do recm-nascido com base na teoria das necessidades humanas bsicas e do cuidado desenvolvimental e humanizado. ....................................................................... 98 10. Atendendo necessidade humana bsica de integridade tecidual ............................. 9811

11. Atendendo s necessidades humanas bsicas de alimentao, hidratao e eliminao no recm-nascido de alto risco .......................................... 106 12. Atendendo necessidade humana bsica de oxigenao ......................................... 120 13. Atendendo s necessidades humanas bsicas de circulao ..................................... 125 14. Atendendo o recm-nascido em parada cardiorrespiratria (PCR) ........................... 142 15. Atendendo necessidade humana bsica de termorregulao no recm-nascido de alto risco .................................................................................. 149 16. Atendendo s necessidades humanas bsicas de sono e repouso ............................ 154 17. Atendendo necessidade humana bsica de percepo sensorial ........................... 156 18. Atendendo s necessidades humanas psicossociais e psicoespirituais ..................... 169 19. O processo de morte em unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neonatal) ...... 177 20. Administrao de medicamentos no perodo neonatal ............................................. 182 Bibliografia ....................................................................................................................... 193 rea III Fundamentando a Assistncia de Enfermagem em Neonatologia de Risco nos Princpios de Segurana do Paciente.................................................................... 211 Fundamentando a Assistncia de Enfermagem em Neonatologia de Risco nos Princpios de Segurana do Paciente ................................................................................................... 213 Fundamentando a assistncia segura ao paciente........................................................... 214 21. Promovendo a segurana do paciente ....................................................................... 214 22. Prevenindo risco de leso em recm-nascido (RN) no processo de cuidar................ 216 23. Prevenindo a infeco relacionada assistncia sade .......................................... 219 Prevenindo riscos no trabalho em sade ........................................................................ 237 24. Prevenindo riscos no trabalho em sade .................................................................. 237 25. Adotando medidas de preveno e controle de doenas imunoprevenveis no trabalho em sade ............................................................................................... 240 26. Reconhecendo riscos de acidentes com produtos qumicos, biolgicos e radioativos e cuidados com o ambiente .................................................................... 241 Bibliografia ....................................................................................................................... 245

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Caro alunoInicialmente, desejamos parabeniz-lo por sua escolha em fazer o presente curso. Sua participao representa no somente a realizao de um desejo pessoal que voc estar prestes a realizar, mas tambm a iniciativa em busca de aperfeioamento profissional. Compartilhado com muitos outros que decidiram trilhar pelo mesmo caminho, espalhados em diversas regies de nosso Estado, quem ganha efetivamente a comunidade. A ateno ao recm-nascido deve caracterizar-se pela segurana tcnica da atuao profissional e por condies hospitalares adequadas, aliadas suavidade no toque durante a execuo de todos os cuidados prestados (BRASIL, 2009). Ao especializar-se, voc estar adquirindo conhecimentos e habilidades que iro contribuir para o desenvolvimento de uma assistncia qualificada ao recm-nascido, seus pais e familiares, baseada em uma abordagem solidria e humanizada. Voc deve estar com grandes expectativas em relao ao curso, imaginando como ele est organizado e que conhecimentos sero trabalhados para a aquisio das competncias para atuar em neonatologia de risco. Veja, no quadro abaixo, o currculo a ser desenvolvido, que traz, de maneira sinttica, a estrutura do curso:rea I Atuando em neonatalogia no contexto do SUS. Terico-prtico Estgio supervisionado * 20 rea II Prestando assistncia de enfermagem ao recm-nascido normal e de risco. Terico-prtico Estgio supervisionado ** 100 rea III Fundamentando o cuidado de enfermagem neonatal nos princpios de segurana do paciente. Terico-prtico ** 30 30 Estgio supervisionado -

40 60

150 250

20 horas de trabalho de concluso de curso atividade terico-prtica*** / Carga horria total = 360 horas*Estgio realizado nos servios de ateno ao recm-nascido normal e de risco do municpio/regio. **O estgio supervisionado da rea II ser realizado aps o desenvolvimento dos contedos terico-prticos das reas II e III, que sero trabalhados de forma integrada. ***O trabalho de concluso dever ser desenvolvido ao longo do curso, sendo a carga horria distribuda conforme a necessidade de cada aluno.

Para a elaborao do currculo, consideramos as competncias do perfil profissional de concluso do tcnico de enfermagem especialista em neonatologia de risco Essas competncias foram elaboradas a partir do perfil de aes do tcnico de enfermagem realizado pela Associao Brasileira de Enfermagem e o Ministrio da Sade em 2003. As aes foram analisadas e contextualizadas aos servios de sade que prestam atendimento em13

neonatologia de risco, mediante a participao de enfermeiros especialistas que atuam na rea, sendo validadas nos segmentos do servio, da formao e do exerccio profissional. Dessa forma, ao manusear o livro didtico do aluno, voc perceber que sua organizao est alinhada com a estrutura do curso apresentado, sendo os contedos agrupados em trs reas: rea I Atuando em neonatologia no contexto do SUS; rea II Prestando assistncia de enfermagem ao recm-nascido (RN) normal e de risco; e rea III Fundamentando o cuidado de enfermagem neonatal nos princpios de segurana do paciente. Em cada rea de ensino, voc encontrar textos tcnico-cientficos e orientaes que iro ajudlo a desenvolver as competncias propostas no curso. Entendemos que essas competncias so necessrias sua atuao na assistncia de enfermagem ao RN normal e de risco, de forma segura e humanizada. Voc ter, no incio de cada rea, uma sntese do que se pretende alcanar com os estudos propostos, os contedos que sero abordados e as atividades que contribuiro para o desenvolvimento de seu aprendizado. A seleo, organizao e o tratamento dado aos contedos espelham a incorporao de uma proposta pedaggica contextualizada s diretrizes do SUS, constituindo-se um valioso recurso na construo das competncias descritas no referencial curricular.

Este livro didtico foi especialmente idealizado para voc.Ao folhear o livro, voc se deparar com vrios cones inseridos no corpo dos textos. Sugerimos que utilize intensivamente esses recursos, pois orientam o desenvolvimento de atividades tais como realizar reviso ou complementar os estudos sobre o assunto; e incentivam a pesquisa, a reflexo e a proatividade, na medida em que trazem em discusso questes da prtica diria de trabalho. Veja o significado dos cones:

ExERCCIoS, PESQUISA

INFoRMAo CoMPLEMENTAR

REFLExo, ANLISE

INTEGRAo DAS REAS

Voc o protagonista desse processo e o docente o mediador que ir auxili-lo na aquisio de novos conhecimentos. Entendemos que isso possvel medida que os conhecimentos e as experincias acumuladas em sua vida sejam ricamente explorados, em conexo com os pressupostos tcnicos, cientficos, socioculturais e ticos. com grande satisfao que o TecSade disponibiliza o material didtico com contedos especialmente produzidos para voc, aluno do Curso de Especializao em Neonatologia de Risco.14

rea I Atuando em Neonatologia no Contexto do SUS

rea I Atuando em Neonatologia no Contexto do SUSA rea I Atuando em Neonatologia no Contexto do SUS tem como tema introdutrio a sade como direito de todos e dever do Estado, evidenciando a trajetria histrica e os principais eventos que marcaram a construo do sistema de sade no Brasil. Tendo como pano de fundo a reforma sanitria e a constituio jurdica do SuS, que d as bases para a sua implementao, enveredamos pelos caminhos da organizao do sistema de sade do Estado de So Paulo, do qual voc faz parte como trabalhador do servio de sade desse sistema. Em seguida, destacamos a assistncia ao recm-nascido no mbito do SUS, abrangendo diretrizes e programas que visam ao atendimento integral sade da criana e da mulher. Para a sua compreenso, apresentamos sucintamente o contexto histrico-social da criana e da mulher, o desenvolvimento da neonatologia como especialidade mdica, os indicadores de sade como a taxa de mortalidade infantil, em especial a mortalidade perinatal, fatores determinantes na reduo dos ndices de mortalidade materno-infantil como o desenvolvimento de programas de ateno ao pr-natal, de cuidados no parto e ao recm-nascido. Com foco na promoo da sade e preveno de agravos em neonatologia, enfatizamos a poltica de promoo, apoio e proteo ao aleitamento materno, a imunizao do recm-nascido e a educao em sade. Pretende-se, com os estudos dessa rea de ensino, o desenvolvimento das habilidades relacionadas competncia Reconhecer os princpios da poltica de ateno sade neonatal, atuando da perspectiva de promoo da sade e preveno de agravos ao neonato, quais sejam: conhecer a poltica de ateno sade neonatal; identificar as situaes de morbimortalidade neonatal e sua relao com as condies de sade e socioeconmicas da populao do estado/municpio; realizar aes voltadas para o aleitamento materno; conhecer as atividades do banco de leite humano, conforme protocolos governamentais e/ou institucionais; realizar a ordenha de leite materno aplicando os princpios de segurana; conhecer a poltica nacional de imunizao do recm-nascido normal e de risco; aplicar vacinas especficas do recm-nascido; acondicionar e conservar vacinas de acordo com protocolos tcnicos; orientar a famlia e acompanhantes quanto participao nos procedimentos, exames de rotina e normas do servio; e realizar aes educativas relativas ao cuidado com o recm-nascido com vistas ao preparo para a alta hospitalar.17

Conhecendo o Sistema de Ateno Sade Neonatal do SUS1. Sade no Brasil: marcos histricos e o SUSA ateno sade no Brasil, como conhecemos hoje, com garantias de universalidade equidade, integralidade, participao popular, completou 20 anos de existncia em 2008. Universalidade direito a todas as pessoas ao atendimento pblico de sade, independentemente de sexo, raa, renda, ocupao ou outras caractersticas sociais ou pessoais. Equidade significa ateno sade com recursos e servios de forma justa, alocando mais a quem tem menos, a fim de reduzir as desigualdades. Integralidade atender a pessoa como um todo, com a realizao de aes de ateno sade na sua totalidade, quer seja curativa, preventiva, individual ou coletiva. Participaopopular participao dos usurios dos servios de sade e da sociedade civil organizada, atravs dos Conselhos de Sade (permanentes, deliberativos e paritrios) e das Conferncias de Sade (peridicas, consultivas e paritrias). Foi a partir da promulgao da Constituio Federal, em 1988, que a sade passou a ser direito de todos e dever do Estado, prevendo a reduo do risco de doenas e outros agravos e acesso universal e igualitrio s aes e aos servios para promoo, proteo e recuperao da sade, que devem ser garantidos por meio da adoo de polticas pblicas, sociais e econmicas. A organizao da rede de servios de sade, de forma regionalizada (local, municipal, regional, estadual e federal) e hierarquizada (ateno bsica, Constituio ateno de mdia e alta complexidade ambulatorial e hospitalar) se deu com a Federal de 1988 implantao do Sistema nico de Sade (SUS), que foi regulamentado em 19 de setembro de 1990 atravs da lei n. 8.080. Essa lei define o funcionamento do SuS, instituindo-o legalmente como um sistema dinmico de organizao contnua e crescente das aes de ateno sade do povo brasileiro. Fazem parte do SUS as equipes de Sade da Famlia; as Unidades Bsicas de Sude (UBS); hospitais pblicos municipais, estaduais e federais, incluindo os universitrios; fundaes e institutos de pesquisa (como Butantan, Adolfo Lutz e Vital Brasil); laboratrios; hemocentros (bancos de sangue); servios de Vigilncia Sanitria, Vigilncia Epidemiolgica e Vigilncia Ambiental; alm de hospitais e servios privados de sade contratados ou conveniados pelo Poder Pblico.

Instituto Adolfo Lutz, So Paulo, SP

A Vigilncia em Sade compreende: Vigilncia Epidemiolgica, Vigilncia Sanitria, Vigilncia em Sade Ambiental e Vigilncia na Sade do Trabalhador. Faa uma reviso sobre o assunto, com orientao do professor.18

Na histria da sade brasileira, antes da implantao do SUS, a assistncia sade era destinada exclusivamente aos trabalhadores. Teve incio com as Caixas de Aposentadoria e Penses, regulamentadas em 1923 pela Lei Eloy Chaves. No incio de 1930, existiam mais de 180 caixas (da vem a expresso, usada at hoje, de que as pessoas que esto em licena mdica esto na caixa), e o ento presidente Getlio Vargas reestruturou a Previdncia Social, incorporando praticamente todas as categorias de trabalhadores urbanos. Assim, foram criados seis grandes institutos nacionais de previdncia por categoria profissional, os chamados Institutos de Aposentadoria e Penso (IAPs), cujo financiamento dos benefcios era repartido entre trabalhadores, empregadores e governo federal. Essa forma de organizao e financiamento da sade durou mais de trs dcadas. Em 21 de novembro de 1966, durante o governo militar no Brasil, foi promulgado o DecretoLei n. 72, que unificou os Institutos de Aposentadoria e Penses e criou o Instituto Nacional de Previdncia Social (INPS). Aps 11 anos, a Lei n. 6.439, de 1 de setembro de 1977, estabelece o Sistema Nacional de Previdncia e Assistncia Social (Sinpas) e cria como autarquia federal o Instituto Nacional de Assistncia Mdica da Previdncia Social (Inamps). Assim, o Inamps passou a prestar o atendimento mdico-hospitalar, que continuou voltado apenas aos que contribuam com a previdncia social, ou seja, aos empregados com carteira profissional assinada. O atendimento sade era condicionado ao pagamento da previdncia. O Inamps contava com uma rede prpria de servios, que foi incorporada por decreto ao Ministrio da Sade, em 1990, e, com a regulamentao do SUS, transferida parcialmente s Secretarias Estaduais da Sade. Somente em 27 de julho de 1993, com a Lei n. 8.689, ocorre a extino do Inamps e todas suas atividades finalmente so incorporadas ao Ministrio da Sade, porm, sem a transferncia correspondente dos recursos financeiros, gerando a crise financeira da sade que se estende at os dias atuais. Na poca anterior ao SuS, as atividades de sade, desenvolvidas pelo Ministrio da Sade, Secretarias de Sade estaduais e municipais dos grandes centros urbanos, se resumiam s atividades de promoo de sade (educao sanitria) e preveno de doenas (vacinao, campanha de combate a enfermidades como tuberculose, hansenase e outras) para todas as pessoas indiscriminadamente; realizava-se assistncia mdico-hospitalar a indigentes, pobres e desempregados que no tinham como pagar servios privados de sade (mdicos particulares ou hospitais e casas de sade com fins lucrativos). O restante da populao que no tinha carteira de trabalho assinada (lembrando que as mulheres na poca no faziam parte do mercado formal de trabalho, ou seja, a maioria eram donas de casa ou trabalhavam dentro do lar) recorria ou a prticas populares de cuidados com a sade (chs, ervas, curandeiros, curiosas/parteiras, frmulas manipuladas por boticrios e tantas outras modalidades conhecidas at hoje pela populao que vive em reas rurais) ou s Santas Casas, geralmente quando a enfermidade era grave, que cuidava dessas pessoas e as abrigava at a morte. bom lembrar que o acesso aos servios de sade sempre foi difcil e , at agora, um dos grandes desafios para o SUS. Porm, atualmente, o direito das pessoas ao atendimento s necessidade de sade, de forma humanizada, tica e com justia social, em qualquer parte do Pas, deve ser suprido pelo Estado brasileiro de forma gratuita.19

A evoluo histrica do sistema de sade e a atual realidade do setor sade esto relacionadas diretamente evoluo poltico-social e econmica da sociedade brasileira, no sendo possvel dissoci-las. O SuS, diferentemente das Caixas de Aposentadoria e Penso que deram origem aos IAPs, depois reunidos no INPS e, na sequncia, dando origem ao Inamps, foi uma conquista no s dos trabalhadores, mas de todos os cidados brasileiros. Foi resultado do movimento da Reforma Sanitria, que nasceu como forma de oposio tcnica e poltica ao regime militar, por diferentes setores da sociedade e por movimentos populares, que contriburam para a realizao do Simpsio sobre Poltica Nacional de Sade, promovido pela Cmara dos Deputados, no perodo de 9 a 11 de outubro de 1979. No seu processo histrico de construo, o SUS tem como marco principal a 8 Conferncia Nacional de Sade, realizada em maro de 1986. Foi a primeira vez que a populao participou das discusses da conferncia. Participaram dessa conferncia mais de quatro mil delegados, impulsionados pelo movimento da Reforma Sanitria, e propuseram a criao de uma ao institucional correspondente ao conceito ampliado de sade, que envolve promoo, proteo e recuperao. (BRASIL, 1986).

Todo o esforo da sociedade e dos movimentos populares na obteno de uma poltica de sade mais justa e igualitria foi contemplado na Constituio Federal de 1988, na lei de criao do SUS (Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, e Lei n. 8.142, de 28 de dezembro de 1990), que imprimiu ao Sistema uma de suas principais caractersticas: o controle social, ou seja, a participao dos usurios e/ou populao na gesto de suas aes e seus servios.Portanto, interessante lembrar que o movimento de reforma sanitria, originado no final da dcada de 1960 e incio da dcada de 1970, no se esgotou nem se esgota com a aprovao do SUS na Constituio. A garantia legal foi um marco do movimento, mas no seu fim. H muito que fazer e muito a conquistar. No campo das polticas pblicas, apenas a sade caminhou. Chegamos hoje ao ponto em que h a necessidade de que outros setores da sociedade estejam presentes com aes polticas de incluso. Se quisermos uma sade que ultrapasse o bem-estar fsico e mental e penetre na construo de estratgias que visam qualidade de vida, necessria a interao dos diferentes e complexos setores da sociedade. (ABRAHO, 2006).

Entenda melhor o processo histrico de construo do SUS assistindo ao documentrio Polticas de Sade no Brasil: um sculo de luta pelo direito sade, dirigido pelo cineasta Renato Tapajs, numa produo do Ministrio da Sade, de 2006. Disponvel no endereo eletrnico: 20

o Sistema nico de Sade e o Pacto pela SadeDurante mais de 20 anos de trabalho do SuS e de consolidao progressiva dos municpios como instncias de governo, com autonomia para definir as prioridades de sade a serem atendidas, foram praticadas diferentes formas de planejamento e repasses de recursos financeiros para a execuo dos programas e polticas de sade no mbito municipal. A transferncia dos recursos era realizada, e em parte at hoje, por meio de critrios como: perfil demogrfico (nmero de habitantes, onde as pessoas vivem, nmero de pessoas alfabetizadas, nmero de crianas e idosos, dentre outros); perfil epidemiolgico (do que as pessoas adoecem, do que morrem, quais suas condies de vida, quais suas necessidades de sade, dentre outros); rede de servios existente (equipes de Sade da Famlia, estabelecimentos de ateno sade, servios de apoio ao diagnstico e a terapia, etc.); e ressarcimento dos servios prestados (internaes e procedimentos realizados). Porm, esses critrios no garantiam a integrao de aes entre os municpios em planejamento mais integrado. A partir de 1991, por meio da edio de Normas Operacionais Bsicas (NOBs), o Ministrio da Sade formalizou a relao e as competncias entre municpios, Estados e Unio. Definiu tambm a constituio dos fruns de deciso do SUS, como as Comisses de Intergestores Bipartite (CIB) e Tripartite (CIT) e os instrumentos para a fiscalizao da movimentao dos recursos repassados aos Fundos Municipais e Estaduais de Sade, definio dos oramentos municipais e elaborao dos Planos de Sade e dos Relatrios de Gesto e da Programao Pactuada e Integrada de Sade. Nesse processo, foram editadas a NOB-SUS n. 01/91; a NOB-SUS n. 01/93; e a NOB-SUS n. 01/96.

CIT: Comisso integrada por representantes dos gestores municipais (Conselho Nacional de Secretrios Municipais de Sade Conasems), estaduais (Conselho Nacional de Secretrios de Sade Conass) e federal (Ministrio da Sade). CIB: Comisso integrada por representantes dos gestores municipais (Colegiado de Secretrios Municipais de Sade Cosems) e estadual (Secretaria Estadual de Sade). Voc poder ter acesso s Normas Operacionais Bsicas consultando a pasta de legislao do SUS no site www.saude. gov.br

Esse processo envolveu os profissionais de sade, os conselhos de sade e a capacitao para a gesto do SUS. Como dito anteriormente, o SUS no um sistema pronto e acabado. Est em constante superao de suas formas de trabalho e envolve um gerenciamento com alto grau de complexidade. Para suprir as necessidades na ateno sade que no pudessem ser resolvidas pelas Secretarias de Sade dos municpios, o Ministrio da Sade editou, em 2006, o Pacto pela Sade.

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Selo do Pacto pela Sade

O Pacto pela Sade definido pelo Ministrio da Sade como um conjunto de reformas institucionais pactuado entre municpios, Estados e a unio para realizar a gesto do Sistema nico de Sade (SUS). Tem como objetivo promover novas formas de gesto do SuS, por meio da adeso ao Termo de Compromisso de Gesto (TCG), que renovado anualmente e estabelece metas e compromissos para cada municpio, para o Estado e para o governo federal O Pacto pela Sade est composto das seguintes dimenses: Pacto pela Vida; Pacto em Defesa do SUS; e Pacto de Gesto.

O PactopelaVida estabelece as prioridades e as metas do SUS em nvel nacional. Para o binio 20102011, as linhas de prioridades definidas legalmente so: ateno sade do idoso; controle do cncer de colo de tero e de mama; reduo da mortalidade infantil e materna; fortalecimento da capacidade de resposta s doenas emergentes e endemias, com nfase na dengue, hansenase, tuberculose, malria, influenza, hepatite e AIDS; promoo da sade; fortalecimento da ateno bsica; sade do trabalhador; sade mental; fortalecimento da capacidade de resposta do sistema de sade s pessoas com deficincia; ateno integral s pessoas em situao ou risco de violncia; sade do homem. A dimenso PactoemDefesadoSUS visa a discutir, nos conselhos municipais e estaduais, as estratgias para implantao das aes de sade para qualificar e assegurar o SUS como poltica pblica. O PactodeGesto define as diretrizes e responsabilidades dos municpios, estados e Unio, no que diz respeito a: descentralizao; regionalizao; financiamento e planejamento do SUS; programao pactuada e integrada (PPI); regulao da ateno e assistncia sade; participao e controle social; e gesto do trabalho em Sade. (BRASIL, 2006)22

O financiamento do SUS, realizado atravs de transferncias dos recursos, passou a ser dividido em seis grandes blocos: Ateno Bsica; Ateno de Mdia e Alta Complexidade da Assistncia Ambulatorial e Hospitalar; Vigilncia em Sade; Assistncia Farmacutica; Gesto do SUS; e Investimentos em Sade. O PactopelaSade tambm contribuiu para alavancar o processo de regionalizao na definio e implantao das regies de sade. As regies de sade so definidas como espaos territoriais nos quais so desenvolvidas as aes de ateno sade, objetivando alcanar maior resolutividade e qualidade nos resultados, assim como maior capacidade de cogesto regional. A poltica de regionalizao prev a formao dos Colegiados de Gesto Regionais (CGRs), que tm a responsabilidade de organizar a rede de aes e servios de ateno sade das populaes locais. (MINISTRIO DA SADE, 2010) Com a assinatura do Termo de Compromisso de Gesto, coube aos municpios a responsabilidade pela totalidade de aes envolvidas na Ateno Bsica. As regies de sade ficaram com a responsabilidade na definio das redes de ateno e do desenvolvimento de aes para assistncia de mdia e alta complexidade ambulatorial e hospitalar. Coube ao Estado realizar as aes de ateno de alta complexidade que no pudessem ser cobertas pela regio de sade. No Estado de So Paulo, a Secretaria de Sade conta com 17 Departamentos Regionais de Sade (DRSs), que apoiam as 64 regies de sade (anexo 1), que, por sua vez, agrupam os 645 municpios. Alguns municpios, como So Paulo e Guarulhos, dada a sua dimenso, so isoladamente, cada um, uma regio de sade (anexos 1 e 2). A regionalizao importante porque permite congregar os profissionais e gestores para a definio das redes de ateno sade, como so a RedeOnco (ateno pessoa com cncer), a rede de Sade Mental, dentre outras, podendo fazer a referncia e contrarreferncia dos pacientes.Verifique em seu local de trabalho como ocorre o fluxo de referncia/contra-referncia. Analise com seu grupo de trabalho a eficincia e eficcia desse sistema nas diversas instncias de ateno sade, sob orientao do professor.

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Anexo 1Composio Regional da Sade, segundo macrorregio, Departamento Regional de Sade (DRS) e Regio de Sade, So Paulo, 2010.

Macrorregio

DRS Araatuba Barretos

Regio de Sade 3 2 7 12 4 3 3 3 13 1 7 1 3 4 16 5 5 5 15 4 4 8 64

Nmero de municpios 40 19 101 160 24 22 26 20 92 9 39 15 48 39 150 68 62 45 175 42 26 68 645

Populao 2009 719.323 411.690 1.470.348 2.601.361 920.257 649.807 1.327.989 773.781 3.671.834 1.664.136 19.683.975 273.566 2.243.016 2.264.594 26.129.287 1.624.623 1.068.408 722.192 3.415.223 4.031.910 1.412.584 5.444.494 41.262.199

Noroeste

So Jos do Rio Preto 3 Araraquara Franca

Nordeste

Ribeiro Preto So Joo da Boa Vista 4 Baixada Santista Grande So Paulo

Sul/Sudeste

Registro Sorocaba Taubat 5

Centro oeste

Bauru Marlia Presidente Prudente 3

Centro Leste

Campinas Piracicaba 2

Estado de So Paulo

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Fontes: SES/SP; IBGE - Estimativa populacional.

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Regionalizao da Secretaria Estadual de Sade de So Paulo

Fonte: SES/SP.

2. Poltica de Ateno Sade NeonatalNa nossa civilizao ocidental, a preocupao com a sade da criana algo recente. Por longo tempo, o seu papel na famlia e na sociedade foi descrito a partir da vida dos adultos e ignorado pela sociedade. Nos sculos XV e XVI, o recm-nascido e a criana passam a ter sua existncia reconhecida na sociedade. Nesse perodo da histria, vrios tratados acerca das doenas em crianas so impressos e divulgados. O primeiro estudo relativo medicina das crianas escrito em lngua inglesa datado de 1545 e denominado The Book of Children (Livro da Criana). Vrias obras francesas, italianas, alems e espanholas tambm foram publicadas nesses sculos e deram incio literatura peditrica. O espao social adquirido pela criana lentamente imps uma nova perspectiva educao e ao cuidado desde seu nascimento e durante a sua vida.Sculo XV: Compreende o perodo entre os anos de 1401 e 1500 dC. Sculo XVI: Compreende o perodo entre os anos de 1501 e 1600 dC. O termo Neonatologia foi estabelecido por Alexander Schaffer em seu livro Diseases of the Newborn (Doenas do Recm-Nascido), publicado pela primeira vez em 1960. Esse livro e o Physiology of the Newborn Infant (Fisiologia da Criana Recm-Nascida), de Clement Smint, constituem a base da Neonatologia (AVERY et al., 1984).

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Nos ltimos dois sculos, o elevado nmero de mortes e doenas ocorridas no perodo neonatal preocupou e motivou a sociedade no sentido de compreender e desenvolver mtodos e tecnologias para reduzir a morte prematura de crianas durante e aps o seu nascimento. A histria da Neonatologia est intimamente ligada histria da Pediatria, que se firmou como uma especialidade mdica na segunda metade do sculo XIX. O termo Neonatologia advm do latim: ne(o) que significa novo; nat(o) que significa nascimento; e logia que significa estudo. A Neonatologia pode ser definida como o ramo da Pediatria que se ocupa das crianas desde o nascimento at os 28 dias de idade (quando as crianas deixam de ser recm-nascidos e passam a ser lactentes).Puericultura, (do latim puer, pueris criana), definida tradicionalmente como o conjunto de tcnicas empregadas para assegurar o perfeito desenvolvimento fsico e mental da criana, desde o perodo de gestao at a idade de 4 ou 5 anos, e, por extenso, da gestao puberdade (FERREIRA, 1999).

Segundo Avery (1999), no seu livro Neonatologia, Fisiologia e Tratamento do Recm-Nascido, a Neonatologia surgiu na Frana, a partir das preocupaes do obstetra Pierre Budin com a ateno sade do recm-nascido para alm das salas de parto. No ano de 1892, o obstetra Budin criou um ambulatrio de puericultura no Hospital Charit, em Paris. Foi um dos marcos na histria do cuidado do recm-nascido com o desenvolvimento dos princpios e mtodos que passaram a formar a base do cuidado neonatal. Em 1914, o pediatra Julius Hess e a enfermeira Evelyn Lundeen criaram o primeiro centro de recm-nascidos prematuros no Hospital Michel Reese, em Chicago, nos Estados Unidos da Amrica. Desde ento, ocorreu a instalao de vrios outros centros, que seguiram os princpios descritos e adotados por Budin e Hess, com a finalidade de assegurar aos recm-nascidos um atendimento profissional com enfermeiras treinadas, equipamentos, incluindo incubadoras e procedimentos para a preveno de infeces e demais doenas. Esses dois profissionais preconizaram a manipulao mnima do recm-nascido, a lavagem frequente das mos, e o uso de vestimenta adequada e especfica dos profissionais que trabalham na unidade de cuidados do recm-nascido.

Foi utilizado o termo enfermeira no feminino pois, na poca, era uma atividade realizada predominantemente por mulheres. Atualmente, a enfermagem uma cincia e uma profisso executada por ambos os sexos.

Alguns estudos e avanos tecnolgicos e farmacuticos foram marcos na histria da Neonatologia, dentre eles, citamos: unificao dos critrios para manejo dos recm-nascidos prematuros, na dcada de 1940; inveno da incubadora em 1878 por Tarnier e, posteriormente, aperfeioada por Budin quanto ao controle trmico, limpeza, higiene e nutrio do recm-nascido; criao da escala de Apgar, em 1953, pela Dra. Virginia Apgar; o termo Neonatologia, utilizado pela primeira vez em 1960 pelo mdico Alexander Schaffer;Virginia Apgar. Autora de os primeiros dez minutos da vida - A Escala de APGAR. A Appearance (aparncia) P Pulse (pulso) G Grimace (careta) A Activity (atividade) R Respiration (respirao)

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utilizao de monitores eletrnicos, medidas de gasometrias arteriais e a utilizao de antibiticos para o tratamento da septicemia neonatal, a partir da dcada de 1960; cuidados referentes nutrio do recm-nascido, com o uso de alimentao por sondas, alimentao parenteral, uso de cateteres umbilicais e transdutores de presso arterial, tornamse rotina a partir da dcada de 1970; implantao do primeiro Servio de Cuidados Perinatais em 1973, nos Estados Unidos da Amrica; avano, nas ltimas dcadas, da tecnologia e do melhor conhecimento antomo-fisiolgico do recm-nascido, da utilizao da Ventilao Pulmonar Mecnica e do uso do Surfactante exgeno (1980-1996), o que permitiu o aumento da sobrevida com qualidade do recm-nascido prematuro.

No sculo XX, especificamente, ocorreram grandes conquistas na neonatologia, como: a luta contra as doenas infecciosas; o progresso da diettica e das tcnicas de compensao por perfuso dos desequilbrios hidroeletrolticos; a criao de unidades de reanimao; o reconhecimento precoce do sofrimento fetal; os progressos da gentica e da citogentica; o diagnstico precoce de certas doenas metablicas; o uso preventivo de vitamina D no raquitismo; o uso teraputico da insulina; os avanos na Imunologia, Alergologia e patologias do aparelho hematopoitico; a realizao de exsanguinitransfuses na incompatibilidade Rh; e os avanos da Cirurgia Peditrica, dentre outros. Alm desses, a adoo de aes de promoo gestao saudvel, com o desenvolvimento de programas de ateno ao pr-natal, de cuidados no parto e ao recm-nascido so fatores determinantes para a melhora dos ndices de mortalidade da me e do beb. No decorrer da histria da sade, a Neonatologia um campo novo a ser explorado que tem exigido constantes transformaes e atualizaes do exerccio profissional da equipe que atua nessa rea. H, portanto, uma necessidade crescente de aprimoramento e valorizao dos profissionais, em particular com os que atuam diretamente com o recm-nascido de alto risco. No Brasil, a histria no foi diferente. Em nosso pas, a reduo da mortalidade infantil, em especial a mortalidade perinatal, ainda um grande desafio. A taxa de mortalidade infantil frequentemente utilizada como um indicador do nvel de sade de um pas. considerada, tradicionalmente, como um dos mais sensveis indicadores de sade e tambm das condies socioeconmicas da populao. Segundo a Organizao das Naes Unidas (ONU), a taxa de mortalidade infantil brasileira, em 2006, ocupava o 106 lugar na lista dos pases do mundo, com 23 mortes de crianas menores de cinco anos em cada mil nascidos vivos. O ndice considerado aceitvel pela Organizao Mundial da Sade (OMS) de dez mortes para cada mil nascimentos. No Brasil, nos ltimos dez anos, a taxa registrada da mortalidade infantil vem diminuindo.Mortalidade infantil o clculo do nmero de mortes de crianas menores de 5 anos por 1.000 crianas nascidas vivas. Veja tambm os conceitos de mortalidade aplicados em neonatologia no anexo 1. De 1990 a 2007, a taxa de mortalidade infantil (TMI) no Brasil apresentou tendncia de queda, passando de 47,1 bitos em menores de 5 anos por 1.000 nascidos vivos em 1990 para 19,3/1.000 em 2007, com uma reduo mdia de 59,0%. Veja as taxas de mortalidade infantil no mundo e no Brasil, respectivamente, nos anexos 2 e 3.

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A reduo da mortalidade infantil tem sido atribuda a diversos fatores, dentre outros: queda da fecundidade; maior acesso da populao ao saneamento e servios de sade; aumento da prevalncia de aleitamento materno; e intensificao das aes de imunizao, antibioticoterapia e terapia de reidratao oral (SIMES, 2003). A reduo da mortalidade infantil ainda um grande desafio no Pas para os gestores, profissionais de sade e para a sociedade como um todo. Apesar da queda importante na ltima dcada, decorrente da reduo da mortalidade psneonatal (28 dias a 1 ano de vida), os ndices so ainda elevados, h uma estagnao da mortalidade neonatal no Brasil (0 a 27 dias de vida) principal componente da mortalidade infantil desde a dcada de 90 e uma concentrao nas regies e populaes mais pobres, refletindo as desigualdades sociais. As mortes em recm-nascidos (at os 28 dias de vida) ainda so maioria nas estatsticas de bitos em crianas at 1 ano de idade. O risco de que um beb morra antes dos 28 dias 1,5 vez maior que em qualquer outro momento do primeiro ano de vida.A CID-10 foi conceituada para padronizar e catalogar as doenas e os problemas relacionados sade, tendo como referncia a Nomenclatura Internacional de Doenas, estabelecida pela Organizao Mundial de Sade. Com base no compromisso assumido pelo governo brasileiro, a organizao dos arquivos em meio magntico e sua implementao para disseminao eletrnica foi efetuada pelo Datasus, possibilitando, assim, a implantao em todo o territrio nacional, nos registros de Morbidade Hospitalar e Ambulatorial, compatibilizando esses registros entre todos os sistemas que lidam com morbidade. Permite que programas e sistemas possam referenciar, de forma padronizada, as classificaes; auxilia a busca de informao diagnstica para finalidades gerais. Fonte: BRASIL.MINISTRIO DA SADE. Datasus. Informaes de Sade. Notas Tcnicas. Disponvel em: Acesso em 7/5/2010.

Em 2007, no Brasil, nasceram vivos (NV) 2.891.328 bebs. Porm, morreram nesse mesmo ano, nos primeiros 27 dias de vida, 11 bebs em cada 1.000 crianas nascidas vivas. No Estado de So Paulo, esses mesmos dados tambm apresentam nmeros preocupantes. Foi registrado, em 2007, o nascimento de 595.408 (NV) bebs, e a mortalidade neonatal foi de 9 bitos de bebs por 1.000 nascidos vivos. Ressaltese que 70% dos bitos neonatais ocorreram durante a primeira semana de vida; e 97%, em estabelecimentos hospitalares.

As principais causas de mortalidade neonatal registradas em So Paulo no ano de 2007, segundo a Classificao Internacional de Doenas (CID-10), foram: malformao congnita, deformidade e anomalias cromossmicas; septicemia bacteriana do recm-nascido; desconforto respiratrio do recm-nascido; feto e ou recm-nascido afetados por fatores maternos e por complicaes da gravidez, do trabalho de parto e do parto; e outras afeces respiratrias do recm-nascido.

As polticas pblicas de incentivo ao pr-natal, a criao e o funcionamento dos Comits de Mortalidade Materna e Infantil, o desenvolvimento de processos educativos para os profissionais de sade voltados ateno da maternidade e da infncia so alguns exemplos de importante papel na reduo da mortalidade e das doenas especficas da mulher e da criana.28

A preveno de morte precoce em recm-nascidos envolve importantes fatores de interveno nos determinantes da mortalidade infantil precoce, tais como, principalmente: investimentos em servios hospitalares; adoo crescente de novas e mais complexas tecnologias (permitindo a sobrevivncia de crianas cada vez mais prematuras); aes educativas e de sade pblica; investimentos na produo do conhecimento em perinatologia; e aprimoramento e especializao dos profissionais de sade que trabalham no cuidado e na assistncia ao neonato e me.

Para o enfrentamento desses desafios, o Brasil vem adotando, nos ltimos anos, uma srie de medidas. A partir de 1988, com a promulgao da atual Constituio e a estruturao do Sistema nico de Sade (SUS), o Brasil garantiu como uma de suas prioridades a proteo dos direitos da criana e do adolescente, considerando a sade como uma de suas necessidades bsicas e um direito do cidado. Nessa mesma dcada, houve a formao do movimento social pela humanizao do parto e do nascimento, gerando uma srie de medidas na ateno sade da mulher e da criana e a congregao de profissionais, gestores e servios de sade; associaes de classe; organizaes no governamentais e a Rede de Humanizao do Parto e do Nascimento (Rehuna), dentre outros. Esses movimentos, atrelados crescente preocupao da sociedade com a proteo criana, culminaram na promulgao da Lei n. 8.069, em 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA), que dispe do Direito Vida e Sade. Em seu Ttulo II, Captulo I, art. 7, o texto descreve que a criana e o adolescente tm direito proteo vida e sade, mediante a efetivao de polticas sociais pblicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condies dignas de existncia. Lembramos que, anteriormente ao SuS, nas primeiras dcadas do sculo XX, a ateno ao parto e ao recm-nascido era realizada ou pelas Santas Casas ou pelos Hospitais ligados aos Institutos da Previdncia Social (IAPs), ou, ainda, ocorria em casa, com o apoio de uma parteira. Os avanos com a implantao do SuS, sistema de sade gratuito e universal, possibilitaram a implantao de programas especficos no mbito dos municpios, visando ao atendimento integral criana e mulher. Dentre eles, citamos: Programa de Assistncia Integral Sade da Criana e o Programa de Assistncia Integral Mulher (deram incio ao Movimento pela Humanizao do Parto e Nascimento no Brasil), implantado nos anos 1980, compreendem: acompanhamento do crescimento e desenvolvimento; estmulo ao aleitamento materno e orientao alimentar para o desmame; assistncia e controle das infeces respiratrias agudas; controle das doenas diarreicas e das doenas imunoprevenveis; e maior ateno mulher no ciclo gravdico-puerperal.

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Programa de Humanizao no Pr-natal e Nascimento, institudo no ano 2000, considera como prioridade a concentrao de esforos no sentido de reduzir as altas taxas de morbimortalidade materna, peri e neonatal registradas no Pas; e a necessidade de destinao de recursos para treinamento e capacitao de profissionais diretamente ligados rea de ateno gestante, ao recm-nascido e me.

O Programa de Humanizao no Pr-natal e Nascimento, institudo pelo Ministrio da Sade, pela Portaria/GM n. 569, de 1/6/2000, tem como base as anlises das necessidades de ateno especfica gestante, ao recm-nascido e mulher no perodo ps-parto.

Agenda de Compromissos para a Sade Integral da Criana e Reduo da Mortalidade Infantil, editada pelo Ministrio da Sade em 2004, descreve as 13 linhas de cuidado da ateno integral da sade da criana e preconiza: ateno humanizada e qualificada gestante e ao recm-nascido; triagem neonatal: teste do pezinho; incentivo ao aleitamento materno; incentivo e qualificao do acompanhamento do crescimento e desenvolvimento; estmulo ao aleitamento materno; alimentao saudvel e preveno do sobrepeso e obesidade infantil, combate desnutrio e anemias carenciais; acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criana (adoo do Carto da Criana); imunizao; ateno s doenas prevalentes com destaque para as diarreias, sfilis e rubola congnitas, ttano neonatal, HIV/Aids; doenas respiratrias e alergias; ateno sade bucal; ateno sade mental; preveno de acidentes, maus tratos/violncia e trabalho infantil; e ateno criana portadora de deficincia. Manual dos Comits de Preveno do bito Infantil e Fetal: documento orientador para a vigilncia da mortalidade infantil e fetal, no sentido de organizar o acompanhamento das prioridades do Ministrio da Sade e que contribui para o cumprimento dos compromissos assumidos pelo governo brasileiro em defesa da criana, tais como os Objetivos de Desenvolvimento do Milnio.A Declarao do Milnio das Naes Unidas, assinada por representantes de 191 pases na Cpula do Milnio, realizada em setembro de 2000, em Nova York, define oito metas para melhorar a qualidade de vida e atender s necessidades das populaes do mundo todo: 1. Erradicar a extrema pobreza e a fome; 2. Atingir o ensino bsico universal; 3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; 4. Reduzir a mortalidade infantil; 5. Melhorar a sade materna; 6. Combater o HIV/Aids, a malria e outras doenas; 7. Garantir a sustentabilidade ambiental; e 8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. NAES UNIDAS. Declarao do Milnio. Nova Iorque, 6-8 de Setembro de 2000. Acesso em 7/5/2010. Disponvel em: . Acesso em: 07 out. 2010. ______. Ministrio da Sade. Pacto nacional pela reduo da mortalidade materna e neonatal53

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rea II Prestando Assistncia de Enfermagem ao Recm-Nascido Normal e de Risco

rea II Prestando Assistncia de Enfermagem ao Recm-Nascido Normal e de RiscoA rea II Prestando assistncia de enfermagem ao recm-nascido (RN) normal e de risco ir contribuir para o desenvolvimento de competncias necessrias ao() tcnico(a) de enfermagem, especialista nessa rea de atendimento de sade. Esses contedos ressaltam a importncia do saber (conhecimento) e saber fazer (aprendizado de procedimentos e tcnicas) em enfermagem, articulados com a competncia humana na sua dimenso tica e socioafetiva, do respeito aos direitos e deveres do cidado (saber ser), alm dos cuidados com sua segurana e a do paciente. Esses conhecimentos e habilidades desenvolvidos em sala de aula, laboratrios e nos servios em que ocorrem os estgios supervisionados proporcionaro a aquisio de competncias necessrias para a atuao no sistema de ateno sade neonatal do SUS, mais especificamente em unidade de terapia intensiva neonatal (UTI neonatal). Em seus estudos, voc ir observar que os contedos dessa rea esto articulados com os tratados na rea I e III. Essa integrao possibilitar o entendimento de sua participao no processo de trabalho em servios de alta complexidade do SuS e o desenvolvimento de aes baseadas em princpios de segurana do paciente e do trabalhador. Descrita no referencial curricular, a competncia a ser adquirida pelo(a) tcnico(a) de enfermagem nessa rea de natureza clnica: prestar assistncia de enfermagem ao recm-nascido normal e de risco da perspectiva do cuidado desenvolvimental e humanizado, interagindo com a equipe de sade e famlia de forma a desenvolver as aes visando ateno integral. As competncias ticas, morais e relacionais associadas a essa rea so: interagir com a equipe de trabalho e familiares baseados nos princpios da tica profissional; recorrer equipe de trabalho para a soluo ou o encaminhamento dos problemas identificados; estar atento(a) linguagem corporal do recmnascido e familiares; respeitar os valores, as culturas e os direitos do cliente; buscar alternativas de solues em situaes adversas, com postura proativa; reconhecer os limites de sua atuao luz da legislao profissional e cdigo de tica de enfermagem; conhecer e agir aplicando os princpios de tica e biotica; compreender a pertinncia, a oportunidade e a preciso das aes e dos procedimentos que realiza, com relao ao recm-nascido e equipe.

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CONSTITUEMASHABILIDADESASEREMDESENVOLVIDASNESSAREA: caracterizar e classificar o recm-nascido a termo, pr-termo e ps-termo; recepcionar o recm-nascido no momento do nascimento; reconhecer sinais e sintomas do perodo transicional com vistas estabilizao do recmnascido; identificar necessidades humanas bsicas e as estratgias do cuidado desenvolvimental e humanizado ao recm-nascido; identificar os parmetros de normalidade do recm-nascido com base em suas necessidades bsicas: integridade tecidual, alimentao e hidratao, eliminao, oxigenao, circulao, termorregulao, sono e repouso, percepo sensorial, necessidades psicossociais do recmnascido e sua famlia e psicoespirituais de sua famlia; identificar os sinais e sintomas de patologias do sistema tegumentar, digestrio, excretor, respiratrio, circulatrio, termorregulador, de desequilbrio do sono e repouso, percepo sensorial; identificar evidncias de processos familiares alterados; desenvolver aes de enfermagem ao recm-nascido submetido a terapia intravenosa da perspectiva do cuidado desenvolvimental e humanizado; identificar os sinais de parada cardiorrespiratria (PCR) e auxiliar a equipe na assistncia ao recm-nascido em reanimao cardiopulmonar (RCP); identificar os sinais e sintomas das alteraes relacionadas a estresse e dor; identificar crenas e prticas religiosas que envolvem a teraputica e a dinmica hospitalar; acolher os pais e a famlia no processo de morte e luto; organizar o ambiente para acomodar o recm-nascido, considerando a natureza, as finalidades, os resultados e riscos envolvidos no cuidado do recm-nascido; participar das aes de admisso, transferncia e alta do recm-nascido, reconhecendo os sinais de risco; manusear e prover equipamentos necessrios para o atendimento de emergncia; utilizar as informaes e os dados contidos no pronturio, na observao do neonato e no plano de enfermagem para desenvolver as atividades de enfermagem; e realizar o registro no pronturio de todos os procedimentos realizados ao recm-nascido, bem como de todas as informaes fornecidas pelos familiares ou acompanhantes.

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Fundamentando os cuidados de enfermagem ao recm-nascido6. Caracterizao e classificao do recm-nascido (RN)O cuidado com o recm-nascido comea na sala de parto, com a realizao de vrios procedimentos que visam a assegurar a sua integridade fsica e a preveno de complicaes nesses primeiros momentos de vida extrauterina. Esse processo inclui a anlise de duas importantes variveis, que so a idade gestacional (IG) e o peso, que possibilitam a avaliao e a classificao do recm-nascido. Idade gestacional (IG) o tempo transcorrido desde a concepo (ltimo dia de menstruao ciclos de 28 dias) at o momento do parto (RUGOLO, 2000). No nascimento, o recm-nascido pode ser classificado de acordo com a IG, em:Recm-Nascido RN pr-termo RN maturo ou termo (RNT) RN ps-maturo ou ps-termo Idade Gestacional Inferior a 37 semanas 37 a 41 semanas e 6 dias Acima de 42 semanas

Se considerarmos o peso ao nascer, o recm-nascido classificado em:Recm-nascido Baixo peso Muito baixo peso ao nascimento (MBPN) Extremo baixo peso ao nascimento (EBPN)Fonte: World Health Organization (1980).

Peso Igual ou inferior a 2.500g Abaixo de 1.500g Abaixo de 1.000g

Ao associarmos o peso idade gestacional, o recm-nascido pode ser classificado segundo o seu crescimento intrauterino, em:Recm-nascido Grande para a idade gestacional (GIG) Adequado para a idade gestacional (AIG) Pequeno para a idade gestacional (PIG) Peso Peso acima do percentil 90 Peso entre o percentil 10 e 90 Peso abaixo do percentil 10

Freitas, Martins, Lopes (2001) consideram que a maturidade implica capacidade funcional, ou seja, o grau em que os sistemas orgnicos do neonato so capazes de se adaptar s exigncias da vida extrauterina, considerando que a idade gestacional relaciona-se mais intimamente maturidade fetal do que ao peso ao nascimento.63

Para classificar o recm-nascido de acordo com o peso ao nascer e a idade gestacional, pode-se utilizar o grfico com as curvas de crescimento fetal.

Identifique no grfico um recm-nascido de 40 semanas, peso de 2.000g e 45cm de comprimento. Esse recm-nascido ser classificado como RN PIG.

PrematuridadeO termo prematuridade significa a interrupo da gravidez antes que o feto esteja amadurecido para vida extrauterina. O grau de imaturidade dos diversos sistemas influenciar diretamente na evoluo da criana. Em 1969, a Organizao Mundial de Sade (OMS) introduziu o conceito de prematuridade, aplicando-o a todo recm-nascido com menos de 37 semanas, independente do peso ao nascer. O limite inferior de prematuridade ainda no possui uma idade gestacional definida, varia de 20 a 28 semanas (WHO, 1980; DATASUS, 2008 apud MELO, 2009). Classificao conforme a prematuridade:Recm-Nascido Prematuro Pr-termo (RNPT) Levemente limtrofe pr-termo (RNLPT) Moderadamente pr-termo (RNMPT) Extremamente pr-termo (RNEPT) Idade Gestacional (IG) < 37 semanas 36 a 36 6/7 semanas de gestao 31 a 35 6/7 semanas de gestao < 30 6/7 semanas de gestao

Classificar o recm-nascido importante, pois permite a antecipao de problemas relacionados ao peso e/ou IG; possibilita, ainda, o planejamento dos cuidados e tratamentos especficos, o que contribui para a qualidade da assistncia.64

Essa classificao, chamada de avaliao de risco perinatal, visa a antecipar a possibilidade de afeces mais frequentes, problemas clnicos, detectar anomalia congnita no aparente e o prognstico do crescimento e desenvolvimento (RUGOLO, 2000). Em relao ao peso ao nascer, o recm-nascido considerado prematuro com peso entre 1.250 e 1.500 gramas; estima-se que tenha 90% de sobrevida. Para os que nascem com peso entre 750 e 1.000 gramas, a taxa de sobrevida de aproximadamente 60%. A possibilidade de sobrevivncia do recm-nascido extremamente prematuro, com peso ao nascer menor de 750 gramas e IG de 25 semanas, pode chegar a 20%. Contudo, o limite de viabilidade tende a cair devido melhoria da assistncia perinatal e ao investimento em recursos tecnolgicos. Quanto menor a IG e o peso ao nascimento, maior o risco de morte e aparecimento de complicaes. O RN com peso ao nascer < de 500 gramas e IG < de 24 semanas no teria sobrevida.

Quando a gestao interrompida antes de 37 semanas ou aps 42 semanas, o recm-nascido pode correr risco de vida no perodo neonatal, relacionado principalmente oferta de oxignio e nutrientes. Pesquise sobre o assunto.

Veja os fatores de causa materna que afetam o crescimento fetal: desnutrio; doenas maternas: TORCH T = toxoplasmose; outras (sfilis, hepatite, Tb, HIV, etc.); R= Rubola; C= Citomegalovrus; H= Herpes simples; doenas crnicas como as cardiopatias, diabetes e hipertenso arterial; idade < 16 anos e > de 35 anos; altura: < 1.57; peso: < 45 kg e > de 90 kg; doena hipertensiva especfica da gravidez (DHEG); tabagismo; drogas de abuso; insuficincia placentria. Gluckman (1997) descreve ainda os fatores relacionados s causas fetais como gestao gemelar, malformaes, infeces congnitas e radiao. Alm desses, h os fatores que favorecem a ruptura prematura das membranas, destacando-se a placenta prvia, polidrmnio, dentre outros.

AntropometriaA antropometria tem relao direta com a qualidade do crescimento fetal e compreende a verificao do peso, comprimento/estatura, os permetros ceflico, torcico e abdominal (FALCO, 1999).Faa a reviso sobre a tcnica de verificao da estatura e peso em recm-nascido. Simule os procedimentos em laboratrio, sob a orientao do professor.

Ao nascer, a estatura mdia do recm-nascido varia de 48 a 50/53 cm; e o crescimento, nos trs primeiros meses, de 3 a 4 cm por ms. O peso gira em torno de 2.700 a 3.800 g. Devido perda excessiva de lquidos extracelulares, fezes e urina, o recm-nascido perde 10% do peso corporal at o 5 dia de vida, recuperando-o nas prximas duas semanas. Passa a ganhar 700g ms; aos cinco meses, o peso dobra; e aos doze meses, triplica.

O ideal que a mensurao seja realizada na sua admisso, diariamente, e sempre que houver necessidade de nova avaliao, servindo de base para o controle da curva ponderal. O recmnascido com oferta nutricional adequada cresce de 20 g a 40 g por dia (RAMOS, 1983 apud FALCO, 2011). O permetro ceflico (PC) a medida da circunferncia da cabea, cujo valor varia entre 32 a 36 cm. O ideal que seja realizada entre 6 e 12 horas de vida e aps a acomodao dos ossos65

do crnio, que ocorre de 48 a 72 horas aps o nascimento. realizada com o recm-nascido em decbito dorsal; passa-se a fita mtrica (inelstica) partindo da salincia do osso occipital e acima das sobrancelhas. Espera-se crescimento de 1cm por semana, conforme a comparao com as curvas de crescimento intrauterino. O permetro torcico (PT) a medida da circunferncia do trax, sendo verificado tambm com fita mtrica (inelstica), variando em torno de 33 cm, 2 cm menor ou igual ao PC. O recm-nascido deve estar posicionado em decbito dorsal, sem roupa. Passa-se a fita ao redor do trax na altura dos mamilos e realizar a leitura. A medida da circunferncia do abdome chamada de permetro abdominal (Pab), sendo verificada com fita mtrica (inelstica); o valor normal fica em torno de 35 cm, 2 cm menor que o PT. Posicionar o recm-nascido em decbito dorsal, sem roupa. Medir passando-se a fita em torno do abdome e sobre o coto umbilical.

Sinais vitais Frequncia respiratria (FR) caracterizada por movimento abdominal irregular ou diafragmtica, sincronizado ao movimento do trax. Para a verificao da FR, observamos os movimentos abdominais e no os torcicos, por um minuto. Sinais de cansao, cianose, retrao do trax na regio das vrtebras e do externo ao inspirar, alargamento nasal ou rudos semelhantes a gemidos durante a respirao so indicativos de sofrimento. Alguns recm-nascidos podem ficar agitados ou chorosos ao serem manipulados pelos profissionais de sade, e isso pode alterar os valores da respirao e da frequncia cardaca (pulso apical). A respirao normal de um recm-nascido inicia-se espontaneamente nos primeiros 30 segundos aps o parto e mantm a FR de 40/50 incurses respiratrias por minuto. O ideal verificar a FR antes de qualquer procedimento.66

Frequncia cardaca (FC) indicado o pulso apical para a avaliao da FC, posicionando-se o estetoscpio sobre o trax, entre o esterno e o mamilo esquerdo do recm-nascido. considerada normal, imediatamente aps o parto, a frequncia cardaca maior que 100 batimentos por minuto (bpm) e acima de 120 bpm aps os primeiros minutos de vida. A palpao do pulso no cordo umbilical outro meio utilizado para verificar a FC em recm-nascido.

Temperatura (T)Os recm-nascidos perdem calor e temperatura ao sair do tero da me, podendo haver queda de 2C a 4C, tendo maior perda entre 10 a 20 minutos de vida. Essa perda de calor decorrente da evaporao do lquido amnitico do seu corpo e continuar a perder mais calor nos minutos seguintes, pelo contato com superfcies frias ou exposio a ambientes frios, caso no seja recepcionado adequadamente na sala de parto. O centro termorregulador ainda no est maduro e seu corpo se resfria devido temperatura do ambiente. O recm-nascido incapaz de manter ou elevar a temperatura corporal pelo mecanismo de calafrios ou tremores. O recm-nascido de risco deve ser colocado em um ambiente trmico controlado e com monitorizao da frequncia cardaca, frequncia respiratria e temperatura. A temperatura neutra adequada aquela que propicia ao recm-nascido o menor consumo de calorias e oxignio, portanto menor taxa metablica, para manter a temperatura estvel (BRASIL, 2002).Prosseguindo em seus estudos voc ter a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre a temperatura corporal do recm-nascido e refletir sobre a responsabilidade da equipe de enfermagem em assegurar o seu equilbrio. Essa e outras questes sero discutidas no captulo 15, A necessidade humana bsica de termorregulao.

Um ambiente trmico neutro aquele que permite ao recm-nascido manter a temperatura normal. Esse ambiente ideal sugere manter a temperatura axilar entre 36,5oC e 37,5oC. Voc poder consultar no quadro da pgina 71 a temperatura neutra adequada ao peso e idade do RN.

Presso arterial (PA)A monitorizao da presso arterial um componente do cuidado, particularmente de recmnascido em estado grave como em caso de choque, com cardiopatia congnita sintomtica, psoperatrio imediato de cirurgia cardaca, dentre outros. Para o procedimento, coloque o manquito do monitor eletrnico de presso arterial diretamente sobre a artria braquial ou popltea para garantir uma leitura acurada. Caso voc utilize o mtodo manquito estetoscpio, observe o tamanho da braadeira adequada.Denominao Recm-nascidoFonte: YAMADA, 2011

Veja os valores normais de presso arterial no captulo 13 Necessidade humana bsica de circulao.

Circunferncia do brao menor ou igual a 10

Bolsa de borracha 4 cm de largura 8 cm de comprimento 67

considerada hipertenso arterial em recm-nascido (BEN DEL, 2000):Recm-nascido Termo Prematuro Presso arterial sistlica (PAS) > 90 mmHg > 80 mmHg Presso arterial diastlica (PAD) > 60 mmHg > 50 mmHg

Caractersticas fsicas do recm-nascidoA cabea grande em relao ao corpo. O pescoo no consegue suportar o peso da cabea, pois o tnus muscular no est desenvolvido. Voc deve ter percebido tambm as fontanelas, que so espaos livres entre as suturas sseas do crnio (junes dos ossos que podem ser palpadas como pontos moles da cabea): fontanela anterior ou bregmtica: possui a forma de um losango, mede 2,5 cm, localizando-se na juno dos ossos parietais e frontais. Fecha-se por volta dos 12 a 18 meses; e fontanela posterior ou lambdoide, possui a forma de um tringulo e localiza-se entre os ossos occipitais e os parietais.

A tosse, o choro ou o decbito podem tornar as fontanelas temporariamente abauladas. No repouso, deve estar no nvel das suturas. Na unio dos ossos, existem pores de tecido conectivo chamado de suturas. Para palpar, usar a ponta do dedo indicador, deslizando ao longo das margens dos ossos. Se deprimida, indica desidratao, infeco, distrbio metablicos; se abaulada ou distendida, pode indicar meningite, hipertenso intracraniana, hidrocefalia (acmulo de cefalorraquidiano no interior dos ventrculos cerebrais). Quando voc realiza o banho em recm-nascido no berrio ou na unidade de terapia intensiva neonatal, poder sentir edema no couro cabeludo; isso ocorre devido s presses sofridas durante o trabalho de parto. Denominado como caput sucedaneum ou bossa serossanguinolenta, aparece sempre entre os ossos, regredindo entre 24 a 40 horas. O contorno no definido, a massa macia e a presso causa marca no edema. O edema consiste em soro e/ou sangue, acumulado nos tecidos que sobrepem o osso e muitas vezes se estendendo alm das margens sseas. Pode vir associado com petquias ou equimoses na superfcie (WONG, 1999). Geralmente, a tumefao se evidencia na zona de apresentao da cabea ao nascimento e desaparece nos primeiros dias de vida sem nenhum tratamento. O cfalo-hematoma formado quando vasos sanguneos que irrigam o peristeo se rompem durante o trabalho de parto ou em partos difceis, produzindo sangramento na regio subperistica. Sua formao lenta, aparecendo entre 24 a 36 horas, e pode envolver um ou ambos os ossos parietais, com menor frequncia o osso occipital e raramente o frontal. Em geral, a perda de sangue no significativa. Nenhum tratamento indicado, e a maior parte das leses absorvida dentro de 2 semanas a 3 meses. Leses que resultam em grande perda sangunea para a rea ou que envolvam uma fratura subjacente requerem avaliao cuidadosa e terapia apropriada (WONG, 1999).68

Na face, os olhos so de cor azul acinzentado. A cor no fica estabelecida at trs meses, podendo mudar at um ano de idade. A viso pouco ntida, so mopes (veem melhor a uma distncia de 15 cm a 30 cm), e apresenta pouca lgrima. O nariz tem base achatada, ponta arredondada, desviada e achatada nas compresses. Os espirros so comuns para liberar as fossas nasais. A boca apresenta pouca saliva. Caso o recm-nascido tenha dentes, devem ser removidos, pois suas razes so malformadas, podendo ser broncoaspirados. As orelhas devem estar no mesmo plano horizontal que o canto externo dos olhos. Implantao baixa com protuso est associada a Sndrome de Down. Nesse perodo, a audio desenvolvida. O trax quase circular, forma cilndrica e simtrica. Podemos detectar ingurgitamento mamrio sem ou com secreo lctea (leite de bruxa), causado pelo estrgeno materno. Abdome globoso e flcido. Possui um cordo umbilical, composto de uma veia e duas artrias. Na primeira hora de vida, tem um aspecto gelatinoso e mido de cor branca e, aps esse perodo, torna-se escurecido at cair. Na genitlia masculina, verificamos os testculos em bolsa escrotal, geralmente grande, edemaciada, rugosa e pigmentada. No pnis, notamos fimose (prepcio aderido glande). As caractersticas da genitlia feminina so: lbios e cltoris aumentados, substncia branca e pseudomenstruao, efeito dos hormnios maternos. Os membros so curtos em relao ao corpo. Na pele, podemos detectar o vrnix caseoso, uma substncia gordurosa, esbranquiada que recobre todo o corpo, produzido por secreo da pele do feto, formado por protenas, anticorpos, pelos e resto de pele morta. Tem a finalidade de proteger a pele contra a agresso do lquido amnitico e facilitar o deslizamento do feto pelo canal do parto. reabsorvido nas primeiras horas de vida. A colorao da pele depende da cor dos pais: branca rsea e genital rosado; pardo palidez acinzentada e genitais marrom-claro; preta vermelha e genital escuros. Lanugem so pelos finos e longos que recobrem os ombros, parte dorsal dos membros e orelha. So restos do revestimento piloso do embrio. Cai no final da 1 semana de vida. A descamao da pele, localizada no trax, abdome, ps e mos, ocorre nos primeiros 15 dias de vida e fisiolgica, devido ao contato com a atmosfera (no lquida). O eritema txico so ppulas ou pstulas, de cor amarelada, sobre uma base eritematosa. Cede espontaneamente. Miliria sudamina, conhecida como brotoeja, so glndulas sudorparas distendidas que retm o suor. Os pontos brancos que voc observa no nariz e queixo so denominados milliun sebceo, que, devido descamao da pele, os folculos sebceos ficam obstrudos. Desaparece em dois meses. A formao de mancha monglica localizada na regio sacrolombar, de aspecto irregular e colorao azulada, atribuda miscigenao de raas e tende a desaparecer no 1 ano de vida. Equimoses e petquias so um extravasamento de sangue devido a trauma durante o parto. A mscara equimtica de cor azulada, semelhante equimose, aparece no rosto.Veja mais sobre as caractersticas e alteraes da pele do recm-nascido no captulo 10: Necessidade humana bsica de integridade tecidual.

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As caractersticas dos recm-nascidos diferenciam conforme a IG e o peso. O RNPIG tem uma aparncia de magro, cabea grande e ativo. O RNGIG tem uma aparncia de obeso (muito tecido adiposo) e hipoativo. Veja o quadro com as diferenas anatmicas entre os recm-nascidos pr-termos, termos e pstermos (WHALEY; WONG, 1999).Recm-nascido Posio Cabea Permetro ceflico Fontanela bregmtica Fontanela lambda Face Aspecto geral ao nascimento Perda de peso Peso Altura Colorao da pele Pr-termo Fletida Maior que o corpo 25cm a 32cm Aberta com 3 cm a 4cm Aberta com 1cm Pequena em relao ao crnio Cianose, gemncia e choro fraco 10% com recuperao lenta Menor ou igual a 2.500grs Inferior a 47cm Delgada, enrugada, transparente, cianose de extremidades ou generalizada Grande quantidade Grande quantidade Fraco ou ausente No ultrapassam o rebordo digital Queda de 10 a 12 dias Bolsa escrotal lisa e testculos geralmente ectpicos Grandes lbios afastados A termo Fletida Maior que o corpo 33cm a 35cm Aberta com 2 cm a 4cm Aberta com 1cm Pequena em relao ao crnio Tremor e choro forte 0% com recuperao rpida 2.500 a 4.000grs 48cm a 53cm Incio avermelhada; aps rsea; cianose de extremidades Presente Pequena quantidade Presente Ultrapassam o rebordo digital Queda de 7 a 10 dias Escroto aumentado e pnis geralmente apresenta aderncia entre o prepcio e a glande Lbios vaginais com edema, secreo ou sangramento Ps-termo Fletida Maior que o corpo + ou 36cm Aberta com 2cm a 3cm Aberta de 0,5cm a 1cm Pequena em relao ao crnio Ansioso, tranquilo e faminto 10% com recuperao rpida Superior a 4.000grs 53cm a 56 cm Hipocorada, s vezes impregnada de mecnio, cianose de extremidades Pequena quantidade Ausente Presente ou ausente Ultrapassam o rebordo digital Queda de 5 a 7 dias Escroto aumentado e o pnis geralmente apresenta aderncia entre o prepcio e a glande Lbios vaginais com edema, secreo ou sangramento

Vrnix caseoso Lanugem Choro Unhas Coto umbilical Genitlia masculina

Genitlia feminina

Fonte: (WHALEY; WONG, 1999).

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Avaliao do recm-nascido: escala de ApgarEscala de Apgar uma escala que possibilita a avaliao do grau de asfixia neonatal e de sua adaptao vida extrauterina. Compreende as medies da frequncia cardaca, respirao, tnus muscular, irritabilidade\ reflexo e cor da pele. As medies so realizadas no primeiro, no quinto e no dcimo minuto aps o nascimento, atribuindo-se a cada um dos sinais uma pontuao de 0 a 2. O somatrio da pontuao (no mnimo zero e no mximo dez) resultar no ndice de Apgar e o recm-nascido ser classificado como sem asfixia (Apgar 8 a 10); com asfixia leve (Apgar 5 a 7); com asfixia moderada (Apgar 3 a 4); e com asfixia grave (Apgar 0 a 2). O ndice de Apgar registrado no pronturio do recm-nascido.Sinais 0 Batimentos cardacos Esforo respiratrio Tnus muscular Resposta ao cateter nasal Cor Ausente Ausente Largado Sem resposta Azul plido Pontuao 1 FC < 100 bpm Irregular Flexo das extremidades Careta Extremidades cianosadas 2 FC > 100 bpm Choro forte Ativo Tosse Corado

Tabela Zona de temperatura neutra nas primeiras semanas de vida, de acordo com o peso e o nmero de dias (BRASIL, 2002)Idade 0 6 horas Peso Abaixo de 1200g 1200 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 6 12 horas Abaixo de 1200g 1200 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 12- 24 horas Abaixo de 1200g Temperatura inicial (C) 35,0 34,1 33,4 32,9 35 34 33,1 32,8 34,0 Temperatura inicial (C) 34,0 35,4 33,9 34,9 32,8 33,8 32,0 33,8 34,0 35,4 33,5 34,4 32,2 33,8 33,1 33,8 34,0 35,4

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1200 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 24 36 horas Abaixo de 1200g 1200 1500g 1501- 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 36 48 horas Abaixo de 1200g 1200g 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 48 72 horas Abaixo de 1200g 1200g 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 72 96 horas Abaixo de 1200g 1200 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > de 36 semanas) 4 12 dias Abaixo de 1500g 1501 2500g 4 5 dias 5 6 dias 6 8 dias 8 10 dias 10 12 dias 12 14 dias Abaixo de 1500g 1501 2500g Acima de 2500g (e > 36 semanas)

33,8 32,8 32,4 34,0 33,6 32,6 32,1

33,3 34,3 31,8 33,8 31,0 33,7 34,0 35,0 33,1 34,2 31,6 33,6 30,7 33,5

34,0 33,5 32,5 31,9 34,0 33,5 32,3 31,7 34,0 33,5 32,3 31,3 33,5 32,1 31,0 30,9 30,6 30,3 30,1 33,5 32