Itapua cogumelos artigo

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Leucocoprinus Pat. (Agaricaceae, Basidiomycota) no Parque Estadual de Itapuã, Viamão, RS, Brasil. MARCELO SOMENZI ROTHER, ROSA MARA BORGES DA SILVEIRA Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Instituto de Biociências Artigo Científico. Acta bot. bras. 23(3): 720-728. 2009.

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  • 1. Acta bot. bras. 23(3): 720-728. 2009.Leucocoprinus Pat. (Agaricaceae, Basidiomycota) no Parque Estadual de Itapu, Viamo, RS, Brasil1 Marcelo Somenzi Rother2,3 e Rosa Mara Borges da Silveira2 Recebido em 23/05/2007. Aceito em 31/10/2008 RESUMO (Leucocoprinus Pat. (Agaricaceae, Basidiomycota) no Parque Estadual de Itapu, Viamo, RS, Brasil). O presente trabalho descreve as espcies do gnero Leucocoprinus que ocorrem no Parque Estadual de Itapu, municpio de Viamo, estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Seis txons foram encontrados: L. birnbaumii (Corda) Singer, L. brebissonii (Godey) Locq., L. cepistipes (Sowerby) Pat., L. cretaceus (Bull.) Locq., L. fragilissimus (Berk. & M.A. Curtis) Pat. e L. cf. medioflavus (Boud.) Bon. So apresentados chave para identificao, descries e ilustraes detalhadas dos caracteres macro e microscpicos, e comentrios sobre a taxonomia e ecologia das espcies estudadas. Palavras-chave: Agaricales, cogumelos, taxonomia ABSTRACT (Leucocoprinus Pat. (Agaricaceae, Basidiomycota) species in Itapu State Park, Viamo, Rio Grande do Sul State, Brazil). This work describes the species of Leucocoprinus found in Itapu State Park, Viamo municipality, Rio Grande do Sul state, Brazil. Six species were found: L. birnbaumii (Corda) Singer, L. brebissonii (Godey) Locq., L. cepistipes (Sowerby) Pat., L. cretaceus (Bull.) Locq., L. fragilissimus (Berk. & M.A. Curtis) Pat. and L. cf. medioflavus (Boud.) Bon. An identification key, detailed descriptions and illustrations of macro and microstructures, and comments on the taxonomy and ecology of the species are presented. Key words: Agaricales, mushrooms, taxonomyIntroduo As espcies do gnero Leucocoprinus Pat. pertencem ao clado Leucoagaricus/Leucocoprinus da famlia Agaricaceae Chevall (Vellinga 2004). So caracterizadas por apresentar hbito pluteide, com basidiomas freqentemente frgeis, membranosos a finamente carnosos; superfcie do pleo geralmente flocosa-esquamulosa a fibrilosa com a margem normalmente estriada-sulcada; lamelas livres no mudando de cor com vapor de amnia; esporada branca, creme a amarelada; estpite central, com base mais alargada ou bulbosa, sem volva, apresentando anel. Basidisporos geralmente hialinos, lisos, com parede espessa, com ou sem poro germinativo visvel, geralmente dextrinides, congfilos, metacromticos em Azul de Cresil; basdios tetrasporados; pleurocistdios ausentes; queilocistdios presentes; superfcie pilear muito varivel, formada por uma mistura de diferentes tipos de clulas; trama himenoforal trabecular e fbulas ausentes. Crescem no solo ou em madeira nos mais diversos ambientes, ocorrendo com maior freqncia no hemisfrio Sul, comumente nas regies tropicais e subtropicais, sendo consideradas mais raras para as regies temperadas (Heinemann 1977; Pegler 1986; Singer 1986; Vellinga 2001; 2004; Wasser 1993). Segundo Singer (1986), 13 espcies eram conhecidas para o gnero. Com base na reviso de trabalhos anteriores, Wasser (1993) mencionou 15-18 espcies. Os dados mais atualizados so os de Kirk et al. (2001), que citam 40 espcies conhecidas para a cincia. Certamente este nmero muito superior e somente com mais trabalhos, principalmente em regies tropicais, ser possvel estimar a diversidade desse gnero. Vrios autores contriburam para o conhecimento de Leucocoprinus sensu lato no Brasil (Albuquerque et al. 1 2 32006; Bononi et al. 1981; 1984; Capelari 1989; Capelari & Gimenes 2004; Capelari & Maziero 1988; Meijer 2001; 2006; Pegler 1997; Raithelhuber 1987a; b; Rick 1961; Singer 1953; Sobestiansky 2005, entre outros), porm poucos descreveram e/ou ilustraram as espcies mencionadas. Por no haver estudo detalhado sobre o grupo no territrio brasileiro, este trabalho tem como finalidade apresentar chaves de identificao, descries e ilustraes detalhadas, e comentrios sobre a taxonomia e ecologia das espcies que ocorrem no Parque Estadual de Itapu.Material e mtodos As colees foram obtidas por coletas realizadas no perodo de abril/2005 a junho/2006, no Parque Estadual de Itapu (3020-3027S e 5050-5105W), unidade de conservao de proteo integral, localizada no municpio de Viamo, na regio metropolitana de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul. Uma descrio detalhada da rea de estudo apresentada em Silva et al. (2006). A anlise das caractersticas macroscpicas foi baseada em Largent (1977), com o auxlio de microscpio estereoscpico. As cores foram avaliadas utilizando-se a carta de cores de Kornerup & Wanscher (1978). Para a anlise microscpica foram realizados cortes manuais no basidioma e montadas lminas com soluo aquosa de hidrxido de potssio a 5% (KOH) juntamente com o corante vermelho congo 1% (Congo Red) e tambm com reagente de Melzer, segundo Largent et al. (1986). As medidas, observaes e ilustraes das microestruturas foram efetuadas com o auxlio de uma ocular milimetrada e cmara clara acopladas ao microscpio ptico. Nas medidas dos basidisporos, Q corresponde ao quociente entre o comprimento e a largura de cada basidisporo e Qm a mdia aritmtica de Q. Os nomes dos autores das espcies foram abreviados de acordo com Authors of Fungal Names (CABI 2008). Todo material identificado foi incorporado no Herbrio do Instituto de Biocincias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ICN).Resultados e discusso Durante as 18 visitas realizadas no Parque Estadual de Itapu foram identificadas seis espcies pertencentes aoParte da Dissertao de Mestrado do primeiro Autor Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biocincias, Departamento de Botnica, Porto Alegre, RS, Brasil Autor para correspondncia: msrbio@yahoo.com.brv23n3_11.pmd72023/9/2009, 11:01

2. Rother & Silveira: Leucocoprinus Pat. (Agaricaceae, Basidiomycota) no Parque Estadual de Itapu, Viamo, RS, Brasilgnero Leucocoprinus: L. cretaceus e L. cepistipes foram encontradas sobre madeira, sendo a primeira em tronco de rvore viva e a segunda em tronco em decomposio; as demais espcies ocorreram no solo. A localidade do721Parque com maior ocorrncia de txons foi a Praia da Pedreira. Das espcies identificadas, L. birnbaumii e L. cepistipes so consideradas comuns para o estado do Rio Grande do Sul.Chave para as espcies de Leucocoprinus 1. Basidisporos inamilides, sem poro germinativo visvel................................................................. 6. L. cf. medioflavus 1. Basidisporos dextrinides (pseudoamilides), com poro germinativo visvel ............................................................... 2 2. Basidiomas amarelos, se branco-amarelados, ento com consistncia membranosa ................................................. 3 3. Basidiomas muito frgeis, deliqescentes, com a superfcie do pleo totalmente plicada e quase translcida ................................................................................................................................. 5. L. fragilissimus 3. Basidiomas mais resistentes, consistncia carnosa e a superfcie do pleo com margem plicada ...................................................................................................................................................... 1. L. birnbaumii 2. Basidiomas brancos, geralmente carnosos ................................................................................................................. 4 4. Estpite com a superfcie coberta por esqumulas flocosas brancas facilmente removidas na manipulao ............................................................................................................................................ 4. L. cretaceus 4. Estpite com a superfcie glabra ............................................................................................................................. 5 5. Superfcie do pleo coberta por fibrilas castanhas a castanho-amareladas, basidisporos (8-)8,510(-11)6-7 m ........................................................................................................................... 3. L. cepistipes 5. Superfcie do pleo coberta por fibrilas castanho-acinzentadas, basidisporos 10-11,5(-14)(5-)6-7 m ............................................................................................................ 2. L. brebissonii 1. Leucocoprinus birnbaumii (Corda) Singer, Sydowia 15(1-6): 67 (1962) [1961]. Agaricus birnbaumii Corda, Icon. fung. (Prague) 3: 48 (1839). Fig. 1-5, 30 Pleo 20-40 mm quando expandido, inicialmente hemisfrico tornando-se plano-convexo a aplanado na maturidade, com ou sem umbo; amarelo-claro (1.A5), amarelolimo (1.A8) a amarelo (2.A8), com o umbo amarelo (3.B8) a alaranjado (4.B8); superfcie seca, coberta por esqumulas flocosas, facilmente removveis, de colorao amarela; bordas planas, com margem plicada at um tero do pleo; contexto carnoso, muito fino, de colorao clara. Lamelas livres, amarelo-plidas (2.A3), prximas, membranosas, apresentando lamlulas. Estpite 50-803-5 mm, central, clavado a levemente bulboso (acima de 7 mm), amarelo-claro, amarelo-limo a amarelo, superfcie coberta ou no com minsculas esqumulas flocosas, amarelo-claras; fistuloso, de consistncia fibrosa; contexto amarelo-claro. Anel spero, ascendente, amarelo, simples, membranoso, fugaz. Odor indistinto. Basidisporos (7,5-)8-10(-11)5-7,5 m, Q = 1,25-1,67, Qm = 1.40, elipsides a ovides, hialinos, parede espessa e lisa, com poro germinativo evidente, dextrinides (pseudoamilides), congfilos, metacromticos em Azul de Cresil. Esporada branca (1.A1). Basdios 16-418-10(-12) m, clavados, hialinos, parede fina e lisa, com 4 esterigmas de 3-4.5 m de comprimento. Pleurocistdios ausentes. Queilocistdios (32-)37-51(-72)8-15 m, dispersos em tufos, de formas variveis (ventricosos, estreitamente clavados, mucronados), hialinos, parede fina e lisa. Camada cortical do pleo formada por hifas hialinas a levemente castanhoamareladas de parede fina e lisa, com contedo celular de formas variadas (H, T, Y), 4-18 m. Fbulas ausentes. Tramav23n3_11.pmdhimenoforal trabecular, formada por hifas hialinas de parede fina e lisa, 3-1