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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIANCLEO DE PS-GRADUAO EM ADMINISTRAO

ESCOLA DE ADMINISTRAO

THIAGO PIMENTA DE ALBUQUERQUE

Dificuldades identificadas para implantao em indstrias de manufatura

MANUFATURA ENXUTA:

Salvador 2008

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Thiago Pimenta de Albuquerque

Dificuldades identificadas para implantao em indstrias de manufatura

MANUFATURA ENXUTA:

Dissertao apresentada ao Curso de Mestrado em Profissional em Administrao como requisito parcial obteno do grau de Mestre em Administrao. Orientador: Prof. Dr. Sandro Cabral

Salvador 2008

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Escola de Administrao - UFBAA345 Albuquerque, Thiago Pimenta de Manufatura enxuta: dificuldades encontradas para implantao em indstrias de manufatura / Thiago Pimenta de Albuquerque. 2008. 95 f. Orientador: Prof. Dr. Sandro Cabral. Dissertao (mestrado profissional) Universidade Federal da Bahia. Escola de Administrao, 2008. 1. Indstria manufatureira - Administrao. 2. Administrao da produo. I. Universidade Federal da Bahia. Escola de Administrao. II. Cabral, Sandro. III. Ttulo. 658.5 CDD

4 TERMO DE APROVAO

THIAGO PIMENTA DE ALBUQUERQUE

MANUFATURA ENXUTA: Dificuldades identificadas para implantao em indstrias de manufatura Dissertao aprovada como requisito parcial para obteno do grau de Mestre em Administrao, Curso de Mestrado Profissional em Administrao da Universidade Federal da Bahia, pela seguinte banca examinadora:

Herman Augusto Lepikson______________________________________________ Doutor em Mecnica, Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal da Bahia

Renelson Ribeiro Sampaio______________________________________________ Doutor em Science Policy Research Unit, University of Sussex, UK Faculdade de Tecnologia SENAI Cimatec

Sandro Cabral________________________________________________________ Doutor em Administrao, Universidade Federal da Bahia Universidade Federal da Bahia

Salvador, 20 de novembro de 2008

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Dedico este trabalho a minha esposa Helena, meus pais, meus irmos, minha amada sobrinha Julia e ao meu to esperado filho que est sendo gerado.

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AGRADECIMENTOS

Agradeo a Deus, acima de tudo, pela proteo e orientao em todos os momentos da minha vida; minha amorosa esposa pelo apoio, companheirismo e pacincia; Ao professor Dr. Sandro Cabral pela clareza e competncia com a qual me orientou; Ao professor Dr. Renelson pela insistente cobrana e confiana no meu trabalho; Ao SENAI por possibilitar a minha dedicao a este trabalho; A todos que, de forma direta ou indireta, contriburam para que eu conclusse mais essa etapa da minha formao.

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RESUMO

A busca contnua por aumento de produtividade nos processos de manufatura das organizaes fomenta o desenvolvimento de sistemas de gesto cada vez mais inovadores e eficientes. O sistema desenvolvido a partir da segunda metade do sculo XX pela fbrica de automveis Toyota, no Japo, deu origem a um conjunto de princpios e prticas para gesto da produo hoje conhecido como Manufatura Enxuta. Essa nova abordagem de gesto da manufatura representa um novo paradigma produtivo que, por conta de sua comprovada eficincia nas organizaes que o implantaram, seduz diversas outras vidas por alcanar nveis de qualidade e atendimento ao cliente como os nveis alcanados pelas empresas enxutas. Ocorre que existem algumas dificuldades inerentes adoo e implantao dos princpios da Manufatura Enxuta. O presente trabalho tem o objetivo de identificar quais so as dificuldades encontradas pelas organizaes no processo de implantao dos conceitos relacionados Manufatura Enxuta e por que eles ocorrem. Palavras-chave: Manufatura Enxuta, implantao, dificuldades

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ABSTRACT

The continuous search for productivity increase in the manufacture processes of organizations stimulates the development of more innovative and efficient management systems. The manufacture system developed from the second half of the twentieth century by Toyota motors, in Japan, has led to a set of principles and practices used in Production Management, currently known as Lean Manufacture. This new approach for manufacture management represents a new paradigm that, because of its proven effectiveness in organizations that implemented it, stimulate several other organizations to reach levels of quality and customer service as the levels achieved by those organizations that have incorporated the Lean Manufacture. There are some inherent difficulties in the adoption and implementation of the principles of Lean Manufacturing. The goal of this research is to identify the difficulties found by organizations in the implementation of Lean Manufacture and why they occur. Key-Words: Lean manufacturing, implementation, matters

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LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Problemas de produo encobertos pelos estoques Figura 2 Carto Kanban de produo Figura 3 Carto Kanban de movimentao Figura 4 Carto Kanban de fornecedores Figura 5 Elementos da padronizao de operaes Figura 6 - Etapas do mapeamento de fluxo de valor Figura 7 - Mapa do Estado Atual Figura 8 - Mapa do estado futuro Figura 9 - Cronograma de implantao da manufatura enxuta na empresa A 24 36 36 36 40 45 46 46 67

10 SUMRIO

1 2 2.1 2.2 2.2.1 2.2.2 2.2.3 2.2.4 2.3 2.3.1 2.3.2 2.3.3 2.3.4 2.3.5 2.3.6 2.3.7 2.4 2.5 ENXUTA 3

INTRODUO CARACTERIZAO DO OBJETO DE ESTUDO BREVE HISTRICO DA MANUFATURA ENXUTA PRINCPIOS DA MANUFATURA ENXUTA Minimizao dos Desperdcios Fazer certo na primeira vez Sistemas de produo flexvel Melhoria Contnua FERRAMENTAS DA MANUFATURA ENXUTA 5S Manufatura Celular Just-in-time Padronizao do trabalho Outras tcnicas para a reduo de perdas Mapeamento do Fluxo de Valor (Value Stream Mapping VSM) IMPLANTAO DA MANUFATURA ENXUTA

12 16 18 20 22 26 27 28 29 29 31 32 39 43 44 47

Manuteno Produtiva Total (Total Productive Maintenance TPM) 41

ASPECTOS RELEVANTES PARA A IMPLANTAO DA MANUFATURA 49 DIFICULDADES ENCONTRADAS NA IMPLANTAO DA 52 58 60 61 63 64 68

MANUFATURA ENXUTA 4 4.1 4.2 4.3 4.3.1 4.3.2 METODOLOGIA DE PESQUISA CARACTERIZAO DAS ORGANIZAES ESTUDADAS ENTREVISTAS RESULTADOS E DISCUSSO Caso A Caso B

11 4.3.3 4.3.4 4.3.5 5 6 7 Caso C Caso D Semelhanas e diferenas entre os casos estudados CONCLUSO REFERNCIAS ANEXO 1 QUESTIONRIO 72 75 80 82 86 93

12 1 INTRODUO

A busca pela competitividade o grande desafio para a sobrevivncia das organizaes no atual cenrio econmico. Entre os resultados dessa busca est o surgimento de tecnologias de gerenciamento de recursos produtivos, em sua maioria com foco na reduo de custos atravs da racionalizao da utilizao desses recursos. Essa dinmica mantm as organizaes em um ambiente constante de mudanas, onde sistemas gerenciais diferenciados so implantados a todo o momento na tentativa de manter os padres de qualidade e produtividade estabelecidos pelo mercado. Nesse cenrio, a sobrevivncia organizacional est ligada mobilizao dos esforos produtivos para a obteno do maior grau de competitividade possvel. Womack, Jones e Roos (1990) mostram que essa busca por competitividade pode ser observada em momentos distintos da histria, como no surgimento e fixao do sistema de produo em massa no incio do sculo XX. Nesse momento, a demanda crescente propiciou uma produo massiamente padronizada e especializada que diferia bastante do sistema artesanal tradicional que dominou os processos produtivos at ento. E, da mesma forma, em meados da dcada de 1950, em um ambiente extremamente restritivo no que diz respeito a recursos de diversas naturezas, empresrios japoneses tentavam encontrar uma adequao entre essas restries, as necessidades do mercado, as tecnologias de produo dominantes e as necessidades de manter custos baixos que os permitissem ser competitivos em mbito mundial. Como afirmam Womack, Jones e Roos (ibidem), a indstria automobilstica palco, mais uma vez, para grandes mudanas paradigmticas na produo industrial. Esses novos conceitos produtivos referem-se a uma srie de inovaes organizacionais que a Toyota Motor Company, fbrica japonesa produtora de automveis, vinha desenvolvendo desde a metade da dcada de 1950. O resultado foi que empresas japonesas que se espelharam no modelo de gesto da Toyota tornaram-se bastante competitivas no gerenciamento dos seus recursos e processos de manufatura, tornando suas prticas referenciadas em todo o mundo. Como afirma Monden (1990), o Sistema Toyota de produo, desenvolvido e promovido pela Toyota Motor Company, tem sido adotado, desde a 1 crise do petrleo na dcada de 1970, por numerosas companhias japonesas. Tendo como seu principal propsito a reduo de custos, o sistema ajuda a aumentar o fluxo de capital e me-

13 lhorar a competitividade global da empresa. No final dos anos de 1980, esse desenvolvimento japons era bastante perturbador para os gestores ocidentais, j que os japoneses conseguiram conquistar parte considervel do rico mercado automotivo americano, oferecendo produtos que atendiam s aspiraes do consumidor, com tecnologia e funcionalidades diferenciadas, design e preos que estavam alm da possibilidade de competio das montadoras americanas. Desnecessrio dizer que essa no era uma condio confortvel para os empresrios que estavam perdendo espao no mercado. Uma alternativa era tentar entender quais as prticas ou fatores que estavam possibilitando esse aumento de competitividade japons e, se fosse conveniente, aprender e implantar o mesmo processo. Os primeiros estudos realizados a respeito do tema revelaram que a excelncia desenvolvida na indstria de manufatura japonesa advinha de aspectos enraizados na cultura daquele povo (Zipkin, 1991). Assim, como seria possvel para a indstria ocidental adotar tcnicas que estariam diretamente ligadas cultura japonesa? Porm, outros estudos, como os de Richard Schonberger (1982) e Robert Hall (1987)