IAIÁ VOCÊ VAI À PENHA?: Baile Do Congo de Máscaras de Roda ... ·...

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  • 725 Revista Acadêmica Novo Milênio Volume 2 – Número 1 – p.725 - 742

    “IAIÁ VOCÊ VAI À PENHA?...": Baile Do Congo de Máscaras de Roda D'água e experiências para o ensino da arte na educação infantil!

    AISLANE MARTINS GOMES1

    DANUZA BRICIO2 JOSY PEREIRA SILVA3

    RESUMO

    O artigo tem como objetivo geral enfatizar a importância das festas religiosas como prática, social, cultural e antropológica no Estado do Espírito Santo. O local escolhido foi o distrito de Roda D’água, zona rural do município de Cariacica, em que anualmente ocorre a Festa do Carnaval de Máscaras, evento singular em homenagem à padroeira do Estado- Nossa Senhora da Penha. Essa festa mistura tradição e fé que é mostrada pela batida do congo dinamizando uma forte identidade religiosa trazida pelos escravizados aportados no Estado. A partir desta intervenção pauta-se a importância da matriz etnográfica e antropológica da cultura e arte na sociedade capixaba, bem como seus olhares subjetivos quanto as práticas performativas (dança, música), como nas expressividades verbais e não verbais da sua arte, principalmente nos contos e na estética simbólica dos seus traços e desenhos. A metodologia utilizada é bibliográfica, qualitativa, que traz um relato de experiência vivenciado durante o Carnaval de Congo de Máscaras em Roda D’Água e também com duas bandas de congo em Vitória. Como resultado final identifica-se que existe uma campo vasto a ser pesquisado relativo as bandas de congo e sua importância para a aplicação da Lei 10.639/2003.

    Palavras Chaves: Tradição; Cultura; Arte; Congo Capixaba; Diversidade.

    INTRODUÇÃO4 5

    O artigo tem como objetivo geral enfatizar a importância das festas religiosas como

    prática, social, cultural e antropológica no Estado do Espírito Santo. O local

    escolhido foi o distrito de Roda D’água, zona rural do município de Cariacica, em

    que anualmente ocorre o Carnaval de Congo de Máscaras, evento singular em

    homenagem à padroeira do Estado- Nossa Senhora da Penha. Tem como objetivos

    específicos: compreender a importância da valorização das manifestações culturais

    afro-brasileiras no Estado o Espírito Santo; sensibilizar para a importância da

    temática étnico-racial, oportunizando discussões sobre o reconhecimento e

    valorização das diversidades culturais, além de identificar e analisar de forma crítica

    1 Pedagoga na função de regente de classe em instituição educacional da rede privada de Vila Velha e Licenciada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo. 2 Licenciada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo, atuando como professora de Artes nas séries iniciais nos municípios de Vitória e Serra - Espírito Santo. 3 Licenciada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo. 4 Daqui em diante, nosso texto tratará o termo no feminino pois partimos de nosso prisma. Autoras mulheres, professoras atuantes, resistentes, sobreviventes, pensantes e praticantes de uma educação como ato político. 5 Independentemente de considerar qual versão poderia ser a verdadeira ou melhor adaptável.

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    os elementos geradores das diferenças, objetivando o enfrentamento ao racismo,

    sendo este um fator de exclusão do educando.

    A justificativa para tratar deste tema está relacionada ao fato do Brasil ter desde seu

    nascedouro um número ímpar de festas. As motivações são diversas. Tem as mais

    tradicionais relacionadas aos santos católicos, fruto da influência trazida pelos

    colonizadores, as festas cívicas relacionadas a datas nacionais e também a

    fundação das cidades, as festas folclóricas como o Bumba-meu- Boi no Maranhão,

    as festas populares como o carnaval. Temos ainda aquelas que fazem homenagens

    aos orixás ainda que entrelaçada aos santos católicos como o dia 2 de fevereiro

    (dia de Nossa Senhora dos Navegantes para católicos e dia de Iemanjá para os

    adeptos de umbanda), bem como o Carnaval de Máscaras de Roda D’agua- objeto

    dessa pesquisa. Essas festas representam o triunfo do povo que consegue

    relembrar/reviver sua história mantendo a tradição de seus antepassados, trazendo

    uma importância social para seu entendimento, por mostrar a diversidade existente

    na sociedade brasileira. Assim, estudar a arte e cultura a partir de um olhar que

    reconhece essa multiplicidade formadora da sociedade, considerando “outros

    lugares e visões”, a partir de um lócus específico.

    DESENVOLVIMENTO

    De acordo com Damatta (1984), as festas religiosas remetem a ordem por serem

    ritualizadas, carregadas de muito simbolismo por reforçarem certa hierarquia do

    sagrado e das instittuições que as promovem. O Carnaval de Máscaras de Roda

    D’água é religiosos, mas também é um contraponto a ordem estabelecida a partir da

    sua motivação. Sua história se inicia:

    O Carnaval de Congo de Máscaras foi iniciado na região de Piranema, passando a ser realizado, após alguns anos, na localidade de Boa Vista, promovido pelos Mestres Jeoval, Queiroz e Patrocínio, e por fim transferido para Roda D’água pelo Mestre Queiroz, da Banda de Congo de Santa Isabel. O Mestre Tagibe explica, que a tradição do Carnaval de Congo de Máscaras em seu início, era “realizado sempre por três dias, sendo o sábado de aleluia, o domingo de festas e a segunda, dia de Nossa Senhora da Penha (BERGAMIM; RABELO, 2017, p.10).

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    Com três possíveis versões sobre seu surgimento, o Carnaval de Máscaras de

    Roda D’água segue arrastando muitas pessoas pelas procissões ao som das

    batidas do congo e o toque das casacas. Os congueiros dão conta que a festa

    acontece há mais de cem anos, com cantos entoados em nome da padroeira do

    estado, Nossa Senhora da Penha. Uma das versões conta que os escravizados que

    não conseguiam chegar aos pés do convento, por isso, produziam suas oferendas

    naquela localidade, ou seja, muito distante de Vila Velha. A segunda versão remete

    as vestimentas de João Bananeira em função da necessidade dos escravos se

    cobrirem completamente para que seus senhores não os reconhecessem, e dessa

    forma, eles pudessem se juntar à procissão e missa em nome da Nossa Senhora. A

    terceira versão traz o “causo” de uma senhora, moradora daquela região, que teria

    recebido uma graça, um milagre intercedido pela santa e teria prometido exaltá-la,

    formando assim a roda de congo com canções em agradecimento pela benção de

    uma filha ter voltado a enxergar.

    O Carnaval de Congo de Máscaras em Roda D'Água tem o intuito de homenagear a

    Virgem Nossa Senhora da Penha e tem adequado sua programação no decorrer

    dos anos para atender ap opulação que dele participa.

    METODOLOGIA

    A metodologia adotada é de abordagem qualitativa, cuja análise dos conteúdos

    foram encontradas na página eletrônica da Prefeitura Municipal de Cariacica e da

    participação no dia do evento, do ano corrente, pois, segundo Silva & Menezes

    (2001, p.20) “a pesquisa qualitativa considera que há uma relação dinâmica entre o

    mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a

    subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números”.

    Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, a pesquisa é de cunho bibliográfico a

    partir do entendimento de Gil (2012, p.50) “desenvolvida a partir de material já

    elaborado, constituindo principalmente de livros e artigos científicos. É expositiva,

    visto que se preocupa em “[...] identificar os fatores que determinam ou que

    contribuem para a ocorrência dos fenômenos” (GIL, 2012, p.43).

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    Marconi e Lakatos (2000) mostram a importância da teoria no desenvolvimento de

    estudos ao citarem que:

    A teoria serve para indicar os fatos e as relações que ainda não estão satisfatoriamente explicados e as áreas da realidade que demandam pesquisa - é exatamente pelo motivo de a teoria resumir os fatos também prever os ainda não observados, que se tem a possibilidade de indicar áreas não exploradas, da mesma forma que fatos e relações até então insatisfatoriamente explicados. Assim, antes de iniciar uma investigação, o pesquisador necessita conhecer a teoria já existente, pois é ela que servirá de indicador para a delimitação do campo ou área mais necessitada de pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 2000, p. 103).

    Após o levantamento de todo o material, foi efetuada uma leitura criteriosa e

    interpretativa do conteúdo para tabulação e distribuição em tópicos, conforme os

    objetivos propostos, a fim de transcrever o estudo, com apresentação detalhada dos

    resultados obtidos (VERGARA, 2005).

    Por termos participado do evento mote desse trabalho, optamos por fazer um relato

    de experiência, que privilegia relatar o vivido no passado e presente, conseguindo

    trazer a tona todas as memórias afetivas, os lugares simbólicos, as comemorações

    que fazem