Histórico do manejo de Macrófitas Aquáticas no ... · PDF...

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  • Histrico do manejo de Macrfitas Aquticas no Reservatrio Guarapiranga

    Admilson Clayton Barbosa Ivan Chami Gentil,

    1Empresa Metropolitana de gua e Energia EMAE

    Avenida Nossa Senhora do Sabar, 5312 04447-900 So Paulo SP, Brasil. admilson.barbosa@emae.com.br

    ivan.gentil@emae.com.br

    2Universidade Santo Amaro UNISA Rua Professor Enas de Siqueira Neto, 340 04829-300 So Paulo SP, Brasil.

    ivancgentil@yahoo.com.br Abstract. This paper aims to present the history of macrophyte management, highlighting the species Eichhornia crassipes Mart. Solms and Pistia stratiotes Linnaeus, in the Guarapiranga reservoir, from technical documents Company Eletropaulo SA on the management and operation of this reservoir. Palavras-chave: macrophyte, Guarapiranga reservoir, Eichhornia crassipes Mart., Pistia stratiotes Linnaeus.

    1. Introduo O reservatrio do Guarapiranga um dos principais mananciais da Regio Metropolitana

    de So Paulo, abastece aproximadamente quatro milhes de pessoas. tambm o mais ameaado, estimasse que residem aproximadamente 800 mil pessoas ao redor do reservatrio. Em 2003, mais da metade da rea do reservatrio encontrava-se alterada por atividades humana. No perodo entre 1989 e 2005 a rea ocupada pelo reservatrio diminuiu consideravelmente. A diminuio da quantidade de gua envolve algumas questes como o aumento na quantidade de macrfitas que impedem a navegabilidade onde acarretam problemas de captao de guas e no manejo do reservatrio (ISA, 2006), outra questo a ser considerada em reservatrios de gua para abastecimento e gerao de eletricidade, so as dificuldades relacionadas s operaes de barragens, os bloqueio de sumidouros e o aumento na manuteno de turbinas (PITELLI, 1998; WHATELY e CUNHA, 2006).

    Embora sua proliferao seja uma resposta da natureza aos ambientes poludos, por se alimentar de matria orgnica e fsforo e, em suas razes ficar retido material em superso e absorver metal pesado da gua, os problemas a ela associada ainda maior que os benefcios (CAVENAGHI et al., 2005; ESTEVES, 1998; PEDRALLI, 2003; POMPO, 1996).

    Outro fator muito relevante o fato das razes servirem de habitat para larvas de insetos e as folhas de abrigo aos insetos adultos. As espcies mais recorrentes so do gnero Mansonia e Culex sp., vetores de doenas e de transtornos sociais (NATAL et al.,1991).

    Sendo assim, este trabalho far uma apresentao sobre o histrico de ocorrncia de duas espcies de macrfitas Eichhornia crassipes, aguap e a Pistia stratiotes, alface-dgua no Reservatrio do Guarapiranga, concluindo com uma breve discusso sobre o assunto.

    2. Reviso Bibliogrfica 2.1 Plantas aquticas macrfitas

    Segundo Esteves (1998) as primeiras menes ao termo macrfitas aquticas foi usada no ano de 1938 por Weaver e Clements, que as definiram como plantas herbceas que se desenvolvem na gua, em solos cobertos ou saturados por gua. Neste grupo esto includos os vegetais que vo desde macro-algas (gnero Chara) at angiospermas (gnero Typha). So

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  • consideradas vegetais que, durante o processo evolutivo, retornaram do ambiente terrestre para o aqutico, mas que mantiveram algumas estruturas caractersticas de vegetais terrestres, como a presena de cutcula e estmatos nas plantas aquticas emersas.

    So vegetais macroscpicos, submersas ou parcialmente submersas, ou ainda flutuantes, que habitam gua doce ou salobra, cujas partes realizam fotossntese permanentemente, ou por diversos meses, todos os anos (PEDRALLI et al., 2003; POMPO e MOSCHINI-CARLOS, 2003).

    Devido a grande concentrao de matria orgnica encontrada no Reservatrio Guarapiranga, existe uma grande ocorrncia de macrfita, onde as que possuem maior ocorrncia so a Eichhornia crassipes, aguap (Figura 1), e a Pistia stratiotes, alface-dgua (Figura 2) (ELETROPAULO, 1981).

    Figura 1: Eichhornia crassipes (CARVALHO et al.,2005).

    Figura 2: E. crassipers e Pistia stratiotes no reservatrio Billings.

    2.2 Biologia

    A macrfita aqutica E. crassipes nativa da Amrica do sul tropical e foi introduzida em quase todos os continentes, enquanto que P. stratiotes considerada uma espcie cosmopolita tropical e subtropical (POTT e POTT, 2000).

    Ecologicamente, as macrfitas aquticas podem se constituir no principal produtor de matria orgnica, atingindo cerca de 100 t de peso seco/ha/ano (PIEDADE et al., 1991), valor superior ao da cana de acar, mesmo mediante a aplicao de grandes quantidades de insumos agrcolas. Apresenta importante papel na troca de nutrientes, podendo tornar-se as principais controladoras da dinmica de nutrientes no ecossistema (JUNK, 1980; POMPO, 1996). Dessa forma, participam intensivamente da reciclagem de nutrientes, podendo assimilar elementos retidos no sedimento por intermdio das razes, os quais so liberados para a coluna de gua atravs da excreo e da decomposio (GRANLI e SOLANDER, 1988).

    So importantes espcies na cadeia trfica de ecossistemas aquticos, fornecem abrigo a peixes, insetos, moluscos, e perifiton (POTT e POTT, 2000). Segundo Hamilton (1993), as macrfitas fazem a autodepurao das guas pela assimilao de nutrientes e reteno de sedimentos.

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  • 2.3 Caractersticas gerais da Reproduo de Macrfitas Algumas espcies de macrfitas aquticas possuem sofisticado sistema de polinizao

    cruzada, a heterostilia. A famlia Pontederiaceae a nica de monocotiledneas tristlicas, representadas pelos gneros Eichhornia e Pontederia. Plantas heterostlicas so compostas de flores de diferentes morfas, que diferem nos comprimentos do estigma, estames, tamanho do plen, com sistema de auto-incompatibilidade. A polinizao legtima nas espcies tristlicas (com trs morfas) ocorre somente quando flores com estigma longo, mdio ou curto recebem plen compatvel, respectivamente, das anteras longas, mdias ou curtas. Polinizadores especializados, como a abelha solitria Ancyloscelis gigas, com longa probscide coberta de cerdas com ganchos, conseguem atingir os diferentes nveis de anteras das folhas tristlicas da E. azurea e efetuar a polinizao legtima (ESTEVES, 1998; SANTOS, 1999).

    Estudos efetuados em regio tropical, particularmente no Brasil, tm demonstrado que o perodo de crescimento e de mortalidade das macrfitas aquticas est muito relacionado com a variao do nvel da gua (JUNK e PIEDADE, 1993; CAMARGO e ESTEVES, 1995, 1996; POMPO, 1996).

    Algumas espcies de macrfitas aquticas apresentam picos de biomassa durante o perodo de cheia (NEIFF, 1975; FRANOIS et al., 1989; PIEDADE et al., 1991), enquanto outras, redues quando cobertas pelas guas, com picos de biomassa durante o perodo de guas baixas (NEIFF, 1975; JUNK e PIEDADE, 1993).

    Provavelmente essa uma estratgia para minimizar os efeitos da competio. Observaram-se tambm modificaes na composio vegetal (estrutura e dominncia) e na biomassa, aps o perodo de cheia. Desta forma, a estrutura da vegetao aqutica aps a cheia pode ser substancialmente modificada, de acordo com a periodicidade da cheia. Provavelmente a durao da cheia tambm deve produzir mudanas na composio e nas taxas de crescimento das macrfitas aquticas (NIEFF, 1975). 2.4 Comportamento das macrfitas nos reservatrios

    Segundo Pitelli (2006) a maioria dos reservatrios esta sujeito a variao de nvel, isso pela sazonalidade e demanda de gerao de energia, isso demanda um conhecimento dessa variao e seu efeito sobre as macrfitas, portanto imprescindvel a incluso deste estudo dentro dos EIA/RIMA1. O autor ainda coloca que, a razo desta condicionante se sustenta nos problemas ocasionados por densas infestaes de macrfitas aquticas em vrios reservatrios no Brasil.

    A distribuio e a presena das macrfitas so determinadas pela concentrao dos nutrientes na gua, pelo meio suporte onde esto fixadas, profundidades da lmina dgua, presena ou no de correnteza, ndice de turbidez, presena de herbvoros e atividades humanas (APHA, 1995; WOOD e MCATAMNEY, 1996; PITELLI, 2006).

    Devido a maior profundidade de penetrao da luz, em regies prximas a barragens, geralmente na zona de desembocadura dos rios em reservatrios as macrfitas aquticas emersas podem apresentar elevada biomassa onde podem se constituir em importantes produtores de matria orgnica para o sistema. Nos reservatrios o crescimento excessivo das macrfitas aquticas pode causar diversos problemas ambientais alm de prejuzos gerao de energia e navegao, entre outros usos mltiplos (JUNK et al., 1981).

    As maiorias dos problemas causados pelas densas colonizaes de macrfitas aquticas so: alterao das caractersticas da gua, especialmente reduo da disponibilidade de oxignio dissolvido, alterao das caractersticas de navegabilidade e de utilizao do corpo hdrico para esportes nuticos, prejuzos produo de peixes e para a captura do pescado,

    1 EIA/RIMA Estudo de Impacto Ambiental e Relatrio de Impacto Ambiental.

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  • criao de condies adequadas para instalao e manuteno de populaes de insetos e outros organismos indesejveis, incluindo vetores de doenas humanas, reduo da capacidade de armazenamento e da durabilidade de reservatrios, reduo do fluxo dgua e da vida til de canais de irrigao e drenagem, interferncia na captao de gua para irrigao e uso pblico, interferncia na produo de energia eltrica, prejuzos edificaes no corpo hdrico, especialmente pontes, aumento das perdas dgua por evapotranspirao, dentre outros (PITELLI, 1998). 2.5 Reservatrio do Guarapiranga

    Segundo Beyruth (2000) o reservatrio do Guarapiranga produz gua a uma taxa de 10,6 m/s, fornecendo cerca de 25% da Regio Metropolitana de So Paulo. O reservatrio a segunda maior fonte de gua do Estado (MANCUSO, 1992) tambm utilizado para controle de inundaes, produo de energia e recreao.

    Localiza-se