GEOLOGIA DE NEVES-CORVO: ESTADO ACTUAL DO MINERAIS 2006/Geologia Neves... · PDF...

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GEOLOGIA DE NEVES-CORVO: ESTADO ACTUAL DO CONHECIMENTO

PEDRO CARVALHO e ALFREDO FERREIRA

SOMINCOR - Mina de Neves-Corvo, 7780 Castro Verde

RESUMO A notvel descoberta em 1977, do jazigo de Neves-Corvo, foi desde o incio marcada pelo contedo metlico das suas mineralizaes, em especial os teores anormalmente elevados em cobre e estanho, e pela dimenso do vasto recurso geolgico-mineiro apresentado. Foi neste enquadramento que se desenvolveram os programas de reconhecimento e avaliao das cinco massas mineralizadas que compem o jazigo, nomeadamente Neves, Corvo, Graa, Zambujal e Lombador, durante o perodo que antecedeu a entrada em produo em finais de 1988, e que hoje prossegue num esforo contnuo de aprofundar o modelo de distribuio metlica e racional aproveitamento. A informao actual sobre a geologia, estrutura e mineralogia do jazigo de Neves-Corvo, assim apresentada como um referencial na evoluo do conhecimento adquirido e uma contribuio para a definio do seu modelo metalogentico.

CARACTERIZAO GEOLGICA DA REA DO JAZIGO A rea do jazigo de Neves-Corvo (Fig. 1) definida do ponto de vista geolgico por um conjunto formacional diferenciado que se desenvolve desde o Devnico Superior ao Carbnico Inferior, segundo trs grupos ou sequncias geolgicas principais, a partir da base:

Grupo Filito-Quartztico (PQ) Aflora a cerca de 3 km a noroeste da mina e constitudo por uma sequncia montona de xistos indiferenciados de composio filitosa, contendo no topo um nvel de quartzitos impuros, e calcrios lenticulares microcristalinos associados. Este afloramento situado no ncleo da estrutura anticlinal central do anticlinrio Panias-Castro Verde, de orientao NW -SE, tem correspondncia em profundidade na rea dos trabalhos mineiros, onde o PQ foi cartografado na base do poo de extraco e noutros desenvolvimentos adjacentes; foi tambm intersectado em vrias sondagens de reconhecimento e avaliao geolgico-mineira. De notar que os quartzitos apresentam aqui uma sequncia "bancada a bancada", cada uma variando de espessura at algumas dezenas de decmetros e com critrios de polaridade e granoclassificao bem evidenciados. Estas bancadas esto por vezes separadas por fina alternncia de xistos filitosos escuros a negros. O nvel de calcrios com conodontes foi datado como sendo Fameniano, idade que marcar o incio da actividade vulcnica, de grande escala, nesta rea.

Fig. 1 - Mapa de localizao e geologia geral do jazigo de Neves-Corvo

Complexo Vulcano-Sedimentar (CVS) Concordante sobre o grupo anterior apresenta em afloramento duas sequncias distintas. A sequncia inferior situa-se na envolvente imediata do PQ, com uma composio essencialmente vulcnica, com vulcanitos cidos e bsicos, e intercalaes de xistos indiferenciados. As cinco massas lenticulares de sulfuretos macios polimetlicos, situam-se no topo da sequncia inferior, contudo este nvel no tem sido referenciado na rea aflorante, carecendo de uma cartografia muito detalhada e pesquisa de ndices guia para a sua localizao. Sequncia Inferior A base da sequncia inferior do CVS caracteriza-se pelo desenvolvimento na rea de afloramento de uma importante manifestao vulcnica bsica, os Espilitos de Monte Forno de Cal, que no tem contudo representatividade a sudeste da estrutura, pelo menos na rea de influncia do jazigo de Neves-Corvo. Ainda, na rea de afloramento no possvel diferenciar as rochas vulcnicas cidas cartografadas que aparecem alternadas com xistos filito-siliciosos, ao contrrio da rea da mina onde estas esto bem definidas segundo 3 nveis diferentes (T0, T1, T2) de piroclastos finos de composio filito-siliciosa. Estes nveis esto separados da base para o topo por xistos alternados de tom cinzento escuro a negro, por vezes de cor mais variada, esverdeada ou mesmo violeta (Fig. 2). A presena de clastos arredondados de composio calctica e fragmentos de tufos caracterizam estes xistos, que se designam como formao tufo-brechide. A presena de um nvel de quartzitos impuros em bancadas decimtricas, entre T0 e T1, distinguindo-se dos quartzitos devnicos por nunca apresentarem o nvel de calcrios microcristalinos, permite definir a sucesso estratigrfica desta sequncia at aos xistos negros do muro da mineralizao. Alis, nota-se que a sequncia inferior mostra uma sucesso estratigrfica normal sem interveno visvel de tectnica carreativa, desde o topo do Devnico at ao nvel da mineralizao, independentemente do facto de a sua espessura ser muito varivel e se registar por vezes a ausncia de parte das suas unidades constituintes. Sequncia Superior A sequncia estratigrfica superior, estende-se at rea da mina, e tem uma composio de caractersticas mais vulcano-sedimentares (ss) com xistos argilo-carbonosos a siliciosos, tufitos dominantes, e localmente rochas vulcnicas. A sequncia superior inicia-se no tecto dos sulfuretos macios com um nvel decimtrico a mtrico considerado de origem hidrotermal-sedimentar, composto por chertes cinzentos esbranquiados a avermelhados com carbonatos associados, de tonalidade varivel, bege a vermelho, e composio dolomtica a anquertica. Os chertes so brechificados e preenchidos pelos carbonatos. A presena de xistos clorticos est intimamente associada aos chertes e carbonatos. Estes xistos contm quartzo microgranular e por vezes carbonatos em fina disseminao ou pequenos leitos

milimtricos. A presena de nveis raros de grauvaques indica a influncia de deposio turbidtica que lhe sucede.

Fig. 2 - Coluna Estratigrfica

Nos trabalhos mineiros, h de facto a assinalar a presena de xistos argilosos e grauvaques no tecto da mineralizao imediatamente a seguir ao nvel descrito atrs, e com o qual contactam de modo gradacional. Estes grauvaques situados a um nvel estratigrfico aparentemente mais baixo, so geralmente aceites como pertencentes Formao de Mrtola do Grupo do Flysch. A sua relao com as formaes vulcano-sedimentares da sequncia superior do CVS, parece contempornea, e originada pelo ressurgimento tardio de nova actividade vulcnica, durante um perodo em que o flysch j estava a depositar. Como se pode observar nos perfis geolgicos transversais (Figs. 3, 4 e 5), a sua espessura varivel de oeste para leste, chegando mesmo a desaparecer, para dar lugar s rochas vulcnicas cidas da srie Zambujal, na base desta sequncia superior. No topo desta unidade basal, passa-se a um nvel relativamente constante de xistos negros piritosos e grafitosos com ndulos silico-fosfatados, passagens de tufos cidos sericito-clorito-siliciosos semelhantes aos da srie Zambujal, e passagens de xistos siliciosos cinzentos esverdeados com impregnao ooltica carbonatada. No contacto das rochas vulcnicas, desenvolvem-se por vezes pequenas lentculas centimtricas a decimtricas de sulfuretos macios intercalados nos xistos negros, sem contudo ter expresso de interesse mineiro. A sua designao como sub-nvel (r') da Formao Brancanes, deve-se natureza da evoluo lateral, que a oeste do sector mineiro mostra a sua sobreposio em contacto directo, deixando de ser possvel diferenci-los dada a sua semelhana composicional. A presena de um segundo nvel de xistos e grauvaques no topo desta formao refora as observaes da sua passagem lateral para uma intercalao entre grauvaques (Fig. 4). Ao contrrio do contacto basal com a Formao de Mrtola, considerado normal independentemente de se revelar laminado em quase todas as reas da mina e sondagens observadas, j o contacto superior considerado como a primeira evidncia do carreamento da unidade que se lhe sobrepe. Uma sucesso estratigrfica tipo nesta unidade composta, da base para o topo, por:

- Formao de Grandaos de xistos siliciosos e xistos negros alternados com ndulos carbonatados;

- Formao de xistos verdes e violeta; - Formao de Godinho com xistos siliciosos e tufitos, por vezes em bancadas macias; - Formao de Brancanes com xistos negros piritosos e grafitosos.

Esta sucesso tipo pode repetir-se (com a totalidade dos seus membros ou no) at quatro vezes na unidade tectnica intermdia, encaixada entre os dois planos de carreamento maior (base e topo) que por sua vez se juntam no sector oeste da rea do jazigo, por biselamento destas unidades. Uma das questes que interessa realar e solucionar a passagem lateral brusca da unidade intermdia, a um conjunto formacional composto por xistos negros por vezes grafitosos e piritosos e com abundantes soleiras de composio doleritca e tpicas margens de arrefecimento. Por outro lado de notar que na rea de Neves-Corvo esto totalmente ausentes os espilitos de Casvel que se desenvolvem muito fortemente no extremo NW da estrutura junto falha da Messejana e nos dois alinhamentos anticlinais de Panias e de Castro Verde.

O topo da Formao de Brancanes marca a transio contnua ao Grupo do Flysch.

Grupo do Flysch (GF) Este grupo formacional de idade mais recente e de caracterstica sedimentar tpica, composto por alternncias montonas de xistos argilosos e grauvaques. Recobre os dois conjuntos anteriores PQ e CVS, e o que est mais bem representado ao nvel de afloramento, atravs da Formao de Mrtola, definida como a unidade basal deste Grupo. A transio da sequncia superior do CVS ao GF, d-se de modo contnuo atravs da Formao de Brancanes composta por xistos negros grafitosos e piritosos, com nveis fossilferos ricos, que forneceram goniatites datadas do Viseano Superior. Estes trs grandes grupos formacionais, foram afectados por metamorfismo regional de baixo grau, at fcies dos xistos verdes. A estrutura dominante o anticlinal central orientado NW-SE. Trata-se de um dobramento assimtrico suave, com o flanco NE longo, inclinando regularmente 25-30 e o flanco SW normalmente mais curto com inclinaes variveis at 70. O eixo da estrutura inclina suavemente para SE, onde possvel predizer um comportamento de abatimento por blocos, em "tecla de piano", por efeito de desligamentos perpendiculares estr