Fonte dos que dormem VICENTE FRANZ CECIM Viagem a Andara oO livro invisível.pdf

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Poemas: Cantos dos seres neblina de Andara.

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  • Viagem a Andara oO livro invisvel

    Fonte dos que dormem Vicente Franz Cecim

  • E a primeira coisa que me disseste foi havias vindo ver o Livro Invisvel.

  • Oni,

    sim, Tu havias finalmente vindo, Sim

    E a primeira coisa que me disseste foi havias vindo ver o Livro Invisvel.

    - Oni, eu disse. Como quem dizia Sim, No, Talvez, Quem sabe

    Mas Tu j havias escondido atrs das costas as tuas Asas, e assim que no pude

    ver essas asas no Princpio de Tudo

    E Saber que, sim: Sim

    Eras Tu que finalmente terias enfim vindo

    fosse aquele dia um como os outros: o Sol no alto, sua luz que nos oculta a vida,

    que nos oculta de ns mesmos, que nos oculta a luz com que o solzinho de cada

    coisa em si se ilumina, de dentro para fora.

    Quando aquelas Asas enegrecendo o cu: o que era Aquilo, eu me perguntando

    na escurido de repente temendo que j fossem os meus olhos se apagando, se apagando

    como um dia eu sei que indo para acontecer. O Acontecimento

    Mas no eram ainda os olhos, estes que insistem em ver alm de mim, aqum de

    mim, o: O

    Eram as tuas Asas

    descendo

    teu o: primeiro pequenino, depois crescendo, descendo em Andara.

    Casse sobre tudo a tua Presena: teu O sobre ns, imenso.

    Mas Tu, tu, agora ali como eu humano pequeno como eu como so os homens

    quando vistos de perto

    Ali: sob a rvore das Vozes, fosse mais essa vez em Andara

    E quando eu descobri quem eras, noEusou, semNome

    fosses tu eras Tu,

    Aquele que L escreve o noLivro para que aqui eu escreva os livros visveis

    Tua mo sobre a minha, Se inscre Vendo

    Ento, cantei estes Cantos

    no para quem me ouve

    Para Ti em Silncio

    Na Fonte dos que dormem

  • I

    OS DIAS CONSAGRADOS

  • Cinzas do Caminho que se encontra

    porque o dia que passa agora um Sol negro nos Passos humanos, sobre ns,

    eu

    te acolho em minha Sombra

    de Ternura para o Incndio das Fontes que viro

    E se dizes, dos meus passos: So meus passos

    eu digo dos teus passos: So Teus passos

    E assim,

    indo,

    aVe

    que o Vento nos ventos: Destinos de areia

    j no sabe se conduz ao Crepsculo

    ou se a Aurora j a Penumbra que cintila em nossos Olhos,

    porque outra vez Somos o que fomos

    Eis:

  • a Asa

    Invisvel

    murmurante no Horizonte

    Pois agora Teumeu o Corpo Entre Vus

    oO Pas

    so

    que vindo,

    no passar

  • na via Lenta

    este o caminho das

    Grades,

    e ouves no fundo da Terra portes de ferro voltando ao p,

    como tu

    Mas Tu no cumprirs toda a Profecia

    Afinal,

    no chegaste pela rua da tua Infncia? N

    o tropeaste na porta da Sede e a gua te ergueu?

    No testemunhas o regresso das rvores em Sonhos

    e

    no passa Dentro de ti

    a Outra via?

    leve

    Que

    leva

    Leveza invisvel

  • esboando no Sem Rumo

    quando passas, em Si se esconde a rvore

    dos Negros Corais

    tu passeias sem Clamor

    quem sabe: At cantes

    e o Caminho no longo

    no colheste nenhum fruto,

    mas os Corais vo contigo

    e teus Passos vo deixando Rumor de treva e gua profunda, pois

    te seguem, Negros, os Corais

    rvore dos Negros Corais

    quando passas em Ti

    se esconde

  • a Residncia entre Clares est nas cinzas Agarrado ao teu Tronco, como no lamentarias a queda dos Frutos? Perdido de Ti, como colherias a Semente no ar e a semearias nas noites da Fadiga?

    Para isso: ouvir

    Aquilo que chama na Sombra

    Para aquilo, ver

    Isso: o Anel de Luz

    na noite que mais pede sacrifcios Aurora dos Destinos

    ao passo

    mais fiel ao caminho para a casa tombada, L: onde a Curva

    no horizonte

    oferta a Esfera ao fechar dos Crculos

    gua de murmrios dos Teus Olhos

    Asa murmurante que no pousa

  • Celebrao das noites fatigadas

    h Desesperos circulares, Tu sabes desesperos

    como o do animal no Escuro escuro

    Girando

    contido no Centro que seu giro gera

    E a cada giro, Pura

    emisso de intensidade busca as margens para Alm das margens

    E a cada giro, o No

    Escrita de grades: a palavra Dor no a palavra Sim

    Mais um giro, e eis: a Queda

    Luz fenecendo

    Oo

    Centro que des

    morona, des

    falece em centro

    E se esmorece

    o Desespero, e se

    se apaga: Se sob a pele Negra olhos se ocultam,

    na harpa de grades a pausa breve e no h Msica

  • pois foi escrito no Bosque Sem Ternuras, em nossa Face: Que os olhos que uma vez se

    fechem outra vez se abram,

    e eles se abrem,

    Clio sem paz se

    acende o Desespero

    e Testemunha: as Grades permanecem L

    E

    se adormece para os Sonos dos Alvios? Sem

    remdio Sem

    remdio,

    porque sonha Grades

    ah, tudo oculta em sonhos a Catedral de cinzas

    as Margens

    o Crculo

    e a chave perdida

    Animal escuro,

    te tornaste o prprio Centro escuro

  • Tece teus clios de Hera sagrada

    Cintila

    nas noites Sonha

    com a Alvura

    No sabes que Outro centroO

    te Ilumina,

    mais Escuro?

    h Desesperos circulares, Tu sabes

  • Caminho dos corpos lentos

    E o Cu? Se

    pergunta a Terra,

    enquanto desces ao encontro do Teu Centro

    eis: a espreita do Suspeito de Si Mesmo

    Eis a Penumbra da gua em silncio

    Na Fonte,

    no so Longos os peixes que te incineram

    Ainda uma vez um Sim de pedra

    se ocultou

    na Noite,

    e enquanto tombas vais lembrando que No s

  • Noite de nutries profundas Para nutrir o Lodo, tu no escreves Tu s o Livro que se lana em todas as direes nas Regies Escuras: Agora oO Crculo cintilante que te envolve E nos limites da Esfera, se te voltas para te ver Fonte que se jorra, v: o Outro, gua que no Centro da Esfera ainda L s tu de novo, murmurando: Tu s o Livro, que se lana: Chama

  • na noite do Gro luminoso

    Quando a Esfera cantou na Penumbra para a Dvida

    a Vida o que

    coisa que a si SeFaz

    longe, em Ti

    ouviste O Eco

    s

    isso

    e nada Mais

  • rvore de Negros Corais e dos silncios do Cu

    S

    ubmerso

    em Si como um homem

    esquecido pelas paisagen

    S

    E vagando

    Como se um mundo No existisse

    Um mundo no

    como um mundo Sim

    E convivendo com Ausncia e Sombra

    Quase deitado na linha do Horizonte, e sem temer a Lmina, e com os ps pisoteando

    estrelas:

    dana,

    mas no O Danarino

  • a parte dos Dons

    mas

    Se

    nutrires em Ti

    a Metamorfose da Esfera,

    ouve e Celebra o teu rumor de Hera

  • H

    e

    } quando o Silncio horizontal se disser, te despindo, o Fulgor que s

    e tudo em crculos vagando sobre a Esfera vier se Delatar a ti como

    Mscara para esmagamentos > a horda escura e a Histria e o ir e o ir e o ir dos frutos retornantes s sementes

    mas no

    o Vir

    da Semente ao Fruto que ns chamamos Vida

    e

    quando na Clareira, Nu

    testemunhares o desabrochar da Hera

    #

    Ento

    } haver um dia seguinte

    E nesse Dia

    Manh do Caminho sem caminhos,

    despertando

  • abrirs a porta da tua casa

    e vers

    a Constelao Sem Centro

    Porque o Centro tombou sem rumor toda a Noite para a Terra

    Ests outra vez na rua onde passou por ti a Vertigem, a Tua Infncia

    E agora } o Centro

    s Tu

  • Caminho longo

    o

    O

    oO

    Oo

    OoO

  • II

    COISAS ESCURAS PROCURANDO A LUZ

    COM DEDOS FINOS HEIOS DE ERVAS

  • A colheita das paisagens

    Para descer o cu terra num antro mais cheio de murmrios

    aquilO

    que morre nas flores

    canta

    um Rumor de luz

    Eu escuto, na Residncia da Semente Branca daqueles que tiveram o p esquerdo

    devorado por ovelhas

    Eu nutro: os caminhos apagados

    Eu nutro: a mais antiga, a Viso que veio ao encontro dos que vo

    em busca

    da espera de Si mesmos

    Eu no sou a semente

    de uma intensidade nua de espinhos, eu no sou

    Eu no sou

  • Fonte das constelaes

    Sem semear ossos no fim da tarde

    e vindo ao encontro dos teus olhos nos Caminhos das espreitas,

    eu busco

    o segredo luminoso

    da

    Tua

    gua

    Soprando as cinzas,

    mais humano que o Limo

    Este o Passo de Sombras

    Esta a Noite em que o cu vir beber nosso rumor de terra

    Aqui

    Eu espero

  • Como uma Construo erguida para baixo

    rio em Silncio, e serpentes: A Palavra

    interminvel

    mente

    calada

    mente de Aves Profundas

    e um Carrilho de Luz

    soando na Penumbra dos Seus Olhos,

    dAquilo que escurece

    as manhs de cinzas

    as pedras dos dedos da Orao

    quando o mais Alto se ergue

    e depe o Muro Branco das Idades

    como Transparncia

    no deserto Inundado

    dos Teus sonhos: Clio

    da Carne,

    e Rumor de Bosque Escuro

    Curva dos Lbios

    que no dizem - Rio

    l, onde

    a gua Escura de um Abismo

    Aquele que teve os olhos Selados

    j no aguarda a Aurora das Virtudes: o Guardi