Elias, norbert. teoria simbolica

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  • Este ltimo livro de Norbert Elias exprime, de forma exemplar,as virtualidades da sntese de conhecimentos com origem

    nas cincias naturais e sociais, por um lado, e nas diferentescincias sociais, por outro.

    Em a Teoria Simblica so tratados trs problemas fundamentais.Em primeiro lugar, o conceito de smbolo equacionado

    nas suas relaes com a linguagem, o conhecimento eo pensamento, articulando, nomeadamente, perspectivas da " sociologia, da semiologia e da antropologia cultural. Em

    segundo lugar, e tendo por base uma incorporao decontributos da biologia na teoria social, traada a linha de.

    continuidade entre a evoluo biolgica, conducente constituio do aparelho vocal humano, e o desenvolvimento

    histrico dos smbolos enquanto padres tangveisda comunicao humana. Finalmente, o estatuto ontolgico

    do conhecimento reexaminado por forma a permitira superao de dualismos filo*sficos tradicionais, como os que

    : .opem sujeito'e objecto ou idealismo e materialismo.

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    1Hoz

    Norbert Elias

    TEORIA SIMBLICA

    Norbert Elias (1897-1990) uma das principais figurasda sociologia e das cincias sociais em geral. A sua obra'

    . 'combina, de forma admirvel, o tratamento de dadosempricos sobre os pormenores da vida social, a sntesehistrica de longa durao e a discusso terica geral,

    Uravessando as fronteiras disciplinares clssicas. Entre os seuslivros mais importantes destacam-se O Processo Civilizacional

    Introduo Sociologia.

    s;tu ..; r( 0 1 9 ) 23* 2000

    EncomemUt . Entrevi

    CELTA EDITORAOEIRAS / 1994

  • VDE - I F C H

    HX,

    TTULO ORIGINALTHE SYMBOLTHEORY

    O 1989, NOKUimTliLIAS 1991, NORBERT ELIAS STICHTING

    ...JDAIN1|RODUO DO ORGANIZADOR, 1991, RICHARD KILMINSTER

    NORBERT ELIASTEORIA DO SMBOLO

    PRIMEIRA EDIO PORTUGUESA1994

    TRADUO DO INGLS PORPAULO VALVERDE

    ISBN972-8027-18-4

    ISBN DA EDIO ORIGINAL0-8039-8417-7, SAGE PUBLICATION LTD, LONDRES

    DEPSrrO LEGAL65908/94

    COMPOSIOCELTA EDITORA

    CAPACELTA EDITORA

    FOTOLITOS, IMPRESSO E ACABAMENTOSTIPOGRAFIA LOUSANENSE

    LOUSA

    RESERVADOS TODOS OS DIREITOS PARA PORTUGAL,DE ACORDO COM A LEGISLAO EM VIGOR, POR

    CELTA EDITORA LDAAPARTADO 151,2780 OEIRAS

    Na composio deste livro foram utilizados um micro computador SCHNEIDER e umaimpressora NEC, distribudos em Portugal por IFS.

    NDICE

    INTRODUO DO ORGANIZADOR [RICHARD KILMINSTER] viiINTRODUO 3SECO I 19SECO II 37SECO III 51SECO IV 57SECO V 67SECO VI 85SECO VII 111SECO VIII . 125SECO IX .< 131NOTA 149

  • INTRODUO DO ORGANIZADOR1

    RICHARD KTLMINSTER

    Un prottmconvenablement pose est bien prs d'tre rsolu.(Andr Marie Ampere, citado in Bravo 1979:204)

    A Teoria Simblica foi o ltimo trabalho extenso preparado para publicao,em vida, por Norbert Elias, falecido em l de Agosto de 1990, em Amster-do, com 93 anos de idade. Este livro reproduz num texto nico, embora semalteraes, o seu estudo desenvolvido, "The Symbol Theory: An Introduction",publicado, originalmente em trs partes, em nmeros sucessivos de Theory,Culture and Society no ano de 1989. quadro de Paul Klee, que figura na capa,2foi escolhido por Elias, pouco antes da sua morte, para a nova verso em livro.Infelizmente, nos dias que precederam a sua morte, ele estava ainda a elaboraruma nova Introduo. De acordo com os editores e a Norbert Elias Foundation,foi decidido que este documento pungente fosse publicado na sua formainacabada. No incio do texto, foi, assim, includo este documento que deveriaconstituir a introduo da verso final. A certa altura, h uma quebra e Eliasassume o seu estilo peculiarmente expansivo, comeando a discutir um dosseus temas favoritos: a necessidade de estudar as sociedades humanas numaescala temporal muito longa. difcil adivinhar o caminho que poderia ter sidoseguido pelo resto do argumento.

    O texto principal passou por vrias fases antes de chegar forma actual. Talcomo todos os outros textos de Elias, nos ltimos anos da sua vida, tambmeste foi ditado a um colaborador. Foi finalizado, segundo este processo, numaverso preliminar, no Vero de 1988. O manuscrito extenso, muito repetitivo, eainda no dividido em seces, era uma corrente contnua de temas interrela-cionados. Elaborei um texto mais estruturado e, por isso, mais acessvel comvista sua publicao na revista, inserindo pargrafos, eliminando repetiesdesnecessrias e ordenando a sequncia das seces numeradas que ele come-ou mas no concluiu.

    1 Agradeo a Stephen Barr, Rudolf Knijff, Terry Wassall e Cs Wouten pelo seu auxlio napreparao desta Introduo.

    2 N. do T.: O autor refere-se edio original inglesa que apresenta o quadro de Paul Klee, Buch-stabenbild 1924.

    vu

  • viu TEORIA SIMBLICA

    Ao organizar a edio original, segui de perto uma sequncia de temas e deargumentao que j estava presente no material. Apesar da repetio, omanuscrito parecia integrar-se, de forma natural, num padro, que, felizmente,vim a poder discutir com Elias. Uma vez que ele no podia reler as pginas medida que as ia compondo e revendo, devido aos seus problemas de viso,Elias foi obrigado a desenvolver todo o trabalho na sua prpria mente. Foi,portanto, notvel descobrir o carcter sistemtico e estruturado de um manus-crito que parecia, na aparncia, ser imperfeito. Todos os meus rearranjos eexcluses foram feitos com o seu consentimento, tendo ele reescrito algumasseces mais curtas. Por sua insistncia, no entanto, foram mantidas algumaspassagens repetitivas que os leitores podem considerar entediantes no textono remodelado. Mas, como sublinho adiante, h uma linha de fronteira muitofluida entre estas passagens e o que podemos designar como as repetiesbenignas de Elias, que so uma caracterstica geral do seu estilo que lhe permiteregressar.diversas vezes s mesmas questes, retrabalhando-as em cada ocasiosegundo perspectivas diferentes.

    A Teoria Simblica um exemplo clssico da aeuvre3 final de Elias, mas osleitores pouco familiarizados com o seu trabalho e que o lem pela primeiravez, podem considerar estranhas a sua forma de apresentao e a sua termino-logia em comparao com os produtos acadmicos profissionais mais habi-tuais. Por isso, podero ser, em geral, teis algumas linhas de orientao paraa leitura destes escritos altamente originais.

    Durante a maior parte da sua carreira, por razes que muitas vezes escapa-vam ao seu controlo, Elias situou-se na periferia das instituies da sociologiae, deste modo, numa posio de distanciamento. Por isso, foi objecto de poucaspresses do mundo institucionalizado das cincias sociais acadmicas.4 Assim,o que o leitor no encontrar em qualquer dos livros ou dos artigos de Elias e, a este respeito, a Teoria Simblica um exemplo tpico o comeo conven-cional com uma discusso da literatura ou dos debates contemporneos acercado problema ou do tpico abordados, neste caso os smbolos. Elias no traba-lhava segundo este modelo. Ele preferia enfrentar, de imediato, o problema ouo objecto da sua investigao (por exemplo, as instituies cientficas, Mozart,o tempo, a violncia, Freud, o envelhecimento e a morte, o trabalho, a psicos-somtica, para citar apenas alguns dos outros temas que ele investigou em anosrecentes) que iria explorar sua maneira. Os esforos dos outros que trabalha-

    3 N. do T.: Em francs no original. Para evitar a repetio de notas deste tipo, o leitor devesubentender que todas as palavras ou expresses de lnguas estrangeiras, presentes nestatraduo, reproduzem o texto original.

    4 Para relatos da vida de Elias, a histria da publicao de The Civilizing Process, o reconhecimentotardio do seu trabalho nos pases europeus durante os anos 70 e 80 e a extensa investigao narea da sociologia conf iguracional na Holanda, ver Goudsblom 1977; Lepenies 1978; Korte 1988;Mennell 1989: cap. 1; e Kranendonk 1990.

    INTRODUO DO ORGANIZADOR IX

    vam estes temas segundo orientaes diferentes e no interior de tradiessociolgicas diferentes tinham, para ele, um interesse secundrio. Ele reservavaao leitor a tarefa de verificar a compatibilidade com o seu prprio paradigmade conceitos e de concluses desenvolvidos em outros locais.

    Assim, um artigo longo e divagante de Elias contm, tipicamente, rarasreferncias a outros autores; de facto, com frequncia, haver apenas uma,talvez mesmo de um livro obscuro publicado h muitos anos. A Teoria Simblicano excepo, contendo s uma referncia a um livro de Julian Huxley de 1941sobre a questo da singularidade evolutiva do homem. Se lamentvamos a Eliaso facto de ele no ter abordado a literatura contempornea, ou se sugeramosque estava antiquado, ele respondia que tnhamos um fetiche pelo novo: queum livro, embora antigo, pode constituir ainda a melhor abordagem de umproblema. E, de forma recproca, os livros novos no representam, necessaria-mente, um avano s pelo facto de serem novos. Era o valor intrnseco de umlivro que era importante, no a circunstncia de estar, no momento, Ia mode.sEle era insensvel s modas intelectuais, trabalhando numa escala temporalcientfica, com uma amplitude de viso e com um nvel de distanciamento ques podem ser descritos como olmpicos.

    Elias tinha uma curiosidade insacivel e rejubilante sobre o mundo. Descre-via, muitas vezes, a vocao do socilogo como uma "viagem de descoberta"ao reino quase desconhecido da sociedade. Ele mesmo navegava sempre como auxlio das suas prprias teorias e com a sua linguagem da sociologiaconfiguracional ou sociologia "processual", uma designao que ele comeou autilizar no fim da sua vida. Para Elias, o seu paradigma era o principal na arenasociolgica, era prioritrio, mas no num sentido inflexvel e dogmtico. Nin-gum se mostrava mais aberto do que ele s objeces empricas e ao dilogo.Mas ele simplesmente possua uma convico inabalvel sobre a originalidadee a importncia do seu trabalho como uma sntese e como um programa deinvestigao. Tinha uma grande segu