Caderno TGI

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Caderno TGI

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  • ABRIRE ENQUADRAR

  • ABRIRE ENQUADRAR

    TGI_I

    Arquitetura e Urbanismo - IAU USP

    Luis Fernando Martins de Godoi5909194

  • A realidade, mesmo sem interesse, quando enquadrada com convico pode adquirir um status de escolha.

    Eduardo Souto de Moura

  • NDICE

    Formulao Terica 05 Pr-TGI 06 Reviso Conceitual 08 Referncias 09 Concluses 15

    Especulao Formal 16 Explorao Volumtrica 17 Estudo de Interao 18 Fragmentao Volumtrica 20 Contextualizao Hipottica 21

    Insero do Programa 22 Fundamentao do programa 23 Referncias 25

    Estudo de rea 27 Definiodarea 28 Mapeamento 29 Demanda de Atendimento Psicossocial 32 UsoAtualdarea 33 Leitura do Entorno 34 Dimensionamento do Programa 38

    Desenvolvimento 40 Estudos de Implantao 41 Produo Atual 47

    Bibliografia 55

  • FORMULAO TERICA

  • 10

    A sntese conceitual desenvolvida por mim, no Pr-TGI, partiu de um estudo que tomava o objeto como uma ferramenta de leitura do espao no qual /est inserido.

    Seguiu-se a isso, a proposio de um objeto que no de-veria ser espelhamento do seu contexto, mas que tambm no deveria ser totalmente indiferente a ele. Sua forma e suas caractersticas deveriam surgir en-to, como ferramentas de leitura, e no como consequncia dessa leitura, ou topouco serem arbitrrias. A luz foi incorporada ao estudo, como mecanismo de re-presentao das relaes entre objeto e ambiente, como uma for-ma de leitura dessas relaes. Suas variaes de tipo, intensidade e incidncia alteram consigo a percepo do objeto. A insero da luz objetivou potencializar as alteraes do objeto em relao ao meio, e as mudanas de caracterstica deste meio. A escolha dos materiais do objeto se deu tambm neste sentido, buscando tornar ntidas as mudanas de caracterstica con-forme a ambincia imposta, e conforme a aceitao destas caracte-rsticas pelo objeto. Avariaodesteobjetofinal,conformemudanadeinten-sidade e incidncia da luz, retratou uma gradao que engloba alguns conceitos importantes ao meu processo projetual.

    FORMULAO TERICAPR - TGI

    Descriodoprodutofinal:caixadevidrocomCDscoma facereflexiva

    voltada para cima, cobrindo sua base, e estes cobertos por cacos de vidro

    transparentes e incolores.

  • 11

    So perceptveis, pela ao da luz neste objeto, a incorpo-rao,areflexo,aevidenciaoeaomisso. H ainda, ocorrncias da produo de novas caracters-ticas que no foram inseridas mas se tornaram consequncia, re-metendo a um certo grau de imprevisibilidade. Exemplo disso, a obteno de cor, visto que todos os materiais empregados tinham certa neutralidade. Isso ocorreu a partir da incorporao da luz, pelassuperfciesreflexivas,gerandoumterceiroelemento,queen-riqueceu o objeto. Essa gerao de cor deu uma dinmica ao objeto, que foi estabelecida pelo local. Quando exposto a um ambiente de muita luz, o objeto se destacava, adquirindo cores e refletindo imagens.Por outro lado, quando colocado na penumbra, acentuava-se a sua transparncia,reduodareflexodeimagenseextinodecores,assumindo um papel de neutralidade. A reflexo era gerada com distoro (CD) que se acen-tuavapela fragmentao (cacosdevidro), transmitindoa idiadeuma apropriao particular do ambiente, com uma leitura prpria do espao que o continha. Neste ponto, a evidenciao e a omisso so percept-veis, a medida que o objeto, mesmo que aleatriamente, seleciona imagensaseremrefletidas,ecriaemsiprprio,pontosdemaioratrao e pontos de menor interesse. Alm das alteraes sofridas pela troca do contexto, o objeto em si tambm no era constante, apresentandopontosdemaiorluz,corereflexibilidade,quegeravammaior atrao, e pontos neutros, menos destacados. A ortogonalidade da caixa de vidro, tem tambm uma fun-damentao conceitual, indicando a rigidez da limitao espacial, que gera uma profuso de eventos contida. O objeto gera eventos que pressupem uma expanso, que por sua vez esbarra nos limites es-paciais.

    Pr - TGI FORMULAO TERICA

  • 13

    A reviso e rearticulao conceitual no primeiro momento do TGI I, consolidou as principais questes pensadas em Pr-TGI, e avanou em alguns pontos, trazendo concluses.

    O tensionamento entre o limite espacial e a expanso pres-suposta pela sucesso de eventos, consequncia do incontvel n-mero de leituras e relaes que se pode estabelecer entre o objeto e o seu contexto. Asrelaesaseremestabelecidassoinfintas,dependen-do exclusivamente do modo como se enxerga a realidade. O excesso destas no discurso pode enfraquecer o objeto resultante, pela su-perficialidadedasabordagens.Cabeaesseobjeto,noserresultado,masserfiltrodestasrelaes,alterando,deformando,evidenciando,incorporando e omitindo, de forma consciente, visando a tridimen-sionalizao de relaes selecionadas, com base slida e anlise profunda, transformando assim o conceito em espao. Portanto, a forma deste produto no um resultado do processo, mas o elemento que o orienta, que faz as leituras da reali-dade, que seleciona o que relevante enquanto espacialidade e o que apenas discurso. Orientando o processo, a forma se mostra presente desde o primeiro momento, como uma concepo mutvel, que vai sendo moldada a medida que o estudo evolui.

    REVISO CONCEITUAL

    Objetoapresentadonareviso:aformadevenascercomaleitura.Imposiode um forma posterior deforma o conceito.

    FORMULAO TERICA

  • 15

    Tendo estabelecido algumas questes, e reforado outras, o passo seguinte foi, ento, o estudo mais aprofundado de refern-cias que de alguma forma trabalhassem algumas das teorias levan-tadas. O objetivo desta investigao das referncias era encon-trar fundamentao, que no objeto de Pr-TGI ainda era dispensvel, mas que no projeto de arquitetura seria um guia permanente. Estava clara a inteno de no se fazer uma forma posterior, mas era nes-cessrio encontrar qual a motivao que guiaria a forma e a leitura desde o incio. Neste processo, a referncia mais constante, e que acabou por constituir a base terica deste momento em diante foi o arquite-to portugus Eduardo Souto de Moura. Desenvolvi ento um mapeamento de sua lgica projetual. Este mapeamento nasceu de um olhar seletivo, no qual dei maior des-taque ao que se aproximava da minha teoria prescedente.

    FORMULAO TERICAREFERNCIAS

  • 16

    A aproximao com a obra de Souto de Moura ocorreu, ini-cialmente, pelo trabalho desenvolvido em boa parte de seus projetos, nos quais se fez e faz arquitetura a partir das aberturas. Entendendo as aberturas como meio pelo qual se pode regular o grau de interao entre objeto e contexto, e com isso se-lecionar o interesse das vrias questes que o entorno prope, en-xerguei uma aproximao com a teoria aqui anteriormente descrita. Souto de Moura, a sua maneira, faz o que aqui se prope, uma leitura a partir da implantao do seu edifcio. Sendo a abertura o elemento de integrao com o local de implantao,pode-seafirmarqueaaberturatooumaisimpor-tante que as paredes e elementos de estrutura; que estas no devem ser decorrncia de uma forma, ou de uma lgica estrutural, mas que deve preced-las. A abertura deixa de ser um elemento da compo-sio para ser um elemento de composio, que enquanto agrega valor aos ambientes externos, determina o quanto o espao interno devassvel, vai desenhando a fachada e dando forma ao edifcio. A abertura que incorpora a paisagem paisagem. Uma pai-sagem controlada, a medida que se regula, autoriza ou no a interio-rizao e/ou exteriorizao. H grande importncia nesta relao do quanto se interioriza e quanto se exterioriza, que engloba ques-tes a respeito do ver e ser visto, e em que momentos isso interessa ou no. Aceitando ento a abertura como este elemento determi-nante de relaes interno-externo, torna-se claro, que estas abertu-ras em hiptese alguma devem ser casuais.

    O papel do arquiteto olhar o lugar de forma a extrair suas potencialidades, assim como um fotgrafo em busca do me-lhor enquadramento. O projeto o olho humano sobre a paisagem. Oacrscimodeumelementoartificialdeveevidenciarasqualidadesdo natural ou pr-existente, dispondo sobre o espao, experincias sensveis que podem ser intensificadas pelas dimenses, forma ematria. O projeto no deve se restringir a evocar caracterticas do lugar, mas deve responder a estas caractersticas. Estas respostas ocorrem atravs da tridimensionalizao, e no por conceituao tericacodificada. A leitura do lugar j deve ser uma interferncia atribuindo autenticidade ao projeto. Porm, essa autenticidade, no deve ser literal, vinculada a realidade pr-ocupao, mas como em Souto de Moura, deve ser uma autenticidade projetada, produzida, adequan-do projeto e lugar, at o momento em que ambos dependam um do outro, e que se possa dizer que um no deveria existir sem o outro. Nesteponto,SoutodeMouraafirmaqueaarquiteturanoprecisaser autntica, mas deve parecer. H uma aproximao entre Barragan e Souto de Moura que,senocorrespondeaoprodutofinal,traaestratgiascomumainteno projetual em comum. Nem pelo mtodo, nem pelo resulta-do, mas pela compreenso de que a arquitetura est no espao, na ambincia, pois o grande mrito de Barragan no est nas cores e nos materiais, mas na atmosfera que ele cria a partir destas ferra-mentas, quando incorpora a luz.

    FORMULAO TERICAREFERNCIAS

  • 17

    A Casa do Cinema Manoel de Oliveira implantada na cidade do Porto, tornou-se no decorrer do processo, minha principal refe-rncia,nocomoformafinal,mascomoentradanoprojeto.Interes-sa-memaisseusobjetivosesuaaoqueseuprodutofinal. Souto Moura observa a paisagem como um fotgrafo, sele-ciona, focaliza e recorta uma parte da paisagem. Sendo a abertura o seu olho, ela orienta a organizao de todo o projeto. O arquiteto evidencia a necessidade de se fazer as aber-turas com consciencia, no bastando abrir, mas sabendo para onde orient-las. Ele rompe com a ortogonalidade, mas no por formalis-mo gratuto, e sim para desviar os olhos da casa, de duas torres