Caderno tgi i final

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  • CADERNO DE TGI I

    DEP

    SITO D

    E CUL

    TURA

    : A M

    EMR

    IA DO

    MAN

    GUE

  • UNIVERSIDADE DE SO PAULOINSTITUTO DE ARQUITETURA E URBANISMO

    JUNHO DE 2013

    TRABALHO DE GRADUAO INTEGRADO I

    NATHLIA WERNERSBACH CHAGAS

  • Inicialmente, preciso ter vontade de memria Pierre Nora

  • SEM TENTAR RECONSTITUIR UM PASSADO, DADO O RISCO DO ANACRONISMO ENTRE ESTTICA E TCNICA OU MESMO DE ERIGIR O FALSO COMO PRINCPIO SEGUNDO LE CORBUSIER, O OBJETO DE PROJETO DESTE TGI I SURGE DA VONTADE DE SE TESTEMUNHAR UMA MEMRIA AINDA MUITO VIVA E PARTICULAR, DADA SUA LI-GAO COM UM ECOSSISTEMA ESPECFICO: O MANGUE.

    A QUESTO TRAZIDA PELO PROJETO SE ENQUADRA NA CHAVE DO PATRIMNIO IMA-TERIAL OU INTANGVEL, AQUELE QUE TRATA NO MAIS DAS OBRAS DE EXCEPCIO-NAL IMPORTNICIA HISTRICA E ARTSTICA, MAS SIM DAS TRADIES, EXPERIN-CIAS E MANIFESTAES PRESENTES NA MEMRIA COLETIVA E QUE ADQUIRIRAM SIGNIFICAO CULTURAL COM O PASSAR DO TEMPO, OS CHAMADOS SABERES DO SILNCIO DE QUE FALA PIERRE NORA. SABERES ESTES QUE DO A UMA COMUNI-DADE A NOO DE PERTENCIMENTO AO LUGAR.

    A LAMA, O ANDAR DO CARANGUEJO, A PRODUO DAS PANELAS DE BARRO, AS PINGUELAS QUE LEVAM S PALAFITAS, AS RAZES EXPOSTAS DO MANGUEZAL SO TODAS IMAGENS MUITO FORTES.

    VISA-SE, PORTANTO, TRADUZIR AO INVS DE TRANSCREVER OS SIGNIFICADOS SIM-BLICOS DESTAS IMAGENS NA FORMA DE UM EDIFCIO PBLICO, DE TECTNICA CONTEMPORNEA QUE COMBINE RACIONALIDADE TCNICA E MEMRIA SUBJETIVA, NUMA NATUREZA HBRIDA.

    APRESENTA

    O

    no entanto, quando os lugares familiares retornam e reocupam o lugar primitivo, do mesmo modo aparentemente fortuito, aquele ser perdido no espao descobre-se em casa, e descobre ao mesmo tempo o lugar perdido. poulet, 1992 .

  • IMPORTANTE OBSERVAR QUE ALGUNS DOS CONCEITOS E DISCUSSES DESENVOLVIDOS NO OBJETO FINAL NA DISCIPLINA DE PR-TGI FORAM FUNDAMENTAIS PARA EMBASAR ESSE PROCESSO PROJETUAL. ALGUMAS QUESTES J ESTAVAM PRESENTES: COMO SER MODERNO ADMITINDO UM CONTEXTO ESTABELECIDO? E A FORA DAS TRADIES?

    O OBJETO PRODUZIDO CONSISTIA EM PREGOS E ALFINETES QUE ERAM MANIPULADOS EXTERNAMENTE ATRAVS DE UM IM GERANDO UMA GAMA DE POSSIBILIDADES DE CRUZAMENTO, SEM QUE NENHUMA DAS PARTES PERDESSE SUAS PROPRIEDADES SENDO DISTINGUVEIS NO TODO.

    PR-TGI

    COMO ISSO, GEROU-SE UMA INDAGAO: PORQUE A ARQUITETURA DEVE SEMPRE OPTAR POR UM CAMINHO OU OUTRO? CHEGA-SE A A UMA CON-CLUSO IMPORTANTE: PREFIRO O E AO INVS DO OU, NO LUGAR DE EXCLUIR, MELHOR UNIR, AO INVS DE DIVERGIR MELHOR CONFLUIR. ARQUITETURA O N, A COMBINAO DE ELEMENTOS QUE PRIMEIRA VISTA PARECEM INCORRELACIONVEIS: ELEMENTOS LOCAIS (HABITABI-LIDADE LOCAL) E TCNICAS PROJETUAIS MODERNAS, TTIL E VISVEL, SENSIBILIDADE E SENTIMENTALIS.

    ESSA IDIA DE NATUREZA HBRIDA E COMPLEXA ENTRE TRADIO E CUL-TURA CONTEMPORNEA TRABALHADA EM PR-TGI VOLTA EM TGI 1.

  • ABORDAGEM

    CONCEITUAL

    QUE V

    ONTA

    DE D

    E M

    EM

    RIA

    TESTE

    MUNHAR ?

    PATRIMNIO IMATERIAL OU INTANGVEL

    a preservao se destina no mais s obras de excepcional importncia artstica, (...) mas tambm a todos os bens que (...) com o tempo adquiriram significao cultural (carta

    de veneza). abrange, portanto, tradies, folclores e outras manisfestaes, os chamados saberes do silncio, conforme pierre nora.

    MEMRIA URBANA E ESPONTNEA

    elemento essencial da identida-de de um lugar, locus do co-letivo, trata-se do estoque de lembranas do modo de vida ur-bano per si, memria esta que espontnea por estar em perma-nente evoluo, aberta dial-tica da lembrana e do esque-cimento visto que carregada por grupos vivos, mantendo-se sempre atual, um elo vivido no eterno presente.

    genius loci

    o deus ou guardio que existe em cada lugar. conforme sharp: a city has the same right as a humam patient to be regarded as an individual requiring personal attention (...) the good plan is that which will fulfill the stru-ggle of the place to be itself.

    MEMRIA COLETIVA

    um conjunto de lembranas construdas socialmente e re-ferenciadas a um conjunto que transcende o indivduo, segundo halbwachs. para ele, a capacida-de de se lembrar determinada, no pela aderncia de um indi-vduo a um determinado espao, mas pela aderncia do grupo do qual ele faz parte quele mes-mo espao

    COM

    O T

    ESTE

    MUNHAR?

    CRIANDO

    no se trata de restaurar nem de revitalizar, busca-se a criao de um novo edifcio pblico que seja capaz de traduzir a memria de uma cultura.

    DE MANEIRA SIMBLICA

    projetar para que o usurio experiencia de maneira ttil e visual aquilo que representa-tivo de uma memria

    E NATUREZA HBRIDA

    complementaridade entre ra-cionalidade tcnica e irra-cionalidade da estrutura sim-blica. ou seja: tectnica contempornea+memria.

    LUGARES DOMINADOS

    so lugares de refgio, o san-turio das fidelidades expont-neas e das peregrinaes em silncio. o corao vivo da memria. so lugares, com efei-to nos trs sentidos da palavra, material, simblico e funcional, simultaneamente.

    segundo pierre nora, os lugares de memria so; lugares em uma trplice acepo: lugares materiais onde a memria social se ancora e pode ser apreendida pelos sentidos; so tambm lugares funcionais porque tm ou adquiriram a funo de alicerar memrias coletivas e so lugares simblicos onde essa memria coletiva se expressa e se revela. so, portanto, lugares carregados de uma vontade de memria.

  • REFE

    RNCIA

    S

    MUSEU JUDAICO DE BERLIM _ DANIEL LIBESKIND

    discute a capacidade da arquitetura, enquanto cone, de se tornar smbolo de identificao de uma cultura. explora as sensaes do usurio do edifcio

    a favor de contar a histria de maneira simblica. ou seja, embora trabalhe sobre a questo da memria, no o faz de modo saudosista.

  • REFE

    RNCIA

    S

    NELSON FINE ARTS CENTER _ ANTOINE PREDOCK

    incorpora no discurso formal a imagem do deserto, incorporando aspectos do terreno de maneira fsica e espiritual, lembrando a caracterizao de de-serto por garcia lorca: sol e sombra.

  • REFE

    RNCIA

    S

    PRAA ROOSEVELT_ROBERTO COELHO CARDOZO

    considerada uma praa edifcio devido plurifun-cionalidade do espao ( lojas, bar, supermercado, rea para lazer, vagas de estacionamento, etc.) o projeto foi pensado para ser uma espcie de praa cvica, local de encontro entre as pessoas, onde a questo da circulao adquiriria papel priorit-rio (ligao leste-oeste).

    entretanto, embora se trate de um projeto emble-mtico, vrios pontos negativos podem ser desta-cados e que devem servir de lembrete para quan-do se constri praas no brasil: a fragmentao dos patamares, a falta de visibilidade entre os n-veis, o excesso de escadas e becos, a ausncia de verde e o uso exagerado do concreto afastaram os usurios.

    assim, resultou-se na ociosidade do espao, que, por seu turno, gerou problemas de consumo de drogas, violncia e prostituio no local. segun-do declarao de paulo mendes da rocha: a praa roosevelt um bom exemplo do que nunca deve ser uma praa. praas, assim como edifcios, de-vem ser convidativas e proporcionar conforto ao pedestre.

  • entretanto, existem vrios pontos positi-vos no projeto que no podem ser menos-prezados, como por exemplo: a criao de vrios patamares que vencessem o desnvel criado, que criam vrios pontos de mirada interessantes, bem como a idia de propor estabelecimentos fixos que

    atrassem consumidore e, como resulta-do, usurios para o lugar.

    REFE

    RNCIA

    S

  • REFE

    RNCIA

    S

    ROCKEFELLER PLAZA_RAYMOND HOODo que chama ateno nesse projeto a forma como o en-torno edificado acentua a abertura no solo, de modo que

    a arquitetura que valoriza o no edificado, relao muito

    prxima com a estabelecida pelas piazzas italianas.

  • A OPO PELA REA DE PROJETO NO SE DEU APE-NAS EM VIRTUDE DA MINHA ORIGEM E MEMRIA PES-SOAL DE VISITAS AOS MANGUES E TARDES COMEN-DO CARANGUEJADA.

    DE FATO, A ILHA DE VITRIA, AINDA HOJE, POSSUI APROXIMADAMENTE 11KM DE REA DE MANGUE-ZAL, CONSTITUINDO UM DOS MAIORES ESTURIOS DO MUNDO.

    ENTRETANTO, DCADAS ATRS ESSE NMERO ERA AINDA MAIS SIGNIFICATIVO, POIS, EM VIRTUDE DA SUA POSIO GEOGRFICA (ILHA), O ENCONTRO EN-TRE GUA DE RIO E MAR MUITO MAIS ABUNDANTE.

    A INTERFERNCIA HUMANA SOBRE ESSE ECOSSIS-TEMA SE INTENSIFICA SOBRETUDO A PARTIR DA D-CADA DE 1970, POIS, DEVIDO AO PROCESSO DE INDUSTRIALIZAO,A ILHA VIVEU UM INCHAO POPU-LACIONAL, E MUITAS DAS PESSOAS QUE NO FORAM ABSORVIDAS PELAS EMPRESAS OCUPARAM CLAN-DESDINAMENTE REAS DE MANGUEZAL.

    VALE LEMBRAR TAMBM QUE HOUVE OS ATERROS

    OFICIAIS REALIZADOS PELO ESTADO, QUE DEVIDO A ESPECULAO IMOBILIRIA, INCORPORA ESSES GRANDES LATIFUNDIOS DE LAMA, CONQUISTANDO NOVAS REAS DE CRESCIMENTO PARA A CIDADE, REAS ESTAS QUE SERVIRAM AO MERCADO IMOBI-LIRIO, OU MESMO PARA A CONSTRUO DE GRAN-DES OBRAS PBLICAS, COMO O CASO DO PORTO DE VITRIA.

    ALM DISSO, NUMA POCA EM QUE AS IDIAS SANI-TARISTAS GANHAVA FORA, ATERRAR OS MANGUES SIGNIFICAVA EMBELEZAR A CIDADE E ADEQUA-LS S NECESSIDADES HIGIENISTAS.

    POR FIM, AS POUCAS REAS RESTANTES DE MAN-GUE AINDA SOFRE COM A DEPOSIO INADEQUADA DE DEJETOS, SENDO CADA VEZ MAIS VISTAS COMO REAS MARGINALIZADAS PELA SOCIEDADE, QUE, CONTRADITORIAMENTE, INCORPORA AS TRADIES E AS RIQUEZAS PROVINDAS DESSE ECOSSISTEMA, COMO O CARANGUEJO E AS PANELAS DE BARRO, PRODUZIDOS COM O TANINO DA CASCA DA ESPCIE RHIZOPHORA MANGLE.

    ACEITANDO, ENTO, O ATERRO DE MANGUES COMO SOLUO PARA O PROBLE-MA DO DESENVOLVIMENTO DA CIDADE, CUMPRE RESOLVER O DE CORREO A MALES QUE DECORREM DE ASSIM SEREM CONTRARIADOS. SATURNINO DE BRITO

    O L

    OCAL_

    MANGUE X

    ATE

    RRO

  • O L

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    MANGUE X

    ATE

    RRO

    ATERROS EM REAS AVANADAS AO MAR OU MANGUE NOS LIMITES DA ILHA

    ATERROS EM RE