Arcadismo - CILP

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    24-May-2015
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Material sobre o Arcadismo.

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  • 1. ARCADISMO OU NEOCLASSICISMO SCULO XVIII Fugere urbem

2. ORIGENS IDEOLOGIA DA ARISTOCRACIA EM DECADNCIA X BURGUESIA EM ASCENSO = INSATISFEITA COM O ABSOLUTISMO DOS REIS, COM A SOLENIDADE DO BARROCO E COM AS FORMAS DE CONVIVNCIA SOCIAL RGIDAS, ARTIFICIAIS E COMPLICADAS. 3. A RELAO COM O ILUMINISMO A RAZO (E NO MAIS A CRENA RELIGIOSA) APARECE COMO SINNIMO DE VERDADE. AS LUZES DO ESCLARECIMENTO AJUDAVAM OS HOMENS A ENTENDER O MUNDO E A COMBATER PRECONCEITOS. SIMPLIFICAO DA ARTE = DOMNIO DA RAZO; APROXIMAO DA NATUREZA; VALORIZAO DAS ATIVIDADES GALANTES. 4. CARACTERSTICAS BUSCA DA SIMPLICIDADE: VERDADE = RAZO = SIMPLICIDADE IMITAO DA NATUREZA: LOCUS AMOENUS = LOCAL APRAZVEL = CULTO AO HOMEM NATURAL PASTORALISMO = CELEBRAO DA VIDA PASTORIL (MODISMO E ARTIFICIALISMO) BUCOLISMO = ADEQUAO HARMONIA E SERENIDADE DA NATUREZA = VALORIZAO DA VIDA NO CAMPO 5. CARACTERSTICAS IMITAO DOS CLSSICOS: AUTORES CONSAGRADOS DA ANTIGIDADE GRECO-ROMANA MODELO MXIMO: HORCIO = INUTILIA TRUNCAT (CORTAR O INTIL) + CARPE DIEM (APROVEITAR O DIA) + FUGERE URBEM (FUGIR DA CIDADE) + AUREA MEDIOCRITAS (VIDA MATERIALMENTE SIMPLES, MAS RICA EM REALIZAES ESPIRITUAIS) USO EVENTUAL DA MITOLOGIA CLSSICA 6. CARACTERSTICAS A AUSNCIA DE SUBJETIVIDADE: RENNCIA DO EU POTICO E ADOO DE UMA PERSONALIDADE PASTORIL. O POETA DEVE EXPRESSAR APENAS SENTIMENTOS COMUNS E GENRICOS. AMOR GALANTE (CONVENCIONAL): DECLARAES EDUCADAS E DISCRETAS. SURGIMENTO DE ACADEMIAS E ARCDIAS LITERRIAS. 7. ARCADISMO NO BRASIL CONTEXTO AUTORES & OBRAS 8. ARCADISMO NO BRASIL DECORRNCIA DA ATIVIDADE MINERADORA (MG) = ENRIQUECIMENTO DAS CIDADES SURGIMENTO DE NOVAS CLASSES: PROFISSIONAIS LIBERAIS = ROMPIMENTO COM O DUALISMO: SENHOR-ESCRAVO RELAO COM A INCONFIDNCIA MINEIRA = NECESSIDADE DE INDEPENDNCIA 9. ARCADISMO NO BRASIL LITERATURA = SISTEMA LITERRIO: EXISTNCIA CITADINA INTENSIFICANDO AS RELAES SOCIAIS = SURGIMENTO DOS SARAUS = MSICA E POESIA = SURGIMENTO DOS PRIMEIROS NCLEOS PERMANENTES E REGULARES DE UM PBLICO INTERESSADO EM ARTE (LITERATURA) PRIMEIRO E DECISIVO PASSO NO PROCESSO DE FUNDAO DA LITERATURA BRASILEIRA 10. AUTORES POESIA LRICA 11. CLUDIO MANUEL DA COSTA (1729 1789) POETA DE TRANSIO: UTILIZAO DE PRINCPIOS ESTTICOS DO ARCADISMO INFLUNCIAS BARROCAS: O SOFRIMENTO INFLUNCIA CAMONIANA: GOSTO PELA ANTTESE E PELO SONETO RACIONALMENTE RCADE E EMOTIVAMENTE BARROCO TEMAS BARROCOS: O DESENCANTO COM A VIDA; A BREVIDADE DOLOROSA DO AMOR; A RAPIDEZ COM QUE TODOS OS SENTIMENTOS PASSAM 12. CLUDIO MANUEL DA COSTA O SOFRIMENTO BARROCO: Ouvi pois o meu fnebre lamento Se que de compaixo sois animados. A IMPOSSIBILIDADE AMOROSA: Nise? Nise? Onde ests? Aonde espera] Achar-te uma alma que por ti suspira, 13. CLUDIO MANUEL DA COSTA AS ANTTESES (A DUREZA DA PEDRA E A TERNURA DO CORAO): Destes penhascos fez a natureza O bero em que nasci! Oh, quem cuidara Que entre penhas to duras se criara Uma alma terna, um peito sem dureza! 14. CLUDIO MANUEL DA COSTA A PEDRA COMO SMBOLO: Contradio: Formao intelectual ocidental x inconsciente preso ptria = preferncia por imagens e cenrios nos quais predominam a pedra, a rocha e os penhascos = sua memria feita de rochas e pedras de Minas Gerais = CONCLUSO: poemas europeizados com smbolos das razes brasileiras 15. CLUDIO MANUEL DA COSTA OBRAS: Obras poticas (1768) + Vila Rica (1839) PSEUDNIMO PASTORIL = GLAUCESTE SATRNIO MUSA = NICE 16. TOMS ANTNIO GONZAGA (1744 1810) OBRAS: Marlia de Dirceu (Parte I 1792; Parte II 1799; Parte III 1812); Cartas Chilenas (1845) PSEUDNIMO PASTORIL = DIRCEU MUSA = MARLIA 17. TOMS ANTNIO GONZAGA MARLIA DE DIRCEU: Texto rcade + dimenso romntica 18. TOMS ANTNIO GONZAGA MARLIA DE DIRCEU PARTE I 19. MARLIA DE DIRCEU PARTE I Toda escrita em Vila Rica, com Gonzaga ainda em liberdade, em um tom otimista e afirmativo Presena de elementos rcades: o canto da natureza convencional, a vida pastoril, a recusa em intensificar a subjetividade, a galanteria, o racionalismo neoclssico e a clareza do estilo. Liras autobiogrficas dentro dos limites que as regras rcades impunham confisso pessoal. 20. MARLIA DE DIRCEU PARTE I Em suas liras, um pastor (o prprio poeta) celebra, em tom moderadamente apaixonado, as graas da pastora Marlia, que conquistara seu corao: Tu, Marlia, agora vendo Do Amor o lindo retrato Contigo estars dizendo Que este o retrato teu. Sim, Marlia, a cpia tua, Que Cupido Deus suposto: S h Cupido, s teu rosto Que ele foi quem me venceu. 21. MARLIA DE DIRCEU PARTE I A EXPRESSO DO AMOR: Impulsos afetivos nos limites do amor galante A expresso sentimental vale-se de alegorias mitolgicas (Cupido) H um conjunto de frases feitas e lugares- comuns sobre os encantos da amada, sobre as qualidades do pastor Dirceu e sobre a felicidade do futuro relacionamento entre ambos. H um esforo por exaltar as qualidades da vida familiar, do casamento, das pequenas alegrias que sustentam um lar. 22. MARLIA DE DIRCEU PARTE I Pastoralismo & Estabilidade econmica: Eu, Marlia, no sou algum vaqueiro, Que viva de guardar alheio gado, De tosco trato, de expresses grosseiro, Dos frios gelos e dos sis queimado. Tenho prprio casal e nele assisto; D-me vinho, legume, fruta, azeite; Das brancas ovelhinhas tiro o leite, E mais as finas ls, de que me visto. Graas, Marlia bela, Graas minha Estrela! 23. MARLIA DE DIRCEU PARTE I IDEOLOGIA MATERIALISTA BURGUESA & VALORES AFETIVOS: bom, minha Marlia, bom ser dono De um rebanho, que cubra monte e prado; Porm, gentil Pastora, o teu agrado Vale mais que um rebanho, e mais que um trono.] 24. MARLIA DE DIRCEU PARTE I O aflorar da sensualidade = desejo de confidncia & atrevimento ertico: Ornemos nossas testas com as flores, E faamos de feno um brando leito; Prendamo-nos, Marlia, em lao estreito, Gozemos do prazer de sos Amores. Sobre as nossas cabeas, Sem que o possam deter, o tempo corre; E para ns o tempo, que se passa, Tambm, Marlia, morre. 25. MARLIA DE DIRCEU PARTE I O CARPE DIEM: Que havemos de esperar, Marlia bela? Que vo passando os florescentes dias? As glrias que vm tarde j vem frias, E pode, enfim, mudar-se a nossa estrela. Ah! no, minha Marlia, Aproveite-se o tempo, antes que faa O estrago de roubar ao corpo as foras E ao semblante a graa! 26. MARLIA DE DIRCEU PARTE II A tristeza domina a segunda parte do poema, toda ela escrita na priso Motivo bsico: as agruras vividas por Dirceu Tendncia maior confisso + tom de desabafo Pr-romantismo: passagens mais subjetivas e sentimentais 27. MARLIA DE DIRCEU PARTE II TENDNCIA PR-ROMNTICA = SENTIMENTALISMO: Eu tenho um corao maior que o mundo,] Tu formosa Marlia, bem o sabes: Um corao, e basta, Onde tu mesma cabes. 28. MARLIA DE DIRCEU PARTE II AS PERDAS DO PASTOR DIRCEU: 1. Eu, Marlia, no fui nenhum Vaqueiro Fui honrado Pastor da tua Aldeia; Vestia finas ls, e tinha sempre A minha choa do preciso cheia. Tiraram-me o casal e o manso gado, Nem tenho, a que me encoste, um s cajado. 29. MARLIA DE DIRCEU PARTE III Publicada em condies confusas Rene material variado e de menor valor expressivo, nada acrescentando ao sentido final da obra. Proposta de abandono da vida no campo Vida na cidade = Dirceu = advogado = Marlia = sua gostosa companhia 30. MARLIA DE DIRCEU PARTE III Tu no vers, Marlia, cem cativos Tirarem o cascalho e a rica terra, Ou dos cercos dos rios caudalosos. Ou na minada Serra. 31. MARLIA DE DIRCEU PARTE III Vers em cima da espaosa mesa Altos volumes de enredados feitos; Ver-me-s folhear os grandes livros, E decidir os pleitos. Enquanto revolver os meus Consultos, Tu me fars gostosa companhia, Lendo os fastos da sbia, mestra Histria, Os cantos da poesia. 32. CARTAS CHILENAS Todo o fingimento potico cerca a elaborao desses textos: neles, Gonzaga assina com o pseudnimo de Critilo e dirige- se a Doroteu (o poeta Cludio Manuel da Costa) que vivia supostamente em Espanha. Critilo critica a administrao de Fanfarro Minsio (Lus da Cunha Meneses) que ele diz ser general do Chile. Onde se l Chile, leia-se provncia de Minas Gerais; onde se l Santiago, leia-se Vila Rica (atual Ouro Preto). 33. CARTAS CHILENAS A stira das Cartas chilenas incide diretamente sobre a figura do governador Lus da Cunha Meneses, cujas aes so continuamente condenadas pelo narrador Critilo. No h, portanto, qualquer inteno ligada condenao do sistema colonial a que estava submetido o Brasil: o que o texto pretende criticar um mau governo, principalmente no que se refere ao desrespeito s leis do Reino Portugus. 34. CARTAS CHILENAS Essa crtica decorrncia das concepes ilustradas, que colocavam as leis como instrumento fundamental para a preservao da ordem sbia e natural que organizava a vida social. O desrespeito s leis partindo de um governante era, portanto, um perigoso risco harmonia do grupo social: era uma verdadeira monstruosidade, palavra e imagem que o narrador emprega freqentemente. 35. SILVA ALVARENGA (1749-1814) Considerado como o mais brasileiro dos rcades, pela sensibilidade rtmica de seus versos, Silva Alvarenga, cujo pseudnimo rcade era Alcino Palmireno, ficou conhecido por uma nica obra, Glaura, publicada em 1799, composta de ronds e madrigais (composies poticas que encerram um pensamento delicado, terno ou galante/canes pastoris). 36. SILVA ALVARENGA A obra Glaura revela um lirismo de inspirao galante, onde o poeta Alcino celebra a pastora Glaura, que se esquiva num clima de galante sensualidade. O refinamento da galanteria, o detalhismo acentuado e uma relativa superficialidade temtica permite que se considere o estilo de Silva Alvarenga um exemplo do chamado rococ (excesso de ornatos - acmulo ornamental). 37. SILVA ALVARENGA Por outro lado, h quem defenda que em funo de sua espontaneidade e pronuncia quase sentimental, aliadas a uma certa melancolia, o poeta deva ser includo num espao pr- romntico. 38. AUTO