Álvaro Magalhães

Click here to load reader

  • date post

    22-Mar-2016
  • Category

    Documents

  • view

    227
  • download

    0

Embed Size (px)

description

Trabalho elaborado pelos alunos do 5ºD para a actividade O Escritor do Mês

Transcript of Álvaro Magalhães

  • 1

    Escola EB 2/3 de Jovim

    rea de Projecto

    O ESCRITOR DO MS

    lvaro Magalhes e a sua carreira literria:

    inspirao para a estria

    A Serpente do Egipto

    Trabalho realizado pelo

    5 D

    ANO LECTIVO 2008/2009

  • 2

    NDICE

    Introduo ......................................................................... 2

    1. Quem lvaro Magalhes ...........................................3

    1.1. Biografia .................................................................... 3

    1.2. Bibliografia ............................................................... 8

    2. A nossa crtica literria ............................................. 12

    3. A nossa estria ....................................................... 16

    4. Tratamento dos dados dos inquritos...................... 17

    Referncias bibliogrficas .............................................25

    Anexos..............................................................................27

  • 3

    Introduo

    O objectivo do nosso trabalho, realizado no mbito da actividade O Escritor do Ms, foi dar a conhecer comunidade educativa do Agrupamento de Jovim e Foz do Sousa quem lvaro Magalhes, as suas obras, o que tambm nos permitiu construir a nossa estria.

    Para tal, recorremos a vrias fontes de pesquisa a fim de redigirmos as suas biografia e bibliografia e lemos algumas obras deste escritor.

    A partir dessas leituras, escrevemos uma pequena crtica literria sobre cada uma, escolhemos alguns trechos para divulgar durante a actividade A Hora da Leitura e inventmos uma estria a partir de palavras dos ttulos de obras deste escritor.

    Organizmo-nos em grupos e o trabalho de cada um ficou assim distribudo:

    GRUPO PROJECTO

    A - Bernardino, Guilherme, Renato, Ricardo Biografia

    B - Ana, Andr, Celso, Licnio Bibliografia; Pesquisa das obras existentes na

    BECRE

    C - Gonalo, Hugo, Pedro Teixeira, Rafael Crtica literria

    D - Ctia, Ivo, Juliana, Pedro Sousa Mini-feira do livro; Inqurito aos visitantes

    E - Andr, Bernardino, Ctia, Cristiana, Gonalo, Hugo

    A hora da leitura

    F - Cristiana, Juliana, Srgio, Snia Publicitao; Inqurito comunidade escolar

    G - Bernardino, Hugo, Pedro Teixeira, Rafael Estria escrita a partir de palavras retiradas dos ttulos de obras de lvaro Magalhes

  • 4

    1. Quem lvaro Magalhes

    1.1. Biografia

    lvaro Magalhes nasceu no Porto, no dia 1 de Janeiro de 1951, tendo, portanto, completado este ano 58 anos.

    Comeou por se tornar conhecido atravs da poesia, durante a dcada de 80. Na sua produo literria e infantil existe muita imaginao e sonho, datando de 1982 o primeiro livro que escreveu para crianas. Esse livro chama-se Uma histria com muitas letras.

    A sua obra diversificada. Vai da poesia ao conto, passando pela novela e pelo texto dramtico, mas no domnio da literatura infanto-juvenil que tem as obras mais importantes, dando-lhe, desde h muito, um lugar de grande importncia em relao a todos os/as autores/as portugueses/as.

    A partir de 1989 acrescentou ainda sua obra a srie Tringulo Jota, conjunto de narrativas de mistrio que j cativou cerca de um milho de leitores/as.

    Em 2000 publicou o livro de poesia intitulado O limpa- -palavras e outros poemas, obra que o nomeou para a lista de honra do International Board on Books for Young People (IBBY) em 2002.

  • 5

    Deixamos aqui o testemunho da sua vida relatado pelo seu prprio punho no Netescrit@.

    O meu nome lvaro Magalhes. Nasci no ano de 1951 na cidade do Porto, onde sempre vivi (e onde sempre viverei, acho eu). Quando era pequeno brincava na rua estreita onde morava, envolvendo-me sobretudo em renhidos jogos de futebol que eram interrompidos quando passava um automvel. s vezes, porm, faltava aos jogos e passeava sozinho pelas ruas volta, onde no conhecia ningum. Ou ento ficava em casa a imaginar coisas. Nessas alturas, a rua inquietava-me, com os seus vrios rudos e a ofegante respirao de tudo. Preferia encher cadernos pautados com poemas e interminveis histrias. J ento necessitava de inventar poemas e histrias. Alis comecei por escrever e publicar poesia, e tambm fui editor de poesia durante alguns anos. Ainda hoje, a poesia a matriz de quase tudo o que escrevo, seja o que for, e est sempre presente, no como resduo mas enquanto essncia.

    Por volta dos meus 11, 12 anos, na escola, descobri que, afinal, a escrita era a minha vocao mais forte, graas a um professor de Portugus, o setr rfo. Nos dias de teste, ele escrevia as perguntas de gramtica e interpretao no quadro negro com uma letra aflitivamente miudinha. Acontece que eu era mope, mas recusava-me a admiti-lo para evitar que os meus pais me obrigassem a usar os culos que me iriam desqualificar aos olhos dos outros. Quem ia admitir que um caixa-de-culos defendesse a baliza da equipa de futebol da turma? E as raparigas? E o resto? Como podia eu encontrar o meu lugar num mundo to vasto e to perigoso com uns culos de lentes grossas pousados no nariz? Da minha carteira, a meio da sala, s via no quadro uma nvoa de poeira esbranquiada e, ento, pedia autorizao para me levantar e subir ao estrado, onde as letrinhas brancas ganhavam uma nitidez luminosa.

  • 6

    Quando regressava ao lugar as frases misturavam-se na minha cabea e s vezes nem de uma questo inteira eu me lembrava. Voltava a repetir a operao mais uma ou duas vezes e depois desistia e investia tudo na composio escrita, a que chamvamos redaco.

    O setr rfo apreciava desmedidamente as minhas composies, que lia muitas vezes em voz alta, e dava-me sempre uma positiva elevada, apesar de eu permanecer alheio maior parte das questes que ele levantara. No faltava quem me superasse nos conhecimentos de gramtica, quem lesse mais e melhor do que eu, mas o setr rfo considerava que nada disso era to importante como as minhas redaces e no final do ano ofereceu-me a inesquecvel coroa de glria de "melhor aluno" a Portugus, algo que nunca mais se repetiria. Levantei-me, incrdulo, para receber o trofu (uma edio de Uma Famlia Inglesa", de Jlio Dinis, que ainda hoje guardo carinhosamente), a pensar na gloriosa injustia dessa eleio.

    Todos temos o dom de ser capazes. Mas de qu? Quando temos doze anos precisamos muito de saber essa resposta e raramente a encontramos. O setr rfo falava-me de livros e de poemas e de histrias e de escritores mas no me mandava ler, o que teria feito de mim um leitor melhor do que o que sou. Mandava-me escrever. O que eu quisesse. Por qu e para qu que nunca me explicou e hoje compreendo que no o poderia ter feito. Alm disso, tratava-me como se eu tivesse uma estrela negra na testa que indicava com toda a clareza o meu destino, mais a sua natureza obscura. E se ele no tinha dvidas, porque haveria eu de as ter? Passei a escrever desesperadamente, como se disso dependesse a minha prpria sobrevivncia. Claro que tanta competncia literria acabou por me valer a excluso da equipa de futebol. Como podiam os outros continuar a dormir descansados se a baliza da turma ficasse guarda de um intelectual que, ainda por cima, era mope e mal via a bola? (Leiam o poema O guarda-redes mope e ficaro a saber mais sobre o assunto). Tudo isto se passou no ano em que eu tive "dezoito" a Portugus e "sete" a Matemtica, e o meu pai no sabia se havia de me premiar ou castigar e acabou por fazer as duas coisas

  • 7

    para ter a certeza de que estava a ser justo. Ainda hoje tenho as minhas dificuldades em questes matemticas, s que agora j no me faz diferena nenhuma. Alm disso, vinguei-me relativamente quando escrevi o conto "Maldita matemtica!", um ttulo que suscita sempre uma aclamao calorosa quando o menciono em assembleias escolares, e apaziguei-me quando escrevi o poema "Na aula de matemtica", onde reencontrei plenamente esse rapaz que fui e a quem estava, finalmente, dando voz: Enquanto resolves o problema / olhas pela janela da sala / e l fora passa a vida / - esse problema. Era assim mesmo. O mundo parecia um monstruoso problema de matemtica e eu fui-me convencendo de que s as palavras me podiam salvar de tanta complicao intil. A elas me agarrei com unhas e dentes, como um nufrago que se agarra tbua salvadora, e aqui estou eu agora, so e salvo, juntando pequenos feixes de palavras que brilham como constelaes e me levam ao centro de toda a beleza. Imaginem!

    Como disse, quando era novo sonhava ser poeta e, por isso, comecei por publicar quatro livros de poesia no incio dos anos 80 antes de escrever o meu primeiro conto para crianas e descobrir que era essa a minha principal vocao. Quando a minha filha andava a aprender a ler eu escrevi para ela a histria de uma menina que visitava o pas das letras e das palavras: "Histria com muitas letras". Da em diante nunca mais parei e at hoje j escrevi cerca de 40 livros para os mais novos. De vez em quando, l fao um livro para adultos, mas logo regresso apressadamente ao meu habitat natural, uma espcie de estado de infncia, onde reina a delicadeza de percepo da vida. Esse estado, que se alimenta tambm do que soube arrecadar da minha prpria infncia devolve-me a uma espcie de primeira natureza por oposio a uma segunda natureza, do pensamento racional e da realidade objectiva. E muito consolador porque satisfaz a minha necessidade de sonho e de vida inconsciente. H quem diga que enlouqueceramos se no sonhssemos durante a noite. Eu acho que enlouqueceria se no sonhasse tambm durante o dia.

  • 8

    Claro que muitas outras vezes sou apenas o adulto corrompido pela usura do mundo, mas nessas alturas uso a minha orelha verde. a orelha esquerda. Essa orelha ouve a linguagem das rvores, dos pssaros, das nuvens, das pedras, enquanto a outra, a direita, apenas ouve o que lhe interessa: as coisas teis e exactas, as coisa