Álvaro Lins

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  • 8/19/2019 Álvaro Lins

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     ÁLVARO LINS

    Quarto ocupante da Cadeira 17, eleito em 5 de abril de 1955, na sucessão de Roquette-Pinto e recebido pelo Acadêmico João Neves da Fontoura em 7 de julho de 1956.

    Cadeira:

    17 Posição:

    4

    Antecedido por:

    Roquette-Pinto

    Sucedido por:

    Antonio Houaiss

    Data de nascimento:

    14 de novembro de 1912

    Naturalidade:

    Caruaru - PE

    Brasil

    Data de eleição:

    5 de abril de 1955

    Data de posse:

    7 de julho de 1956

    Acadêmico que o recebeu:

    João Neves da Fontoura

    Data de falecimento:

    4 de junho de 1970

    BIOGRAFIA 

    Álvaro Lins (A. de Barros L.), professor e crítico literário, nasceu em Caruaru, PE, em 14 de dezembro de 1912, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 4 de junho de 1970.

    Era filho de Pedro Alexandrino Lins e de Francisca de Barros Lins. Fez o curso primário na sua cidade natal e o curso secundário no Colégio Salesiano e no Ginásio Padre Félix, em Recife. Ali ingressou na Faculdade de Direito. Ainda estudante, começou a lecionar História da Civilização no Ginásio do Recife e no Colégio Nóbrega. Aos 20 anos, como representante do Diretório dos Estudantes na abertura do ano letivo da Faculdade de Direito, pronunciou a conferência “ A Universidade como escola de homens públicos”, que chamou a atenção de Recife para seu nome. Passou, então, a fazer jornalismo no Diário de Pernambuco. Colou grau em Direito em 1935. Participando de movimentos políticos, foi nomeado secretário do Governo de Pernambuco. Seu nome fazia parte da chapa de candidatos a deputado federal quando os acontecimentos de 1937 interromperam a carreira política. Firmou-se, então, no jornalismo, como redator e diretor do Diário da Manhã, de 1937 a 1940. Ainda em Recife aos 27 anos escreveu o primeiro livro, História literária de Eça de Queiroz (1939).

    Transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde começou a fazer crítica literária, gênero que lhe deu nome nacional. Foi colaborador do Suplemento Literário do Diário de Notícias e dos Diários Associados (1939-1940), redator-

    chefe do Correio da Manhã (1940-1956). Convidado pelo Ministério das Relações Exteriores escreveu uma biografia do Barão do Rio Branco no ano do centenário do nascimento (1945). Professor catedrático de

    http://www.academia.org.br/academicos/roquette-pinto http://www.academia.org.br/academicos/antonio-houaiss http://www.academia.org.br/academicos/joao-neves-da-fontoura http://www.academia.org.br/academicos/antonio-houaiss http://www.academia.org.br/academicos/joao-neves-da-fontoura http://www.academia.org.br/academicos/roquette-pinto

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    Literatura Brasileira do Colégio Pedro II, interino, de novembro de 1941 a dezembro de 1951, quando passou a efetivo mediante obtenção do 1º lugar em concurso de títulos e provas, com a tese A técnica do romance em Marcel Proust, publicada em 1956. Lecionou a cadeira de Estudos Brasileiros da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Lisboa, em missão oficial do Ministério das Relações Exteriores, de 1952 a 1954. Chefiou a Casa Civil do presidente Juscelino Kubitschek (1956), embaixador do Brasil em Portugal de novembro de 1956 a outubro de 1959. Foi o presidente da 1ª Conferência Inter-americana da Anistia para os Exilados e Presos Políticos da Espanha e de Portugal, realizada na Faculdade de Direito de São Paulo (1960) e diretor do

    Suplemento Literário do Diário de Notícias, de março de 1961 até junho de 1964. Em 1962, foi chefe da Delegação Brasileira ao Congresso Mundial da Paz realizado em Moscou.

    Álvaro Lins recebeu o Prêmio Centenário de Antero de Quental, pelo ensaio Poesia e personalidade de Antero

    de Quental (1942); Prêmio Felipe de Oliveira, da Sociedade Felipe de Oliveira, e Prêmio Pandiá Calógeras, da Associação Brasileira de Escritores, pela obra Rio Branco (1945); Prêmio Jabuti Personalidade do Ano, da Câmara Brasileira do Livro, pela sua obra Missão em Portugal (1960), e o Prêmio Luiza Cláudio de Souza, pelas obras Os mortos de sobrecasaca e Jornal de crítica Sétima série (1963). Foi condecorado com a Grã Cruz da Ordem de Cristo, de Portugal (em 1957).

    BIBLIOGRAFIA 

    História literária de Eça de Queirós (1939);

    Alguns aspectos da decadência do Império (1939);

    Jornal de Crítica: Primeira série (1941), Segunda série (1943);

    Terceira série (1944);

    Quarta série (1946);

    Quinta série (1947);

    Sexta série (1951);

    Sétima série (1963); Poesia e personalidade de Antero de Quental (1942);

    Notas de um diário de crítica: Primeiro volume (1943), Segundo volume (1963);

    Rio Branco (O Barão do Rio Branco 1845-1912) (1945);

    Roteiro literário do Brasil e de Portugal. Antologia da língua portuguesa, co-autoria de Aurélio Buarque de

    Holanda, 2 vols. (1956);

    Missão em Portugal (Diário de uma experiência diplomática) (1960);

    A glória de César e o punhal de Brutus (1962);

    Os mortos de sobrecasaca (1963);

    Literatura e vida literária (1963); O relógio e o quadrante (1964);

    Ensaio sobre Roquette-Pinto, discurso de posse na ABL;

    Sagas literárias e Teatro moderno no Brasil (1967);

    Filosofia, história e crítica na literatura brasileira (1967);

    Poesia moderna do Brasil (1967);

    O romance brasileiro (1967);

    Teoria literária (1967).

    DISCURSO DA POSSE – ENSAIO SOBRE ROQUETTE-PINTO

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    Pioneirismo e Estrangeirismo

    Senhor Presidente da República, Senhores Embaixadores e Representantes de Nações Estrangeiras, Senhores

    Membros do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, Senhores Ministros de Estado, Senhores Magistrados de Altos Tribunais do Poder Judiciário, Senhores Autoridades Civis e Militares na União e nos Estados; Minhas Senhoras e Meus Senhores; e, por fim, mas não em último lugar, apenas por serem os donos da Casa: Senhor Presidente da Academia e Senhores Acadêmicos.

    Giramos sobre dois eixos: um vertical, o dos Estados Unidos da América; outro, horizontal, o da Europa; o primeiro, mais de caráter político e econômico; o segundo mais de caráter sentimental e cultural.

    Aliás, este é, também, um drama de espírito dos próprios norte-americanos, e a figura de Henry James, com o seu problema literário, elevou-se, sob vários aspectos, à categoria de símbolo e representação, bastando

    lembrar que se repetiu em nossos dias, de certo modo, na personalidade de T. S. Elliot. Para os Estados Unidos, Henry James, que lá nasceu e lá passou a sua juventude, é talvez o autor mais importante da literatura norte-americana, o fundador da sua crítica e o seu maior romancista; para o mundo britânico, Henry James, que se naturalizou inglês, é um dos grandes romancistas do país do romance por excelência que é a Inglaterra.

    Sim, tão funda e tão aguda foi em Henry James a nostalgia da Europa que ele abandonou um dia os Estados Unidos e se fez cidadão da Inglaterra; mas permaneceu na sua obra, igualmente, uma substância norte- americana, um inapagável espírito americano. Nos seus principais romances surgem, sempre, como figuras de primeiro plano, personagens norte-americanas que vêm fazer a experiência da Europa, e em geral - misteriosa transposição psicológica pela arte da ficção! - essas personagens se desiludem e se perdem, caídas em frustração e desencanto.

    Possuímos em comum com os Estados Unidos da América o mesmo grande problema em dicotomia, que eles  já resolveram e que para o Brasil se encontra agora na fase decisiva: o pioneirismo e o estrangeirismo, a

    necessidade de penetração no interior do País e a curiosidade pela Europa. De um lado, a técnica, o progresso, a evolução econômica, as exigências políticas de Estado, que nos convidam a avançar cada vez mais adentro do continente sul-americano; de outro lado, os olhos ainda voltados para a Europa, para as suas idéias, as suas criações artísticas, os seus itinerários espirituais.

    Deste modo, não compreenderá bem a literatura brasileira quem a não tomar como realidade americana, como uma literatura, é certo, ligada às correntes européias, sobretudo às portuguesas, mas que apresenta hoje um autônomo e inconfundível espírito brasileiro. A todo esse patrimônio, recebido a princípio de Portugal, em seguida da Europa e dos Estados Unidos, impregnamos de um estilo próprio, que não significa ruptura com o

    passado, mas afirmação de individualidade num povo jovem que já entra a sentir a capacidade de viver por si mesmo, embora sem dispensar as influências ou até as lições de povos mais velhos e experimentados.

    Para isto, de certo modo, tivemos de voltar às nossas fontes. Na estrutura de Nação, o Brasil foi feito por cima, herdando instituições, idéias, estilos que a Europa só conquistara após séculos de pesquisa e evolução própria

    nas suas condições e necessidades. Éramos, pois, nos primeiros tempos, bastante mais velhos do que a nossa idade, e um pouco postiços nesse arcabouço social e intelectual assim transportado de outro clima e de outras

    paisagens. Quando nem sequer tínhamos tido o gosto da genuína poesia popular ou trovadoresca, quando nunca tínhamos feito as cantigas d’amor e as cantigas d’amigo, colocávamo-nos na postura de imitadores de

    Camões, Gôngora e Quevedo, que representavam momentos culminantes na literatura clássica de Portugal e de Espanha. Hoje, somos ma