Afr¢nio Coutinho - Literatura No Brasil, Romantismo

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A LITERATURA

A LITERATURA NO BRASIL

Direo de AFRNIO COUTINHO

VOLUME II

ROMANTISMO

RIO DE JANEIROEDITORIAL SUL AMERICANA S. A. 1969COPI'RIGHT 1968 BY

LF.ONfDIO RIBEIRO

SEGUNDA EDIOIMPRESSO NO BRASIL

Nmero de classificao decimal-

8 869.09

DISTRIBUIDOR EXCLUSIVO

DISTRIBUIDORA RECORDDE SERVIOS DE IMPRENSA S.A.EDITORA E DISTRIBUIDORA DE LIVROSR. PEDRO ALVES, 150'-ZC14-Tel. 52-4128C. POSTAL 884 - END. TELEG. "RECORDIST"R I O D E J A N E I R O - GB

R. JOS ANT8N10 COELHO, 801S A O P A U L O - SP

Composto e impresso pelaEDITORIAL 81JL AMERICANA, S. A.Rua Pedro Ales. 187 - Tel. 43-5288F.R.R.I. 128.174 - C.G.C. 33.429.242Rio de Janeiro, G13 - Brasil

NOTA DO EDITOR

A primeira edio desta obra, em quatro tomos, com mais de duas mil pginas e uma tiragem de vinte mil exemplares, apareceu entre 1955 e 1959, por minha iniciativa e sob o patrocnio da Instituio Larragoiti, de que era ento Diretor Executivo.

Confiei o planejamento e a escolha dos colaboradores, assim como a sua direo, ao escritor Afrnio Coutinho por mim convidado para tarefa de tanta responsabilidade.

Esta publicao, cujo tomo quarto foi editado pela Livraria So Jos, graas boa vontade do Sr. Carlos Ribeiro, est esgotada h muitos anos, no tendo sido impresso o ltimo volume que se incorpora presente edio.

Tomei a deciso de reimprimir este livro, por ser a nica histria completa da literatura brasileira at nossos dias, publicado nestes ltimos cinqenta anos, com a participao de vrias dezenas de escritores.

Para isso, obtive os seus direitos autorais, graas gentileza de meu velho amigo Antonio de Larragoiti Jnior.

A Literatura no Brasil agora lanada, sob a responsabilidade nica de seu Editor, revista e atualizada pelo acadmico Afrnio Coutinho, a quem agradeo a colaborao que de novo me prestou, com tanta competncia e dedicao.01INDICE GERAL

Prefcio da Segunda Edio

1. Introduo Geral t

I PARTE

GENERALIDADES

2. O Panorama Renascentista3. A Lngua Literria4. O Folclore: Literatura Oral e Literatura Popular5. A Escola e a Literatura6. O Escritor e o Pblico7. A Literatura e o Conhecimento da Terra

II PARTE

BARROCO-NEOCLASSICISMO-ARCADISMO

8. Do Barroco ao Rococ9. As Origens da Poesia10. A Literatura jesutica,11. Antnio Vieira12. Gregrio de Matos13. O Mito do Ufanismo14. A Oratria Sacra15. O Movimento Academicista16. Neoclassicismo e Arcadismo

ROMANTISMO

17. O Movimento Romntico18. Os Prdromos do Romantismo19. Gonalves Dias e o Indianismo20. O Individualismo Romntico21. Castro Alves22. Jos de Alencar e a Fico Romntica23. A Crtica Romntica24. Manuel Antnio de AlmeidaREALISMO-NATURALISMO-PARNASIANISMO

25 , Realismo-Naturalismo-Parnasianismo26 , A Crtica Naturalista e Positivista27. A Fico Naturalista28. A Renovao Parnasiana na Poesia29. Machado de Assis30. Raul Pompia31. Joaquim Nabuco. Rui Barbosa32 , Euclides da Cunha33. Lima Barreto. Coelho Neto34. O Regionalismo na Fico

SIMBOLISMO-IMPRESSIONISMO-MODERNISMO

35. Simbolismo. Impressionismo. Modernismo36. Presena do Simbolismo37. O Impressionismo na Fico38. A Crtica Simbolista39. Sincretismo e Transio: o Penumbrismo40. Sincretismo e Transio: o Neoparnasianismo41. A Reao Espiritualista ROMANTISMO42. A Revoluo Modernista43. O Modernismo na Poesia44.O Modernismo na Fico45. A Crtica Modernista

III PARTE

46. Nota Explicativa47. Evoluo da Literatura Dramtica48. Evoluo do Conto49. Literatura e jornalismo50. Ensaio e Crnica51. Literatura e Filosofia52. Literatura e Artes53. Literatura e Pensamento jurdico5-1. Literatura Infantil55. Concluso ' Bibliografia ndices.li. O MOVIMENTO ROMNTICO

Origens do movimento. Definio e histriada palavra. O Pr-romantismo. A imaginaoromntica. Estado de alma romntico. Caracteres e qualidades gerais e formais. Os gneros.As geraes romnticas. O Romantismo noBrasil: origem, perodos, caracteres. O india nismo. Significado e legado.

ORIGENS E DEFINIO

1. Aos olhos do comparatista e do historiador estilista - "stylistician qua historian" chama-lhe Hatzfeld, l - o Romantismo aparece como um amplo movimento internacional, unificado pela prevalncia de caracteres estilsticos comuns aos escritores do perodo. , portanto, um estilo artstico - individual e de poca. um perodo estilstico, consoante nova conceituao e terminologia, e a perspectiva sinttica, que tendem a vigorar doravante na historiografia literria. 2 , ademais, um conjunto de atividades em face da vida, e um mtodo literrio. O uso da palavra Romantismo e seus derivados em crtica literria j foi historiado de maneira completa. 3 Remonta ao sculo XVII na Frana e na Inglaterra, com referncia a certo tipo de criao potica ligado tradio medieval de "romances", narrativas de herosmo, aventuras e amor, em verso ou em prosa, cuja composio, temas e estrutura - particularmente evidenciadas em Ariosto, Tasso e Spencer -- eram sentidas em oposio aos padres e regras da potica clssica. Assim, romntico, romanesco, so trmos encontradios no sculo XVII, e, segundo Wellek, deve-se a Warton (1781) o primeiro emprgo da oposio clssico-romntico, que teria fortuna, embora nle a anttese no tivesse a plena significao que lhe foi posteriormente adjudicada. Da palavra francesa "roman" ("romanz" ou "romant" ) , as lnguas modernas derivaram o sentido corrente no sculo XVIII, e que penetrou no Romantismo, designando a lite-

1 in J. Aesthetics and art criticism. December, 1955, p. 156. 2 Sbre o problema da periodizao, especialmente da periodizao estilstica, ver a -Introduo Geral" desta obra, bem como a Bibliografia, Introduo, 2 e 6. Particular ateno merecem os trabalhos de R. Wellek, H. Hatzfeld, P. Frank, C. Friedrich. Os estudos de Frank e Friedrich colocam os postulados tericos da periodizao estilstica em trmos bastante esclarecedores. 3 Baldensperger, F. Romantique, ses analogues et quivalents. (in Harvard studies and notes in philology and literatura, XIV, 1937, pp. 13-105); Lovejoy, A. On the discrimination of Romanticisms. (in Essays in the History of Ideas. Baltimore, 1948); Smith, L. P. Words and idioms. Boston, 1925; Van Tieghem, P. Le Romantisme dons Ia littrature europenne. Paris, 1948. pp. 2-5; Wellek, R. The concept of Romanticism in literary history. (in Comparativa literatura. I, n. 1, Winter, e n. 2, Spring, 1949, repr. em: Concepts oj Criticism. Yale uniu. pr., 1963).

_1ratara produzida imagem dos "romances" medievais, fantasiosos pelos tipos e atmosfera. Quanto ao substantivo "Romantismo", seu uso mais recente, variando nos diversos pases europeus pelas duas primeiras dcadas do sculo XIX (na Frana, 1822-1824).4 Em Portugal,. a palavra "romntico" foi introduzida por Almeida Garrett, em 1825, no Cames, e no Brasil ainda no aparece nos trabalhos de 1826 de Gonalves de Magalhes e Trres Homem, mas empregada pelo primeiro no prefcio tragdia Antnio Jos (1839), em oposio a clssico. Qualquer que tenha sido a poca de introduo do trmo "romntico" e seus derivados, o fenmeno, em histria literria e artstica, hoje conhecido como Romantismo, consistiu numa transformao esttica e potica desenvolvida em oposio tradio neoclssica setecentista, e inspirada nos modelos medievais. A mudana foi consciente, generalizada, de mbito europeu, a despeito de no haver o mesmo acrdo quanto introduo da palavra que designaria o movimento. A nova era literria, o nvo estilo, nasceu em oposio ao estilo neoclssico anterior, embora a etiquta s depois tivesse aceitao geral. Mas o que ela veio designar foi cedo geralmente entendido: o movimento esttico, traduzido num estilo de vida e de arte, que dominou a civilizao ocidentais durante o perodo compreendido entre a metade do sculo XVIII e a metade do sculo XIX. Conforme a concepo de histria literria sinttica, um movimento conjunto e unificado, com caractersticas gerais e comuns s vrias naes ocidentais, elementos positivos e negativos no plano das idias, sentimentos e formas artsticas, e, no dizer de Wellek, a mesma concepo da literatura e da imaginao potica, a mesma concepo da natureza e suas relaes com o homem, o mesmo estilo potico, formado de imagstica, smbolos e mitos peculiares. A histria das transformaes operadas na mentalidade ocidental, no sculo XVIII, que redundaram na revoluo romntica, foi narrada esgotantemente, luz da perspectiva comparada e sintetizaste, por Paul Van Tieghem em vrios trabalhos. 5 Deve-se-lhe, sobretudo, o relvo dado fase pr-romntica, noo recente na histria literria, cuja fixao necessria compreenso da maneira como os elementos romnticos foram de camada em camada penetrando a alma ocidental e dominando a arte e a literatura. Durante o perodo pr-romntico foi que ocorreu a luta contra o Neoclassicismo, contra as regras e gneros regulares, que le estabelecera, e que o Romantismo revogaria, realizando o ideal j anunciado pela Querela dos Antigos e Modernos. No se pode fixar o lugar onde primeiro surgiu, porquanto os movimentos literrios se formam gradativamente, ao mesmo tempo

4 Para maiores detalhes, ver R. Wellek. loc. cit. em nota 3. S Paul Van Tieghem. Le Romantisme dans Ia littrature europenne. Paris. A. Michel, 1948; idem. Le Prromantisme. Paris, Alcan, 1924-1947. 3 vols., idem. Histoire littraire de 1'Amrique. Paris, Colin, 1941; idem. Le Sentiment de Ia Nature dans le Prromantisme Europen. Paris, Nizet, 1960. - Ver tambm: M. Magnino. Storia dei Romanucisrno. Roma, Mazara, 1950.

em diversos lugares, sem ligao entre si, como o resultado de evoluo interna das formas e sensibilidade, e segundo leis imanentes