A Arte de Argumentar (Anthony Weston)

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A Arte de Argumentar

ANTHONY WESTON

A ARTE DE ARGUMENTAR

TRADUO E APNDICE DE

DESIDRIO MURCHO

INVESTIGADOR DA SOCIEDADE PORTUGUESA DE FILOSOFIA

REVISO CIENTFICA DE

JOO BRANQUINHO

FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOAgradiva

Ttulo original ingls: A Rulebook for Arguments

( 2 edio, by Anthony Weston

Traduo: Desidrio Murcho

Reviso do texto: Maria do Rosrio Pedreira

e Jos Soares de Almeida

Fotocomposio: Gradiva

Impresso e acabamento: grfica Manuel Barbosa & Filhos, L.daDireitos reservados a:

Gradiva ( Publicaes, L.daRua Almeida e Souza, 21, r/c, esq. ( Telefs. 397 40 67/8

1350 Lisboa

1 edio: Fevereiro de 1996

Depsito legal n 96 829/96

Coleo coordenada por

Desidrio Murcho e Guilherme Valente

com o apoio cientfico da

Sociedade Portuguesa de Filosofia

NDICE:

5Prefcio

5Nota 2. edio

6Introduo

6Para que serve argumentar?

6O que um ensaio argumentativo

7Plano geral do livro

8I. A redao de um argumento curto: algumas regras gerais

81.A distino entre premissas e concluso

92. Apresente as suas idias por uma ordem natural

103. Parta de premissas fidedignas

104. Use uma linguagem precisa, especfica e concreta

115. Evite a linguagem tendenciosa

116. Use termos consistentes

127. Limite-se a um sentido para cada termo

13II.Argumentos com base em exemplos

138. Use mais do que um exemplo

149. Os exemplos so representativos?

1610. A informao de fundo essencial

1711. Existem contra-exemplos?

18III.Argumentos por analogia

1912. A analogia requer um exemplo semelhante num aspecto relevante

21IV.Argumentos de autoridade

2113. As fontes devem ser citadas

2114. As fontes esto informadas?

2315. As fontes so imparciais?

2416. Compare as fontes

2417. Ataques pessoais no desqualificam uma fonte

25V.Argumentos sobre causas

2518. O argumento exp1ica como a causa conduz ao efeito?

2619. A concluso sugere a causa mais provvel?

2720. Os fatos associados no esto necessariamente relacionados

2721. Fatos correlacionados podem ter uma causa comum

2822. Qualquer um de dois fatos correlacionados pode causar o outro

2923. As causas podem ser complexas

29VI.Argumentos dedutivos

3024. Modus ponens

3125. Modus tollens

3226. Silogismo hipottico

3327. Silogismo disjuntivo

3428. Dilema

3429. Reductio ad absurdum

3530. Argumentos dedutivos em vrios passos

37VII.A explorao do tema do ensaio argumentativo

3731. Explore os argumentos de todas as posies

3932. Avalie e defenda cada premissa do argumento

4033. Reveja e repense os argumentos medida que surgem

40VIII. Os pontos principais do ensaio argumentativo

4034. Explique a questo

4135. Faa uma afirmao ou uma proposta precisa

4136. Desenvolva completamente os seus argumentos

4237. Considere objees possveis

4238. Considere alternativas

43IX. Escrever o ensaio argumentativo

4339. Siga o seu esboo

4340. A introduo deve ser breve

4441. Apresente os seus argumentos um por um

4542. Clarifique, clarifique, clarifique

4643. Sustente as objees com argumentos

4644. No afirme mais do que mostrou

47X. Falcias

47As duas grandes falcias

48Lista de falcias

52APNDICE ( A definio

52O uso de definies

52Definies de dicionrio

54Definies de preciso

55Definies essencialistas

56Estudo complementar

56Redao de argumentos

56Amostras e estatsticas

56Argumentos por analogia

56Argumentos sobre causas e efeitos

57Argumentos dedutivos

57Falcias

57Apndice edio portuguesa

58Validade e relevncia

59Condicionais

60Argumentos e condicionais

60Falcia da inverso da condicional

61Falcia da causa nica

62Smbolos lgicos

63Dois exemplos

Introduo

Para que serve argumentar?

Algumas pessoas pensam que argumentar apenas expor os seus preconceitos de uma forma nova., E por, isso que muita gente considera que argumentar desagradvel e intil, confundindo argumentar com discutir. Dizemos por vezes que discutir uma espcie de luta verbal. Contudo, argumentar no nada disso.

Neste livro argumentar quer dizer oferecer um conjunto de razes a favor de uma concluso ou oferecer dados favorveis a uma concluso. Neste livro argumentar no apenas a afirmao de determinado ponto de vista nem uma discusso. Os argumentos so tentativas de sustentar certos pontos de vista com razes. Neste sentido, os argumentos no so inteis; na verdade, so essenciais.

Os argumentos so essenciais, em primeiro lugar, porque constituem uma forma de tentarmos descobrir quais os melhores pontos de vista. Nem todos os pontos de vista so iguais. Algumas concluses podem ser defendidas com boas razes e outras com razes menos boas. No entanto, no sabemos na maioria das vezes quais so as melhores concluses. Precisamos, por isso, de apresentar argumentos para sustentar diferentes concluses e, depois, avaliar tais argumentos para ver se so realmente bons.

Neste sentido, um argumento uma forma de investigao. Alguns filsofos e ativistas argumentaram, por exemplo, que criar animais s para produzir carne causa um sofrimento imenso aos animais e que, portanto, injustificado e imoral. Ser que tm razo? No podemos decidir consultando os nossos preconceitos. Esto envolvidas muitas questes. Por exemplo; temos obrigaes morais para com outras espcies ou o sofrimento humano o nico realmente mau? Podem os seres humanos viver realmente bem sem carne? Alguns vegetarianos vivem at idades muito avanadas. Ser que este fato mostra que as dietas vegetarianas so mais saudveis? Ou ser irrelevante, tendo em conta que alguns no vegetarianos tambm vivem at idades muito avanadas? ( melhor perguntarmos se h uma percentagem mais elevada de vegetarianos que vivem at idades avanadas.) Tero as pessoas mais saudveis tendncia para se tornarem vegetarianas, ao contrrio das outras? Todas estas questes tm de ser apreciadas cuidadosamente, e as respostas no so, partida bvias.

Os argumentos tambm so essenciais por outra razo. Uma vez chegados a uma concluso baseada em boas razes, os argumentos so a forma pela qual a explicamos e defendemos. Um bom argumento no se limita a repetir as concluses. Em vez disso, oferece razes e dados suficientes para que as outras pessoas possam formar a sua prpria opinio. Se o leitor ficar convencido de que devemos realmente mudar a forma como criamos e usamos os animais, por exemplo, ter de usar argumentos para explicar como chegou a essa concluso: assim que convencer as outras pessoas. Oferea as razes e os dados que o convenceram a si. Ter opinies fortes no um erro. O erro no ter mais nada.

O que um ensaio argumentativo

As regras para argumentar no so, pois, arbitrrias, tm, pelo contrrio, um objetivo especfico. Todavia, os estudantes (tal como outras pessoas que escrevem) nem sempre compreendem esse objetivo quando pela primeira vez se lhes pede que escrevam um ensaios argumentativo e, se no compreendem o objetivo do que lhes pedido, improvvel que o faam bem. Muitos estudantes, quando se lhes pede que argumentem a favor dos seus pontos de vista acerca de um qualquer assunto, escrevem afirmaes intrincadas, mas no oferecem verdadeiramente razes que levem a pensar que os seus pontos de vista so corretos. Escrevem um ensaio, mas no escrevem um ensaio argumentativo.

Este erro natural. No ensino secundrio a nfase colocada na aprendizagem de assuntos que so razoavelmente pouco ambguos e incontroversos. No necessrio argumentar que foi Vasco da Gama quem descobriu o caminho martimo para a ndia, ou que Ea de Queirs escreveu Os Maias. Estes so fatos que o estudante se limita a dominar e que os seus ensaios se. limitam a relatar.

Os estudantes vo para o ensino superior e esperam que as coisas sejam sensivelmente iguais. Todavia, muitos cursos superiores especialmente os que exigem trabalhos escritos tm um objetivo diferente. Estes cursos tratam das bases das nossas crenas; exigem que os estudantes questionem as suas crenas, que elaborem e defendam os respectivos pontos de vista. Os assuntos discutidos nos cursos superiores so freqentemente os mais ambguos e menos precisos. Sim, verdade que foi Vasco da Gama quem descobriu o caminho martimo para a ndia, mas quais foram as verdadeiras causas da poltica expansionista? Sim, verdade que foi Ea de Queirs quem escreveu Os Maias, mas qual o significado do romance? H razes e dados favorveis a diferentes respostas. Pede-se aos estudantes destes cursos que aprendam a pensar pela sua cabea, que formem opinies prprias de forma responsvel. A habilidade para defender opinies prprias um sinal dessa capacidade e por isso que os ensaios argumentativos so to importantes.

De fato, tal como os captulos VII-IX explicam, para escrever um bom ensaio argumentativo o estudante tem de usar argumentos simultaneamente como um meio de investigao e como uma forma de explicao e defesa das suas concluses. Para se preparar para escrever um ensaio, o estudante tem de explorar os argumentos que defendem os pontos de vista opostos; depois tem de escrever o prprio ensaio como um argumento, defendendo as suas concluses com argumentos e avaliando criticamente alguns dos argumentos dos pontos de vista opostos.

Plano geral do livro

Este livro comea por discutir argumentos muito simples e termina com os ensaios argumentativos.

Os